These Gray Eyes
3 Capítulo 3
Notas iniciais
“Gostou mesmo da comida de lá.” – Thalia me enviou assim que recebeu a sms que eu mandei lhe avisando que almoçaríamos no mesmo lugar. Eu ri.
“É sim, a comida é muito boa”. – O garçom também, pensei comigo.
Entrei no restaurante e peguei a mesma mesa de ontem, ergui os olhos o procurando e vi ele vindo na minha direção.
– É uma honra vê-la novamente loira. – Eu sorri.
– Pois eu lhe digo a mesma coisa, mesmo que você tenha desfeito nossa aposta de ontem. – Ele riu.
– Tenho certeza que a noite terminou muito melhor do que se eu tivesse ficado com mais garotas. – Eu sorri.
– Não deixa de ter razão. — Coloquei a franja atrás da orelha o encarando.
– Sabe, seus cabelos são bonitos demais pra ficarem presos. – Eu ri neguei com a cabeça.
– Vai ficar ai me analisando ou vai anotar meu pedido? – Ele soltou um “uhhh” e pegou o bloquinho.
– Desculpe oh nerd esnobe. – Eu ri da maneira que ele disse isso. – O que vai querer? – Cruzei as mãos sobre a mesa e o encarei.
– O que você sugere? – Eu perguntei e ele deu aquele sorriso torto.
– Hmmm infelizmente eu não estou no cardápio, se não seria uma boa pedida. – Ele piscou e eu gargalhei. – Mas temos aqui um ótimo bife com fritas. – Eu sorri e assenti. – Cervejinha pra acompanhar?
– Não, eu sou apenas uma nerd santa! Como me oferece uma coisas dessa? – Ele riu. – Tenho aula agora, quem sabe mais tarde. – Ele ergueu uma sobrancelha.
– Esta me convidando pra sair? – Ele perguntou.
– Se você pagar. – Dei de ombros. Ele riu.
– Sou um pobre garçom senhorita, e pelo que vejo você é muito bem de vida. – Ele olhou pro meu celular.
– Isso não é muito cavalheiro da sua parte, você sabe. – Ele sorriu.
– Mas isso só se aplica a damas. – Eu ri.
– Outch! Essa doeu. – Coloquei a mão sobre o peito e ele riu.
– Estou brincando, claro que eu pago. Com você eu gastaria todo o meu salário. – Eu gargalhei e fiz uma reverencia.
– Eu não deixaria você pagar toda a conta de qualquer maneira. – Ele riu e suspirou aliviado.
– Onde a gente se encontra?
– Que horas você sai? – Perguntei.
– Logo depois do almoço, mas eu também tenho aula.
– Só tenho uma agora a tarde.
– Acho que posso matar a última aula. – Eu sorri.
– Tudo bem, minha sala fica no pavilhão da física. – Ele acenou.
– Beleza, te encontro lá. – Ele ficou parado me encarando. Eu sorri.
– E o meu pedido? – Perguntei. Ele sorriu e desencostou da cadeira.
– Eu preciso saber seu nome pra, sabe, chamar quando o prato estiver pronto. – Eu ri.
– Achei que era pelo número da mesa. – Ele fez um bico desapontado. – Annabeth. – Ele sorriu brilhantemente, e eu prendi o fôlego.
– É um belo nome, sua mãe foi realmente bem excêntrica. – Ele pegou minha mão e a beijou. – Muito prazer, Perseu. – Eu ri envergonhada, eu nunca tinha flertado assim.
– Realmente, é um grande prazer. E eu ganhei em quesito estranheza de nomes, você tem nome de herói, Perseu. – Ele sorriu
– Percy, e eu posso ser seu herói loira. – Ele piscou e saiu. Eu ri sozinha e abaixei a cabeça pensando que mesmo sem perceber ele estava sendo um herói.
– Então, está esperando há muito tempo? – Thalia perguntou sentando na cadeira a minha frente.
– Nem tanto assim, e me desculpe eu já pedi. – Me esqueci totalmente dela.
– Tudo bem, eu vou lá ver o que eu vou querer. – Eu assenti e ela levantou e foi até o balcão. Nesse momento, dois caras entravam no lugar e sentaram-se à mesa do lado da minha. Eu não pude evitar a gargalhada ao notar quem eram.
– E do nada ela desapareceu! – Um deles disse e bufou frustrado.
– Nem me fale cara, eu também fiquei com uma naquela festa, ela era incrível loira, linda... – Coloquei a mão sobre os lábios pra evitar rir, mas foi em vão ao ver quem iria atender a mesa deles. Ele chegou sorrindo pra mim e foi atender os gêmeos bulldogs.
– Ei o que vão querer? – Ele disse todo simpático. Eu apenas observei. – Ohh não é vocês que chamam de bulldog? – Eu não aguentei e comecei a rir compulsivamente.
– Que isso garota, você tá bem? – Thalia perguntou voltando pra mesa. Eu enxuguei a lágrima dos olhos e apontei pra mesa do lado. Ela pegou a piada interna e em pouco tempo estava rindo tanto quanto eu.
– Você tem uma risada maravilhosa. – Percy passou por mim e sussurrou no meu ouvido. Eu me arrepiei parando de rir. Ele sorriu e piscou voltando a atender outras mesas.
– O que foi isso? O garçom gato estava te cantando e você está fantasiada de nerd?! – Eu ri.
– Conheci ele naquela festa e ontem nos encontramos de novo, disse até meu nome verdadeiro pra ele. – Eu disse e mordi a ponta do dedo. Ela abriu a boca em um O.
– Ele te reconheceu? – Eu assenti. – Uau.
– Nós não ficamos. – Ela me olhou confusa. – Apenas, compartilhamos experiências. – Ela riu e negou com a cabeça.
– Quando é pra você pegar de jeito, porque ele é uma delicia, você "compartilha experiência". Você é realmente muito estranha. – Dois pratos foram colocados a nossa frente junto com uma coca.
– Obrigado pelo delicia. – Thalia corou e eu ri da sua cara. – Mas acho que surpreendente é uma palavra que a definiria melhor. – Ele encheu os copos e colocou a ficha da conta sobre a mesa. – Ou quem sabe sexy. – Eu ri e Thalia o olhou boquiaberta.
– Como pode acha-la sexy vestida desse jeito? – Ele me olhou e eu o encarei curiosa pela resposta.
– Admito que os cabelos presos são quase um crime, mas em compensação deixam seus olhos cinza mais amostra. E a roupa. Isso alimenta a imaginação. – Ele piscou e se retirou. Thalia me encarou chocada Eu ri e dei de ombros.
– Vocês vão sair né. Por favor, diz que vão. Não pode deixar isso escapar assim! Se não for pleeeease passa pra frente criatura! – Ela quase subia na mesa. Eu ri e comecei a comer.
– Vamos, mas antes que você se precipite eu não quero compromisso.
– Para Annabeth. Olha isso! É pra casar criatura!
– Vai pensando assim queridinha, mas ele é tão cafajeste quanto eu. – Ela revirou os olhos.
– Quem sabe vocês não se consertam?
– Quem disse que eu preciso de conserto? – Ela revirou os olhos, revoltada e eu ri voltando a comer.
...
A aula insuportável finalmente acabou. Eu estava quase me matando ali. Esperei todos saírem da sala para evitar o tumulto e fui logo depois ajeitando a bolsa sobre o ombro.
– É uma nerd mesmo, foi a ultima a sair. – Eu sorri ao ouvir sua voz.
– Matou mais que uma aula né? – Ele riu e pegou a minha mochila. Ergui a sobrancelha em descrença.
– O que? Fui muito bem educado pela minha mãe tá? – Eu ri. – E não foi preciso matar aula. Minha professora pegou licença maternidade e não tenho professor substituto ainda. – Ele deu de ombros carregando a minha bolsa. – Então, aonde vamos?
– Agora? No banheiro. Eu preciso trocar de roupa.
– O que tem de errado com a sua roupa? – Ele disse me analisando.
– Só não é muito adequado sair pra beber assim. É perigoso o cara nem me dar bebida pensando que falsifiquei um RG. – Ele riu.
– Não seja exagerada. – Eu sorri e peguei a bolsa do seu ombro e entrei no banheiro. Fui até uma das cabines e me troquei.
– Amiga o que é aquele pedaço de mau caminho parado ali na frente? – Ouvi alguma menina dizer. E não contive a risada.
– Não é? Ele também estava parado na frente da nossa sala. Ele pode estar de olho na gente! – Sai da cabine e vi duas garotas que estudavam na mesma sala que eu e que se achavam as gostosas, puxando a blusa pra ficar com os peitos maiores, ri novamente. Elas me notaram e deram um sorriso falso me olhando estranho, eu nao estava mais de moletom. Revirei minha bolsa e alcancei o rímel. Passei rapidamente e soltei o cabelo dando uma batidinha de leve nas pontas. Fechei a bolsa, dei uma ultima olhada no espelho e as vi me encarando. Sorri tão falsa quanto elas e sai do banheiro.
Percy me olhou de cima a baixo e parou encarando meus olhos. Um bico se formou nos seus lábios.
– O que? – Perguntei me aproximando.
– Minha imaginação não faz jus a isso. – Ele disse e eu gargalhei.
– Você me viu ontem à noite, eu estava bem mais produzida.
– Certo, mas aquilo era produção. Isso é você estar de jeans apertados e blusinha e continuar muito, me desculpe a palavra, gostosa. – Eu ri.
– Muito obrigada. – Escutei conversas se aproximando da porta do banheiro e me apressei em chegar bem perto dele. – Me faz um favor? – Perguntei. Ele deu de ombros. Me aproximei ainda mais e o vi prendendo a respiração. Peguei sua mão e coloquei na minha cintura.
– O que...? – Pedi pra que ele fizesse silencio e coloquei minha mão na sua nuca. Ouvi a porta atrás de mim se abrir e ofegos de surpresa foram ouvidos. Sorri assim como Percy que me colou ainda mais a ele e acariciou a maça do meu rosto. – O que passou nos olhos? – Ele perguntou baixinho.
– É rímel. – Ele assentiu e não desgrudou os olhos dos meus. – Por quê?
– Ficaram maiores. Ainda mais bonitos. – Eu não soube muito bem como reagir aquele elogio, geralmente os caras não notam. Pigarreei e pisquei várias vezes saindo de um transe.
– Hmm elas já foram. – Ele riu e voltou a pegar minha mochila.
– Quem são? – Dei de ombros.
– Umas meninas da minha sala, entraram comentando sobre você no banheiro. E eu nunca gostei delas. Desculpe por usa-lo. – Ele sorriu.
– Pode me usar assim quantas vezes quiser, da próxima vez nós podemos encenar uma coisa mais quente. – Ele balançou as sobrancelhas e eu ri. – Vamos naquele bar novo? Como que é o nome dele?
– Submundo? – Perguntei e ele assentiu. – Uau, falou sério quando disse que gastaria todo seu salário. – Ele riu.
– Aproveita que eu to esbanjando! – Andamos até o estacionamento e tivemos que parar um momento pra eu conseguir achar a chave do carro. – Bolsa de mulher é um lugar muito perigoso. – Eu ri.
– Isso é verdade. – Quando finalmente consegui achar soltei um suspiro de alivio e destravei o carro.
– Você não é barbeira né? – Ele disse entrando no carona. Eu ri.
– Vamos dar uma voltinha, depois você faz a sua avaliação. – Ele riu também colocando o cinto.
Arranquei com o carro e vi seus olhos quase saltarem da cara. Gargalhei e diminui a velocidade.
– Calma Perseu, você não vai morrer agora. – Ele engoliu em seco e segurou no apoio da porta. Ele franziu o cenho por um instante.
– Esse não é o caminho pro submundo.
– Eu sei, vou passar em casa e deixar o carro lá. Nós vamos beber e eu não quero ser presa no auge dos meus 20 anos por dirigir alcoolizada. – Ele riu.
– Garota esperta. – Ele tirou seu celular do bolso e ligou pra um número na discagem rápida. – Hey Grover! E ai cara... tudo na paz. Hey tem como me buscar na... perai. – Ele tampou o microfone do celular. – Onde você mora?? – Lhe passei o endereço. – É, é ai mesmo... Vai se foder cara. Beleza. Falou velho. Um abraço. – Ele desligou e eu o encarei confusa. – Grover é meu amigo desde quando eu era um espermatozoide eu acho. – Eu ri. – Faz um bico como taxista e faz as minhas corridas mais baratas. – Ele piscou.
– Por que mandou ele se foder? – Perguntei e ele riu.
– Ele perguntou se eu estava dando uma de gigolô e pegando alguma coroa rica pra tá num bairro de mauricinho desse. – Ele disse e eu gargalhei.
Apertei o controle que abria o portão e entrei na garagem. Percy assoviou. Fechei a cara ao ver o carro do meu padrasto estacionado ali.
– Tem certeza que quer ir ao submundo? Eu acho que estou meio informal vestida assim. – Eu disse parada a sua frente.
– Você já olhou pro jeito que eu estou vestido? Detalhe, devo estar cheirando a gordura por estar trabalhando no restaurante. – Sorri e me aproximei dele sentindo seu cheiro delicioso.
– Não mesmo. Você está muito cheiroso. – Peguei minha bolsa com ele e fucei nela até achar meu celular e a carteira. Abri a porta do carro e a joguei lá dentro. – E tem mais, você é homem. Se estiver desarrumado é estilo. Mulher é desleixada. Eu to de allstar cara. – Ele sorriu.
– Não vejo nada demais. Por mim você de moletom e jeans largo estava ótimo. E você fica naniquinha de tennis. – Ele passou o braço pelos meus ombros dando ênfase no que disse eu bufei fazendo minha franja voar.
– Isso foi um insulto dos grandes.
– Dos pequenos você quer dizer. – Ele disse rindo e eu lhe dei uma cotovelada. – Ai Annie. – Ele disse e eu parei abruptamente.
– Do que me chamou? – Perguntei alarmada. A barreira que há tanto tempo eu construía em volta de mim se desmanchando. Eu estava prestes a chorar, coisa que eu não fazia há tempo.
– De Annie. – Ele disse mais uma vez e eu não consegui esconder minha cara de choro. – Ei, me desculpe. – Ele disse se aproximando. Eu me afastei e pedi com a mão que ele parasse. Respirei fundo lembrando de quando era feliz, na época em que meu pai ainda estava aqui e me protegia, e do quando eu adorava quando ele me chamava daquele jeito.
– S-só... só não me chame mais assim ok? Por favor. – Eu disse. Ele me olhou por um tempo mas assentiu. Eu lhe mandei um sorriso fraquinho. – Será que seu amigo demora pra chegar? – Eu perguntei tentando amenizar aquela tensão. Ele deu uma risada desconfortável e voltou a colocar o braço sobre meus ombros.
– Daqui a pouco ele tá ai. – Foi ele dizer isso e um taxi apareceu na nossa frente. Percy sorriu e entramos no carro. – E ai meu velho. – Ele cumprimentou um rapaz moreno com uma barbicha e touca rastafári na cabeça escondendo seus cabelos enrolados que teimavam e escapar pelos lados. – Como vai?
– To bem, mas vejo que você está muito melhor. – Ele disse olhando pra mim eu ri e estendi minha mão.
– Prazer Annabeth. – Ele me cumprimentou.
– Grover. Deixa eu te da um toque. Não vai na onda desse ai não ele é o maior cafajeste. – Eu e Percy rimos.
– Eu não estou muito longe disso também. – Ele me encarou surpreso.
– Tudo bem então. Pra onde vão?
– Submundo. – Percy disse e eu o vi arregalando os olhos.
– Huum vai abrir a mão garanhão? – Nós rimos.
– Ah ela vale a pena não vale? – Grover riu.
– Com certeza. Levou sorte Annabeth. Ele não é de abrir a mão assim facilmente.
– É percebi isso desde a primeira vez quando disse que me pagaria uma cerveja em uma festa open bar. – Eles riram.
...
– Fala sério, porque não vai aceitar o dinheiro da corrida? – Ele bufou.
– Não esquenta, não é normal Percy sair com garotas legais e gastar mais que cinco reais com elas. – Eu ri. – Fica de cortesia beleza? Quando resolver ir embora é só me liga. – Ele disse e eu assenti. Grover saiu com o carro e nós entramos no barzinho. Estava praticamente vazio. Era muito cedo, mais ou menos 17:30 de uma quarta feira.
– Grover está queimando meu filme.
– Que tipo de garotas costuma sair pra ele achar que eu sou uma garota legal? – Ele riu.
– Você é muito legal. E eu não sou muito de sair com garotas. Geralmente eu saio com algumas que eu peguei bêbado demais pra inventar um nome falso e deixar o celular longe delas. Ai elas ficam atrás de mim e pra acabar logo com isso eu saio com elas e coloco um ponto final em tudo. – Eu ri.
– Pelo menos você não termina com elas por sms. Isso já é uma grande coisa. – Ele riu e fomos escolher uma mesa. Percebi que a maioria das pessoas nos olhavam enquanto passávamos. – Eu disse que estava mal vestida, estão todos olhando. – Ele riu e colocou a mão na minha cintura.
– Você não sabe distinguir os olhares. Mesmo estando “informal” você chama atenção onde passa loira. – Ele disse rente ao meu ouvido e eu me segurei pra não suspirar.
– Devo estar no modo ‘nerd’ ainda. – Eu disse e ele gargalhou. – Você não está muito atrás moreno, olha o tanto de mulheres que estão olhando pra cá agora. – Ele sorriu e puxou uma cadeira pra eu sentar. Ele deu de ombros e se sentou a minha frente.
– Minha mãe dizia que eu sou um gato. – Ele disse piscando pra mim. Fechei os olhos em fenda pra ele. – O que? Vai dizer que eu sou bonito?
– Ta mais pra gostoso pra caralho. – Eu disse e ele riu debruçando sobre a mesa.
– E então, vai me explicar o porquê se fantasia de nerd? – Pisquei surpresa pela rápida mudança de assunto.
– Com licença. – Um garçom parou ao nosso lado na mesa e nos ofereceu os cardápios.
– Um chope. – Eu pedi sem abrir o cardápio.
– Dois. – Percy disse lhe devolvendo os cardápios. O cara acenou e se retirou.
– Eu não me fantasio de nerd. – Eu disse ele apoiou o braço na mesa e me encarou pedindo pra que continuasse. Suspirei. – Eu sou nerd. – Ele riu e se encostou na cadeira.
– Isso eu percebi. Mas então, porque se faz de... – Ele procurou a palavra certa. Eu soltei uma risada pelo nariz.
– Biscate. – Ele sorriu.
– Se você quer se referir assim, mas não te acho biscate. Você só curte a vida. – Ele deu de ombros. Eu neguei.
– Não é bem assim. Esse é um assunto complicado. – Eu disse encarando a mesa.
– Então é melhor deixarmos pra quando chegarem os chopes não é? – Ele disse e eu ri. – Vamos falar sobre outra coisa então. Porque escolheu arquitetura? – Tencionei.
– Esse também é um assunto complicado. – Ele riu.
– Uma garota misteriosa e cheia de complicações. Você fica cada vez mais interessante loira. – Ele disse me fazendo sorrir.
– E você não é nem um pouco normal. – Ele deu de ombros.
– Você também não é. Viu como a gente combina. – Ele picou me fazendo rir.
– Sabe há quanto tempo eu não ria assim? – Não era pra sair em voz alta. Era só uma anotação mental. Mas quando eu vi já tinha dito.
– Suponho que seja desde quando alguma coisa na sua vida mudou drasticamente a ponto de faze-la odiar ser chamada de Annie e não ser mais só uma nerd. – Ele disse me encarando sério com seus olhos profundamente verdes. Engoli o nó da minha garganta.
– Você é muito observador. – Comentei. Ele abaixou a cabeça sorrindo, um sorriso tímido que ficou muito bem nele.
O mesmo garçom colocou nossos copos sobre a mesa.
– Só com as coisas que me interessam muito. – Ele disse com a voz firme. Eu sorri e ergui o copo brindando.
...
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