Theres No Winter Without Summer
34 Capítulo Trinta E Três
Notas iniciais
Olha só, desde o último post o número de leitores cresceu, fico feliz. NÃO ME ABANDONEM POR FAVOR HAHAHA. E APAREÇAM NOS REVIEWS SENÃO O MONSTRO DO BLOQUEIO CRIATIVO VAI ME PEGAR MWHAAAAAAA. Ok, parei de ser idiota.
Boas vindas especiais à Bia, capítulo especial pra você.
Como sempre minhas leitoras divididas entre Robb e Jon. Assim vocês me deixam louca! hahaha.
Sem mais enrolação, aqui vai o capítulo 33. Boa Leitura!
A Senhora Marnie conversava amavelmente com Mykhaela perto do estrado do rei. Havia chegado a Winterfell naquela manhã junto com o marido e os vassalos dele, um fidalgo menor que morava nas proximidades de Porto Branco. Ela era tímida e alguns anos mais velha que Mykhaela, e havia acabado de se casar com o velho Lord Karl. Ela elogiava amavelmente o vestido de Mykhaela, feito de veludo e pele de lobo branca nas mangas longas. A coroa de cristal adornava os fios ondulados de Mykhaela, soltos e brilhantes, dando a ela o ar selvagem nortenho. As outras senhoras olharam meio enciumadas, já que passaram o último mês tentando ter a atenção de Mykhaela e se tornarem amigas íntimas da rainha. Mas seus modos afetados e excesso de elogios vazios irritavam demais a senhora de Winterfell.
“Eddard. Devagar, filho” Mykhaela disse para o pequeno que corria pelo salão entre as pessoas. Era o terceiro dia do nome de Eddard e Mykhaela fez questão de fazer uma boa comemoração já que a primeira foi interrompida por Theon e a segunda ela passara longe, num navio, a caminho de Iberia.
“É uma criança muito bonita, seu Eddard” Marnie sorriu e corou ao ver Robb parar ao lado de Mykhaela, deixando um contraste bonito entre as bochechas avermelhadas e a pele extremamente branca. O rei passou o braço nos ombros de Mykhaela de forma amável, mas polida.
“Com licença, senhoras. Mykhaela, Rickard chegou com a esposa”
“Obrigada Robb. Senhora Marnie, se me dá licença”
Mykhaela atravessou o salão e encontrou, um pouco antes da porta, Rickard Davies, trazendo pelo braço uma senhora mais baixa que ela, de cabelos negros como a noite e um nariz de papagaio que apagava qualquer doçura que pudesse existir naquele rosto. No colo de Valerya havia uma criança de alguns poucos meses.
“Rickard, Valerya. Fico feliz que tenha feito boa viagem, senhora” Mykhaela tentou ser o mais educada possível, mas a desaprovação ao olhar para a mulher era quase palpável.
“Obrigada, Vossa Graça”
Rickard tomou a criança dos braços de Valerya sem dar-lhe muita atenção e a entregou a Mykhaela, revelando um rostinho angelical, com traços do pai e cabelos negros como o da mãe.
“Chama-se Alana” Ele sorriu de forma boba, tocando o pequeno nariz da criança. Por dentro Mykhaela só podia pensar no quanto a criança deu sorte por não se parecer em nada com a mãe.
“Ela é linda, Rick” A rainha balançou a garotinha nos braços, sorrindo. “Quanto tempo ela tem, Valerya?”
“Três meses. Embarquei assim que ela nasceu”
“Já se instalou bem?”
“O castelo ainda não está pronto e agora Rickard vai pra guerra e vou ficar aqui enquanto ele não volta” O desprezo na voz dela dava náuseas a Mykhaela. Queria esfregar aquela cara de papagaio nas pedras do chão, mas ao invés disso, sorriu.
“Há senhoras de todas as casas importantes aqui, mas tenho certeza que nosso castelão achará um lugar bom pra você”
“Eu sou uma senhora importante” Valerya disse num tom ofendido e Rickard segurou o riso indo até uma mesa próxima e se servindo de um corno de cerveja.
“Oh, querida. Os Visseu podem ser importantes em Iberia, mas não são nada em Westeros. Lembre-se disso” Mykhaela depositou um beijinho na tez da criança e a entregou à mãe. “Fiquem a vontade, vou pedir para arrumarem um lugar à mesa pra vocês”
Mykhaela se afastou e caminhou de volta em direção ao estrado do rei. Uma parte de si sentiu-se infantil por tratar Valerya daquela forma, mas não conseguia olhar a garota sem lembrar do irmão dela e do mal que o desgraçado fizera a Alyssa. Não era algo que ela iria se esquecer. Nunca.
Naquela noite Robb veio a sua câmara novamente. Desde o nascimento de Cedrik ele vinha todas as noites e dormia ao lado de Mykhaela. Ela não se opunha, pois sabia que nas próximas semanas o marido partiria pra guerra e ela desejaria tê-lo em seus braços todos os dias depois disso. Estava praticamente adormecida ao lado de Robb quando seus guardas bateram à porta e pediram licença pra entrar. Era Meistre Vyman com um pedaço de pergaminho à mão e uma expressão temerosa. Robb vestiu um roupão e Mykhaela permaneceu sentada na cama, um vinco em sua testa.
“Sinto em perturbá-los a essa hora, Vossa Graça”
“O que foi, Meistre?” Robb disse por trás da voz pesada.
“Esse corvo acabou de chegar” Vyman entregou a carta a Robb, que passou os olhos rapidamente pelas palavras.
“O que isso quer dizer?”
“O que foi, Robb?”
“Quem são essas pessoas?”
“Me fala, Robb!”
“Um exército dothraki assaltou Pedra do Dragão”
“Eu te disse!”
“O que quer dizer, minha rainha?” O meistre juntou as sobrancelhas sem entender, mas Mykhaela o ignorou.
“De novo essa história de dragões, Mykhaela?”
“Eu os vi, Robb! Com esses olhos aqui!” Mykhaela jogou as peles pra longe e levantou-se, irritada, caminhando até Robb. “Não acredita em mim?”
“Você estava longe, Theon machucava você. Tanto tempo no mar te fez ver coisas”
“Tanto tempo no mar? O que diabos sabe sobre o mar, Robb? Você já esteve em alto mar alguma vez na vida?”
“O que quer, Mykhaela? Falar isso em conselho pra todos dizerem que você está louca?”
“Minha senhora, é comum que o mar faça as pessoas terem vertigens. E a senhora estava grávida” Vyman começou, mas parou assim que recebeu um olhar enraivecido de Mykhaela.
“Eu vi Daenerys Targaryen com meus próprios olhos, Stark. Eu a vi, e seus dragões, e seus dothraki. Ela quer o Trono de Ferro de volta”
“Minha guerra é contra quem quer tomar o Norte, Mykhaela. E se ela quiser, eu irei à guerra contra ela também”
“Não! Robb, por favor, me escute!”
“Eu não vou mais discutir isso” Robb disse de forma ríspida, como ele nunca havia falado com ela antes. Mykhaela parou em silêncio, meio chocada e meio machucada. O rei caminhou na direção da porta do quarto de forma irritada. “Venha, meistre. Vamos conversar em minha sala”
Vyman seguiu Robb para fora e a porta foi fechada pelos guardas. Mykhaela limpou as lágrimas de seu rosto e abriu a porta, saindo para o corredor. Robb olhou pra trás e Mykhaela sabia, pelo olhar dele, que não deveria insistir, então parou de andar.
“Não me espere acordada” Robb disse de forma fria e continuou a andar. Mykhaela voltou ao quarto sentindo-se derrotada. Ele não a ouvia. E ele caminhava para a morte.
-x-
As grandes fileiras de soldados já estavam em formação, além da Vila de Inverno. As senhoras já haviam se despedido de seus maridos e secavam suas lágrimas de tristeza juntas. Bran era o que estava menos feliz. Podia-se ver nos olhos dele o quanto se ressentia por não poder partir com os irmãos. Robb escolhera Rickon para ser seu escudeiro e o irmão parecia ainda maior e mais velho do que seus quinze anos com a armadura. Lady Catelyn beijava o filho enquanto Rickon tentava acalmá-la de seus medos, em vão. Não imaginava o tipo de dor que Catelyn passava, vendo dois de seus filhos partirem para a guerra. Robb beijou os gêmeos que estavam no colo de Osha, então Cedrik, no colo de Talisa e se despediu dela com um meneio, enquanto Eddard agarrava-se ao seu pescoço. Ele beijou a cabeça do filho, que esperneou e chorou ao ser entregue a avó. Lady Catelyn acariciou os cabelos ruivos de Robb e beijou-lhe a face, desejando a ele boa viagem. Mykhaela observava tudo um pouco afastada, ainda contrariada com a ida do marido. Mas ela não podia agir daquela forma na frente dos seus vassalos. Não, não podia, mas era tão difícil. Robb caminhou até ela e tomou seu rosto entre as mãos. A essa altura ela já chorava, o rosto lavado de lágrimas quentes contra o tempo frio. Neve caía sem parar desde a primeira luz da alvorada e Robb afastou gentilmente os flocos que se acumularam nos cabelos de Mykhaela.
“Não chore, minha senhora. Tem que ser forte pelos nossos filhos, pelas senhoras de todo o reino que se despedem de seus maridos agora”
“Eu estou te pedindo, Robb. Não vá”
Robb fechou os olhos quando beijou a testa dela e sentiu os braços de Mykhaela se fecharem ao redor de sua armadura. Queria poder sentir realmente o abraço dela, sem o aço separá-los daquela forma. Escorregou a mão pela nuca dela e beijou-lhe com amor, enrolando os dedos nos cabelos dela, sentindo cada parte que podia de sua esposa.
“Eu te amo. Espere por mim, minha Mykha. Eu vou voltar pra você” Os lábios do rei escorregaram pelo rosto dela até encontrarem os cabelos com cheiro de flores e ali Robb depositou mais um beijo. Colocou na mão de Mykhaela uma rosa de inverno, retirada dos jardins de vidro de Winterfell e beijou a pele alva e macia antes de afastar-se para partir. Mykhaela segurou-o pelo botão de Gelo, presa à cintura dele e Robb juntou as sobrancelhas sem entender. Mykhaela puxou a espada para cima com dificuldade e Robb a ajudou, desembainhando-a. A rainha depositou um beijo no aço gelado, molhando-o com as lágrimas que caíram de seu rosto.
“Eu te amo, Robb” Mykhaela murmurou com a voz embargada e Robb deu-lhe um meio sorriso antes de virar-se para andar até o seu cavalo, embainhando Gelo novamente. Ele montou e esporeou o cavalo para ficar frente à coluna, liderando-os para longe de Winterfell, longe de casa. A maioria das mulheres já havia retornado ao castelo e Mykhaela pediu para levarem as crianças também. O frio estava quase insuportável e o vento cortava os rostos desprotegidos. Ela permaneceu observando os homens partirem até que a coluna não podia mais ser vista. Abraçou o corpo e virou na direção de Winterfell para voltar pra casa, encontrando ali Talisa. Ela tinha os olhos vidrados no horizonte, mas eles logo encontraram os de Mykhaela. Ambos úmidos e doloridos. Ela também o amava. Ela também sofria com a ida dele. Caminhou a passos lentos na direção do castelo e os guardas a seguiram em silêncio. Todo o caos da cidade cheia estava finalmente acabado e o vazio silencioso que ficou no lugar fez o peito de Mykhaela apertar-se.
Notas finais
Valerya em Winterfell junto com a Mykha. Isso tem tudo pra dar errado, né?
Robb partindo pra guerra, Daenerys em Pedra do Dragão... o que será que vai acontecer?
Espero os reviews de vocês.
Beijos.
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