Theres No Winter Without Summer

35 Capítulo Trinta e Quatro


Notas iniciais
Oi gente, tudo bem com vocês?
Sei que ando meio sumida, mas é que esse fim de ano é corrido mesmo e estou quase oficialmente de férias, então vou poder voltar a escrever. Estava com medo dos meus capítulos acabarem, mas acho que agora vou conseguir voltar a escrever a todo vapor.
Boa leitura!

As primeiras duas semanas longe de Robb haviam passado surpreendentemente calmas. Ela recebera um corvo dele nesse meio tempo. Não exatamente ela, Sor Rodrik. Mas só de olhar para a letra de Robb num pergaminho a fez se sentir menos ansiosa. Enquanto ele estava fora ela era Rainha Regente, mas além disso era anfitriã de muitas senhoras, era a senhora da casa, era mãe. Porém tudo o que ela queria fazer era ficar sozinha, o que parecia impossível. Sempre que tinha um tempo livre, escapava para o Bosque Sagrado e sentava-se nas raízes da árvore-coração. Os olhos já não a assustavam mais, eles eram grandes amigos, amigos que ela respeitava muito. Todos os dias Mykhaela sentava-se ali e pedia para que os deuses de seu marido o ajudassem, que eles mostrassem a ela uma maneira de ajuda-lo e de mantê-lo bem e vivo.

“Mykhaela” Valerya a interrompeu de seus devaneios, aparecendo entre as sentinelas. Mykhaela olhou na direção dela, mesmo que contrariada.

“Sim?”

Os olhos de Valerya então grudaram-se nos avermelhados da árvore e ela fez uma expressão amedrontada e incomodada.

“Gostaria de conversar com você. Sobre meu irmão”

O sangue chegou rapidamente às bochechas de Mykhaela, deixando seu rosto corado de uma forma nada amável.

“Diga”

“Jaden partiu há muitos anos. E eu gostaria de vê-lo”

“Por que está me dizendo isso?” O desprezo na voz de Mykhaela era facilmente percebido.

“Ele se arrepende”

“Eu também. Me arrependo de não ter terminado meu serviço”

“Como pode defender uma bastarda no lugar de um Visseu?”

O rosto de Mykhaela encheu-se com a descrença, sua respiração ficou acelerada e o vermelho das maçãs do rosto mais intenso. Ela aproximou-se da esposa do amigo e a esbofeteou no rosto. Valerya cobriu o local do tapa com a mão e soltou uma interjeição de surpresa.

“Volte a falar assim e mando todos os homens do Norte te foderem de uma só vez”

“Rickard vai saber disso”

“Que saiba” Mykhaela golpeou Valerya uma vez mais. “Quando vai entender, sua vadia desprezível, que eu sou a rainha deste reino? Rickard é juramentado a mim. Se eu mandar que ele te esfole, ele fará sem hesitar. E, acredite, ficaria feliz por isso. Acha que ele gosta de foder uma mulher tão feia quanto você?”

A boca de Valerya fechou-se e abriu-se diversas vezes numa tentativa de resposta, mas por fim ela se calou, o rosto carregado de uma expressão intensa de raiva. Ela encarou a rainha e deu um passo a frente, então pensou, suspirou e virou-se para sair. Quando ela já havia partido, as lágrimas de raiva caíram dos olhos de Mykhaela enquanto ela fechava uma das mãos em punho e a colidia contra uma árvore. Doeu como o inferno depois, mas na hora foi calmante.

A calma, porém, não durou muito tempo. Horas depois, vestida para o jantar, Mykhaela desceu até o Grande Salão de Winterfell e recebeu as senhoras hóspedes. As entradas começaram a ser servidas e Mykhaela observou, desinteressada, as pessoas que se reuniam ali. Eram na grande maioria mulheres e crianças, mas havia também alguns idosos. Todos membros de casas importantes que preferiram a segurança das muralhas da capital do que as suas próprias. O primeiro prato da refeição principal havia chegado quando Mykhaela olhou para Bran e viu que Alyssa estava ausente. Achou estranho, mas continuou em silêncio com seus pensamentos até que Sor Josmyn entrou no salão pelas portas do rei. O cavaleiro parou ao seu lado, seu manto acinzentado fazendo uma volta no ar enquanto uma fina camada de suor cobria sua testa. Ele abaixou até a altura da orelha da rainha e sussurrou algo que ninguém mais no salão ouviu. Mykhaela levantou-se, sobressaltada e as pessoas a observaram de modo assustado. Todas aquelas mulheres esperavam por notícias ruins. Era o cotidiano de uma esposa de um homem que foi pra guerra.

“Continuem a jantar, por favor. Não se preocupem, não são notícias da guerra”

As pessoas voltaram a prestar atenção na comida só alguns minutos após a saída da rainha. Lady Catelyn quase se levantou para ver o que era, mas preferiu ficar e fazer as vezes de anfitriã. Mykhaela andava distraída demais para tais coisas e ela não a julgava. Sabia como era ver seu marido partir para longe e não poder fazer nada a não ser esperar e rezar aos deuses por um retorno seguro.

Mykhaela seguiu Josmyn a passos rápidos pelos corredores de pedra. Em sua cabeça ecoavam as palavras. Ouve um incidente com a sua irmã, é melhor Sua Graça me acompanhar. Imaginava milhares de coisas ruins que poderiam ter acontecido com Alyssa. Um traidor, um homem de Stannis, um homem de Asha Greyjoy. Ela pensava em qualquer coisa. Qualquer menos ele. Quando terminou de descer as escadas e viu Alyssa num canto tremendo, o vestido rasgado e o manto de um dos cavaleiros da Guarda Real que ficou para proteger a corte ao redor de seu corpo magro, lembranças de uma tarde de verão há muito tempo voltaram à sua mente, intrusos no presente. Beren Tallhart fora nomeado e ungido cavaleiro da Guarda Real apenas algumas semanas antes de Robb partir para a guerra. Era um garoto jovem e muito educado. E naquele momento era o único que se colocava entre Alyssa e Jaden Visseu. A fúria nos olhos de Mykhaela borbulhava também em suas veias.

“Princesa” O sorriso nos lábios de Jaden tinha a mesma superioridade que se lembrava, mas ele quase passaria despercebido por Mykhaela se caminhasse tranquilamente pelas ruas da Vila de Inverno e passasse pela rainha. Estava muito mais magro, os cabelos crescidos estavam desgrenhados e sujos, a barba por fazer estava salpicada de pelos brancos que não condiziam com a idade dele e suas roupas não se pareciam em nada com as vestes finas que usara uma vez.

“Vossa Graça” Mykhaela entoou gravemente na língua de Iberia. Seu rosto era uma máscara de severidade.

“Ah, claro, esqueci que seu pai te vendeu para um rei qualquer do outro lado do mundo. Tem orgulho de ser rainha de um reino tão pequeno quando o imbecil do seu irmão ficou com Iberia e todo o resto?”

“Alyssa” Chamou, mas seus olhos não desgrudaram de Jaden um segundo sequer. A irmã bastarda fungou e levantou-se, caminhando até a mais velha, parando ao seu lado. “Ele te machucou? Ele tocou em você?”

“Ele tentou” O olhar no rosto de Alyssa era feroz como nunca fora. A doçura de sempre havia desaparecido.

“Acho que uma vadia mais velha pode ensinar uma mais nova. Ela foi mais resistente dessa vez, mas eu estava mais motivado. A bastarda ficou uma coisinha deliciosa”

Alyssa avançou na direção dele com ódio, mas Sor Beren segurou-a gentilmente pelo braço. Mykhaela agradeceu e pediu para que levasse a irmã para seus aposentos.

“Não. Eu quero ficar” Alyssa protestou, lutando contra a mão do jovem cavaleiro.

“Aly...” A mais velha começou, mas foi interrompida em seguida.

“Eu vou ficar, Mykha” A determinação nos olhos da irmã convenceu Mykhaela. Alyssa sabia o que se seguiria. Sabia que por mais que a máscara fria de Mykhaela mostrasse uma calma surpreendente, a irmã borbulhava insanamente em raiva por dentro.

“Sor Beren, sua espada já viu sangue?” Mykhaela falou no Idioma Comum.

“Ainda não, Vossa Graça”

“Ela verá hoje”

“Com prazer, minha rainha” Beren desembainhou a espada e avançou em direção a Jaden, mas a rainha ordenou que parasse em seguida.

“Me dê a espada, Sor Beren. Você pode contar para seus filhos um dia que a Rainha do Norte usou sua espada para sentenciar um verme”

O cavaleiro ficou hesitante, olhou para Sor Josmyn e para Alyssa, perdido.

“Vamos lá, rapaz. Sua rainha ordena” Sor Josmyn falou por trás da máscara severa que era seu rosto naquele momento.

“Vai tentar me matar de novo, Mykhaela?” Jaden debochou quando viu a espada sendo passada para as mãos de Mykhaela. Ela sorriu de forma tão diabólica que aquilo se tornara um detalhe importante na história quando contada mais tarde aos outros cavaleiros. Chamaram aquilo de Sorriso da Morte.

“Dessa vez terei certeza de completar o serviço” Mykhaela chutou a perna de Jaden e olhou para os dois cavaleiros. Eles seguraram os braços e pernas do violador com força.

“Quanta honra. Abater um homem enquanto outros dois o seguram”

“Isso é o máximo de honra que merece, Visseu” Mykhaela puxou para cima a barra das calças de Jaden e puxou as mangas do próprio vestido para cima. Cortou a carne agonizantemente lenta, atravessando veias, músculos e osso. Jaden gritou de dor e sangue jorrou no vestido de veludo de Mykhaela enquanto o pé se desprendia do resto do corpo. “Oh não, sem gritar ou eu te faço beber o próprio sangue, entendeu?”

“Pare, sua louca! Sua vagabunda, o que você está fazendo?”

“Te matando, Jaden” E lá estava ele, o Sorriso da Morte.

“Faça de forma limpa, sua vaca”

“O que foi mesmo que você me disse uma vez?” Os olhos de Mykhaela estreitaram-se, levando sua mente a uma noite fria em Iberia, num banquete em homenagem a Phillip. Jaden Visseu a viu subir as escadas para sua torre e a seguiu, tentou beijá-la, mas Mykhaela o golpeou com o joelho. Ele reclamou e riu. “Eu sei que você gosta dessas coisas sujas, princesa”. “Eu gosto das coisas sujas, Jaden”

Mykhaela cortou o outro pé de Jaden e chutou o pedaço morto para longe. Sor Beren ergueu as mangas da túnica de Jaden e da mesma forma, em meio à gritaria e xingamentos, o sangue jorrou de onde ele perdeu as duas mãos. Mykhaela passeou a espada manchada de sangue pelo pescoço do homem, que fechou os olhos em agonia. Mas ao contrário do que Jaden achava, ele não encontraria sua morte. Não naquele momento. Ela entregou a espada a Alyssa, que a segurou com dificuldade.

“Eu não sei se consigo”

“Não precisa mata-lo. Mas acho que você tem o direito de fazer com esse homem o que quiser”

Os gritos de agonia de Jaden dariam pena a qualquer um. Mas Mykhaela não era qualquer um e misericórdia não fora servida naquela noite. Alyssa, porém, era mais frágil que a irmã e menos cruel. Não havia passado pelas coisas que Mykhaela passou e, apesar do trauma do estupro de anos atrás, havia sido apenas aquela vez. Mykhaela sofreu do mesmo mal por três meses. A raiva que ela carregava pelos homens que faziam aquilo com mulheres era quase desumana. Ela pegou a espada da mão da irmã e rasgou os calções de Jaden, mostrando seu membro viril. O homem implorou pela morte. Ele poderia implorar o quanto quisesse. Ele gritou mais alto, mas aquilo não o salvou da espada de Mykhaela.

“Acho que agora você não pode abusar de nenhuma menininha, Jaden” Mykhaela apertou o rosto do homem, encarando os olhos escuros. “Olha pra mim. Eu quero ser a última coisa que você vai ver, seu desgraçado”

“Mykha, chega” Alyssa pediu, limpando as lágrimas, assustada e enojada.

“Sabe do que eu me arrependo?” Jaden falou entre o sangue que gotejava de seu lábio cortado, que ele rasgou com os dentes enquanto tinha os membros decepados. “De não ter te fodido também”

A raiva cega de Mykhaela a fez sorrir. Sorriso da Morte. E a espada de Sor Beren encontrou o pescoço de Jaden, separando mais uma parte do corpo. O líquido viscoso e vermelho gotejava da espada, salpicava seu rosto e ensopava seu vestido. Ela não se importou com sua aparência quando voltou a entrar no Grande Salão de Winterfell e despertar interjeições de surpresa de todos. Lady Catelyn se levantou e os olhos de Bran estavam arregalados.

“Valerya Visseu” Mykhaela caminhava entre as mesas do fundo, onde ela deveria estar. A mulher levantou os olhos do prato e encarou, temerosa, a rainha. Ela tentou correr, mas Mykhaela adiantou-se, muito mais rápida e puxou Valerya pelos cabelos. A mulher gritou e tropeçou, pendendo o peso do corpo apenas nos cabelos, o que fez um tufo deles sair na mão de Mykhaela deixando um pedaço sangrento de couro cabeludo em carne viva. A rainha continuou a arrastar a mulher pelos cabelos, na direção da saída. “O Norte não perdoa traição, Valerya, será que não entende?”

“Davies! Eu sou Valerya Davies” A iberiana disse numa tentativa desesperada de fazer Mykhaela lembrar-se de Rickard e, quem sabe, ter alguma misericórdia.

As portas do salão fecharam-se atrás de Mykhaela e ela puxou o rosto de Valerya para cuspir nele. “Não. Você nunca será uma Davies” O rosto de Valerya colidiu contra o chão quando Mykhaela a atirou contra o piso de pedra. “Levem esta traidora para as masmorras. Sor Beren, sua espada” A rainha devolveu o aço ao dono e caminhou a passos pesados em direção à saída do castelo. Lady Catelyn e alguns criados já estavam do lado de fora do Salão, acompanhando-os.

“O que aconteceu, Vossa Graça?” Catelyn perguntou, os olhos preocupados.

“Sor Josmyn, não se esqueça de pendurar a cabeça do irmão dela em sua cela. Ela não deve se esquecer do motivo de estar lá” A rainha virou-se para uma das criadas. “Você. Arranje alguém para cuidar do bebe do Lord Davies enquanto sua mãe traidora visita os ratos das masmorras”

“Mykhaela, o que aconteceu?” Lady Catelyn repetiu a pergunta, medo nos seus olhos.

“Agora não é o momento, Lady Catelyn. Conversamos depois”

A rainha virou-se e continuou seu caminho para fora até o Bosque Sagrado. Lá, ajoelhou diante a árvore coração e chorou. Ela precisava ser forte enquanto era rainha, mas ali era apenas Mykhaela. Chorou por ter que matar de novo. Chorou pela irmã. Chorou pelo pai, morto, e por sentir raiva dele por fazer Rickard se casar com aquela mulher e colocar Alyssa em perigo de novo. Chorou por Theon e pelas maldades que ele fez a ela. Chorou por si mesma, pelas violações que ela sofreu. Chorou pelos filhos, pelo mundo louco em que os colocava. Chorou por Marissa e pediu aos deuses que nunca permitissem que ela passasse por aquele tipo de coisa. Chorou pela guerra e chorou por Robb. Seu querido Robb. O que ele pensaria dela se a visse daquele jeito? Cortando um homem membro por membro. Matando, suja de sangue e louca de vingança? Será que ele ainda a amaria se a visse daquela forma? Será que naquele momento ainda havia um Robb para amá-la? Será que ele estaria bem? Tocou a árvore com as mãos ensanguentadas e deixou as lágrimas molharem suas raízes.

“Por favor, me ajudem. Por favor, estou perdida. Por favor, me perdoem. Por favor. Por favor”

Notas finais
E quando tudo parecia mais ou menos no lugar, a loucura de Mykhaela está de volta!
Como vocês já haviam previsto, Valerya iria dar um jeito de tirar Mykhaela do sério. E como tirou! Colocando o irmão dela dentro de Winterfell como se nada tivesse acontecido.
Me contem tudo o que acharam. Mykhaela está cruel demais? Está acostumada demais com a morte? Será que ela gostou de matar, depois de Theon? Será que ela vai voltar ao normal? O que será que ela vai fazer com Valerya? E o que Rickard vai achar disso?
Espero os reviews de vocês me contando o que acharam.
Beijos.