Notas iniciais
Oi gente! Estava quase desistindo, mas aí me apareceram leitoras novas e algumas retornaram. Fico feliz que alguém ainda queira ler!
Bem vindas CarolRangel e jessyweasley. E obrigada pelos reviews Lady_Layla e maris.

Winterfell estava mais cheia do que de costume. Pessoas de todo o reino chegaram nos últimos dias para a comemoração. Havia um elevado para a família real, arquibancadas de madeira para os nobres e do lado oposto estavam as arquibancadas para o resto da plebe. Entre eles, o barro sujava as botas dos cavaleiros que competiam as justas entre si. Robb sentava-se na poltrona maior, o filho no colo e Mykhaela ao lado. Serviam-lhes vinho, frutas de inverno e pães. Era o primeiro dia do nome do pequeno Ned. Mykhaela mal podia ter calculado o tempo, pois passou tão rápido que ao menos se deu conta. As mãos gordinhas dele se agarravam aos indicadores de Robb, que observava os cavalos se aproximarem, separados pela barra, e os cavaleiros atacaram-se, tentando derrubar um ao outro. O bebê gritava por vezes, distraído com Vento Cinzento, que apenas o checava às vezes, apertando o focinho em sua bochecha e voltando a se deitar aos pés de Robb.


A criança crescia num bom ritmo, a que Lady Catelyn chamava "forte como um Stark". Mykhaela ficara contente com aquilo, ele parecia a cada dia mais forte, como o pai e até como Robb. Seus cabelos negros e ondulados caíam em seus olhinhos, não importava a frequência com que eram cortados. Tinha os lábios cheios em forma de coração e os olhos num tom escuro com fundo esverdeado. Era também muito curioso e gostava de tocar tudo. Desde animais estranhos e insetos que encontrava nos jardins, até barro, pedras e a comida de suas refeições. Era muito apegado a Bran, que o fazia companhia dentro do castelo enquanto as outras crianças brincavam lá fora. Eram poucas as vezes em que Mykhaela autorizava o pequeno Ned a sair sem sua presença e ultimamente Robb requisitava o seu comparecimento nas reuniões do conselho mais que o normal.


A situação no Norte, apesar da festa, estava tensa. Cerca de mil homens juramentados à Stannis Baratheon estavam próximos a Correrrio e ameaçando adentrar território do Norte. Robb sabia que um dia chegaria quando Stannis o atacaria para reivindicar as terras do Norte, mas não pensou que seria tão logo. Afinal, ainda estavam ambos tentando estabelecer e unificar seus reinos. Não era algo que acontecia da noite para o dia. Teve que dividir suas tropas. Parte delas foram defender as fronteiras e outra parte, menor, ficou no Norte para proteger o resto do reino e a capital Winterfell, que receberia muito visitantes naquela semana, permaneceu com a Guarda Real mais um reforço de trinta homens.


Mykhaela olhou para baixo e viu Jon resmungar algo sobre a competição para Alyssa. Retornava após os sete meses longe para o primeiro dia do nome do filho. Para todas as outras pessoas, apenas vinha comemorar pelo pequeno príncipe. Um dos homens foi finalmente derrubado do cavalo e Robb o aplaudiu com vigor. Mykhaela arrumou a coroa na cabeça, desinteressada realmente sobre aquilo tudo. Estava cansada, sonolenta e mal humorada. Meistre Luwin havia confirmado suas suspeitas, mas não queria tirar a atenção do pequeno Ned naquela semana, nem achava que seria prudente desviar Robb de suas preocupações com uma notícia que poderia esperar mais um pouco.


Ouviram gritos e barulho de aço batendo em aço ao longe. Robb juntou as sobrancelhas, prestando atenção e os homens da Guarda Real moveram-se em certa atenção. O homem que havia ganhado a justa, um soldado livre, arrumou o elmo e estalou os dedos das mãos. Robb ainda tentava ouvir com atenção o que se passava e a maioria das pessoas tinha sua atenção desviada para além dos portões do pátio. Era uma nortenha agora, mas ainda guardava seus velhos hábitos de Iberia. Mykhaela foi mais rápida que o soldado livre, tirando da faixa de seu vestido a faca que ganhara na primeira vez que sangrou, desferindo a ele um golpe certeiro que lhe cortou uma artéria do pescoço antes que ele pudesse encostar o aço de sua espada em Robb. O sangue jorrou e sujou seu vestido de cetim azul anil de vermelho. Eddard começou um choro assustado. As pessoas soltaram interjeições de surpresa enquanto o soldado tremia no chão com a vida esvaindo-se de si. Os Guardas Reais gritaram comandos uns aos outros, mas Mykhaela parecia não ouvir muita coisa claramente. Soltou a lâmina no chão, limpando a mão no vestido e olhando para o marido. Robb entregou a criança para Jon, que já havia se aproximado, a espada em mãos, e segurou o rosto da esposa.


"Está bem?"


"Sim. Você?"


"Graças à minha amada senhora"


Robb tinha um olhar preocupado quando os portões estouraram e uma quantidade grande de homens armados entravam no recinto. Uma correria começou enquanto eles desferiam golpes em todos e os homens do Norte tentavam detê-los. Lady Catelyn levantou-se, puxando Rickon em seus braços e gritando por Hodor para que pegasse Bran. Um soldado acompanhou-os junto de Alyssa, Sansa e Beth Cassel para o caminho até o castelo, onde estavam sendo seguidos por Meistre Luwin. Jon encarou os olhos de Robb e a confusão estava grande. Pessoas gritavam, eram pisoteadas enquanto outras corriam para vários lados e crianças choravam.


"Leve-os, Jon" Robb desembainhou a própria espada, tentando se afastar quando Mykhaela segurou em seu braço.


"Eu não vou te deixar"


"Mykhaela, vá enquanto há tempo"


"Não, Robb. Eu não vou sem você" Seus olhos estavam cheios de lágrimas e a voz cheia de desespero. Robb jogou um olhar duro para Jon, que, com o filho nos braços, puxou Mykhaela pela capa.


"Vamos, Mykhaela"


"Não sem você, Robb. Eu já disse" Ela estava de costas para Jon e parecia ignorá-lo. Ele a ouviu fungando. Robb abaixou-se no chão, pegou a arma que há alguns minutos salvara sua vida e entregou a ela.


"Vá! Salve nosso filho, Mykhaela. Eu vou te buscar logo" Robb segurou o rosto dela entre as mãos e beijou-a com amor. Mykhaela agarrou-se à capa dele, sem querer realmente soltar, mas ouviu o choro do filho e viu além de Robb os homens chegando cada vez mais perto.


"Eu te amo" Ela disse por fim, finalmente deixando o braço de Jon puxá-la para longe do marido. O Patrulheiro sentiu uma pontada no peito quando a ouviu falar aquilo para o irmão, quando a viu lutar para não deixá-lo. Virou-se e olhou para Jon, correndo com ele até o castelo de Winterfell. Ouviu, às suas costas, entre o barulho de aço encontrando aço, um coro de vozes gritar.


"O que está morto não pode morrer"


Mykhaela entrou apressada em seu quarto, revirando os báus. Jon tentava acalmar Eddard, que chorava em seus braços. Pegou uma toalha grande de linho e envolveu o bebê nela, fazendo algumas voltas entre as perninhas dele e o segurando junto ao peito. Pediu para Jon amarrar as duas pontas com o nó mais seguro que soubesse fazer e ele a olhou com dúvida.


"Vamos precisar correr e preciso dos meus braços livres"


Jon concordou e assim o fez, atadando as pontas da toalha na altura do ombro de Mykhaela. Ela agarrou um cobertor grosso de pele e jogou para Jon, agarrando os pães que roubou na cozinha os enrolando em outra toalha de linho e amarrando forte numa das alças da bolsa improvisada em que carregava Eddard.


Correram juntos, escondidos, pelos fundos, para o portão de Winterfell. Quase tudo estava bloqueado, mas com alguma dificuldade conseguiram passar pela saída através do Bosque Sagrado. Jon estava alerta, a espada em mãos e a respiração pesada pela corrida. Sabiam que não podiam ficar em campo aberto muito tempo e entraram na Mata dos Lobos. Ouviram quando alguns homens corriam por perto, gritando ordens e apressaram o passo ainda mais. Sabiam que, se vencessem, procurariam logo pela família do rei. A mente dela estava conturbada de pensamentos. Queria saber se Alyssa estava bem, mas não podia voltar. Desde que entraram no castelo, Mykhaela não viu mais ninguém conhecido a não ser pelos criados. Era tudo correria e ela sabia que o alvo principal seria Robb, ela e Eddard. Não podia arriscar a vida do seu filho, mas queria muito voltar para proteger as outras pessoas que amava. Pensava em Bran, que não podia se defender e em Rickon, tão pequeno. Pensava em Lady Catelyn e Sansa, que ao menos sabiam como manejar uma arma. Queria protegê-los todos, mas não podia. Estavam cansados de correr e os sons da luta ficavam mais afastados. Jon puxou-a para trás de uma grande pedra gelada que os acobertaria caso alguém estivesse chegando, vindo de Winterfell, e pararam para respirar.


"Greyjoy"


"O que?"


As palavras haviam saído confusas para Mykhaela sob a respiração forte dele.


"Greyjoy. Ele estava atacando Winterfell"


"Você o viu?"


"Ele estava liderando todo o ataque. Conhece Winterfell como a palma da mão" Jon sussurrou, ainda cansado demais para falar muito. "Desgraçado"


"Como ele chegou até aqui?"


"Não tenho ideia" Jon completou, buscando nos olhos de Mykhaela a confirmação para continuarem.


Correram até os barulhos da batalha de Winterfell desaparecerem e então começou a escurecer. Não havia absolutamente nada ali perto e Jon sabia que à noite as coisas pioravam. Fantasma olhava para eles com cautela, o pelo sujo de sangue pelo esquilo que ele matou mais cedo. Logo a neve começou a cair do céu e o vento ficou mais forte. Mykhaela rezava para a Mãe, pedindo pela proteção do filho e para o Guerreiro, pedindo pela proteção dos que ficaram em Winterfell. Pediu aos deuses novos e antigos até que eles pareceram lhe atender. Jon achou uma caverna ali perto e eles entraram para se proteger do frio. Não sabiam bem onde pisar, já que tudo estava escuro, portanto não adentraram muito. Também não acenderiam fogueiras, caso alguém estivesse procurando por eles.

Mykhaela desfez a bolsa improvisada com a ajuda de Jon e sentou-se com Eddard chorando de fome. Já quase não tinha leite e isso a preocupava. Por quanto tempo poderia alimentá-lo? Suspirou e tentou ser positiva. O que importava era que tinha alimento para aquela noite e logo o choro do filho cessou e ela pôde embalar o pequeno garoto num sono profundo. Jon passou para ela o cobertor de pele que Mykhaela trouxera e ela enrolou o filho nele, protegendo-o do frio e o colocando no chão, ao seu lado. Era uma pele muito grande e uma caminha improvisada muito satisfatória, ela pensou. Por outro lado, ela tremia de frio, segurando a capa mais perto de si. Jon já estava acostumado com o frio e parecia não se afetar muito. A rainha finalmente teve tempo para pensar no que acontecera, para temer quando a adrenalina já se acalmava em suas veias. Jon observou enquanto ela limpava as lágrimas com a manga limpa do vestido.


"Vai ficar tudo bem" Ele disse, segurando o ombro dela. Não sabia bem como se comportar. Depois de tanto tempo já haviam perdido a intimidade.


"E se não ficar?" Ela virou na direção dele, tentando achar seus olhos no escuro.


"Não pense nisso. Logo você voltará para Robb"


"Para Robb e todos os outros, certo?"


"Certo" Jon completou, tentando convencer a si mesmo daquilo.
Ficaram em silêncio novamente e ele sentiu quando a cabeça dela deitou-se em seu ombro. Sentiu um calafrio percorrer o corpo, mas tentou ignorá-lo.


"Estou com tanto frio" Ela quebrou o silêncio enquanto seu corpo pequeno tremia. Jon puxou-a para mais perto, abraçando seus ombros, mas ela ainda tremia muito.


"Por que não tenta dormir?"

"Como?"


"Tente, pelo menos. Vai ajudar com o frio"


Mykhaela concordou com um aceno de cabeça para o escuro e deitou-se. Jon a imitou, deitando ao lado dela. Sentia enquanto ela tremia contra a pedra fria e dura, suspirando. Fechou os olhos e tentou parecer o menos inapropriado possível. Virou de lado e puxou-a até ele, abraçando-a contra seu corpo. Mykhaela escondeu o rosto no peito dele, enterrando o nariz gelado entre a pele do manto negro de Jon e enrolando suas pernas nas dele. Pareceu esquentar-se um pouco, mas não o bastante.


"Como você aguenta aquele frio da Muralha?"


"Me acostumei" Jon sorriu contra os cabelos dela, os olhos fechados.


"E eu estou mal acostumada com as paredes mornas de Winterfell"


"Conheço o sentimento" Jon suspirou, tomando alguns segundos para criar coragem. "Você o ama mesmo, não é?"


"O que quer dizer?" Mykhaela estava para cair no sono, estava cansada.


"Robb. Você o ama"


"Sim"

"Que bom que já conseguiu me esquecer" De alguma forma as palavras de Jon eram verdadeiras. Ele não queria que ela sofresse por não tê-lo e ele sabia que hora ou outra aquilo ia acontecer. Ela estaria feliz com Robb, com sua família, e ele cumpriria seu trabalho na Muralha como sempre esteve destinado.


"Nunca" Mykhaela agarrou-se mais à pele do manto de Jon e o silêncio que veio em seguida embalou seu sono. Nos ouvidos de Jon ecoou-se por muito tempo. Nunca.

Notas finais
Tenho que confessar que amo o Theon. O que será que ele vai aprontar com esse ataque hein?
Beijos