They Don't Know About Us
2 Notícias Surpreendentes
Notas iniciais
Dormi muito pouco essa noite e, assim que amanheceu, sai da cama. Estava nervoso e animado, afinal nós iríamos voltar para casa.
Antes de me reunir com os outros verifico se já havia pego todas as minhas coisas, depois de fazer uma varredura no quarto deixo as bolsas para colocar na sela do Banguela para depois. Ele fica mal-humorado quando é acordado. Saio do quarto a procura de alguma fruta, desde o dia em que eu desmaiei eu procuro sempre me alimentar direito, pego uma maçã, me sento no mesmo lugar que estava ontem e começo a comer.
Aos poucos é possível ouvir os pilotos acordando, a movimentação e a animação. Eu continuo sentado, agora apenas observando o mar. Fico pensando no que falar, em como falar até que Perna De Peixe me interrompe.
– Soluço por incrível que pareça estamos quase prontos. Só falta colocar as selas nos dragões
– Muito bem. Então vamos para casa
– Vamos para casa
Levanto-me e Perna me acompanha
– A Batatão está tão feliz em voltar para Berk, as pedras de lá tem um acabamento bem melhor.
– Estamos todos felizes em voltar para Berk
E estávamos, eu e Astrid podíamos estar nervosos e angustiados, mas estávamos felizes em voltar para o nosso lar.
Volto para o meu quarto, pego as bolsas e dou uma última olhada como se me despedisse. Foram bons tempos aqui.
Vou para junto de todos e arrumo as coisas no Banguela
– Está muito pesado amigão
Ele faz que não, mas eu fico desconfiado.
– Tem certeza? Eu posso deixar algumas coisas para trás
O Banguela faz uma cara brava por eu ter duvidado de suas capacidades e eu apenas reviro os olhos
– Dragão teimoso
Subo nele e faço carinho no seu pescoço. Espero os outros pilotos montarem e levantamos voo
– Será que conseguimos chegar hoje ou vamos parar para montar acampamento?
– Isso só depende dos dragões Perna De Peixe
Eu respondo, olho para trás e o vejo assentir.
– E então amigão acha que conseguimos fazer tudo em uma viagem??
Banguela faz que sim, mas eu não falo para os outro, pois podia ocorrer alguma eventualidade, principalmente com a sorte que temos.
Estávamos voando por um bom tempo quando Astrid se aproxima
– Teve alguma ideia?
– Não. E você?
– Nenhuma
– Com quem você acha que devemos falar primeiro?
Ela pergunta em um sussurro com receio de que os outros escutem
– Eu acho que deveríamos falar com todos juntos e também chamar o Bocão
– Por que todos juntos e mais importante ainda por que o Bocão?
– Se chamarmos seus pais e meu pai juntos nenhum deles irá reclamar por ter sido o segundo a saber.
Falo e espero, pois o Melequento começou a olhar em nossa direção, mas logo ele para e eu prossigo.
– E o Bocão é como se fosse meu segundo pai. Gostaria que ele fosse um dos primeiros a saber
– Mas não será mais um para ficar contra nós?
– Acredito que não. O Bocão, mesmo que secretamente, sempre apoiou minhas escolhas.
– Se você quer que ele esteja presente quem sou eu para impedir
Ela fala sorrindo
– Mais alguma coisa?
– Por que você só pergunta. Já tentou pensar em algo?
Eu falo em tom brincalhão e ela retruca
– A culpa não é minha se quem sempre tem os planos é você
– Você quer dizer aqueles meus planos suicidas em que eu quase não saio vivo? Você tem certeza que quer que eu pense em uma abordagem para falar com os nossos pais?
Eu falo e ela começa a rir e eu também, mas mesmo rindo ela fala.
– É você tem razão é melhor eu ter um plano. Queremos ambos sair vivos não queremos?
– Vamos fazer assim daqui até avistarmos Berk pensamos em alguma coisa depois falamos nossas ideias e escolhemos a melhor
Eu falo e ela concorda. Afastamo-nos para não levantarmos mais suspeitas ao Perna De Peixe e eu me ponho a pensar.
Fico pensando, mas nada me vem à mente. Quando acho que meu cérebro finalmente vai explodir avisto Berk.
– Estamos chegando
Eu falo para os pilotos que comemoram. Astrid também comemora e vem com Tempestade e fica do meu lado
– E então?
Ela pergunta esperançosa
– Astrid eu não consegui bolar nenhum plano. Vamos simplesmente falar como nos sentimos e o que nós fizemos e que sentimos muito por não termos avisado antes
– Soa como um plano para mim
Ela fala sorrindo
– Algum plano reserva?
Eu penso mais um pouco e não acredito que não tenha cogitado isso antes
– A anciã
– Como assim a anciã?
– Se nós falharmos em convencê-los nós podemos recorrer a anciã. Pedir se ela abençoa nosso casamento
– Mas ela pode não abençoar
Astrid fala com pesar
– Por isso essa deve ser a última coisa que faremos. Depois de termos tentado de tudo.
– Ok
– O casalzinho pode parar de conversar um pouco. Vamos logo aterrissar
Melequento fala colocando-se entre Astrid e eu
– Claro Melequento, vamos pousar.
Eu falo revirando os olhos
– Atenção pilotos preparar para pousar em frente à oficina do Bocão
Eu falo ao ver as pessoas reunidas ali nos esperando. Os pilotos assentem e todos começamos a aterrissagem. Assim que aterrissamos somos muito bem recebidos por nossos entes queridos e por toda Berk
– Filho e bom ter você de volta
Meu pai fala dando um de seus conhecidos abraços esmagadores. Não vou negar, senti falta desse abraço.
– Soluço e bom tê-lo de volta. A oficina não é a mesma sem você
Bocão fala me dando um tapinha nas costas que quase me desmonta.
– É bom estar de volta
Eu falo sorrindo. Meu pai sorri de volta, imagino por quanto tempo esse sorriso se manteria em seu rosto.
– Atenção cidadãos de Berk hoje a noite terá um banquete no Grande Salão para celebrar a volta dos pilotos para casa
Meu pai fala e todos os vikings gritam em comemoração. Procuro Astrid no meio daquela bagunça e quando nossos olhares se encontram ela mexe seus lábios dizendo "vamos para sua casa" eu apenas assinto com a cabeça e tento chamar a atenção de meu pai e de Bocão
– Pai, Bocão eu preciso falar algo muito sério com vocês.
Eles ficam apreensivos
– Pode falar filho
– Não aqui. Venham, vamos para casa.
Meu pai e Bocão assentem e me seguem enquanto eu faço o tão conhecido caminho para minha casa. Quando chegamos Astrid e seus pais já estavam lá
– O que os Hofferson estão fazendo aqui?
– Também não sabemos Stoico. Astrid simplesmente nos arrastou ate aqui
– Nós trouxemos vocês aqui porque temos algo muito importante para falar
Eu falo e seguro a mão de Astrid. Vejo pelo canto do olho que sua mão está sem o anel. Ela tirou para evitar confusão antes da hora, garota esperta. Olho em seus olhos e ela me passa confiança para continuar
– Pai, Bocão, Senhor e Senhora Hofferson há alguns meses quando estávamos no Domínio Do Dragão eu...
Respiro fundo antes de continuar e os adultos me encaram com impaciência
–... Eu pedi a Astrid em casamento
Eu falo em um fôlego só e espero todos absorverem a notícia enquanto minha loirinha faz caricias em minha mão tentando me acalmar, o que não dá muito certo, pois ela estava tão nervosa quanto eu.
– E cadê o anel?
Bocão é o primeiro a falar alguma coisa tirando todos, inclusive eu e Astrid, de um transe.
– Está aqui
Astrid fala retirando o anel do bolso e fazendo menção de colocá-lo novamente em sua mão
– Não ouse colocar esse anel
O senhor Hofferson fala em tom severo que faz com que Astrid pare imediatamente
– E por que não pai?
– Vocês não acham que são muito novos para assumir um compromisso assim? Que foi muito precipitado? Eu não estou certo Stoico?
O senhor Hofferson pergunta para meu pai que até agora estava encarando o anel
– Sim Lamont eles são muito novos
O senhor Hofferson sorri ao ver que o líder compartilha de sua opinião
– Mas pai nós nos amamos
Astrid fala tentando argumentar
– Mas nós não aceitamos a união. Vocês sabem que o correto era pedir aos pais da futura noiva se eles estão de acordo. Vocês nem tiveram a consideração de fazer isso
A senhora Hofferson se manifesta pela primeira vez
– Desculpe a intromissão senhor e senhora Hofferson, mas a felicidade de sua filha não conta? Afinal como ela já disse nós nos amamos. Nos amamos muito e queremos passar o resto de nossas vidas juntos
– Vocês são muito novos para saber sobre o resto de suas vidas
O senhor Hofferson retruca
– Podemos ser muito novos, mas a Astrid é especial para mim.
– E o Soluço é especial para mim
– Não me importa quem é especial para quem isso não vai acontecer
Meu pai fala, ou melhor, grita fazendo com que eu e Astrid fiquemos quietos. Dirijo meu olhar suplicante para Bocão, implorando por ajuda, mas ele apenas olha para baixo como se não pudesse fazer nada.
– Lamont, por favor, leve sua família para casa, preciso ter uma conversa com meu filho.
– Como quiser Stoico
– Mas pai...
– Mas nada Soluço. Entre em casa e torça para que eu lhe deixe ir ao banquete
Olho uma última vez para Astrid e entro em casa com os ombros caídos me sentindo um fracasso.
– Bocão eu realmente acho que eu deveria falar a sós com o Soluço
– Tem certeza?
Escuto meu pai e Bocão falando do lado de fora
– Tenho sim amigo. Obrigado
– Se precisar vou estar na oficina
Bocão fala enquanto meu pai entra em casa
– De todas as coisas estúpidas que você já aprontou essa foi uma das piores
– Não foi uma estupidez
– Pedir a garota sem o consentimento dos pais dela? Sem o meu consentimento? Foi uma grande estupidez
– O que você queria conversar comigo
Eu falo tentando fazê-lo parar de chamar o meu ato romântico de estúpido.
– Você não pode se casar com essa garota
– E por que não?
Eu pergunto irritado
– Porque temos que estabelecer a paz com os Berserkers
– E o que uma coisa tem haver com a outra?
Eu pergunto tentando manter o pouco de calma que me restava
– Você sabe que Dagur morreu o que deixou os Berserkers meio perdidos
– Sim eu sei
– Então Alvin assumiu a tribo até a irmã de Dagur se casar. Ele se tornou seu guardião
– Eu ainda não entendi o que eu tenho haver com tudo isso
– Soluço você é mais inteligente que isso.
Meu pai fala, suspira pesadamente e continua.
– Alvin ofereceu a mão da irmã de Dagur a você e eu aceitei
– Como você pode fazer isso? Eu nem conheço a irmã de Dagur e mesmo que eu conhecesse você acabou de dizer que eu sou muito novo para noivar com Astrid, por que eu não sou muito novo para noivar com a irmã de Dagur.
– Em primeiro lugar se acalme
Ele fala e eu tento controlar minha respiração
– E em segundo lugar você conhece a irmã de Dagur sim. Se eu me lembro bem foi ela quem roubou a Tempestade...
– Heather!
Eu falo e tento fazer com que meu cérebro funcione, mas parece que travou. Tudo o que eu consigo fazer é respirar
– Soluço
Meu pai fala e fica preocupado quando eu não respondo
– Soluço
Ele fala novamente me chacoalhando e eu explodo
– Como você pode fazer isso comigo? De que adiantou me dar aquele anel idiota e me dizer sobre o amor? Se no final você iria arrumar uma casamento arranjado. Por que você me deu aquele anel e junto com ele a ilusão de que eu tinha uma escolha?
Eu grito com ele e para a minha surpresa ele responde calmamente
– Soluço você nunca se perguntou por que eu tinha esse anel? Porque o anel não foi perdido junto com sua mãe?
Ele fala segurando as lágrimas
– Foi porque meu pai me deu aquele anel e falou as mesmas palavras que eu falei para você e depois me arrumou um casamento arranjado. No começo eu odiei, mas depois eu aprendi a amar e amo até hoje de todo coração minha esposa, minha Valka.
Ele fala e uma lágrima solitária cai de seu olho
– Mas isso é diferente, eu já estou noivo de Astrid. E mesmo se eu não estivesse eu a amo demais eu jamais me casaria com outra
– Infelizmente você vai meu filho. Porque um líder protege os seus e isso é o melhor para Berk
Ele fala e vai para a porta
– Espero você no Grande Salão e nem pense em não aparecer. Ah! Eu quase me esqueci, o navio de Heather chega amanhã.
Ele fala e a porta se fecha. Eu grito com todas as minhas forças. Como ele pode fazer isso comigo? Por que ele fez isso comigo? E o pior de tudo: como eu vou contar isso para a Astrid?
Fale com o autor