These Gray Eyes
43 Capítulo 42
Notas iniciais
POV Percy
Sai do meu estado de choque e olhei pra cima.
– Porra Annabeth!
Minha loira estava com um sorriso perverso nos lábios quando jogou o paninho de lado e começou a fuçar na bolsa de onça da ruiva.
– Sem escândalos Percy. – Ela fez um gesto como se não fosse nada demais o que ela tinha acabado de fazer.
– Sem escândalo? SEM ESCÂNDALO? – Ela bufou e revirou os olhos como se já esperasse essa minha reação.
– É, será que da pra você parar de piti e vir me ajudar? – Eu pisquei varias vezes. Olhei pros lados vendo alguns policiais escondidos começarem a se mexer, se adaptando a esse contratempo.
– Mas, mas, mas. Qual é o seu problema! Eu tava no controle da situação! — Ela abriu um sorriso ao encontrar o que procurava e se levantou sentando casualmente no banco do bar.
– Amor da minha vida, eu não tenho sangue de barata o suficiente pra ficar vendo de camarote você flertar com a peitos de espinha ai. – Eu não pude deixar de soltar uma risada pelo modo como ela a chamou.
– Ta e o que você pretende fazer agora? O plano consistia em conseguir entrar em contato com o papai noel ruivo do mal, e agora você só tem um iphone que não nos serve de nada sem a senha. – Ela fez um biquinho pensativo olhando pra tela do celular, e neste momento eu soube que a filha da puta (literalmente) ia descobrir a senha e eu ia ficar como o idiota nessa porra toda.
– É simples meu querido cabeça de algas. – Fiz um bico que relou no chão de tão grande. – Narcisista como Rachel é, sua senha padrão só poderia ser. – Ela fez a senha e me mostrou. – Um R. – Revirei os olhos por essa constatação ridícula de tão obvia.
Desisti de argumentar contra ela e me sentei ao seu lado enquanto ela mexia nos contados. Ergui os olhos e fiz contato visual com o policial que deixei tomando conta dela. Levantei o polegar como quem fez um ótimo trabalho, mas o gordo só deu de ombros e voltou a fazer o que quer que ele esteja fazendo na merda do celular.
– Prontinho. – Ela me estendeu o celular com o contato “Papi” e uma foto do gordo com a filha.
Por um momento, vendo aquela foto eu me perguntei se era o certo a fazer. Ele parecia feliz e bondoso, o típico paizão que tratava a filha como uma joia.
Mas essa momento foi esquecido quando eu lembrei que Annabeth era alvo da sua arma, assim como eu.
Peguei o telefone de suas mãos e chamei o delegado que estava escondido ali.
– Percy, preste atenção. Não se deixe intimidar, não pode dar indícios de que machucou a filha dele ou as coisas podem ficar ainda pior.
– O que? Como assim não pode? Nós queremos esse homem furioso, soltando fogo pelas ventas que ele chegue aqui soltando tudo o que fez! – Annie já levantou do banco com seu tamanho mínimo já querendo peitar o homem. Dei-lhe um sorriso envergonhado e segurei-a delicadamente pela cintura.
– Ok pequenina, já não causou problemas demais por aqui?
– Problemas? Que problemas?! Não vejo problema algum aqui. Temos o telefone dele, temos a presa desacordada o que é ainda melhor porque ela é insuportavelmente chata e você diz que eu te causei problemas?
– Acontece que isso seria na paz, pra não trazer problemas...
– Paz? Ah qualé, qual é o seu problema?? Aquele filho da puta não quer paz! Ele não é uma pessoa de paz! Ele vai encontrar a oportunidade e vai simplesmente atirar no primeiro que lhe causar um incomodo que for, então ve se cala essa boca e me escuta. O que eu fiz foi certo, quem me garante que a mula desacordada continuaria com seu surto de burrice e encantamento ao ponto de chamar o papi pra uma visível armadilha. Eu resolvi o caso pra vocês meus queridos, agora a única coisa decente que você pode fazer é trazer o barrigudo até aqui e fazer com que o mesmo confesse tudo o que fez durante toda a sua miserável vida! – Ela disse quase sem respirar. Sua voz ecoava pelo local, e eu sabia que ela não deixava de ter razão.
– Delegado. – Ele fez um sinal com a mão me impedindo de falar.
– Ok criança, você tem seu ponto. Mas Percy, seja claro. Não queremos companhia, e sem armas. – Eu assenti, segurei o iphone todo cravejado com pequenas pedras preciosas e disquei seu número.
Todos ficaram em silencio, a discagem no viva voz ecoava pelo lugar vazio onde, além disso, só dava pra se escutar a respiração pesada do policial sedentário.
– Oi minha bebezinha! – Ai meus deuses, que coisa mais... bleh.
– Sinto muito decepciona-lo... bom, nem tanto assim, mas a sua bebezinha está incapacitada no momento, desacordada pra ser mais preciso. – Ofegos, assim como o do policial, começaram a ser ouvidos a uma altura estrondosa logo depois um barulho de alguma coisa quebrando e uma barulheira infernal.
– Quem é você filho da puta? O que você quer com a minha filha? Dinheiro? Quanto é?
– Eieiei, vamos com calma ai gordão. E já vou adiantar o seu serviço ok? Não precisa rastrear o celular da sua filhinha que eu faço questão de te dar o endereço. Estamos dentro da universidade, vai ser fácil nos encontrar.
– QUEM É VOCÊ? O QUE VOCÊ FEZ COM ELA? – Eu ri.
– Relaxa, eu não sou da mesma laia de assassinos feito você. É só um pouquinho de clorofórmio, ela vai sobreviver.
– Quem é você? O que você quer? – Eu já ouvia barulho de carro, o que deixava claro que ele já estava no caminho.
– Você vai descobrir, e eu espero que venha desarmado e sozinho, tenho dó da sua querida filha se você ousar me ameaçar. – Eu disse e desliguei o celular. – Todos vocês, ao seus postos. – Eu disse para os policiais que começaram a se esconder nos lugares mais inesperados do mundo.
Olhei pra Annabeth e a confiança que ela demonstrava há minutos atrás se esvaiu por completo, porque suas mãos tremiam conforme ela roía as unhas.
E toda essa confiança veio pra mim.
– Agora eu e você, vamos ter uma conversinha senhorita Annabeth. – Passei a mão na algema que tinha deixado por perto sem que ela visse e me aproximei dela.
– O que? Eu não fiz nada demais Percy. – Sorri pra ela e a abracei.
– Eu sei que não meu amor. – Prendi a algema com o maior cuidado do mundo no balcão atrás dela e fiz um carinho nas suas costas tentando engana-la. Me desencostei dela e posicionei a algema pra poder prende-la a qualquer momento. Suas mãos caíram na lateral do corpo quando ela relaxou os ombros e eu sorri vitorioso. – Eu te amo, por favor não me odeie. – Ela me olhou com uma cara confusa e eu a prendi, me afastando rapidamente.
Sua cara de espanto era a melhor.
– Perseu!!!!!! – Ela gritou e eu ri lhe mandando um beijo.
– É pro seu próprio bem, agora fica quieta pra eu não ter que amarrar sua boca também. – Ela, é claro, me mostrou o dedo do meio.
Tratei de arrastar Rachel pra mais perto da porta onde ficaria mais visível quando ele fosse entrar e longe da vista de Annabeth.
– Alguém pode me emprestar mais uma algema ai? – Gritei meio que praticamente pro nada, mas o nada me jogou uma algema. – Valeu.
Prendi Rachel ao pé de uma mesa e esperei. Minha perna não parava um segundo de impaciência e a confiança já estava dando lugar pro medo. Fechei as mãos em punho e me forcei a me concentrar.
Você não pode falhar Perseu.
Não é só a sua vida que está em jogo.
Você tem muito a perder, se perder.
Mas se ganhar também...
A chegada de W. Dare não foi nada silenciosa, ele freou o carro que deveria estar em uma velocidade absurda fazendo um barulho ensurdecedor.
E logo, eu estava cara a cara com o assassino.
Que os deuses me ajudassem agora.
...
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