These Gray Eyes
46 Capítulo 45
Notas iniciais
POV Percy
Aparentemente, não houve nada de preocupante com Annabeth. Assim que chegamos ao hospital, a mesma tinha acordado e chorou todas as lagrimas do mundo por me ver e por saber que quem tinha levado o tiro definitivamente não foi eu.
– Está tudo acabado minha loira. – E lá estavam as lágrimas de novo, mas dessa vez até em mim deu vontade de chorar, desabafar, botar tudo pra fora.
E ali naquele quarto de hospital, com mais 3 pacientes e seus acompanhantes, já que o quarto não era privado, Annabeth se agarrou a mim, com o braço ainda perfurado pela agulha, e choramos juntos por tudo aquilo ter passado.
Beijei-lhe a testa demoradamente, enxugando suas lágrimas com os polegares enquanto ela enxugava as minhas.
– Acabou. Finalmente amor, eu posso viver de novo. – Ela suspirou e fechou os olhos com uma expressão serena em seu rosto. – E Rachel?
E essa é Annabeth.
Não importa se a garota deu em cima de mim, ou se o pai dela foi um filho da puta, nem mesmo o fato dela ter desmaiado a garota impede que ela se preocupe.
– Bom, enquanto eu estava lá, eu vi que acordaram a garota e mais nada. Provavelmente levaram-na para a delegacia para pegar o depoimento e é claro, explicar a... situação pra ela. – Annie assentiu e descansou a cabeça no travesseiro. Fiz um carinho de leve na sua mão até ela se sobressair.
– Meu deus Percy! E você? Como está? Esse sangue todo? Aquela cadeira era pesada demais! Já foi examinado? Não deveria estar internado também? – Eu sorri, um sorriso de saudade. Saudade da minha loira preocupada, das perguntas sem pausa. Fiquei ali sentindo esse gostinho que era te-la de volta assim, que fiquei um tempo em silencio olhando-a abobalhado. – Amor?
– Esse sangue não é meu amor, e só devo estar com alguns hematomas leves pela cadeira. Ela tirou meu ar na hora, mas já estou bem. Só dores musculares. Relaxa, você que me deu um puta susto, você desmaiou!
– Foi só o desespero Percy... Agora, será que tem como você me contar o que realmente aconteceu?
Não, eu ainda não havia contado a ela.
Não, eu não queria contar a ela.
E sim, é com a mais absoluta certeza que eu afirmo, ela vai conseguir rancar essa informação de mim.
Seus olhos cinzas, tão claros por causa do choro e envoltos de olheiras pelo cansaço de todos esses dias, me imploravam a verdade. Ela segurava minha mão com força. Estava pálida ainda, os cabelos um pouco desarrumados. Mas só de saber que ela estava aqui, viva, que eu sentia a sua pulsação entre nossos dedos entrelaçados, ela nunca me pareceu tão linda.
– Você está linda. – Eu disse antes que me fugisse. Ela não esperava essa frase vinda de mim agora, e eu sorri pela surpresa em seus olhos e ao ver suas bochechas ganharem um tom rosado pelo elogio. Mas ela logo voltou a me analisar.
– Não fuja da perg...
– Não estou fugindo meu amor. Só queria deixar isso bem claro. – Levantei nossas mãos e pousei um beijo nas costas da sua. – Não se preocupe que eu vou lhe contar. – Ela assentiu e se ajeitou na cama dura do hospital.
E bom, eu contei a ela.
Chorona como Annabeth se encontrava ultimamente, algumas lágrimas escorreram do seu rosto enquanto eu lhe contava o que eu tinha entendido de toda essa história.
Mas sinceramente, eu não fazia ideia do que lhe passava pela cabeça.
– A-Atena? Mas por quê? – La estavam as lágrimas.
– Não sei loira, eu perguntei pra mesma, mas eu ainda não entendi absolutamente nada do que, com todo o respeito, aquela louca disse. Mas sim meu amor. Sua mãe matou W. Dare.
Pra mim, até que ela recebeu a noticia muito bem, apesar das lagrimas que eu não sabia explicar o porque delas estarem escorrendo pelo seu rosto.
– Como estamos emotivos em loira? – Eu disse enxugando novamente suas bochechas. Ela riu e fungou limpando embaixo dos olhos.
– Poisé, eu não sei de onde elas vieram! – Eu ri pela maluquice da minha namorada.
Ouvimos uma batida na porta, mas não demos atenção. Com um quarto com quatro leitos já estávamos acostumado com o entra e sai de pessoas e o tanto de conversa.
Então quando eu senti uma mão sobre o meu ombro eu me assustei.
– Calma meu filho. – Eu suspirei enquanto ouvia Annabeth e meu pai rirem de mim. – Ainda está assustado Percy?
– Também, você chega igual a uma assombração e não quer que eu me assuste? – Ele riu de novo.
Durante esses dias meu pai sofreu junto com a gente, ele não tinha mais aquelas rugas de felicidade nos olhos, antes só de olhar pra ele você já se sentia mal. Mas agora, agora ele tava até mais corado. – Ehh paizão! Parece renovado! O que aconteceu em? Margareth andou visitando o senhor? – Nós rimos da sua face corada.
– Deixa de besteira menino. Eu só estou extremamente feliz por meus filhos estarem vivos. – Ele me deu um beijo na testa e se inclinou para beijar a testa de Annie.
Se eu falar pra vocês que os olhos dela encheram de água de novo vocês acreditam em mim?
– Cuidado pai. Annie está frágil, está pior que um poço. Se você faz um cafunézinho na cabeça dela ela vai chorar e dizer que é o melhor cafuné que já recebeu. – Senti um soco fraquinho no meu braço e vi Annabeth cruzar os braços, com os olhos brilhantes de choro feito uma criança, com um bico lindo e enorme nos lábios. –Ohhh minha bebezona linda que eu amo, não chora vai. – Ela me empurrou quando eu tentei abraça-la, mas eu consegui do mesmo jeito, fazendo ela desmanchar o bico que tinha dando lugar ao sorriso tímido.
– Seu idiota. – E quando eu estava saindo ela me apertou em um abraço sufocante de novo.
– Que bom meus filhos, que bom que estão bem. – Meu pai bagunçou meus cabelos e me entregou uma mochila. Olhei pra ele surpreso.
– O que é isso?
– Roupa pra vocês, escova de dente, shampoo, condicionador e é claro o secador de cabelos pra franja da minha princesa. – Eu revirei os olhos quando Annie quase arrancou a agulha da mão se esticando para abraçar o meu pai.
– Você é o melhor pai/sogro do mundo. – Meu pai riu e eu me apoiei na cama observando os dois.
Porra agora eu é que to emotivo.
– Bom meus filhos, eu já estou indo...
– Mas por quê? – Annie voltou com seu bico lindo.
– Querida, não estamos no horário de visita, eles permitem apenas um acompanhante. Eu só entrei aqui porque vim com uma viatura. – Nós rimos. Ele nos deu mais um beijo na testa. – E também, estou ajudando Quíron com algumas coisas que deram muito errado, se é que vocês me entendem. – Nós assentimos e deixamos que ele fosse embora.
Já estava tarde, o medico ainda não tinha dado o diagnóstico de Annabeth. Mas infelizmente só tinha um médico de plantão e ele estava com outros pacientes.
Me ajeitei na poltrona ao lado da cama de Annie, encostando a cabeça no seu leito. Ela me olhou com uma cara preocupada enquanto corria os dedos pelo meu cabelo. Eu literalmente ronronei pelo carinho.
– Não gosto nada nada de você deitado nessa posição a noite toda. Eu me espremo aqui na cama ai você deita aqui do meu lado. – Eu sorri e segurei sua mão para lhe dar um beijo na palma.
– Amor, com a saudade que eu estou de você, a gente deitado na mesma cama em um espacinho mínimo não vai dar certo. – Ela riu e se levantou para me dar um beijo.
Aquele beijo.
Aquele que eu tava morrendo por ele.
Aquele de arrepiar os cabelos da nuca e de fazer com que ela esfregasse os pés um no outro.
Aquele beijo de esquentar o corpo, sentir o coração bater mais rápido e até gemer de prazer entre um suspiro e outro.
Aquele beijo, que transmitia todo o amor que ela sentia por mim, e que eu sentia por ela.
Me separei dela lhe dando pequenos selinhos demorados e mordiscando de leve seus lábios. Acariciei seu rosto perfeito e tirei a franja que caia sobre seus olhos.
– Eu te amo. – Seus olhos cinzas brilhantes, marejaram novamente e eu ri por isso. – Mais que tudo.
– Eu também te amo, meu herói.
Estávamos tanto ali naquela bolha nossa, que não percebemos a entrada do médico no quarto até ele se dirigir a nós.
– Boa noite senhorita Chase. – Nos sobressaltamos fazendo o médico dar um pequeno sorriso e estender a mão para apertar a de Annabeth. – Senhor Jackson. – Eu o cumprimentei também.
– Boa noite Doutor. E então, como está minha pequena? – Eu perguntei segurando sua mão.
– Não se preocupe Senhor Jackson, A senhorita Chase está ótima. É normal o desmaio nesses casos.
Um peso enorme foi tirado das minhas costas quando eu ouvi essas palavras e eu relaxei na cadeira olhando pra minha loira que também parecia aliviada.
– Nós só precisaremos fazer uma ultrassom pra ver se está tudo bem com o bebê.
...
Fale com o autor