These Gray Eyes
6 Capítulo 6
Notas iniciais
POV Annie
De longe eu já enxergava sua silhueta encostada no meu carro. E instantaneamente eu sorri.
Isso já estava ficando ridículo.
– Hey herói. – Destravei o carro e ele levou um susto e se virou pra mim.
– Oi loira. – Abri a porta do motorista e ele a do passageiro. Não deu tempo nem de colocar a chave na ignição, Percy me pegou pelo queixo e cobriu meus lábios com os seus. Eu ri da sua pressa e o agarrei pela nuca derrubando a chave em algum lugar que eu não estava me importando no momento. Sua língua se entrelaçou com a minha da maneira certa e eu meio que me joguei pra cima dele no carro. Ele riu e me segurou firmemente pela nuca chupando meus lábios.
– O que...? – Ele me beijou de novo e eu gemi quando mordeu meu lábio inferior. – Uou. – Eu disse quando consegui recuperar o folego. Ele riu olhando nos meus olhos e tirando a franja que caia sobre eles.
– Ai caralho, você é viciante demais. – Ele disse e encostou nossos lábios em um longo selinho pra depois se afastar e se ajeitar no banco. Eu apoiei as mãos no volante e segurei firme esperando voltar ao normal.
– Minha nossa, que pressa. – Ele soltou uma risada rouca.
– Aqueles beijos roubados no restaurante só me deixaram com mais vontade dessa sua boca. – Ele disse isso de uma maneira que me deixou muito quente.
– Não pense que pra mim estava sendo fácil herói. – Fui ligar o carro e percebi que tinha deixado a chave cair. – Merda de chave. – Me abaixei pra procurar e ali não estava. – Deve ter caído por ai. – Eu apoiei a mão na sua perna e inclinei o corpo pra procurar.
– Não, não, não Annie. – Ele disse me impedindo.
– Eu preciso achar a chave!
– Deixa que eu procuro, meu auto controle não é tão forte assim. – Ele se abaixou pra pegar e eu boiei um pouco. Quando eu entendi o que ele quis dizer senti minha cara pegar fogo, e recebi a confirmação de estar perecendo um tomate quando ele levantou com a chave na mão e riu abertamente da minha cara.
– Não é engraçado. – Ele riu ainda mais e eu tomei a chave da sua mão.
– É sim loira. — Ele pegou meu queixo delicadamente de novo e encostou nossos lábios em um longo selinho me deixando com vontade de aprofundar o beijo quando se afastou. Eu literalmente rosnei e o puxei pela gola da camisa o obrigando a me dar um beijo descente. Ele riu, mas me atendeu. – E fica cada vez mais engraçado. – Eu revirei os olhos sorrindo e lhe dei mais um selinho antes de ligar o carro.
– Então aonde vamos? – Perguntei. Ele deu de ombros e jogou sua bolsa no banco traseiro.
– Nada de festas hoje. Não ganhei nenhum convite. – Ele deu de ombros e eu ri.
– Ta perdendo a prática é? – Perguntei debochando da sua cara.
– Fica mais fácil quando se responde as cantadas. Hoje eu só dei toco!
– Tadinho. Ta arrependido? – Olhei pra ele parando no sinal vermelho e o vi sorrir.
– De maneira alguma. – Como uma idiota eu senti uma coisa na barriga, um frio ou algo parecido. Aquela sensação que se tem antes de ir apresentar um trabalho pra toda a sala ver sabe?
Essa sensação.
– Pois então, aonde vamos? – Ele deu de ombros.
– Pra onde você quiser ir. – Eu sorri imaginando um lugar.
...
– É uma bela vista. – Ele disse saindo do carro. Eu dei a volta e me sentei sobre o capo.
– Eu sempre gostei de ver a cidade. É uma bela visão, poucas pessoas vêm aqui. Eu vinha, você sabe, me esconder. – Ele assentiu olhando pra enorme ladeira onde nós estávamos.
Levei Percy para um lugar que eu conhecia. Em um dia onde não queria ir pra festa nenhuma só dirigir sem rumo por ai. Entrei em uma estrada de terra e ela deu aqui. É um bom lugar.
Percy olhava pra cidade com os olhos surpresos. E ele ficava ainda mais bonito nessa hora do dia, com o sol tímido se escondendo deixando o céu com uma mistura de rosa e azul. Ele se virou pra mim com o rosto calmo e os olhos verdes em paz, me deixando em paz também. Sorri pra ele e ele retribuiu, colocando as mãos sobre os meus joelhos e subindo devagar, eu não me senti desconfortável com esse gesto, não havia malicia nos seus movimentos.
Ele escorregou suas mãos até entrelaça-las nas minhas costas. Seu rosto ficou bem próximo ao meu. Ele riu e encostou nossos narizes.
– Nanica. – Eu sorri e capturei seus lábios.
Ele ditou o ritmo dessa vez. Lento e molhado, conseguia ser afoito, mas de uma maneira calma. Um beijo completo de sentimentos e desejo. Eu o desejava demais. Isso era perigoso. Nos separamos depois de uma quase completa falta de ar.
– Então. – Ele disse quebrando o silencio. Eu ri e acariciei sua nuca vendo-o fechar os olhos apreciando o carinho.
– Então o que? – Ele deu uma risada fraca e levantou a cabeça me dando um beijo na testa.
– Não sei. – Eu o abracei suspirando. Ok Annabeth, agora você suspira. Que coisa ridícula.
– Me diga o que esta se passando nessa sua cabeça? – Eu perguntei passando a mão pelos fios negros.
– Annie. – Eu sorri pela menção do meu apelido e o encarei. Ele bufou indeciso e me beijou de novo. – Ok, é o seguinte. Eu não quero só ficar com você.
– O que? Vai me pedir em namoro? – Eu disse rindo, mas ele não me acompanhou. Estava sério. – Não, Percy. Pelos deuses eu disse que era pra ver como caminhava.
– Eu já to vendo. Nós estamos aqui juntos, eu não aceitei cantada de ninguém e sinceramente loira desde a primeira festa eu já sabia o que eu queria. – Ele me disse sério e como estava perto de mim eu não conseguia pensar com muita coerência.
– Mas...
– Mas o que? Você já me contou toda a sua vida e só de pensar em alguém te machucando isso também me machuca. Eu não sei como nomeiam isso até porque eu também nunca senti, mas acho que é um bom sentimento. Eu quero estar com você e não quero te ver com mais ninguém nem quero estar com mais ninguém também, e até onde eu sei eles chamam isso de namoro. – Eu o encarei enquanto ele massageava meus cabelos. – A não ser que você, sabe, não queira ficar comigo.
– Eu quero, mas compromisso? – Ele revirou os olhos.
– É ué. Não ta pronta pra deixar a vida de farra? – Ele disse brincando.
– Pra ser sincera eu não sei nem como eu entrei nela. – Ele riu e me deu um selinho.
– Então o que me diz? – Eu fitei ele por um tempo antes de responder.
– Tem certeza que é isso o que você quer? – Eu perguntei, ele bufou e me abraçou.
– Lógico que não. – Revirei os olhos e o fiz me encarar. – Estou me jogando de cabeça nisso não ta vendo? – Eu sorri por ele ter usado as mesmas palavras que eu conversando com o quadro do meu pai.
– E se não der certo? – Ele deu de ombros e me puxou pelas pernas me fazendo entrelaça-las na sua cintura.
– Então voltamos a ser os cafajestes que se encontram no canto escuro e compartilham a cerveja. – Ele disse sorrindo e não tive como não retribuir.
– Tudo bem herói. – O abracei pelo pescoço. – Vamos cair de cabeça. – Ele sorriu lindamente pra mim e me beijou. Do nada ele interrompeu o beijo pela metade.
– O que namorados fazem? – Ele perguntou e eu gargalhei.
– Acho que isso que estamos fazendo agora, eu acho. Sou tão nova quanto você nisso. Vamos perguntar pra Thalia amanha. – Ele concordou e voltou a me beijar.
...
– Isso é bem ridículo sabia? – Ele comentou assim que eu estacionei na frente da sua casa. Eu ri.
– Não acho ridículo. Porque eu deixaria você pegar um taxi sendo que eu posso te trazer até aqui?
– Porque eu me sinto um aproveitador. – Eu ri e tamborilei os dedos pelo volante e tirei o sinto me virando pra ele.
– Pois você não é. Está me ajudando a chegar mais tarde em casa sem estar bêbada. – Ele deu um leve sorriso e passou a mão pelo meu rosto.
– Não esta tarde o suficiente. Tem certeza que quer ir pra casa agora? Você pode entrar...
– Não, não Percy. Seu pai está em casa.
– E dai?
– Ok isso já é rápido demais. – Ele riu e desviou os olhos dos meus.
– Eu disse que sou novo nessas coisas. Eu... eu só gosto de você e quero que conheça o meu pai porque tenho certeza que vocês se dariam super bem e porque não quero ver você naquela casa com aquele homem... – Ele desembestou a falar e eu ri e o calei com um beijo.
– Não hoje ok? – Ele assentiu e me deu mais um ultimo beijo saindo do carro. Esperei ele entrar dentro de casa pra dar partida no carro e ir embora.
Eu cheguei radiante em casa, encontrei com Hermes na cozinha e ele tinha me preparado um suco de morango com leite condensado e calda de chocolate. É um amor.
Tomei o suco que nem uma esfomeada e beijei seu rosto subindo as escadas rapidamente.
Antes de entrar no meu quarto senti um corpo se espremer contra o meu e segurei a ânsia de vomito.
– Mas veja! Que agradável surpresa minha querida enteada. – Me debati tentando escapar do seu aperto, isso só o fez me prensar mais sobre a porta e eu senti sua ereção nojenta relando em mim. Fechei os olhos com força para evitar o vomito e as lágrimas escorreram pelo meu rosto.
– Não. Por favor, Ares. – Chorei implorando quando ele passou sua mão áspera pelo meu corpo. Ele gemeu.
– Isso, Annabeth querida, implore. – Ele apertou meu seio por cima da blusa e eu bati a cabeça na porta tentando pelo menos estar desmaiada quando ele finalmente conseguisse o que queria. Ele me virou de frente pra ele e segurou minha bochecha com força. – Ah, você é tão linda querida. – Apertei os olhos com força evitando olhar pro eu rosto nojento. Ele colou sua boca na minha e tentou enfiar sua língua podre dentro dos meus lábios. Eu deixei e quando ele enfiou a mão no meio das minhas pernas eu mordi sua língua com toda a minha força e o chutei bem no saco.
Ele caiu aos meus pés gemendo de dor.
Eu não esperei pra me vangloriar, abri a porta correndo e a tranquei.
Escorreguei até o chão e chorei, sentindo um buraco se abrir no meu peito.
– Sua vadiazinha de quinta! Tem sorte por ser tão gostosa garota, se não já estaria morta. – Ele socou a porta e eu tremi chorando cada vez mais.
Me arrastei até a cama e deitei me encolhendo. Olhei pro porta-retratos do meu pai e alcancei o celular.
...
POV Percy
Entrei assoviando em casa e vi meu pai no computador vendo os catálogos. Cheguei por trás dele e dei um tapa no seu ombro, ele deu um pulo e se virou pra mim.
– Filho! – Ele riu e me deu dois tapas nas costas.
– Pai, o que está fazendo ai uma hora dessas? – Ele se levantou e foi pra cozinha, eu o segui.
– Estou adiantando um serviço. O cliente pediu uma mangueira amarela mas não acho na loja aqui, vou ter que ver na da cidade vizinha. – Revirei os olhos e abri a geladeira pegando a jarra de suco.
– E não poderia fazer isso amanha Poseidon? – Ele riu.
– Eu tinha tempo esperando meu filho chegar em casa. – Ele levantou os olhos olhando pro relógio da cozinha. – Mas até que dessa vez você não chegou tão tarde, e até parece sóbrio. – Eu ri e coloquei o suco em um copo.
– É porque eu estou. – Eu tomei um gole e ele ficou me observando.
– Uau. Isso é novo. Não que você me de trabalho nem nada do tipo, mas você é como eu, antes de conhecer a sua mãe. – Ele sorriu nostálgico.
– Disso eu tenho certeza. – Eu coloquei o copo sobre a mesa e sorri.
– Ok, o que tem pra me dizer? – Ele cruzou os braços e me encarou firmemente.
– O que? Porque acha que eu tenho que te fala alguma coisa?
– Por quê? Porque anda sorrindo pelos cantos, não foi à festa nenhuma e está até vestido decentemente. – Encarei ele em choque.
– O que? Eu não me vestia bem antes? – Ele riu.
– Não mesmo Percy, mas olha pra você agora. – Eu ri e tomei mais um gole do meu suco.
– Tudo bem pai, talvez eu tenha alguma coisa pra te contar. – Ele fechou os olhos em fenda e apoiou as mãos na mesa.
– AHA! Eu sabia. Vai o que é? Por favor filho, eu sei que eu não tenho que me preocupar até porque eu sei que é uma coisa boa. Eu sei que você está feliz...
– Pai! Calma. Eu to namorando! – Ela calou a boca e eu respirei aliviado. Olhei pra cara espantada dele e gargalhei.
– NAMORANDO? – Ele gritou e eu ri ainda mais.
– É! – Ele puxou um banco e se sentou com uma cara abobalhada.
– Com quem? Como isso aconteceu? Como ela é?
– Pai! – Ele respirou fundo e fez um sinal com a mão pra eu prosseguir. – Então, seu nome é Annabeth. – Ele deu um pequeno sorriso, mas logo voltou a sua cara de espanto. – E, eu pedi ela em namoro agora pouco.
– Você pediu?
– Pedi. Nós não sabemos muito bem como... como isso vai dar certo. Mas nós vamos tentar. – Eu fiquei em silencio enquanto ele me fitava. – Eu gosto muito dela pai, gosto mesmo. – E finalmente ele sorriu.
– É isso ai meu filho, chega um momento da vida em que nosso coração é fisgado. – Eu revirei os olhos, ele e suas metáforas de pescador. – Me conta como ela é. – Eu suspirei. – Olha ai você ta suspirando. – Eu revirei os olhos novamente.
– Desse jeito eu não vou te dizer como ela é! Se você quer saber, eu não vou dizer. – Ele abriu a boca em um O.
– Como é? Porque não?
– Porque você vai zombar de mim! – Ele riu e veio me abraçar.
– Não vou fazer isso filhão. – Ele disse mas já estava rindo.
– Você não merece isso Poseidon. Vai ficar curioso. – Dei um soco no seu braço e me soltei. Ele me olhou chocado.
– O que? Não pode fazer isso filho! Eu te carreguei dentro desse saco aqui durante uma vida! Eu tenho esse direito. – Eu ri do drama que ele estava fazendo e corri pro meu quarto.
– Ah você perdeu ele quando riu da minha cara. – Ouvi ele xingar, ri e fechei a porta me jogando na cama.
Sorri e coloquei o braço sobre os olhos. Peguei meu celular olhando debilmente pra ele, e como um milagre ele tocou mostrando o seu nome na tela.
– Sabe que eu estava pensando... – Eu atendi sorrindo, mas tudo mudou quando eu ouvi soluços do outro lado da linha. – Annie! – Levantei da cama em um salto.
– Você tinha razão Percy, Eu devia ter entrado. – E mais soluços. Sentei na cama desolado e esfreguei os olhos. Eu estava vendo vermelho, peguei qualquer coisa sobre meu criado mudo e joguei no chão vendo se desfazer em vários pedaços.
– Annie, o que ele fez? – Eu disse em um sussurro. Meu pai entrou no quarto assustado pronto pra gritar alguma coisa, mas quando viu meu estado ele se calou.
– Ele quase conseguiu Percy. – Ela disse com em meio a um soluço e eu soquei a cama e puxei meus cabelos. Meu pai se sentou ao meu lado e afagou minhas costas.
– Isso não pode continuar assim Annie. Tem que acabar. – Ela chorou mais e isso partiu meu coração.
– Eu sei. – Ela soltou mais um soluço e respirou fundo. – Eu não sei como...
– Nós vamos encontrar um jeito ok? Você quer que eu vá ai? Eu, eu vou ligar pro Grover...
– Não, não Percy, o que vai fazer aqui? – Ela deu uma leve risada.
– Eu não sei! O que os namorados fazem? – Ouvi ela rir novamente e respirei fundo me acalmando.
– Eu não sei. Você está sendo ótimo me acalmando do outro lado da linha. – Eu sorri.
– Eu queria estar ai.
– Eu queria que você estivesse aqui.
– Então me explica o porquê deu não estar?
– Porque eu tenho um padrasto maníaco que não pode nem imaginar a sua existência.
– Porque não?
– Eu não quero que ele acabe com a minha única esperança de ser feliz. – Eu fiquei em silencio apreciando aquelas palavras. – Isso já está ficando bem dramático né? – Eu ri.
– É bom ter um drama na história pra não ficar tão monótono. – Ela riu.
– Ainda da tempo de escapar. Primeira noite de namoro e eu já estou te enchendo o saco.
– Eu não sou o tipo de cara que foge dos desafios loira. E você vale muito a pena. – Até esse momento eu tinha esquecido do meu pai ali, mas ele deu uns tapinhas na minhas costas sorrindo animado, rolei os olhos. – E você não está me enchendo o saco, vamos perguntar pra Thalia amanha, mas tenho certeza que namorados se ligam de noite pra ficarem em silencio dos dois lados da linha. – Ela riu e eu finalmente soltei a coberta, que nem tinha percebido que estava apertando.
– Estamos evoluindo então herói. Nós não estamos em silencio, sorte a sua ter uma namorada dramática.
– Sorte a sua ter um namorado que adora dramas. – Meu pai riu assim como ela do outro lado da linha.
– Te vejo amanha garçom. – Eu sorri.
– Com certeza loira. Um beijo.
– Outro.
Eu não desliguei, mas também não ouvi ela desligar. Eu ri.
– Agora é oficial. – Ela riu também.
– Estamos pegando o jeito. – Ela disse e desligou. Eu sorri e bloqueei o celular.
– Ela é loira filho? – Gargalhei.
– É sim pai!
– E vai me explicar porque o relógio está despedaçado no chão? – Ele perguntou cauteloso. Eu parei de sorrir e me levantei catando os destroços do chão.
– São tantos porquês pai, mas não sou eu quem posso responde-los. – Ele assentiu e se levantou me ajudando a catar.
– Entendo, quero conhece-la. – Eu sorri.
– Você vai. – Ele pegou os cacos das minhas mãos e levou pra jogar fora.
– Boa noite filho. – Abaixei a cabeça e ele me deu um beijo na testa.
– Boa noite pai.
...
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