They Don't Know About Us
1 If they only knew they would just be jealous of us
Notas iniciais

—E é exatamente por isso que você não deve colocar gelo e sal na mão!
—A menos que queira se queimar!
—Eu sou Carly!
—Eu sou Sam!
—E esse foi o iCarly! -disseram em uníssono.
—E.... corta!
O alívio foi tomado pelos adolescentes quando Freddie desligou a câmera. Amavam apresentar o iCarly, mas as vezes precisavam fazer coisas que normalmente não fariam se não tivessem um público para agradar.
—Aí, na boa, acho que precisamos escolher melhor essas sugestões dos fãs! -disse Carly- Eles literalmente me fizeram queimar a mão com gelo e sal!
—Apoio! -disse Sam.
—O que vocês decidirem está bom para mim! -disse Freddie, enquanto limpava a lente da câmera.
—Até por que não é você que apresenta, não é nerd? -provocou Sam.
—Ainda bem por isso! Já é cansativo demais ficar atrás da câmera...
—E por falar em cansativo, eu estou moída! Três provas e o programa em um dia é demais para mim. Se vocês não se importam, vou descer e tomar um banho, ok? -disse Carly.
—Tudo bem! -disse Freddie.
—Pode ir lá, a gente termina de organizar as coisas aqui. -disse Sam.
Carly sorriu aliviada.
—Obrigada, eu não sei o que eu faria sem vocês!
Abraçou os dois amigos e em seguida entrou no elevador, acenando em despedida para Sam e Freddie.
Poucos minutos se passaram desde que Carly descera, o estúdio já estava ficando quase organizado quando Sam teve a iniciativa de olhar para Freddie.
—E aí, a barra está limpa?
O garoto foi em direção a porta e examinou o corredor, voltando para o estúdio logo em seguida.
—Sim!
—Tem certeza?
—Absoluta!
—Maravilha! -a garota disse como se tirasse um peso das costas e caminhou em direção ao garoto logo sentindo as mãos dele em sua cintura a puxando para um beijo, longo e apaixonado.
—Estava com saudades disso! -disse ele, ainda com os braços ao redor da loira.
—Eu também! Não via a hora de ter um pouco de privacidade, as últimas semanas têm sido uma loucura total!
—Nem me fale!
Ficaram cerca de dois, quase três minutos assim, abraçados com as testas coladas e olhos fechados, como se estivessem em uma outra dimensão, apenas deles, onde só eles habitam, só eles entendem.
Distanciaram os rostos alguns centímetros e se encararam por alguns segundos antes de Sam começar a rir.
—O que foi? -perguntou Freddie, sorrindo de canto.
—Nada, é que, estamos parecendo aqueles casais super melosos de comédia romântica, e eu nunca pensei que algum dia viveria isso.
—Ah, sim. -deu uma risadinha- É, vindo de nós isso é realmente engraçado...
—Está com fome? Quer ir a algum lugar? -ela perguntou, brincando com o colarinho da camisa dele.
—Sim para as duas perguntas, o que você acha de pedir uma pizza e a gente ir lá para a minha casa assistir Friends?
—Acho ótimo! Mas a sua mãe não vai estar lá?
—Não, ela foi viajar, ajudar uma prima dela que teve bebê.
—Ah, então sendo assim... bora!
—Bora!
Deram as mãos e saíram do estúdio pelo elevador.
{...}
Ao chegarem, ainda de mãos dadas, Sam acendeu as luzes do apartamento e fechou a porta, Freddie pegou o celular e discou o número da pizzaria.
—Ei, você vai querer de qual sabor? -perguntou ele, ainda na chamada com o atendente.
—Ah, sei lá... pode ser calabresa ou marguerita. -respondeu ela, arrumando o dvd na televisão.
—Calabresa e marguerita! Sim, sim, obrigado.
E desligou o telefone, indo se sentar ao lado de Sam no chão logo em seguida.
—E aí, já selecionou a temporada que vamos ver?
—Eu pensei na primeira, faz tempo que não assisto essa série, então achei melhorar relembrar o início.
Ele apenas assentiu, colocando uma mecha do cabelo loiro da garota atrás de sua orelha, arrancando um sorriso sincero dela, que o deu um selinho rápido.
—Vamos assistir agora ou quando a pizza chegar? -perguntou ela.
—Acho melhor quando a pizza chegar.
—Também acho, vem aqui com a mamãe. -disse ela, abrindo os braços.
Freddie sorriu e a envolveu em um abraço.
Minutos depois estavam conversando distraídos no sofá. Eles falavam sobre momentos engraçados que haviam passado juntos na infância, o porquê da comida italiana ser a melhor que existe, e que a banda Fleetwood Mac merecia ser tão reconhecida internacionalmente como outras bandas de rock dos anos 70.
Até que Sam parou de rir e ficou em silêncio durante um tempo razoável, bem mais do que o habitual.
—Sam, você está aí? -perguntou Freddie, em um tom descontraído enquanto fazia cosquinha na bochecha dela, que deu uma risadinha com o gesto.
—Estou, é que eu só... estava pensando!
—Em o que?
—É que... -levantou a cabeça para olhar para ele- eu amo você! E amo esses momentos em que passamos juntos, é legal escapar para lugares e namorar escondido, eu gosto da adrenalina, mas... -fez uma pausa- já estamos há quase 1 ano assim e eu me sinto cada vez menos confortável em esconder nosso namoro de todo mundo. Entende?
Houve um silêncio no ambiente, Freddie analisava cada palavra do que lhe fora dita e pensava nelas.
Sam tinha razão! Não podiam mais viver escondendo o que tinham, era injusto com as pessoas amadas e com eles também. Afinal, não eram amantes, eram namorado e namorada! Só havia um ao outro em suas vidas!
Mas, ao mesmo tempo, quando namoraram pela primeira vez, as vistas de todos, ninguém aceitou muito bem. Sua mãe literalmente elaborou um plano para separá-los com a ajuda de, pasmem, Gibby e Carly, que graças a Deus se arrependeram a tempo e acabaram com o plano que quase se concretizou. Mas ainda assim, mesmo que eles o tivessem ajudado no final, no fundo eles continuaram não aceitando, e a prova disso foi a conversa que ouviram de Carly, Spencer e sua namorada, no dia em que decidiram terminar.
Nenhum dos dois queria isso, mas sentiram na época que era o certo a se fazer.
O que lógico, não durou muito, três meses depois tiveram uma recaída e fora aí que decidiram voltar a namorar porém manter em segredo; eles não queriam mais causar problema para as pessoas mais queridas de suas vidas.
Então era uma situação altamente delicada, que exigiria muita coragem de suas partes para tornar o relacionamento público de novo.
Freddie acariciou o rosto da namorada.
—Eu sei meu amor, eu também não me sinto nem um pouco confortável com essa situação. Mas você se lembra como foi da última vez, não é?
Ela fechou os olhos e assentiu, como se estivesse decepcionada com as lembranças.
—Sim. Todos se voltaram contra nós... até a Carly!
—Então... -fez uma pausa- nós não vamos esconder deles a vida toda, mas precisamos agir com calma e coragem para fazer dar certo!
—Mas e se essa demora piorar tudo? Você se lembra de como a Carly ficou brava quando não contamos do nosso primeiro beijo para ela?
—Sim, mas eu vou te dizer uma coisa Sammy; nós amamos a Carly, ela é muito importante para nós, foi por intermédio dela que nos conhecemos, mas nós não somos dependentes dela para viver! Não temos mais 14 anos de idade, ela não pode exigir que contemos tudo de nossas vidas para ela, afinal, ela faz isso?
Sam apenas balançou a cabeça em negação.
—Então! Pensa nisso...
Depois de alguns segundos, a loira enfim disse:
—É, você tem razão!
Até que a campainha tocou.
—Hum, parece que a pizza chegou! -disse Sam.
—Finalmente! Vou lá atender.
{...}
Duas horas se passaram. Sam e Freddie haviam terminado de comer e a primeira temporada de Friends estava quase no fim.
Se encontravam deitados no sofá, a loira com a cabeça encostada no peito do moreno enquanto esse afagava seus cachos loiros. O sono já estava batendo á porta de ambos, mas decidiram terminar de assistir mesmo assim. E quando finalmente acabou, se levantaram, aliviados.
—Tinha me esquecido de como a primeira temporada é chatinha. -disse Sam.- Mas a cena da Rachel decepcionada com o casamento que não aconteceu e indo morar com eles é maneira.
—Sério? Eu acho a primeira legal, mas concordo que as outras são melhores.
Os dois riram e trocaram um selinho demorado.
—Bom, vou lá lavar a louça. -disse Freddie.
—Ok, quer ajuda?
O moreno arqueou as sobrancelhas.
—Sam Puckett perguntando se alguém precisa de ajuda para lavar a louça? Suspeito...
Ela riu e revirou os olhos.
—Ai, larga de ser bobo, Benson! Só perguntei porque é nítido que você não está se aguentando em pé.
Dessa vez fora ele quem dera uma risadinha.
—Bem, você também está morrendo de sono, pude te ouvir bocejar umas três vezes.
—Sim, mas eu sei controlar melhor meu sono do que você. -ela disse enquanto pegava os copos e a garrafa de refrigerante na mesa, se levantou e cruzou a sala até ficar de frente para ele. -E além do mais, eu quero ficar grudada o máximo possível no meu nerd!
Ele sorriu de canto, deixando as caixas vazias encima do balcão da cozinha.
—Ah é? Então a senhorita vai dormir aqui comigo hoje! Só vou te deixar ir embora amanhã.
—E quem disse que eu quero ir hoje? -ela retrucou, em tom provocativo.
Freddie analisou o rosto da namorada por alguns instantes, o sorriso bem desenhado, as íris azuis que mais pareciam um oceano, -do qual ele poderia se deixar perder eternamente-, as leves sardas, e o cabelo loiro que parecia contornar perfeitamente suas feições, como uma moldura de um quadro exposto em um museu.
Levou a mão direita as suas bochechas e as acariciou. Sam fechou os olhos e sorriu, se permitindo sentir aquele carinho, ela amava quando ele fazia isso. Em seguida, colocou novamente uma mecha de seu cabelo atrás da orelha e a trouxe mais para perto.
Naquele momento se sentiu sortudo por tê-la em sua vida, por terem se apaixonado apesar das implicâncias e do "ódio" que sentiam um pelo outro na infância. Se sentia também grato por se darem tão bem, porque, ele já não conseguia imaginar uma vida sem Sam Puckett, a rebelde louca esfomeada que mesmo sendo considerada por muitos uma tempestade, para ele era o sol da manhã, a aurora boreal capaz de iluminar sua vida e levar leveza a mesma.
Freddie amava Sam.
E nada parecia mais tão certo, do que a presença dela em sua vida.
Era uma droga não poder gritar isso para o mundo como fizera há 1 ano atrás durante aquela exibição do iCarly.
—Suponho que você queira lavar essas louças amanhã... -disse ele, baixinho no ouvido da loira, que por sua vez sentiu todos os pelos de seu corpo se arrepiarem.
—Pode ser. São só dois copos mesmo.
Se olharam durante poucos segundos e então começaram a rir da fala dela.
—Eu te amo! -declarou ele.
—Eu também te amo! -declarou ela de volta.
Em um ímpeto, Sam pulou no colo de Freddie, enlaçando suas pernas na cintura dele, e logo se viram em mais uma sucessão de beijos.
Meia hora depois estavam deitados na cama do garoto, vendo da janela a chuva que começara a cair em Seattle há poucos minutos. Não demoraria muito a caírem no sono, tendo em vista não apenas o cansaço do dia, mas também as carícias trocadas assim que entraram no quarto.
Havia música tocando no apartamento ao lado, eles não conheciam, mas parecia ser clássica, como as de Beethoven. O que fazia sentido, afinal, o vizinho do lado era professor de piano. O jovem casal adormeceu ao final daquela música, ainda abraçados, como se assim pudessem eternizar o momento, afim de que nunca mais se separassem.
A única parte ruim dos momentos em que passavam juntos, era a hora da despedida e principalmente, quando precisavam agir como se não houvesse nada mais entre eles. Era doloroso para Sam insultar Freddie como fazia antes do namoro, era doloroso para Freddie ver Sam todas as manhãs na escola e não poder beija-la como costumava fazer quando namoravam publicamente. Mas o pior dos dois lados era saber que esse era o preço para continuarem vivendo o amor que nutriam um pelo outro.
Afinal, como uma vez disse Anne Frank; não basta sentir o amor, ele precisa pular para fora e se revelar em toda sua magnitude.
E apesar do amor de Sam e Freddie não poder ser revelado em toda sua magnitude de forma pública, ele estava se revelando naquele quarto, naquela hora, e enquanto eles estivessem juntos, afinal, eram almas gêmeas.
{...}
Sam despertou com os pequenos raios de sol que começavam a entrar no quarto através da única fresta fechada da cortina. Se virou para o lado e sorriu ao ver Freddie dormindo, se admirou como ele dormia mais pesado que ela. Acariciou levemente o cabelo dele e depositou um beijo em sua bochecha. Logo, se virou para o lado oposto da cama e checou o relógio no celular; 06:00. Precisava ser rápida se quisesse sair do Bushwell sem ser vista.
Com cuidado, tirou o braço que a envolvia de sua cintura e sorriu ao constatar que estava usando uma camiseta de Freddie. Se levantou, vestiu suas roupas, e ajeitou o cabelo com a câmera do celular. Logo, foi até a escrivaninha do garoto e anotou um bilhete rápido, o deixando encima do travesseiro que minutos atrás repousava seus cachos loiros, ao lado do garoto.
Se dirigiu a porta, mas antes que saísse, deu uma última olhada para Freddie, que continuava dormindo tranquilamente em sua cama.
—Eu te amo tanto, meu nerd! -sussurrou, ainda na soleira da porta. E então, a encostou, se dirigindo para a saída do apartamento.
...
Bom dia meu nerd lindo e maravilhoso,
Eu sei que prometi te ajudar a lavar aqueles dois copos e organizar a sala que bagunçamos ontem, mas quando eu acordei era seis horas, precisei pular da cama. Mas tenho fé que em breve isso vai acabar, as pessoas vão ter que engolir nosso romance com farinha e sem reclamar!
Te vejo dentro de algumas horinhas.
Com amor, sua Sammy! :)
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