Notas iniciais
Oi meninas, tudo bem?
Obrigada pelos reviews e já aviso à BeCaldas que ela não vai gostar muito do capítulo haha.
Deixei no final uma imagem - tosca - que eu fiz, mas é só pra vocês conhecerem o rosto do Eddard.

Os homens de Greyjoy estavam no encalço de Mykhaela e Jon, mas não conseguiam alcançá-los. Após algum tempo, já não os viam seguindo-os, mas estavam bem ao norte, quase chegando à Muralha. Mykhaela sabia que Lord Comandante não a esconderia no Castelo Negro, pois não queria a Patrulha envolvida com a guerra que se fazia entre os reinos. Este não era o papel da ordem e ela não achava justo colocar Jon entre ambos. Avistaram ao longe uma vila, a qual Jon chamou de Vila da Toupeira e disse que aquelas eram as últimas pessoas antes da Muralha. Ficaram por fora da cidade um tempo, tentando pensar no que fazer. Não havia muito lugar para se fugir depois daquilo, o que fariam? Morariam com os selvagens? Não queriam arriscar pedir ajuda de algum grande lord.


"Você conhece essa vila?"


"Já passei por ela várias vezes, entrei poucas"


"Certo" Mykhaela suspirou, como que tomando coragem para falar. Jon arrumou o filho em seus braços. "Tem um bordel lá?"


Jon olhou para ela com dúvida, levou um tempo para falar.


"O que isso tem a ver?"


"Você tem que voltar pra Muralha logo, Jon, ou vão te considerar um desertor"


"E abandonar vocês? Não! De jeito nenhum"


"Nós não temos mais para onde ir e eles estão cada dia mais perto. Eles sabem que estamos com você e que direção você tomará. Nós precisamos de um lugar pra ficar, de um disfarce"


"Mormont vai ajudar a gente"


"Não, ele não vai e você sabe. Ele pode fazer vista grossa pra algumas coisas, Jon, mas não vai me colocar pra viver de novo sob o mesmo teto que você"


"Então eu não volto pra lá"


"E a primeira pessoa que nos encontrar te leva de volta pra sua sentença? Não! Você vai me vender pro bordel daquela vila"


"O que? Mykhaela, o-" Ele parou alguns segundos em choque. "Está maluca?"


"É um lugar seguro, eu terei um teto sob meu filho. Está muito frio, Jon. Eddard não pode ficar o tempo todo aqui fora"


"Ouça a você mesma, pelos deuses!"


"Você é um Patrulheiro que cometeu um erro. Engravidou uma prostituta e agora tem que mantê-la junto com seu filho"


"E você vai trabalhar lá?"


"É claro que não, Jon"


"E como sabe que eles não te forçarão?"


"Eu estou grávida" Ela disse, por fim, com certa relutância. As peles escondiam a protuberância em seu abdômen e ela nada dissera até então. Não queria machucá-lo com aquilo.


"Há quanto tempo você sabe?"


"Desde antes do dia do nome de Eddard"


"E não pensou em me dizer nada esse tempo todo?"


"Pra que?"


"Você precisa se cuidar, se alimentar, cuidar dessa criança!"


"Eu preciso, mas agora não posso"


"E quer que eu te jogue num bordel!"


"É a melhor solução, Jon. Eles estão chegando até nós. Você sabe o que vai acontecer se eles nos acharem. É a nossa única chance"


"E com que dinheiro vou te vender a um bordel?"


"Eu trouxe ouro. Sabia que eventualmente precisaríamos" Mykhaela remexeu em um bolso interno de sua capa e tirou um saquinho de pano com dragões de ouro.


"Você está realmente levando isso a sério!"


"Jon, é a única saída que temos"


"Você espera que eu te venda pra um bordel pra você se deitar com homens que nem conhece? Você espera mesmo que eu faça isso?"


"Eu já falei-"


"Que está grávida, eu ouvi. Acha que não existem homens com mentes doentes por aí? Homens que estão desesperados por uma mulher, grávida ou não?"


"Há ouro suficiente para você me fazer exclusiva sua"


"Não, não há discussão. Eu não vou te vender pra um bordel, Mykhaela. Não adianta insistir dessa vez"


-x-


Jon apoiou-se no balcão de madeira com a expressão claramente contrariada. O local era escuro, gelado e avermelhado pelas cortinas empoeiradas bordô nas paredes subterrâneas. A mulher contava as moedas de ouro com uma calma irritante. Olhou para Jon por cima das sobrancelhas grossas e então para Mykhaela e o pequeno Eddard.


"Tem um quarto vazio lá embaixo, você pode ficar com ele" Sua voz era rouca e monótona.


"Obrigada" Mykhaela respondeu com um sorriso no rosto, tentando parecer, de alguma forma, feliz com aquilo. Mas estava tão feliz quanto Jon. Desceram as escadas que rangiam em direção a um corredor extenso com portas de madeira. Tudo parecia estar congelado de alguma forma.


"Espero que esteja feliz com sua suíte real, Vossa Graça" Jon disse com uma expressão enraivecida de ironia e Mykhaela o ignorou. Bateu o acolchoado velho da cama tirando a poeira e deitou Eddard ali. O bebê tinha um pedaço velho de linho na mão e o balançava na frente dos olhos, divertido.


"Vai dormir aqui?" Mykhaela ajeitou o bebê de forma confortável e tirou a capa velha.


"Já está tarde e você é minha prostituta, não é?"


"Não precisa ser rude"


"Eu não sei que feitiço é esse que você usa, Mykhaela, mas sempre consegue me convencer a fazer coisas que não quero"


Quando ela abriu a boca para responder, ouviram uma batida na porta. O coração dela ficou acelerado, mas caminhou até a madeira e puxou a maçaneta. Era apenas a dona do estabelecimento, que, junto com dois homens jovens que não tinham mais que vinte anos, traziam um berço de madeira bem pobre.


"Era do meu último filho. Acho que serve pra sua criança" Ela disse sem muito humor e fez um sinal para que os homens colocassem o móvel no quarto. Eles olharam para Jon e Mykhaela ficou levemente preocupada. "São bons homens, meus meninos, não dirão nada"


"Obrigada" Mykhaela agradeceu com seu usual sorriso de rainha, aquele que tentava passar muitas emoções, mas Jon sabia possuir emoção nenhuma.


Os três saíram do quarto e Jon testou a segurança do berço. Pegou Eddard em seus braços e admirou os olhinhos esverdeados. O pequeno soltou gritinhos sem sentido para o pai e continuou a balançar o tecido de linho rasgado em sua frente, rindo para as ondas que ele fazia. Mykhaela sentou-se na cama atrás de Jon, apoiando-se em seu ombro para observar o filho. Quando Eddard viu o rosto da mãe, sorriu e de forma desajeitada chamou-a de 'mama'.


"Você ouviu?" O rosto dela havia se preenchido com um sorriso tão grande e sincero como Jon há muito não via. Os olhos dela encheram-se de lágrimas que escorreram rápido por seu rosto e ela logo as limpou. Abaixou até o filho e beijou-lhe a cabeça. Jon também sorria. Daquela forma errada e tão desconexa os três até que pareciam uma família. Uma família tão incomum, mas ainda assim tão essencial para ele. Tocou o rosto de Mykhaela e o trouxe para perto do seu, onde beijou seus lábios.


"Obrigado. Por me fazer conhecer essa sensação. De ser pai"


Mykhaela selou os lábios de Jon mais uma vez e ele passou o braço ao redor da cintura dela, segurando as pessoas mais importantes de sua vida junto a ele. Permaneceram em silêncio observando a brincadeira pueril do filho até que Eddard se cansou e ficou com fome. A mãe o alimentou e ele logo dormiu, deitando-se no bercinho, protegido finalmente do frio. Ele não sabia, mas aquela fora a única noite que tivera uma família de verdade. Mas não dói no coração o que não se conhece na mente, e Ned nunca se lembraria daquilo. De chamar a mãe pela primeira vez e do beijo que ela e o pai trocaram. Dos olhares cheios de amor com que admiravam-no. Eddard nunca conheceria aquilo.


-x-


"Eu adoraria que essas pedras fossem mornas como as de Winterfell" Mykhaela disse tocando a parece acima da pequena lareira do quarto. Jon sorriu na curva do pescoço dela, suas mãos segurando-a pela cintura e seu peito colado nas costas dela.


"Pelo menos essa noite não teremos vento ou neve. Essa noite temos uma cama"


"Sim! Há quanto tempo não sei o que é dormir em uma cama" Ela sorriu também, sentindo borboletas em seu estômago enquanto Jon beijava seu pescoço.


"Há quanto tempo não sei o que é sentir sua pele tão próxima da minha"


Jon sorriu mais uma vez quando sentiu o corpo dela tremer contra o seu e seus olhos se fecharem. Escorregou as mãos pelos nós do corpete de couro e o jogou de lado, então para os do vestido de lã. Puxou as saias e deslizou-o por cima da cabeça dela. Abraçou o corpo pequeno, assistindo todos os pelos dela eriçarem-se. Subiu as mãos e segurou-lhe os macios seios, acariciando-os com sua pele áspera. Mykhaela arfou com o toque, puxando-o para mais perto dela, sentindo a excitação dele contra seu corpo. Agarrou-se no tecido das calças de Jon, pressionando-se contra ele e mexendo o corpo de forma provocante. Jon sentiu como se fosse explodir. Havia tanto tempo que não sentia o corpo de alguém junto com o dele. Havia tanto tempo que não sentia o corpo dela pressionando-o. Mykhaela virou-se de frente para Jon e tomou os lábios dele para si com urgência. Enquanto sua língua sugava a dele, suas mãos passeavam de forma hábil pelo corpo de Jon, livrando-o de suas roupas. Quando estavam finalmente nus, Mykhaela empurrou Jon na cama de palha e as costas dele colidiram-se no colchão. Logo ela estava sentada no quadril dele, beijando-lhe os lábios com aquela urgência que nunca cessava.


"Eu quero você. Eu quero você e só você" Ela dizia de forma desconexa contra os lábios dele. Jon sentou-se na cama, puxando o quadril dela pra baixo e, finalmente, após tanto tempo, estava completo.


"Você é minha, só minha" O patrulheiro falava contra os lábios dela, os movimentos de ambos tão sincronizados como se nunca houvessem se separado.


Mykhaela agarrou-se nos cabelos da nuca dele, apertando seu quadril, seu corpo, sua alma juntos à ele. Não se preocuparam em segurar em seus lábios aquilo que sentiam e gemiam um ao outro sem o pudor e vergonha de antes. Não eram mais dois adolescentes brincando com o fogo, descobrindo um ao outro. Eram um homem e uma mulher que amavam um ao outro mais que a si mesmos, eram fogo e gelo, um consumindo o outro. Seus corpos suavam juntos, tremiam juntos, gozavam juntos. Ele era a extensão dela e ela era a extensão dele. Acolheram um ao outro em seus braços com uma cumplicidade e reconhecimento que ninguém nunca iria compreender. Nascida do sol e nascido do gelo, eles eram um só. E queimava-lhes a pele, como somente sol e gelo podem queimar. Queimava-lhes o peito.


-x-


Ela encarava a lareira enquanto as lágrimas desciam por seus olhos. O filho estava sentado no berço, brincando com um chocalho velho que a dona do bordel deu a ele. Mykhaela abraçou a capa contra o corpo, fechou os olhos e pediu aos deuses que a perdoassem. Com que direito havia tomado a liberdade de dormir com Jon? Enquanto Robb, se estivesse vivo, lutava pela segurança dela e do filho? Como seria capaz de encarar as íris azuis mais uma vez após tê-lo traído com o irmão? Com o próprio irmão? Limpou os rastros de lágrimas e tentou segurar o choro preso em sua garganta. Acariciou os cabelos negros ondulados do filho e observou os olhinhos esverdeados encararem a ela. Ele sorriu, alguns dentinhos já haviam nascido, e Mykhaela escorregou os dedos pela bochecha dele. Ouviu Jon entrar no quarto. Ele havia ido até a sala de banho que a Madame Snow, dona do bordel, havia oferecido a ele. Respirou fundo, tentando escolher as palavras para não machucá-lo. Virou-se e o encarou, Jon sorria a ela, os olhos sorriam, como há muito ela não vira.


"Jon, você precisa ir embora"


"O que? Por que?"


"Nós não sabemos se podemos confiar nessa mulher. E se ela mandou um corvo para a Muralha avisando que você está aqui?"


"Nós demos ouro a ela"


"Mesmo assim! Não podemos confiar. Não mesmo" Ela não olhava nos olhos dele, não queria encará-lo enquanto mandava ele embora.


"Eu tenho que te proteger. Proteger vocês dois" Jon se aproximou e segurou nas mãos dela. Mykhaela mal conseguia manter o choro preso dentro de si.


"Não. Você tem que ir. Nós temos teto, comida, um disfarce. Agora só preciso esperar Robb vir me buscar. Quero dizer... E se eles te acharem? E se eles vierem aqui?"


"Eles quem?"


"Oficiais, da Patrulha. Você me disse uma vez que alguns deles fugiam pra cá, pra dormir com essas mulheres"


Jon suspirou, pensando nas palavras dela. Eram verdadeiras.


Não importava quanto tempo havia passado desde que perdera sua virgindade para Mykhaela, Jon ainda não podia acreditar que tocava o corpo de uma mulher daquela forma. Ela estava deitada entre as peles, nua, o corpo de menina macio e definido. Jon passou o indicador pela pele alva do seio dela, rodeando a auréola e observando enquanto a pele rosada se retorcia, enrijecendo-se em seus dedos. Levantou o olhar por alguns segundos, vendo as bochechas dela ganharem um tom rosado. Passeou os dedos pelo vale dos seios dela, aproximando a boca, sugando a pele que havia se retorcido segundos antes. Mykhaela soltou um gemido breve pelos lábios avermelhados e Jon sentiu, pela mão espalmada na barriga dela, o abdômen da princesa se retorcer em aprovação. Ele sorriu e subiu os beijos pelo colo dela até sua boca, sentindo Mykhaela tocar-lhe o rosto e afagar a barba por fazer.


"O que eu estava dizendo mesmo?"


"Eu não tenho ideia" Ela confessou com um sorriso ao abrir os olhos. Jon escondeu o rosto na curva do pescoço dela.


"Você me distrai demais"


"E a culpa é minha?" Mykhaela soltou um risinho leve e Jon voltou a olhar para ela, sorrindo.


"Não, eu que sou o homem mais sortudo do mundo"


A princesa beijou os lábios dele de forma apaixonada. Toda vez que estava perto de Jon seu coração batia descompassado e suas veias enchiam-se com um líquido frio que a fazia sempre tremer. Sentia prata líquida passeando por seu corpo, paralisando-a, tomando conta de seus atos.


"Não sei se é o mais sortudo do mundo, mas da Muralha com certeza"


"Por ter você? Sim. Mas você sabe, os oficiais não sofrem tanto assim com o frio"


"O que quer dizer?"


"Estão sempre escapando para visitar o bordel da Vila da Toupeira"


"E você os culpa?"


"Eles fizeram um voto"


"O mesmo que você está quebrando nesse momento"


"Eu não quebrei esse voto por desejo"


"E por que, então?"


Jon corou, mas continuou olhando nos olhos dela.


"Por amor"


"Você tem razão, Mykhaela, mas eu não posso te deixar sozinha. É mais forte que eu"


"Você pode sim. Eu estou protegida aqui. Mandarei amanhã mesmo forjarem uma espada para mim. Eu posso me defender se precisar, Jon. Mas com Greyjoy no comando, você será condenado a deserção num piscar de olhos"


Jon escutou as palavras dela com atenção e levou algum tempo pensando. Não queria sair dali. Queria poder viver pra sempre naquele quarto de bordel com ela, com o filho. Na noite passada tudo parecia encaixado, eles pareciam uma família. Puniu-se mentalmente por sentir aquilo. Seu irmão estava em perigo e ele tirava alegria daquilo. Que tipo de homem havia se tornado?


"Partirei amanhã cedo" Disse num tom de voz baixo e sentou-se na cama, pensativo e silencioso.

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Notas finais
E aí? Vão me matar por ter feito a Mykha trair o Robb? Pelo menos ela se arrependeu, poxa. Não me matem hahaha
Até o próximo capítulo.
Beijos.