These Gray Eyes
13 Capítulo 13
Notas iniciais
POV Percy
– WOW! – Annie abriu a porta traseira do carro e colocou mais uma mochila abarrotadas de roupas (mesmo que quando estamos em casa ela só use as minhas), uma maleta ainda maior que a mochila, e um enorme pacote, daqueles de guardar terno sabe? Só que maior. Ela suspirou e soprou a franja dos olhos, fechando a porta de trás entrando pela da frente. – O que é isso? – Ela jogou um envelope no meu colo. – Festa?
– Aparentemente eles farão uma homenagem ao meu pai. É só mais uma festa de ricos que querem mostrar que tem grana pra fazer uma festa desse naipe. – Ela bufou e me encarou, e provavelmente minha cara deveria estar engraçada, porque ela riu. – Minha mãe vai a essas festas com as amigas dela, geralmente com o marido imundo também, mas já que meu pai será lembrado, ela tem que se fazer de coitada e levar a filha órfã de pai junto.
– Ahh. – Eu disse finalmente entendendo.
– Você tem terno né? – Ela deu a partida e olhou no retrovisor para dar ré. Franzi o cenho.
– Tenho um que eu vou sempre nos enterros por que? – Eu disse abrindo o convite e lendo a data, era amanhã à noite.
– Ótimo, será quase um funeral mesmo.
– Espera ai, você quer que eu vá? Ououououou não conte com isso.
– O que? Por quê?
– É uma festa de gente rica Annabeth, eu não me encaixo nesse contexto.
– Por favor Percy, eu não vou conseguir encarar isso sozinha. – Eu olhei pra sua cara de “falsa tristeza para enganar o namorado” e suspirei.
– Ok loira, vamos beber champanhe de boa qualidade. – Ela sorriu e começou a assobiar. – Você é muito cara de pau.
– Ah por favor, como se você fosse diferente. – Ela sorriu de canto, eu ri e me inclinei dando uma mordida no seu ombro.
...
POV Annie
– Pelo amor de deus! Eu não sei dar nó em gravata. – Percy estava com o cabelo todo despenteado, de calça social preta, sapato social preto, uma camisa de um azul bem escuro e a gravata do mesmo tom pendurada no pescoço enquanto ele olhava pra ela como se fosse algum tipo de cobra.
– Hey não olhe pra mim, eu também não sei fazer isso. – Eu estava alisando meu cabelo na frente do espelho só de lingerie pra não amassar o vestido. Percy bufou.
– Você é rica, rico tem que saber fazer esse tipo de coisa. – Eu ri.
– Na verdade, eles tem gente pra fazer isso por eles. – Ele revirou os olhos verdes.
– Ótimo eu vou sem gravata, odeio esse negócio sufocante de qualquer jeito.
– Não acho que isso seja uma opção. Quando ver meu vestido você vai querer colocar duas dessas. – Ele me olhou confuso e bufou sentando na cama.
– Ei porque ta esticando o cabelo?
– Pra fazer um coque, tem um pequeno decote na parte de trás do vestido.
– Ah não você não vai prender. – Eu revirei os olhos.
– Faz o seguinte, vai no youtube e abre um vídeo de como dar nós em gravatas e me deixa acabar aqui está bem? – Ele levantou resmungando mas foi fazer o que eu disse.
Terminando de passar a prancha eu liguei o secador e fiz leves ondas nas pontas pra dar um movimento e fiz um nó pra manter. Ai fui fazer uma maquiagem.
Olhei pelo espelho e o vi concentrado dando as voltas na gravata em volta do próprio pescoço.
– E agora é só puxar... – Ouvi ele dizer. – Ta-da!!! — Ele se virou pra mim e deu uma voltinha arrumando o nó da gravata e colocando o terno preto. Eu ri e me virei pra ele.
– Conseguiu ficar ainda mais gostoso. – Eu o puxei pela gravata e colei nossos corpos. Ele sorriu e espalmou a mão na minha bunda.
– Até que essa gravata não é tão ruim. – Ele disse e encostou nossos lábios.
– É bom me beijar agora, porque você não vai fazer isso depois deu passar o batom. – Ele riu e aprofundou o beijo. – Hmmm. – Eu descolei nossos lábios e passei a mão pelos seus cabelos dando uma ajeitada. – Sugiro que coma alguma coisa antes de ir, eles vão servir alguma coisa lá mas não dá nem pra tapar o buraco do dente. – Ele riu.
– Ok loira, vou ver o que nós temos na cozinha. Olha que chique vou cozinhar de terno. – Eu ri.
– Ve se não se suja em...
– Eu não sou você. – Eu mostrei o dedo do meio pra ele que me soprou um beijo.
– E vê se penteia esse cabelo. – Ele respondeu um “tá” provavelmente da cozinha já. Eu ri e voltei a me maquiar.
...
POV Percy
Eu não queria inventar muita coisa, até porque eu poderia realmente me sujar, então eu fiz um misto quente pra gente e esquentei naquelas chapinhas super uteis. Já estava comendo o meu enquanto colocava o dela pra esquentar.
– Olha só! – Ouvi meu pai dizer e sorri me virando pra ele.
– E ai, o que achou? To bem não to? – Ele se apoiou no balcão rindo e assentiu.
– Nada mal meu filho, aonde vão? – Eu virei a chapinha do lanche deixando dourar do outro lado.
– Annie tem uma festa de rico pra ir e não queria encarar sozinha... – Ele concordou.
– Onde aprendeu a fazer nó de gravata? – Eu sorri e ajeitei o nó de novo.
– Na internet. Não é demais? – Ele riu.
– Eu nunca aprendi a fazer isso, sua mãe sempre fazia e tentava me ensinar mas eu nunca aprendi. – Nós sorrimos e ficamos naquele silencio nostálgico. Ouvi o barulhinho do queijo derretendo e tirei o segundo lanche da chapinha colocando em um prato. Dei uma mordida no meu e franzi o cenho.
– Hmmm, você pode ligar pra Grover e ir dormi lá hoje? – Ele me olhou confuso.
– Porque eu faria isso? – Eu continuei o encarando com uma cara de tipo “sério que você não sabe?” – Ahhhhhhhhhh. – Revirei os olhos. – Ta! Ta, ta, ta... eu vou ligar pra ele. – Eu sorri pra ele.
– Cadê essa criatura? – Olhei pro relógio que tinha na parede da cozinha e dei mais uma mordida. – Já são 21:00 sendo que a maldita festa estava marcada pras 20:30. – Terminei meu lanche e esfreguei as mãos sobre a pia pra tirar os farelos. – Vou lá ver como que ela tá.
– Penteia esse cabelo em meu. – Meu pai disse me fazendo rir. Bati na porta do quarto e entrei.
– Annie, já são kmjnhbgvfcd... – Eu balbuciei alguma coisa porque eu realmente perdi a fala com aquela visão.
– Eu não consigo prender meu cabelo! – Ela disse e bufou com uma cara choro. Eu engoli em seco e me aproximei dela. Encontrei seus olhos no espelho e sorri tirando um grampo de cada vez dos seus cabelos loiros.
– É porque até ele acha que seria um crime prende-lo. – Eu tirei o último grampo deixando seu cabelo cair livre pelas costas completamente desnuda. – Você está maravilhosa, pequeno decote né?. – Ela sorriu, entrelacei nossas mãos e a abracei por trás descansando minha cabeça no seu ombro. – Parece uma obra de arte. – Ela soltou uma risada pelo nariz e suspirou.
– Obrigada por estar fazendo isso. – Eu sorri e dei alguns beijos pelo seu pescoço.
– Ah mas eu iria de qualquer maneira. Você estando vestida desse jeito desacompanhada... – Ela riu.
– Não seja idiota.
– Você está vendo a mesma coisa que eu? Olha pro espelho Annie, você realmente parece o fruto de uma imaginação. – Ela sorriu lindamente e me olhou.
– Bom, você também está uma delicia. – Eu ri. Ela pegou um pente em cima da minha cômoda e penteou meu cabelo, eu bufei e deixei que ela fizesse isso.
– Tenho que estar à altura né? – Estendi meu braço pra ela que sorriu e entrelaçou o seu no meu. – Então vamos senhorita Chase.
– Vamos senhor Jackson.
Chegamos na sala e meu pai só faltou colocar os olhos pra fora.
– Deuses vocês estão parecendo aqueles famosos. – Ele olhava abobalhado pra nós. – Espera! Isso precisa ser registrado. – Nós rimos quando ele saiu correndo atrás de uma câmera, e rapidamente estava de volta. – Aqui, sorriam! – Ele bateu uma foto e sorriu olhando pra ela. – Ficou linda.
– Obrigado pai, pode pegar aquele misto que eu fiz pra Annie na cozinha? – Ele assentiu e foi buscar.
– Fez um misto pra mim? – Eu ri.
– Mas é claro que eu fiz, vou deixar você passar fome? E também, de barriga vazia é mais fácil ficar bêbado. Nós não queremos isso não é? – Ela riu e assentiu.
– É definitivamente não. – Logo meu pai apareceu com o sanduíche enrolado em um guardanapo.
– Não preciso espera-los acordados não é? – Eu sorri pra ele.
– Não mesmo, boa noite pai.
– Boa noite Poseidon.
– Boa noite meus filhos. – Nós sorrimos e saímos porta a fora, me virei pra fechar a porta e fiz um sinal com a mão pra ele vazar. Ele revirou os olhos e assentiu.
Abri a porta do passageiro pra Annie e ela sorriu pra mim e estendeu a chave do carro.
– Ok, onde que vai rolar essa festa de arromba? – Ela riu e olhou no convite, enquanto comia seu lanche.
– Hmmm deixa eu ver, é naquele bairro chique. Dentro de um condomínio fechado.
– Nomes loira. – Ela riu.
– Calma, eu não posso ler no escuro e com o carro andando, é exigir demais de mim. – Ela disse e ascendeu a luz da frente. – Aqui, é no Olympus.
– UAU estou quase cogitando voltar e botar mais uma gravata. – Ela riu e apagou a luz voltando a comer seu lanche.
...
– Você não me disse que teria até tapete vermelho, fotógrafos e o escambal. – Eu sussurrei no seu ouvido e apoiei minha mão nas suas costas nua.
– Como eu disse, esbanjar. É só o que eles querem. – Ela segurou minha mão e foi me guiando até a entrada. Uma mulher muito elegante estava derramando algumas lágrimas na entrada em frente a algumas câmeras. Os flashes me cegavam. Annabeth tencionou ou meu lado e apertou a minha mão. Eu olhei pra ela preocupado. – Aquela é a minha mãe. – Ela disse de uma maneira tão fria que eu senti um arrepio subir pelo meu corpo.
Nós tentamos entrar sem ser percebidos, mas isso era uma coisa meio impossível de acontecer com Annabeth vestida como uma princesa ao meu lado.
– Filha! – Eu juro que consegui ouvir os seus dentes trincarem. Eu acariciei suas costas fazendo ela olhar pra mim.
– Eu to aqui com você loira. – Ela sorriu e assentiu. Fomos até a mãe dela que desborrava as falsas lágrimas com um lenço. Ela me olhou de cima abaixo o que me deixou bem puto. Me coloquei ao lado de Annabeth e segurei sua mão firmemente.
– Filhinha querida, conte a eles como nós sentimos falta do seu papai. – A mulher fungou falsamente e eu me senti com vontade de socar a cara dela.
– Meu pai era a única pessoa do mundo que realmente se importava comigo, foi o momento mais difícil na minha vida e eu admito que eu quase me deixei abater, quase cai. Mas não foi graças a essa mulher que vocês estão vendo que eu encontrei forças pra levantar de novo. – Ela olhou pra mim sorrindo e se virou. Eu a acompanhei, saindo da nuvem de flashes e entrando dentro do salão. Ela respirou fundo com os olhos fechados. Eu parei a sua frente e acariciei seu rosto.
– Você foi muito bem. – Ela sorriu e abriu os olhos cinza.
– Você viu como ela falava...
– Hei, não vamos falar da sua mãe por favor. Eu fiquei com muita vontade de bater nela. – Ela riu. – Vamos falar de outra coisa. – Um garçom passou ao nosso lado com taças de champanhe e eu peguei duas.
– Não vamos dividir hoje? – Ela perguntou quando eu estendi uma pra ela.
– Olha, bem que eu queria, mas olha a miséria que eles colocam na taça. Em um gole e é o fim. – Ela riu com vontade e tilintou sua taça na minha.
– É você tem razão. – Ela disse e virou sua taça, eu ri e fiz o mesmo. – Mas vamos falar de que? – Eu sorri acariciei suas costas.
– Eu disse que gostei muito do seu vestido? – Meus dedos corriam pela sua coluna enquanto eu sentia ela se arrepiar.
– Não exatamente. – Ela alisou minha gravata.
– Bom, pois eu digo. – Um outro garçom passou ao nosso lado e eu troquei nossas taças e me aproximei bem do seu ouvido. – Eu amei o seu vestido. – Ela riu quando eu desci meus dedos pela suas costas até o final da sua coluna. – E eu tenho uma surpresa pra você.
– Hmm surpresa é? – Ela me olhava nos olhos e eu sentia que ia pegar fogo a qualquer momento.
– É, ontem nós fomos ao parque porque você nunca tinha ido. Hoje nós também faremos uma coisa que você nunca fez. – Seus olhos brilharam.
– É bom você não estar brincando comigo Perseu. – Eu ri.
– Não estou. – Eu acariciei seu rosto de porcelana. – Nossa noite está apenas começando.
...
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