Theres No Winter Without Summer

37 Capítulo Trinta e Seis


Notas iniciais
Oi gente, tudo bem?
Como estão de feriado?
Estão prontos pra saber quem é o personagem inédito que vai aparecer por aqui? Eu gosto bastante dele. Espero que vocês também gostem de vê-lo por aqui.
Boa leitura!

Mykhaela usava seu manto da casa Stark sobre as camadas de vestido de lã e veludo. Alyssa também usava um manto cinza, agora que era uma Stark, e acenava tristemente para a irmã que partia. Foi a última visão que teve de Winterfell e então a estrada do rei era sua companheira junto com os treze homens que partiam com a rainha para o Sul. Desde a última vez que recebera notícias, Robb estava deixando Correrrio e ela sabia que enquanto viajava ele poderia avançar ainda mais para o sul. Isso a amedrontava, mas a estrada não era lugar para senhoras indefesas e Mykhaela não pretendia ser uma. Sua espada estava sempre consigo, assim como o punhal que recebeu de Robb há alguns meses. Levava em seu cavalo a caixa de madeira e em seu peito o cristal. Estava segura. Mesmo que se perdesse, dedicara grande parte do seu tempo memorizando o que podia e o que parecia mais importante.


Robb, porém, não estava contente. Quando recebeu uma carta vinda de Winterfell, ficara feliz a princípio. Bran havia se casado com Alyssa, como ele já esperava. Mas então Meistre Luwin disse sobre o incidente com a cunhada, sobre as duas execuções que Mykhaela teve que sentenciar e sobre como isso a afetou. Quando chegara a parte que dizia que a rainha estava na estrada, vindo até ele, Robb enlouqueceu de raiva e esmurrou a mesa. Rickon o olhou assustado, mas permaneceu em silêncio. Mykhaela sempre tinha aquela mania de ser absurdamente teimosa. Era uma guerra, ele não estava brincando. Ter ela em seu acampamento só significava mais uma vulnerabilidade. Como se Stannis já não estivesse forte o bastante. À primeira luz da alvorada Robb foi acordado por Rickon. Ele dormira duas ou três horas naquela noite, mas assim que o irmão mencionou Mykhaela, Robb ficou desperto.


“Ela montou acampamento com seus homens e descansa agora”


“Por que não me acordou quando ela chegou?” Robb sentou-se na cama e esfregou os olhos, o cansaço cravado em seu rosto. Esperava há um bom tempo o dia em que ela o alcançaria e ele tivesse que encará-la.


“Mykhaela ordenou que deixasse você descansar. Ela mesma precisava de descanso e disse que conversa com você assim que acordar”


“Você é meu escudeiro ou escudeiro de Mykhaela?” A grosseria em sua voz fez Rickon corar.


“Sou seu escudeiro, Robb” Ele respondeu abaixando os olhos.


“Então da próxima vez siga minhas ordens, não as de Mykhaela”


“Sim, Vossa Graça” Rickon respondeu a contragosto. “Quer que eu a acorde?”


“Não. Deixe ela dormir. Assim que ela acordar traga-a até mim, entendeu?”


“Sim. Tem outra pessoa querendo falar com você”


“Não tenho tempo pra ele”


“Ele está bem insistente”


Robb bufou, passando as mãos pelo rosto e sentindo a barba grande. Precisava se barbear, mas ele mal tinha tempo para dormir. Levantou-se e colocou seu roupão de dormir.


“Tudo bem, mande trazê-lo”


Rickon deixou a tenda e Robb andou até a mesa, tomando um grande gole de vinho. Vestiu seus calções, sua túnica e um gibão simples com o lobo Stark em fio prateado. Sentou-se na mesa, tomou mais vinho. Logo ele entrou na tenda em roupas muito mais simples do que ele se lembrava. Da ultima vez que esteve em Winterfell, exibia suas roupas finas em seu pequeno corpo deformado com seu ar de superioridade.


“Rei no Norte” O Duende sorriu com seus olhos irregulares e de cores destoantes.


“Duende” Robb não sorria. Ele estava cansado e não tinha tempo para brincadeiras. “Achei que tinha me livrado de todos os Lannisters”


“Ah, Robb Stark, diferente de você, Aerys não fritou todos os meus tios. Tenho mais primos e tias do que desejo. Se livrar de todos os Lannister é uma tarefa um pouco difícil”


“Eu estava falando da parte mais podre”


“Claro, você quer dizer meu pai, meus irmãos, meus sobrinhos”


“Obviamente nem todos eles”


“Sim. Você vê, consegui escapar das garras de Stannis com um pequeno grupo de mercenários quando ele tomou Porto Real”


“É muito corajoso de sua parte. Deixar a família para morrer”


O rosto de Tyrion perdeu qualquer traço de divertimento. “Eu saí após ver Cersei morta e Jaime também, ao lado de meu pai e de Joffrey. Não havia mais família para se lutar”


“Por que veio me procurar?”


“Stannis. Ele te quer morto tanto quanto eu o quero morto”


“Está propondo algum tipo de negociação?”


“Vejo que é um garoto esperto”


“Stannis morrerá seja isso sua vontade ou não. O que tem de vantajoso pra me oferecer, Duende?”


“Minhas forças. Meu ouro”


“Seu ouro? Rochedo Casterly é comandado agora pelo Cavaleiro das Cebolas, todos sabem disso. Stannis confiou apenas nele para manter os Lannister em seus lugares e não formarem uma rebelião”


“Eu sei das notícias, Stark. Estive disfarçado, mas ainda assim meus ouvidos funcionaram bem. Sei o que Stannis fez. Sei que ele mandou os Greyjoy invadirem o Norte e matarem sua família. Sei da volta da adorável rainha Stark após um ano. Sei que metade dos homens de Westeros sonha em estar entre as deliciosas coxas estrangeiras de sua rainha; embora não posso dizer por mim mesmo, pois nunca a vi. Também sei do seu pequeno bastardo. Tal pai, tal filho?”


“Veio aqui despejar palavras com o objetivo de me tirar do sério, Lannister?”


“Vim propor negócio. Eu posso ser muito útil pra você. Porto Real não cairá assim tão fácil. Stannis está forte e tem apoio da tal mulher vermelha dele. Você, garoto, não conhece a cidade como eu. Acontece que eu estudei os mapas e os detalhes de Porto Real por meses esperando Stannis atacar. Conheço a cidade e a Fortaleza Vermelha como as costas da minha prostituta favorita”


Robb ficou em silêncio, pensando nas palavras dele. Tyrion tomou um pouco de vinho e esperou pacientemente pela resposta de Robb. Os olhos azuis chegaram até Vento Cinzento, que sentou-se, alerta, e levantou as orelhas, farejando alguma coisa que se aproximava da tenda. Quando seguiu o olhar do lobo gigante, não demorou-se dois segundos até que a entrada da tenda se remexesse e revelasse Rickon e Mykhaela. Vento Cinzento saltou em suas patas e correu até a rainha, a língua caída de lado, mas ele freou as patas com as garras no chão e piscou confuso quando viu nos braços dela um filhote de lobo. Vento Cinzento soltou um choramingo e sentou-se, os olhos brilhando de um jeito que Robb nunca vira. Mykhaela sorriu e acariciou o pelo marrom avermelhado da cria em seu colo.


“Você gosta dela, Vento Cinzento?” A rainha aproximou-se do lobo gigante de Robb e Vento Cinzento lambeu as mãos dela, cheirando de forma arredia a pequena loba. Mykhaela colocou a cria no chão e ela aconchegou-se no pelo de Vento Cinzento, deitando-se ali e fechando os olhinhos. O lobo gigante deitou-se também, observando com olhos atentos a pequena loba encostada nele. Mykhaela sorriu e levantou-se, encarando Robb pela primeira vez. Exatamente como ela esperava, ele não parecia feliz.


“Posso te trazer algo, minha rainha?” Rickon disse de forma polida.


“Não, Rickon, obrigada” Ela olhou de forma maternal para o cunhado e virou-se novamente para Robb. Mykhaela não conhecia o pequeno estranho ali, então contentou-se em manter as reais aparências que tinha que sustentar toda vez que havia um estranho em sua presença. “Vossa Graça” Ela reverenciou Robb.


“Minha rainha” A voz dele era tão fria quanto seus olhos. Robb estava com raiva.


“Devo dizer, Stark, que concordo, afinal, com o que dizem” Tyrion sorriu, mas Robb não. “Minha rainha, permita-me apresentar-me. Sou Tyrion, da Casa Lannister” O anão andou até ela e estendeu-lhe a mão. Mykhaela retribuiu o gesto, apertando a pequena mão, um pouco confusa, enquanto Tyrion beijava-a docemente.


“Lannister?”


“Também sou chamado Duende, mas não aprecio muito este nome”


“Achei que estava morto”


“Achamos todos que a senhora estava morta, mas retornou afinal, não é?”


Mykhaela sorriu e Tyrion retribuiu. Ela era mais divertida do que Robb e, por enquanto, o anão gostava dela. Sabia que ela não era tão bobinha e submissa como parecia agora. Ouviu histórias, que apesar de fantasiosas demais, possuíam alguma verdade. Ela era uma mulher forte, forte como Cersei era. Forte como Shae era.


“Eu voltarei mais tarde, quando tiver terminado seus assuntos com o Lord Tyrion”


“Não será necessário. Lord Tyrion já estava de saída” A máscara impenetrável que Robb usava deixou Mykhaela incomodada.


“Sim, minha rainha. Eu não quero atrapalhar o doce reencontro com seu amado rei. Terminaremos nossa conversa mais tarde, Rei Robb” Tyrion depositou a taça na mesa e reverenciou a ambos, acompanhando um dos homens de Winterfell até a saída da tenda, onde seria acompanhado para sua cela. Quando ficaram sozinhos, o silencio tomou conta do ambiente por longos minutos.


“Você pode ficar bravo o quanto quiser, Robb, isso não muda o fato de que eu estou aqui”


Robb continuou em silêncio, encarando Vento Cinzento enrolado numa bola junto com a cria de lobo que Mykhaela trouxera.


“O que foi? Era Talisa que esperava?”


“Do que infernos você está falando, Mykhaela?”


“Foi assim que você conheceu ela, não foi? Na guerra? E foi aqui que você se deitou com ela, eu aposto. Na sua tenda real”


“Pelos Deuses, Mykhaela, isso de novo?” Robb esmurrou a mesa, levantando-se e Vento Cinzento abriu os olhos e levantou as orelhas.


“Tenho sua atenção, finalmente?” Mykhaela sentou-se casualmente em uma das cadeiras e se serviu de vinho.


“O que você veio fazer aqui?”


“Eu tenho que te mostrar algo que eu achei, Robb. Uma coisa que vai te ajudar a ganhar a guerra”


“E o que é?” Ele respondeu cético. Mykhaela agarrou a corrente em seu pescoço e revelou o cristal translúcido. Robb soltou um riso sem graça alguma.


“Se queria me contar sobre suas joias novas, bastava me escrever uma carta”


“Eu não estou brincando, Robb”


“Nem eu”


“Eu achei uma caixa. Não achei, eu sempre tive. Era guardiã dela enquanto era princesa de Iberia. E estava tudo lá. Sobre a guerra, sobre os dragões-“ Antes de poder terminar, Robb a interrompeu.


“Não. Essa história de dragões de novo não”


“Vossa Graça” Rickon entrou na tenda com um olhar cauteloso.


“Diz, Rickon”


“Você não tem que ser grosso, Robb” Mykhaela virou-se para o cunhado. “O que foi, Rickon?”


“Estão perguntando se podem trazer o desjejum”


“Claro. Acompanhe-nos”


“Obrigada, Mykha, mas eu já comi” Ele corou, saindo da tenda em seguida. Após um pequeno intervalo de silêncio, foram servidos com pães de aveia, ovos mexidos e um espesso mingau de aveia. Robb sentou-se novamente e ambos comeram em silêncio. Pareciam dois estranhos. Após terminar de comer, Robb saiu sem falar nada e Mykhaela suspirou, fechando os olhos.


Passou o dia em sua tenda, com Vento Cinzento e Elye, a pequena loba órfã que achou na beira da estrada do rei quando deixava o Norte. O lobo de Robb pareceu apegar-se à lobinha de forma adorável. Chovia durante o dia todo e na única vez que Mykhaela deixou a sua tenda, viu Robb gritando com um dos homens que a acompanhara até ali, lama até seus cabelos e sem nenhum traço da doçura que possuíra um dia. Resolveu que não discutiria mais. Se Robb não queria ouvir, não podia obriga-lo. Mas ele também não podia obriga-la a não lutar. O rei não a convidou para jantar junto dele e Mykhaela era orgulhosa demais para ir até a tenda dele sem ser convidada. Ao invés disso, pediu para que chamassem o cativo do rei para lhe fazer companhia. Tyrion foi limpo para responder ao real convite, barbeado e recebeu uma nova troca de roupas. Quando ele entrou na tenda de Mykhaela, viu a mesa com algumas frutas, queijo, pães e vinho. A rainha esquentava as mãos em um braseiro no canto, vestida de veludo vermelho escuro. Ao ouvir Tyrion entrar, ela virou-se para ele e sorriu, e o anão reverenciou-a.


“Está deslumbrante essa noite, Rainha Mykhaela”


“Obrigada, Lord Tyrion. Aceita vinho?”


“Sim, obrigado” Tyrion sorriu e observou Mykhaela encher duas taças de vinho, entregando uma a ele. Ela destampou uma bandeja e revelou um pernil de porco assado. Em outra havia batatas e cebolas douradas.


“Com certeza não é um banquete como os que está acostumado, mas a guerra nos faz perder alguns luxos”


“É muito melhor do que as coisas que venho comendo ultimamente” Tyrion esperou Mykhaela se sentar e saltou para sua cadeira logo em seguida. A mesa era pequena e apertada, o que o fazia ficar bem próximo à rainha. Ela era realmente bonita como diziam e nisso Robb Stark deu sorte. Tinha olhos escuros com um esverdeado discreto no fundo, um nariz delicado e um pouco arrebitado e lábios bonitos e avermelhados. O corpo também não deixava a desejar. Era firme, magro e atlético. Os seios eram cheios e um pouco mais caídos do que deveriam ser antes dela amamentar três crianças, mas ainda assim num lugar condizente com uma garota da idade dela. Era perigosa, Tyrion podia sentir isso. Aquela beleza, os sorrisos e as maneiras dela confundiam facilmente qualquer um. De donzela indefesa ela nada tinha. “Uma pena o rei não se juntar a nós neste delicioso jantar”


“Robb está ocupado”


“Robb parece com um pouco de raiva” Tyrion limpou a gordura que escorreu pelo canto da boca e Mykhaela sorriu.


“Ele não gostou muito de me ver aqui”


“É um tolo. Se fosse minha senhora, gostaria de vê-la sempre que possível”


Mykhaela riu e espetou uma batata com o garfo, colocando-a em seu prato.


“Ele só quer me manter segura e eu o entendo. Foi a urgência de vê-lo que me trouxe aqui, tola como sou. Mas voltarei para casa assim que possível, como deseja meu marido”


Ela joga as palavras já sabendo que não as comprarei, adorável rainha. “Não o culpo por querê-la a salvo”


“Robb é muito protetor” A rainha bebericou o vinho após soltar um suspiro. Grande Jon ficou menos contente do que Robb ao vê-la ali. Está fazendo os homens questionar a autoridade do rei ao vir aqui, desobedecendo às ordens dele.


“Posso perguntar como seu pai encontrou Rei Robb, tão longe de seu reino?”


“Robb me encontrou”


“Oh, eu adoro histórias de amor. Pode me contar, minha rainha?”


“Eu estava perdida na floresta. Robb me salvou e me levou até Winterfell. O resto já conhece”


“Foi amor à primeira vista, então?”


Mykhaela sorriu e inclinou-se na mesa, chegando mais perto de Tyrion, que teve uma boa visão dos seios dela pelo decote.


“Aqui vai um segredo sobre mim: eu sei conquistar homens”


Tyrion sorriu. “Eu não duvido disso”


“Melhor do que isso, eu sei matar homens após conquista-los”


“Theon Greyjoy que o diga” Tyrion entendeu a ameaça e sorriu, observando a rainha reclinar-se de volta ao encosto de sua cadeira. Deliciosamente perigosa, pensou o Duende, Robb Stark escolheu a mulher certa para estar ao seu lado.


Mykhaela já se preparava para dormir quando Rickon entrou em sua tenda após pedir licença. Ela sorriu para o cunhado e guardou os pergaminhos que lia incansavelmente toda noite. Usava uma camisola branca com rendas de Myr e tinha os cabelos soltos, as ondulações caindo como cascatas em seus ombros. Cão Felpudo entrou logo atrás de Rickon e farejou o irmão que dormia junto de Elye, deitando-se ali perto também, aproveitando o calor e a falta de umidade.


“Robb quer vê-la”


“Talvez ele não tenha terminado de me ignorar em minha cara” Mykhaela sorriu e acompanhou Rickon até o centro do pavilhão real após vestir um roupão acinzentado. Dois homens guardavam a tenda de Robb e ambos acenaram para a rainha quando ela passou pela entrada. Rickon não entrou com ela e Mykhaela foi encontrar Robb sentado à mesa analisando mapas. Ficou parada ali, observando-o.


“Mandou me chamar, Vossa Graça?”


Robb levantou os olhos e a encarou, acenando que sim com a cabeça.


“Venha aqui, Mykha” A voz dele ainda era dura, mas tinha um pequeno traço de gentileza. Mykhaela andou até ele e Robb passou o braço ao redor da cintura dela, fazendo Mykhaela sentar em seu colo. Passou o indicador da mão livre pelo mapa e parou em um ponto. “Estamos aqui” Mykhaela concordou com um leve aceno de cabeça e Robb beijou-lhe o ombro. “Eu preciso estar aqui” Ele levou o indicador até Porto Real e Mykhaela continuou em silêncio. “E eu preciso que você esteja aqui” Finalmente o dedo de Robb foi até um segundo mapa, parando em Winterfell. Ela suspirou e fechou os olhos. Não adiantava, ele não ia entender.


“Suas tentativas quase forçadas de me ignorar o dia todo já me fizeram entender, Vossa Graça. Partirei assim que os cavalos estiverem descansados. Eu não posso te forçar a ficar na minha presença se te desagrada tanto.”


“Não me chame assim” Robb irritou-se e Mykhaela saiu de seu colo.


“Se eu sou apenas uma peça ao seu lado, Vossa Graça, então devo te tratar como a simples peça que sou. A peça que te faz filhos”


Robb esfregou as têmporas, cansado demais para discutir com ela. Seu lugar não era na guerra, pelos deuses, ela tinha que entender.


“Eu só te quero segura” Robb abriu os olhos novamente e encarou sua rainha. Sua teimosa rainha. “Eu ficarei seguro sabendo que está com nossos filhos. Eles precisam mais de você do que eu” O rei levantou-se e segurou as mãos de Mykhaela, levando-as aos lábios e beijando-as. “Você pode fazer isso por mim?” Mykhaela apenas acenou que sim com a cabeça. “Eu preciso dar mais uma olhada nesses mapas antes de me deitar. Você me faz companhia essa noite, minha senhora?”


“Sim” Mykhaela respondeu, com um meio sorriso e despiu-se do roupão, a pele de seu braço arrepiando-se.


Então era isso que ele queria. Que ela esquentasse a cama dele. No final se resumia a isso? Uma esquentadora de camas? Deitou-se na improvisada cama da tenda de Robb e escorregou para debaixo das peles. Observou Robb despir-se do gibão e das botas, ficando apenas com seus calções de baixo e sua túnica de linho, com os primeiros nós desfeitos, mostrando os pelos em seu peito. Ela estava quase adormecida quando Robb tocou seu braço e ela afastou-se para ele poder se deitar. Havia apenas uma vela ardendo perto da cama e ela via muito pouco do rosto dele. Robb abraçou Mykhaela junto a si e ela deitou a cabeça no peito dele, suspirando baixo. Não demorou muito até que a mão dele escorregasse para a nuca dela e puxasse seu rosto para cima para beijá-la. Ainda estava com raiva quando a língua de Robb escorregou para dentro de sua boca, mas quando o gosto dele invadiu sua língua, ela esqueceu-se. As mãos dele foram velozes em seu serviço e logo Mykhaela estava livre de seu vestido e de suas roupas de baixo. Ao longo de todo seu corpo arrepios faziam os pelos se eriçarem. Havia muito tempo desde que tinha se deitado com Robb pela última vez, na última noite dele em Winterfell antes de partir. Mas dessa vez Mykhaela realmente sentia necessidade de senti-lo dentro dela.


“Eu sinto sua falta” Robb ofegou contra a boca dela sem parar de beija-la. “Eu sinto tanto a sua falta”


As mãos pequenas passearam pelo peito dele e o livrou das roupas com tanta avidez que temeu as ter danificado. Não que esse pensamento tenha tomado muito de seu tempo. Antes de poder pensar direito, Robb tinha os lábios entre as coxas dela e Mykhaela prendia os dedos das mãos entre as peles ao seu redor. Seu corpo tremia como se ela estivesse sentindo o maior frio do mundo, mas era exatamente o contrário. Robb sugava-a num cuidadoso misto de gentileza e força. O resultado escorria pelos lábios dele. Porém Robb não se aguentava muito mais. Subiu para os seios dela e tocou seu próprio membro, tentando às cegas acertar o local. Mykhaela puxou seus cachos avermelhados com força e Robb gemeu na boca dela quando finalmente conseguiu investir pela primeira vez dentro de Mykhaela. A essa altura os corpos deles já estavam suados e extasiados. Robb pareceu esquecer-se da gentileza e investia contra ela com tanta força que Mykhaela parecia desconhecer o marido. Robb sempre foi gentil. Mas ela gostava daquele jeito, dele ter esquecido a gentileza. Gostava de Robb a amando com todos os seus extintos de homem. Ele não segurava em sua garganta os seus sentimentos e sua voz cobria os gemidos agudos dela. Robb escondeu o rosto na curva do pescoço dela e Mykhaela sussurrava coisas desconexas no ouvido dele. “Isso, Robb. Assim. Mais. Mais forte”


Do lado de fora da tenda, Grande Jon Umber e Wendel Manderly caminhavam até os guardas, mas estes acenaram que não com a cabeça de forma respeitosa. Quando estava prestes a questiona-los, Grande Jon ouviu Robb soltar um urro alto e em seguida uma voz de mulher murmurar o nome do rei de forma ofegante.


“É a Rainha Mykhaela?”


“E quem mais seria, Jon?”


O homem trovejou uma risada. “Isso acalmará os nervos do rei. Talvez não tenha sido de tão mal a rainha ter aparecido por aqui”


Algumas horas depois o acampamento estava tão silencioso quanto podia estar. Mykhaela observou o peito de Robb subir e descer no mesmo ritmo por um longo tempo. Sua expressão parecia um pouco menos cansada e, de alguma forma, serena. As lágrimas subiram aos olhos, mas ela as afastou. Aproximou-se dos lábios de Robb e depositou um beijo, levantou-se, vestiu suas roupas e saiu sem fazer barulho. Quando o rei acordou na manhã seguinte, não foi livre de decepção. Rickon balançava seus braços e Robb percebeu que Mykhaela não estava ao seu lado. Cobriu a nudez com as peles e olhou para o irmão, confuso.


“O que foi, Rickon?”


“Ela foi embora. Quando acordamos, ela e seus homens já tinham partido”


“Mykhaela?” Rickon acenou afirmativamente com a cabeça. “Pra onde?”


“Para o Norte, talvez. A chuva apagou os rastros deles depois de algumas milhas para Norte. Ela te disse algo?”


“Disse que iria pra casa assim que os cavalos estivessem descansados” Robb levantou-se e vestiu seus calções. “Por que ela partiu assim? De repente?”


“Vocês brigaram?”


Robb rolou os olhos. “Eu pareço com alguém que passou a noite brigando?”


Rickon corou e um dos guardas de Robb anunciou Grande Jon meio segundo antes do conselheiro de Robb entrar.


“Eu gostaria de ter uma briga dessas, então” Ele riu, mas silenciou-se quando viu que Robb não achara nada divertido. “Ela voltou para casa, Vossa Graça. Mykhaela é impulsiva, mas não é tola. Ela sabe que não pode desrespeitar Vossa Graça sem levantar questões sobre sua autoridade”


Em algum lugar a oeste Mykhaela sentia o cristal arder entre seus seios, onde Robb beijara-lhe tão avidamente poucas horas antes, enquanto a chuva a ensopava. Perdoe-me, Robb. Perdoe-me, mas eu preciso fazer isso. Você precisa seguir seu destino e eu preciso seguir o meu. Deixá-lo nunca havia doído tanto.


Notas finais
O que acharam da participação Tyrion? Gente, eu adoro muito o Tyrion e principalmente o trabalho do Peter em interpretá-lo. Fiquei feliz por arranjar um espacinho pra ele aqui.
Robb não estava muito feliz em ver Mykhaela. Ele tem razão em querer ela a salvo?
Para onde Mykhaela está indo? Alguma sugestão?
Ah! Vocês já viram os vídeos que saíram da nova temporada? To morrendo de curiosidade pra ver, mas ao mesmo tempo esse livro me deixou tão deprimida que não sei se estou psicologicamente pronta pra ver hahahaha.
Aproveito a oportunidade pra desejar boas festas e um ótimo fim de ano pra todos vocês! Beijos meus lindos.