Theres No Winter Without Summer
4 Capítulo Três
Notas iniciais
Obrigada Rah e Ana lindas, espero que gostem.
Beijos
A manhã foi monótona demais para Mykhaela, mas Jon por sua vez passou as horas todas ouvindo Lord Mormont ditar pedidos enquanto Jon escrevia uma carta endereçada ao irmão. Lord Mormont apreciava o fato de Robb considerar os pedidos de Jon com cuidado, mesmo sabendo que não eram feitos só por ele, o Rei do Norte sabia que beneficiaria seu meio irmão e isso era valioso para a Patrulha. Após o almoço ele caminhou para fora do castelo, encontrando uma forma feminina e pequena com seu vestido de lã coberto por uma capa pesada de pele brincando com Fantasma na neve. Sorriu e parou ao seu lado.
"Estou aqui para pagar minha dívida"
"Você está atrasado" Ela sorriu, ainda sem olhar pra ele enquanto tirava alguns flocos de neve do focinho do lobo.
"Alguém aqui tem trabalho a fazer" Jon sorriu ao observar os olhos esverdeados dela caírem sobre ele.
"Insolente. Ordeno que tirem a cabeça dele" Ela forçou uma voz severa por trás do riso preso em sua garganta.
"Eu imploro misericórdia, Vossa Graça"
"Venha, Fantasma. Vamos deixá-lo falando sozinho" Ela tocou o pescoço do lobo e correu na frente, Fantasma a acompanhando enquanto Jon ria da cena e caminhava logo atrás. Observou a neve acumular-se na barra do vestido de lã enquanto ela se movia com dificuldade pela neve nova que caíra a noite toda numa tempestade forte.
"Você sabe ao menos aonde está indo?"
Ela virou o pescoço para trás com um sorriso adornando os lábios e deu dois pulinhos na direção de Fantasma que já se distanciava dela.
"Fantasma pode me guiar"
"Claro, claro. Confie nele então"
"Não seja ciumento, Jon"
Ele nada respondeu por algum tempo, até alcançá-la e surpreendê-la.
"Eu não sou"
Ela sorriu e continuou caminhando ao lado dele sem dizer nada. O constrangimento do episódio do armário já havia passado e nas últimas duas semanas eles passaram tanto tempo juntos que sentiam como se conhecessem-se há décadas.
Caminharam por muito tempo ladeando a Muralha para o lado Oeste. O vento estava frio demais, mas eles estavam entretidos na companhia um do outro a ponto de não notarem nada. Fantasma corria de um lado para o outro e sempre voltava para Mykha com o focinho cheio de neve, esperando que ela gentilmente limpasse tudo com as mãos delicadas. Jon insistia para que ela paresse de mimar o lobo e que sua mão acabaria congelada daquele jeito, mas ela gostava de discordar dele apenas para ver seus lábios crisparem-se e suas sobrancelhas juntarem-se em desacordo. Já estavam bem longe de Castelo Negro quando Jon começou a se preocupar com o vento forte demais e resolveu voltar. Mykhaela concordou e gritou para Fantasma, que acompanhou-os de volta.
Caminharam um bom tempo enquanto o clima apenas piorava e a tempestade aumentava. Andavam de braços dados para aquecerem-se, procurando o galpão abandonado que viram no caminho. Quando adentraram Mykhaela pôde sentir o cheiro de madeira úmida, mas apesar do cheiro, não havia vento. Jon fechou a porta, porém ainda haviam frestas na madeira que deixavam o vento escapar. Preocupou-se então se a tempestade fosse muito forte e logo escurecesse não teriam muitos modos de se aquecer. Observou Mykhaela abraçar o próprio corpo enquanto andava em volta do galpão. Fantasma seguia a princesa como se ela fosse sua nova dona e franzia o nariz com o cheiro.
"Nós devemos nos preocupar?" Mykhaela disse quando ouviu um uivo alto com o vento entrando e balançando a porta.
"Um pouco, sim" Jon resolveu não mentir para ela.
"Eu peguei tempestades assim enquanto viajava para cá. Eu aguento, a pergunta é se você é forte o suficiente"
Ela riu despreocupada enquanto sua bota produzia baques surdos com os passos que dava pelo local. Mykha estranhou a falta de resposta de Jon e virou-se novamente em sua direção com medo de tê-lo ofendido. Encontrou-o a dois passos dela, olhando-a de um jeito estranho. Sustentou o olhar com a mesma intensidade que Jon, observando-o aproximar-se ainda mais. Suas mãos repousaram no ombro dele ao mesmo tempo em que as dele seguraram-na pela cintura. Não demorou meio segundo que suas bocas se tocassem após seus corpos já terem colidido. Mykhaela fechou os olhos ao sentir o toque macio dos lábios de Jon e movimentou habilidosamente os seus sobre os dele. Jon se perguntava como uma garota como ela sabia beijar com tanta segurança, mas logo sua mente estava vazia.
Enquanto exploravam seus lábios o beijo pedia mais urgência e logo puderam sentir o gosto um do outro, a língua quente de ambos se envolviam e Jon abraçava Mykhaela cada vez mais perto dele. Arrepiou-se quando a mão dela escorregou pelo pescoço dele até a nuca, agarrando-se nos seus grossos cabelos ondulados. Segurou o rosto dela com uma força levemente bruta, sentindo os lábios dela tomarem-no com uma violência amorosa que ele nunca havia sentido. Apertou o corpo dela contra uma viga de madeira, sentindo os seios dela esmagarem-se contra seu peito e o próprio quadril preencher o quadril de Mykhaela. A boca da princesa parou de beijá-lo e manteu-se entreaberta enquanto ela soltava um ofego baixo contra a boca dele e agarrava mais forte seus cabelos.
Jon segurou o quadril dela, apertando-o contra a viga e afastando o seu enquanto ofegos saíam de sua boca e ele abria os olhos e se afastava. Tentou clarear a mente e tirou os braços dela do corpo dele, encarando os pés dela e ensudercendo-se com a respiração forte de ambos que parecia mais alta que o próprio vento. Mykhaela o encarou com as sobrancelhas juntas, sem entender muito bem o porque ele se afastou e permaneceu em silêncio até não poder mais.
"Jon" Ela chamou-o dando um passo em sua direção, mas isso só o fez se afastar ainda mais.
"Não" Estendeu a mão na direção dela com a palma virada para a jovem, como que a segurando longe dele. "Por favor, não"
"O que aconteceu?"
"Eu não posso"
"Não pode o que?"
"Isso" Jon finalmente olhou para ela. "Isso não pode acontecer de novo"
Mykhaela corou e seu peito apertou-se em mágoa, mas ela tentou não demonstrar.
"Você age como se fosse culpa minha"
"Bem, você não me impediu"
"E por que impediria?"
"Eu não posso, Mykhaela. Não podemos mais ficar assim, sozinhos juntos"
"O que eu fiz de errado?" Ele percebeu a voz dela manhosa e olhou novamente para os olhos esverdeados que brilhavam e lutavam para não derrubar lágrimas. Se sentiu pior ainda por fazê-la chorar.
"Nada. Eu não posso, é só isso"
"Por que não?"
"Sou um Patrulheiro da Noite"
"E então?"
"Pelos Sete Infernos, você não sabe de nada?"
Mykhaela cruzou os braços, ofendida.
"Minha vida é a Patrulha. Eu esqueci tudo o que era, minha família são os irmãos negros da Patrulha e só. Mykhaela, não posso desposar uma mulher, não posso ao menos tocar uma"
"O que?"
"E você é como um pedaço de carne em frente a um lobo faminto"
"Ótima comparação"
"Você entende o que eu quero dizer. Há tempos não vejo uma mulher e você está toda hora perto de mim com esse seu cheiro doce de mulher e suas curvas e tudo isso que me faz trair meu juramento"
"Eu não sabia, Jon"
"Pois agora sabe"
"E será rude agora?"
"Você não entende, Mykhaela. É uma tentação para mim. Se Lord Mormont descobre que toquei em você perco minha cabeça"
"Isso é ridículo"
"Não, não é"
Ela soltou uma interjeição de desprezo e virou de costas para ele, tentando absorver tudo o que ele lhe disse. Passou as ultimas semanas alimentando esperanças falsas em relação a ele. Jon nunca poderia ser dela.
"E você não pensou nem por um segundo me dizer isso?"
"Achei que você sabia"
"É claro que não! Eu não sou daqui, como deveria saber que todos esses homens sentem prazer em não ter mulheres?"
"Não importa mais. Você tem que se afastar"
"Como quiser"
Mykhaela caminhou ofendida até a porta do galpão, abrindo-a.
"Onde você vai?"
Ela não respondeu e fechou a porta. Fantasma ficou choramingando por não poder seguí-la, mas ficou alerta ao observar Jon socar uma viga de madeira com força. Ele passou as mãos pelo rosto e bufou, saindo para o vento forte e gelado. Apertou os olhos e viu um vulto negro mais a frente, andando rápido em direção ao castelo. Fantasma ficou ao lado de Jon, como se percebesse que ele precisava dele naquele momento e a caminhada foi longa até o Castelo Negro.
Arthur perguntou mil vezes para Mykhaela o que havia acontecido, mas ela limitou-se ao silêncio. Entrou no quarto com a capa umedecida e cheia de neve, jogando-a de lado e sentando-se em frente a lareira. Arthur não gostava dessa amizade entre ela e Jon e toda vez que a via sair com ele, algo lhe dizia que estava errado. Mas ele não fora feito para mandar e sim para obedecer. Se pudesse, trancaria Mykhaela no quarto para que não visse mais o bastardo.
"Se quiser eu arranco a cabeça dele com minhas próprias mãos. Aquele bastardo não pode pensar que faria mal a você e sairia ileso"
"Arthur, já chega! Nada aconteceu, eu só quero me aquecer"
"Tem certeza?"
"Sim. Você pode me trazer uma jarra de vinho por favor?"
"Como quiser, Vossa Graça" Ele fez uma reverência e saiu. Mykhaela aninhou-se entre as peles em frente a lareira e deixou as lágrimas lavarem seu rosto até adormecer.
Jon estranhou a ausência de Mykhaela no jantar, mas permaneceu em seu lugar sem dar uma palavra. Arthur o encarava com raiva e isso o fazia ter vontade de tirar sua espada da bainha e colocar contra o pescoço dele, mas se conteve. Levantou-se para se retirar ao quarto, ainda tomado pela raiva que sentia. Assim que saiu do refeitório percebeu ser seguido por Arthur.
"O que quer?"
"Eu não sei o que você fez a ela, bastardo, mas quero que saiba que se a fizer derrubar mais lágrimas terei prazer em banhar minha espada com seu sangue"
Jon nada respondeu, mas manteve seu olhar duro e voltou a andar. Entendia a preocupação de Arthur, pois ela era verdadeira. Jon sabia que havia sido duro demais com as palavras, mas tentava não se culpar pelas lágrimas dela. Seria para o bem de ambos. Mykhaela precisava de um homem com um bom nome e Jon não tinha nome ou liberdade para tê-la. Era a escolha certa para ambos, ele queria se convencer.
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