Havia uma semana desde que Jon sentira o gosto de Mykhaela, mas ele permanecia em sua boca. Não se falavam, não se olhavam e evitavam se encontrar. Era doloroso mas era melhor assim. Jon saiu para o vento frio quando observou Sam conversando com Mykhaela, que estava sentada num cercado de madeira com Fantasma deitado em seus pés. Ela ria de algo que Sam dizia e balançava a cabeça negativamente tapando os olhos com as mãos. Sam deu de ombros um pouco corado com um sorriso no rosto e continuou conversando, arrancando mais risos de Mykha.


"Você é muito mentiroso, Sam" Ouviu ela dizer enquanto se aproximava mais deles.


"Não, é verdade. Você que não quer acreditar" Jon ouviu um riso na voz dele e podia imaginar o rosto do amigo enquanto ele estava de costas retirando a neve que se acumulava na porta dos abrigos dos cavalos com uma pá.


"Sam, Lord Comandante precisa de você na sala dele" Jon disse com a voz séria, cortando o ar divertido que estava instalado ali. Sam olhou para ele e assentiu com a cabeça, deixando a pá encostada no cercado enquanto Mykhaela pulou e afundou as botas na neve. Ela segurou na madeira e retirou os pés de lá, chutando para longe a neve enquanto Fantasma olhava para os dois e soltava um choramingo baixo.


"Bom dia, Vossa Graça" Jon tentou ser educado, mas Mykhaela olhou-o com ódio e saiu andando na direção do castelo.


"Mykhaela, fale comigo ao menos"


"Oh não, se ouvir minha voz irá perder a cabeça"


"Não seja irônica comigo"


"Você me pediu para me afastar"


"Talvez eu tenha sido um pouco duro demais"


"Talvez?" Ela virou para olhá-lo com olhos flamejantes de raiva.


"É, eu acho que devemos continuar nos ignorando então"


"Você acha?" Ela arqueou uma sobrancelha, sarcástica, enquanto se virava para continuar seu caminho. Jon passou por ela a passos longos com raiva apenas para ouví-la resmungar baixo algo sobre ele não saber beijar. Jon virou na direção dela bufando furioso.


"E o que uma criança selvagem como você sabe sobre isso?"


"Aparentemente mais do que você, bastardo"


"Vai me ofender agora?"


"Você é um bastardo. Um bastardo que não sabe beijar uma criança selvagem"


"Eu discordo, já que a criança selvagem gemeu para o bastardo"


"Você é tão rude e insolente e irritante"


"Nisso podemos concordar que somos iguais"


Mykhaela empurrou o peito de Jon com ambas as mãos em punhos, com raiva e ele segurou-a pelos pulsos.


"Hey, se acalme"


"Seu idiota"


Ela tentou se soltar, fazendo força contra as mãos dele que a seguravam. Arthur passava pelos fundos do castelo ao ouvir a voz de Mykhaela e observou pela porta que Jon a segurava, apressando-se a caminho dos dois, mas foi surpreendido quando viu os lábios de sua adorável princesa esmagarem os lábios do patrulheiro. Arthur parou em choque, raiva e ciúme ao ver a dança hábil que a lingua dela fazia com a dele. Eles se separaram rapidamente, se encararam e Jon soltou os braços dela. Mykhaela se virou na direção do castelo e correu para lá, encontrando-se com Arthur e lendo nos olhos de seu conselheiro que ele havia visto a cena que se passou do lado de fora.


"Eu não acredito"


"Arthur"


"E a sua honra, Mykhaela?"


"Minha honra está intacta, Arthur, e você nada viu, entendeu? Nada aconteceu"


"Você sabe que não posso ver um bastardo lhe desrespeitar dessa maneira e não falar com Lord Mormont sobre isso"


"Ele perderá a cabeça, Arthur!"


"Eu sei. É o que ele merece"


"Você não fará nada, me entendeu? Nada" Mykhaela soava ameaçadora e Jon, que observava escondido a cena, pôde vê-la apontar para Arthur uma faca de aço brilhante que ele não tinha ideia de onde havia surgido.

"Você me deve lealdade, Arthur. E é isso que eu espero de você. Não quero ter que sentenciá-lo a traição"


Arthur tinha raiva no olhar, mas limitou-se a dizer entre dentes "Como quiser, Vossa Graça"


Partiram em direção às escadas e Jon passou as mãos pelos cabelos, preocupado com o que tinha agora. Não só desonrara seu juramento como entregara para um inimigo claro uma prova que poderia custar sua vida.


O dia se passou sem que ele visse Mykhaela uma vez e isso o consumia. Seus lábios ainda ardiam onde os dela estiveram naquela manhã e ele mal podia controlar seu desejo de derrubar a porta do quarto dela e beijá-la pela eternidade. Resolveu que precisava clarear a mente e pegou sua capa, algumas roupas, rumando para a sala de banho. Conversava baixinho consigo mesmo, murmurando sua discussão interna e abriu a porta de madeira, fechando-a em seguida atrás de si. Abriu a boca em surpresa quando viu a sua frente, embaçada pelo vapor, a figura nua de Mykhaela que saía do banho. Seu corpo estava úmido, salpicado por gotículas de água. Era mais linda ainda sem roupas, com seu corpo curvilínio e firme. Ela virou-se para a porta e levou um susto ao se deparar com ele.


"Jon!"


"Me desculpe, eu não sabia que" Jon tentava desviar os olhos, mas era impossível. Com ela de lado, via perfeitamente o contorno de seus seios.


"Eu-" Ela estava corada e sua respiração era pesada "Me desculpe, eu deveria ter. Eu não sei, ninguém nunca vem aqui" Ela usava as mãos para tentar cobrir seu corpo, inutilmente.


"Eu deveria ter batido na porta, mas como disse, ninguém nunca vem aqui"


"Sim! Vocês são todos homens e é tão frio todo o tempo. Achei que nunca fosse usado. Jon, você pode me jogar minha capa?"


Jon observou que ao lado dele, num gancho de madeira, estava pendurada a capa dela. Ele agarrou a pele e jogou para ela, observando o corpo de Mykhaela arrepiado por inteiro devido ao frio. Suas calças mal seguravam seu desejo e ele sabia que tinha uma cara abobalhada. Mykhaela estava coberta e andou até perto de Jon, pegando suas roupas timidamente.


"A água daquele jarro ainda está quente" Ela disse, tentanto deixar o clima entre os dois mais leve, mas era impossível.


Jon a olhava com olhos de cobiça e ela não podia negar que aquele sentimento que sufocava seu peito era mais que vergonha. Ela sustentou o olhar dele enquanto se afastava até colidir suas costas na parede de pedra. Jon era seduzido pelos olhos esverdeados dela, que o fitavam manhosamente. Ele não iria se aguentar, não importava mais nada. Seus olhos grudados nos lábios dela que se separaram até que a distância entre eles havia acabado e ele afastou as duas pontas da capa dela, revelando seu corpo nu, segurando sua cintura nua, tocando seus lábios, já velhos amigos dos de Jon. Quando sua língua já estava inundada com o gosto dela, Jon queria sentir o gosto de sua pele e desceu até seu queixo, trançando seu maxilar com um rastro quente e os ouvidos cheios com os gemidos baixos de aprovação de Mykhaela.


"Isso é tão, tão errado, Jon"


"Eu não me importo"


"Nem eu"


Ela sorriu ao ouvir as palavras colidirem com seu pescoço e apertou o braço dele com força. Queria sentir a pele dele do jeito que ele sentia a dela, mas não sabia o que fazer. Se limitava a entregar-se ao que ele fazia e ele estava entretido demais em explorar o corpo dela com as mãos.


"Jon"


"Sim?"


"E se alguém entrar aqui?"


"Não irão"


Ele voltou aos lábios dela, mas ela o afastou.


"Eu o espero em meu quarto" Sorriu, beijou-lhe os lábios e se afastou, tirando a capa e colocando seu vestido de lã, pegando suas outras peças de roupa e saindo da sala de banho com um sorriso nos lábios. Jon despiu-se rapidamente e entrou na banheira, sem conseguir se conter, tocou-se antes de se banhar; mas o êxtase não era o bastante.

Vestiu-se e apressou-se até o quarto de Mykha, batendo na porta surpreendemente sem a presença dos guardas pessoais dela. Ouviu sua voz doce pedindo-lhe para entrar e assim o fez. Fechou a porta atrás de si enquanto retirava sua capa e observava o corpo nú de Mykhaela deitado na cama. A lareira era a única fonte de luz do quarto quente e ela não conseguia distinguir muita coisa enquanto Jon se despia e andava até ela. Só pôde observar seus olhos nevoados quando ele estava em frente a sua cama, nú, lindo como nunca. Mykhaela entrelaçou seus dedos com os dele, puxando-o em sua direção para a cama e Jon deixou-a guiá-lo. Deitou-se ao lado dela e tocou seu rosto, beijando gentilmente seus lábios e segurando a mão dela.


"Você tem certeza?"


"Eu sou sua, Jon" Ela sussurrou contra os lábios dele e fez a mão áspera dele tocar o corpo dela.


Ouvir aquelas palavras tão permissivas fez com que Jon a desejasse ainda mais. Pela primeira vez não tinha medo em tomar o corpo de uma mulher. Agarrou o corpo de Mykhaela e encostou o quadril dela com o dele, apertando-lhe os seios enquanto ela entrelaçava as pernas dela com as dele. Não sabiam direito o que fazer, seguiam seus instintos. Beijavam-se como se fosse seu último dia vivos e seus corpos enlaçavam-se cada vez mais juntos. Jon desceu timidamente as mãos até o ventre dela, sentindo pela primeira vez em suas mãos o sexo de uma mulher. Era quente e úmido e novo. Moveu seus dedos entre as pernas dela e sentiu Mykhaela estremecer em sua mão, gemendo em seu pescoço enquanto o devorava. Sorriu em aprovação, sentindo-se ótimo por fazer a coisa certa. Continuou a mover os dedos gentilmente enquanto sentia as pernas de Mykhaela se prenderem contra as dele e fechar a mão dele com força em seu ventre.


"Você gosta assim?"


"Sim, Jon. Eu gosto de te sentir me violando assim"


Ela sorriu de um jeito que ele nunca imaginara ver em sua inocente face, que agora o seduzia de todas as formas. As palavras dela o atingiram forte e ela sentia em sua barriga o membro de Jon pulsar cada vez maior. O moreno sentia o quadril dela movendo-se em círculos nos dedos dele e a voz dela gemer em seu ouvido. Mykhaela perdia o pudor enquanto umedecia os dedos de Jon e tomou coragem o suficiente para tocá-lo. O corpo de Jon enrijeceu-se quando sentiu as mãos delicadas o tocarem e Mykhaela tomou os lábios dele para si novamente. Jon jogou o corpo por cima dela, afastando as pernas da jovem e encarando o ventre dela com um olhar animal. Sugou com certa força e sentiu o corpo dela tremer em sua boca. Passou a lingua, sentiu seu gosto, levantou a cabeça novamente e viu o rosto dela com uma expressão prazerosa, assistindo os olhos esverdeados abrirem-se novamente para encará-lo. Segurou o quadril dela com as duas mãos e encaixou seu corpo do jeito que parecia certo. Tentou controlar seus instintos e ser gentil. Beijou-a quando viu uma leve expressão de dor no rosto dela. Mykhaela agarrou-se aos cabelos de Jon enquanto ele se movimentava dentro dela. Era muito melhor do que imaginava; estar dentro do corpo de uma mulher era a melhor sensação de todas. Mykhaela entrelaçou as pernas no quadril de Jon, arranhou suas costas, gemeu para ele. Jon se movia mais rápido, mas ainda delicado. Sussurava no ouvido de Mykhaela indecências que ela nunca imaginaria saindo da boca dele, mas isso a excitava ao invés de enojar, como deveriam as senhoras respeitáveis. Naquele momento Mykhaela queria ser tão suja como uma prostituta, pois era tão bom tê-lo dentro dela que ela seria a prostituta de Jon pelo resto da vida.


Seus corpos estavam tão envolvidos que confundiam-se. Mykhaela se sentia satisfeita por ter dado tanto prazer a Jon e por ele nunca se cansar dela. Estava sentada no quadril dele enquanto Jon gemia contra os seios dela, sugando-os com devoção. Ele puxava os cabelos dela para trás enquanto preenchia o interior dela com seu prazer e Mykhaela mexia o quadril em círculos no membro dele. Jon beijou a boca dela e Mykhaela se sentia exausta, satisfeita, completa. Ele deitou ambos na cama e puxou as peles para cobrí-los. Mykhaela ainda estava ofegante enquanto acariciava o peito de Jon, que afagava seus cabelos. Ele tentava não pensar no que havia feito, mas parecia impossível. Era um Stark e sua honra era importante. Não só a quebrou como quebrou a honra de Mykhaela, desgraçando-a. Quebrou seu juramento, perderia sua vida e Mykhaela também. Tentou limpar a mente, mas ela o indagou ao ver a expressão preocupada no rosto dele.


"Sua honra jaz em minhas mãos, Mykhaela"


"Não"


"Sim. Eu tomei sua honra sem te desposar. O que isso faz de mim?"


"Não. Não vamos falar disso agora"


"E falaremos disso quando? Quando perder minha cabeça?"


"Não! Jon, não estrague esse momento, eu lhe imploro"


"Eu fiz a coisa errada, Mykha"


"Nós o fizemos, Jon. Todas as nossas atitudes nos trouxeram até aqui"


"Por que eu não te conheci antes de fazer meu juramento?"


"Desfaça-o"


"É um juramento, Mykha. Eu não posso"


"Por que? Jon, eu o quero ao meu lado todos os dias de minha vida"


"Eu não posso"


"Nós podemos fugir. Para Iberia"


"E dizer ao seu pai que lhe tomei como minha? Um bastardo, Mykha?"


"Ele não precisa saber que você não é um Stark"


"Não duraríamos dois dias sem que a patrulha nos capturasse e eu perdesse minha cabeça por deserção"


"Eu quero ser sua, Jon. É injusto que eu não possa"


"Eu quero que seja minha, Mykha, mas é impossível. É por esse motivo que isso nunca deveria ter acontecido"


"Não! Eu não ligo para minha honra, Jon. Se tenho que casar com qualquer outro homem pelo nome fico feliz que tenha entregado minha honra ao homem que amo"


Jon sorriu e tocou o rosto dela com carinho, beijando-lhe os lábios.


"Queria que isso diminuísse minha culpa, mas não diminui. Saber que outro homem terá a mulher que amo me enche de ódio"


"Não devemos pensar nisso. O que importa é que agora nenhum homem além de você pode me ter"


"Isso é perigoso"


"Por que?"


"E se alguém nos descobre?"


"Não nos descobrirão, Jon"


Ela sorriu despreocupada e deitou a cabeça no peito dele, fechando os olhos e sentindo o calor da pele dele tocar a dela. Nunca se sentiu tão completa e nunca mais queria deixar os braços dele. Jon era o lar dela.

Notas finais
Obrigada por lerem suas lindas ♥
Beijos