These Gray Eyes
25 Capítulo 25
Notas iniciais
POV Percy
Subi as escadas equilibrando uma panela de brigadeiro e uma bolsa de água quente.
Uma observação.
As duas coisas são bem quentes.
– Porra. – Eu exclamei colocando tudo sobre a cama e assoprando as mãos. Annie riu da minha cara mas ainda fazendo uma careta com as mãos na barriga.
– Quanta inteligência em um só ser. – Eu fiz uma cara de bravo e me deitei do seu lado.
– Eu não pensei que queimaria tanto. – Entrei debaixo das cobertas junto com ela e peguei a compressa colocando no seu ventre. Ela soltou um resmungo e se ajeitou na cama. – Ta melhor? – Ela riu e passou a mão no meu rosto, mais especificamente no meu supercílio já quase na coloração normal.
– Percy, eu acabei de colocar, para de ser tão apavorado, por favor. – Eu assenti e puxei a panela de brigadeiro pro meu colo, me certifiquei de colocar um travesseiro embaixo pra não queimar minhas bolas.
– Ok, pode dar play no que quer que seja que nós vamos assistir. – Ela sorriu e pegou os controles remotos. Apertou um botão que fez as luzes se apagarem e outro pra fechar as persianas tornando o quarto uma penumbra a não ser pela luz que vinha da tv. – Incrível. – Ela riu e se ajeitou mais perto de mim pegando uma colherada do brigadeiro. – Que filme é?
– 300. – Eu engasguei com o brigadeiro ouvindo ela rir.
– Nós vamos assistir 300? – Ela assentiu. – O que aconteceu com o filme meloso que eu estava planejando dormir assim que começasse?
– Acontece Percy, que eu odeio filmes assim. E Gerard Butler nesse filme hmmm. – A encarei pra ve se ela percebia que estava falando de outro cara pro seu namorado o que fez ela rir. – Você tem que concordar comigo...
– Annabeth, nada contra, mas eu gosto de mulher.
– É eu sei que você gosta. – Ela deu uma mordida no meu pescoço e eu ri e a abracei apertado. – E mesmo não sendo um filme meloso, eu sei que você vai dormir. – Eu me ajeitei no travesseiro e peguei mais uma colher de brigadeiro.
– Não vou não, da play logo. – Ela riu e deu play.
...
POV Annie
Não deu nem meia hora de filme e eu já ouvia Percy ressonar baixinho, a colher que estava na sua mão caiu e ele suspirou, se ajeitando do meu lado. Eu sorri e me virei pra ele.
Gerard Butler poderia ser bonito, mas Percy era um pecado. Eu comecei a fazer um cafuné nos seus cabelos pretos o que fez ele abrir os olhos verdes sonolentos, sorrir e voltar a dormir de novo. Eu ri baixinho.
Ouvi leves batidinhas na porta um tempo depois.
– Com licença. – Hermes empurrou a porta devagar carregando vários rolos de toalhas brancas e eu peguei o controle e abri um pouco as cortinas pra que ele pudesse enxergar.
– Hey pode entrar. – Eu tirei a panela de cima de Percy e ele resmungou me abraçando com o braço livre, sua cabeça se enfiou na curva do meu pescoço enquanto ele continuava, mesmo que inconsciente, segurando a compressa quente sobre a minha barriga. Eu não percebi que tinha voltado a encarar ele com uma provável cara de boba até sentir Hermes observando a gente.
– Então, ele é o motivo? – Eu sorri e passei a mão nos seus cabelos e enfiei meu nariz entre as mexas pretas sentindo o seu cheiro.
– Motivo do que? – Ele soltou uma pequena risada e veio até meu lado pegar a panela de brigadeiro pela metade.
– De você voltar a ser a pequena Annie. – Eu olhei pra ele que tinha os olhos cheios de água. Eu ri e assenti plantando um beijo no topo da sua cabeça.
– É sim, ele é meu herói. – Hermes sorriu e encarou a gente por mais um tempo.
– É bom tê-la de volta Annie. E ele me parece um bom garoto, apesar de ter sido preso... – Eu ri.
– Foi um acidente, as vezes ele não é muito esperto sabe? – Ele sorriu e assentiu.
– Bom, eu só vim deixar as toalhas. O Senhor Poseidon ainda não chegou, e eu acho meio cedo pra fazer janta.
– Acho que Poseidon vai enlouquecer com você chamando ele assim. – Ele riu envergonhado. – Pode deixar, Percy faz a janta hoje. Se quiser ir, pode ir.
– Tem certeza? Eu posso ficar...
– Vai ficar com a sua mulher, você trabalha demais. – Ele sorriu e assentiu.
– Ok, boa noite Annie.
– Boa noite Hermes. – Ele saiu fechando a porta e eu voltei a fechar as cortinas.
Tinha me esquecido completamente do filme, eu só queria aproveitar esse momento de paz, sem cólica e dormir nos braços do meu herói sem preocupação nenhuma.
...
Acordei no meio da noite com meu celular vibrando do meu lado. Eu cocei os olhos e abri a sms.
“Diga ao seu namorado que ele não é nada imprestável.” – Eu ri.
É parece que alguém se deu bem.
Eu não respondi, coloquei o celular no mesmo lugar e olhei pra Percy e dei risada da sua situação. Ele não estava roncando, mas respirava com a boca aberta e um filete de baba escorria da sua boca. Tão bunitinho. Eu enxuguei a baba e limpei na sua camiseta voltando a dormir.
Acho que meu sogro vai ficar sem janta hoje. Foi meu último pensamento antes da inconsciência.
...
Eu acordei primeiro e por incrível que pareça sem muita cólica, olhei pra trás e vi Percy encaixado em mim, suas mãos estavam em cima da minha barriga e a bolsa de água quente estava jogada no chão o que me fez acreditar que ele acordou no meio da noite. Eu sorri e acariciei sua mão.
– Já acordou? – Eu dei um pulo porque pensei que tinha acordado primeiro e ele riu de mim.
– Que susto. – Ele riu de novo e passou o nariz pelo meu pescoço me arrepiando. Eu soltei um ofego, o assustando dessa vez. – Percy eu dispensei Hermes ontem porque tava cedo e eu pensei que a gente ia acorda e você ia fazer a janta. Tadinho do seu pai, fico sem comer. – Ele riu e deu um beijo na minha clavícula.
– Não ficou não, eu acordei no meio da noite e fui lá ver como ele tava. Acho que Hermes notou que a gente não ia acordar. – Eu ri e apertei seus braços.
– Remédio me derruba de um jeito. – Ele riu.
– Eu notei mesmo. – Ele deu um último beijo e se levantou. Eu soltei um resmungo.
– Por que caralhos você está se levantando? É sábado Percy! – Ele riu já do banheiro.
– Eu sei que é sábado loira, mas nós temos coisas pra fazer. – Eu gemi e rolei até ficar de barriga pra baixo e com a cara sufocada no travesseiro.
– Que coisas? Eu não to sabendo de coisa nenhuma. – Minha voz saiu abafada fazendo ele rir. Senti suas mãos no meu cabelo e abri o olho que não estava enterrado no travesseiro para olhar pra sua cara ainda amassada de sono. Ele sorria pra mim.
– Não sei se você se lembra, mas eu to de mudança pra cá. Tenho coisas para trazer, e você tem que ir atrás das suas coisas no testamento. – Gemi de desgosto de novo.
– Você não vai comigo? – Ele riu e se inclinou beijando as minhas costas.
– Ora veja, mas que manha em sabichona? – Eu sorri. – As coisas iriam mais rápidas assim.
– Não quero ir sozinha Percy. – Ele sorriu e alcançou minha mão.
– Você não vai, Hermes vai com você. – Eu fiz um bico emburrado mas assenti. Ele vagou em pensamentos por uns minutos e depois bufou. – Nossa a minha cama de casal, eu nem terminei de pagar. O que eu vou fazer com ela?
– Eu não sei, a minha é maior.
– É eu sei, mas eu não vou me desfazer.
– Nem deve, traz pra cá. Nos nossos quartos de hospedes temos vários e eles sao grandes, cabem mais uma cama, podemos trazer a sua e a de Poseidon e colocar neles. – Ele riu.
– Ah claro é porque temos muitos hospedes. – Eu sorri tristemente.
– Eu nunca tive muitos amigos, então é capaz mesmo que não tenhamos muitos. – Ele ponderou um pouco entrelaçando nossos dedos.
– Pra falar a verdade, eu tenho bastante amigos. – Eu levantei as sobrancelhas duvidando.
– Ah é cabeça de algas? Quem além de Grover e Nico? – Ele revirou os olhos.
– Grover não conta, ele é meu irmão! E Nico é um deles...
– Deles quem?
– Dos meus amigos ora!
– E porque eu nunca conheci esses seus amigos?
– Porque eles são amigos de farra, loira. Você acabou com essa parte da minha vida. – Eu ri e me levantei sobre os cotovelos para fita-lo.
– E é por isso que eu não posso conhece-los? – Ele deu um sorrisinho.
– Não, é que as namoradas deles... bem eu fiquei com elas. – Eu abri a boca em um O.
– Ficou com a namorada dos seus amigos? – Ele deu de ombros.
– Eles não namoravam na época. Não conseguiram o prato principal então pegaram o premio de consolação. – Eu gargalhei e deitei de barriga pra cima na cama.
– Como você se acha, herói. – Ele deu aquele sorriso de canto e apoiou as duas mãos do lado da minha cabeça e se inclinou.
– E você só faz meu ego inflar cada vez mais ao gemer meu nome de noite. – Ele me deu um beijo no melhor estilo homem-aranha e eu ri em seus lábios e acariciei sua nuca, me sentindo pegar fogo.
– Cafajeste. – Ele riu e me deu mais um selinho.
– Seu cafajeste. – Eu sorri e o vi caminhar até o banheiro de novo, fui atrás dele. – Annie, sabe o que eu tava pensando aqui?
– No que?
– E se não der certo? – Eu titubeei um pouco, não entendendo ao que ele se referia.
– Não der certo o que?
– A gente? – Eu senti meu coração falhar uma batida
– O que? – Eu sussurrei. Mas ele logo me acalmou pegando a minha mão.
– Calma loira. Eu quero dizer, e se não der certo? Eu estou me mudando pra cá, trazendo meu pai junto! Não temos mais a nossa casa, nossas mobílias... e se por algum terrível acontecimento a gente não der certo?
– M-mas nós vamos dar... – Ele sorriu levemente e passou o polegar pelo meu lábio inferior.
– Claro que vamos loira, mas e se? – Eu suspirei. Ele tinha razão, nós fizemos as coisas rápido demais.
– Se nós não dermos certos, o que está fora de questão, eu nunca deixaria vocês desamparados. Você me ajudou a sair da escuridão e Poseidon é meu... pai. Eu não posso deixar vocês. – Ele sorriu e me abraçou.
– Assim como nós não podemos te deixar. – Eu respirei fundo, sentindo seu cheiro e ele fez o mesmo me acalmando.
Meu celular começou a tocar acabando com aquele nosso momento de silencio reconfortante. Percy bufou e eu ri indo atender aquela coisinha barulhenta.
– Alô?
– Bom dia, lindo dia, sábado perfeito. Como está nessa manhã gloriosa?? – Eu gargalhei ao ouvir a voz radiante de Thalia.
– Vocês já transaram no primeiro encontro? – Ela riu do outro lado da linha, me fazendo rir também.
– Não, mas não vejo a hora disso acontecer. Se foi maravilhoso só com beijos roubados imagine dormir ao seu lado.
– Você quer dizer, não dormir né?
– Exatamente minha querida loira azeda. – Eu ri e ela suspirou.
– Tenho uma proposta pra te fazer, eu tenho que resolver alguns assuntos com Quíron hoje, mas Percy vai ficar fora o dia todo. Que tal nós sairmos pra tomar um chope e você me contar detalhes dessa sua noite maravilhosa. – Ela riu.
– De acordo Annabethzinha, nos encontramos no Submundo as 16:00 pode ser?
– Por mim fechou.
– Então até lá. Diga ao cabeça de algas que ele já tem um lugar no céu. – Eu ri da sua loucura.
– Pode deixar estranha, até mais tarde. – E com um último suspiro ela desligou, me fazendo rir de novo.
– O que é tão engraçado? – Percy gritou do banheiro.
– Thalia. Parece que seu amigo Nico é um milagroso. – Ele riu com gosto. – E olha, pelo menos a namorada dele você não pegou. – Eu disse com cinismo. Ele saiu do banheiro me olhando divertido.
– Está com ciúmes loira? – Eu revirei os olhos e joguei o celular sobre a cama.
– Não seja idiota. – Ele riu e veio até mim, passando os braços pela minha cintura.
– Você fica uma graça enciumada. – Ele tentou me beijar, mas eu desviei os rosto.
– Já disse pra parar de ser idiota. – Ele me levantou e me colocou na cama finalmente conseguindo me dar um beijo, eu fui fraca e não resisti por muito tempo, logo cedendo aos seus lábios macios.
– Eu amo você. – Eu sorri e o abracei.
– Tá, agora sai que eu tenho que tomar banho. – Ele fez uma cara chateada e eu ri lhe dando dois tapinhas na bochecha. – Vamos, não faz manha Perseu, você tem muitas caixas pra carregar hoje.
– Como você é má, loira. – Eu sai do seu abraço e fui até o banheiro.
– E você me ama. – Soprei um beijo pra ele que bufou e caiu de costas na cama.
...
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