Notas iniciais
Oi gente, capítulo curtinho, mas mostra um pouco mais de outros personagens. Espero que gostem.

Mykhaela tinha o olhar perdido na janela. Não tinha paciência para bordar e achava tudo aquilo muito sem sentido. Quando bordar iria lhe ser útil na vida? Se alguém as ameaçasse o que fariam essas senhoras? Apontariam uma agulha para o ameaçador? Observou por cima de seu bordado mal feito o trabalho de Alyssa. Era impecável e ela e Sansa tagarelavam sobre pontos ou qualquer coisa do tipo. Então se perguntou como no mundo havia arranjado um marido sem ser delicada como as duas meninas a sua frente.


Sabia que àquela hora, os homens ainda estavam caçando e desejou estar com eles. Não gostava de caçar, muito menos de assistir, mas deveria ser bem melhor do que ficar ali passando a agulha pelo tecido. A Septã encarou seu bordado mas não ousou dizer nada. Mykhaela se levantou e as duas garotas levantaram o olhar para ela.


"Alyssa, não está na hora de nos arrumarmos?"


"Acho que está um pouco cedo, Mykha" Sansa disse com seu doce sorriso no rosto.


"Ainda não decidi que vestido usar. Vocês podem me ajudar?" Sabia que as meninas animariam-se com aquilo e duvidava que seria mais chato que bordar.


"Claro, Vossa Graça" Sansa se levantou, animada, deixando o bordado em cima da cadeira que antes ocupava e Alyssa e Beth Cassel a imitaram.


Caminharam até os aposentos de Mykhaela e ela retirou uma infinidade de vestidos de seu baú. As garotas rodopiavam entre os vestidos, animadas e dando opinião sobre o que ela deveria usar. Sansa descartou logo o vestido que ela usou em seu casamento, dizendo que uma rainha Stark não repete vestido. Mykhaela riu enquanto sua aia ficava louca com a bagunça que as meninas faziam. Quando retornou ao quarto, depois de se banhar, Mykhaela viu na cama o vestido que as meninas escolheram, junto de sua coroa e de algumas jóias. A criada escovou os cabelos dela até ficarem brilhantes e Alyssa arrumou-o com um penteado de Iberia. Ajudaram a rainha a se vestir e colocar as jóias. Quando se olhou no espelho, Mykhaela mal se reconheceu.


"Chamarei as três para me vestirem todo dia de manhã"


As meninas soltaram gritinhos, mas logo se calaram quando ouviram a porta do quarto se abrir. Robb parou na porta com um sorriso no rosto ao ver a esposa e as meninas o olhavam ansiosas. Ele estava coberto de lama, sujo da caçada de que voltava, mas parou para admirá-la com encantamento.


"Estou muito atrasado, minha senhora?"


"Não, eu que estou adiantada" Mykhaela sorriu e alisou a sedaria do vestido azul e dourado que usava.


"E linda" Robb se aproximou e beijou a mão de Mykhaela, tirando suspiros das meninas que olhavam maravilhadas.


"Se me dão licença, minhas senhoras, preciso me lavar" Robb olhou para as três meninas e jogou-lhes uma piscada rápida. Beth e Alyssa coraram para o gesto e quando Robb entrou na sala de banho, Sansa caminhou pelo quarto como uma verdadeira lady.


"Espero que um dia encontre um marido tão bom quanto Robb. Tem sorte Mykhaela"


"E encontrará, Sansa. Tenha paciência que ele virá" Mykhaela sorriu e se olhou no espelho mais uma vez, admirada com a própria aparência.


"Vamos meninas, o rei sairá do banho a qualquer momento e vocês não devem estar aqui, certo?" A aia de Mykhaela disse e as meninas a acompanharam para fora do quarto.


A jovem rainha andou até a janela, analisando o tempo. Tinha ficado ainda mais frio desde que chegara a Westeros e ela sentia falta do sol e do mar quente de Iberia. Alisou a barriga e suspirou, perdida em pensamentos por tanto tempo que ao menos percebeu quando Robb saiu da sala de banho, limpo e nú. Mykhaela corou um pouco e olhou nos olhos de Robb e não em seu corpo. Não importava que havia meses que estavam casados, ainda achava estranho tudo aquilo, aquela intimidade com outra pessoa.


"Devo dizer que a única razão para não lhe tirar desse vestido é que não conseguirei te deixar tão arrumada como elas fizeram" Robb sorriu e Mykhaela o imitou, corando ainda mais.


"Não é um penteado fácil de se fazer"


Robb andou até ela, abraçando-a por trás, roçando seu sexo nela e beijando-lhe a nuca.


"E sabe quanto gosto de te despentear"


Mykhaela sentiu todos os pelos de seu corpo eriçarem-se enquanto a voz dele colidia com sua pele, tão quente. Não sabia bem o que responder. Era tudo tão natural todos os dias, mas então quando Jon voltara para Winterfell para levar mais homens à Muralha tudo mudava. Todo aquele sentimento por ele se ascendia e ela se sentia culpada por estar com Robb, por apreciar sua companhia, por começar a sentir algo por ele; e mesmo assim amar Jon com cada pedaço de seu ser. Uma batida na porta interrompeu os pensamentos dos dois.


"Um momento" Robb disse para a porta e vestiu seus calções e uma túnica de lã, andando até a madeira escura e abrindo-a. "Bran? Está tudo bem"


Robb observou o irmão no colo de Hodor, os olhos meio distraídos, meio desesperados.


"Posso falar com Mykha?"


Robb estranhou, mas abriu espaço para os dois entrarem. Hodor colocou Bran na cama, fez uma reverência atrapalhada e saiu do quarto. Robb fechou a porta e o quarto morreu em silêncio.


"Robb?" Bran o olhou com uma sobrancelha arqueada.


"Sim?" O irmão disse sem entender.


"Quero falar com ela a sós" Ele torceu o canto da boca de um jeito engraçado e Mykhaela sorriu, olhando para o marido que juntou as sobrancelhas para o irmão, e enfim sorriu, bagunçando os cabelos dele.


"Claro, pequeno Lord. Me expulsando de meu próprio quarto" Robb riu, pegou sua capa e suas botas e saiu do quarto. Mykhaela andou até a cama, sentando-se ao lado de Bran e arrumando seus cabelos de forma materna.


"E então, Bran, sobre o que quer conversar?"


Mykhaela assistiu a face dele ir do pálido para o vermelho em questão de segundos. Ele procurou as palavras, respirou fundo, soltou o ar e então tomou coragem para falar.


"Sua irmã"


"Sim?"


"Quer dizer, você! Você me acha bonito?"


"Se eu te acho bonito? Deixe-me ver..." Mykhaela forçou uma cara pensativa e sorriu em seguida. "Se tivesse minha idade Robb não teria a mínima chance"


Bran sorriu, mas então voltou a fazer uma cara séria.


"Eu falo sério! Eu sou bonito?"


"É claro que é, Bran! Tenho certeza que qualquer garota da sua idade adoraria ter sua atenção"


"Acha que Alyssa gostaria de ter minha atenção?"


"Acho que ela se sentiria lisonjeada"


"Ótimo" Ele sorriu, satisfeito consigo mesmo. "Mesmo eu sendo assim?"
"Assim como? Um lord? Um menino teimoso?"


"Você sabe do que estou falando. Mesmo eu sendo aleijado" Bran tinha a expressão triste.


"Você não é um aleijado, Bran"


"Claro que sou!"


"Me deixe terminar" Mykhaela deixou a voz um pouco mais firme e Bran ficou em silêncio para ouví-la. "Você é um herói. É mais forte que qualquer um de seus irmãos. Sofreu um ataque violento e covarde e sobreviveu. Sabe quantos garotos são fortes o bastante para sobreviver uma queda daquelas? Nenhum! Mas você o fez, Bran. Não quero nunca mais te ouvir se referindo a si mesmo como aleijado, me entendeu?"
Bran balançou a cabeça afirmativamente, seu ego inflando-se e o rosto recuperando confiança.


"Sobre minha irmã... bom, você tem que conversar com ela"


"Quando?"


"Porque não a leva para passear? Leva ela para andar a cavalo, conhecer Winterfell. Você conhece os lugares bonitos como ninguém, não é?"


"Parece estúpido"


"Seu irmão me chamou para passear e me pediu em casamento. Eu aceitei. Parece estúpido agora?" Ela sorriu, tocando a ponta do nariz dele. Seu outro irmão me beijou num passeio também, mas isso você não pode saber.


"Vou fazer isso!"


"Depois me conte como foi" Mykhaela sorriu, ficando feliz que um garoto tão bom quanto Bran estivesse interessado em sua irmã. Esperava que o interesse não morresse quando Lady Catelyn soubesse das intenções dele. "Está arrumado para o banquete?"


"Sim!"


"Vamos descer então" Mykhaela equilibrou o garoto em suas costas e saiu do quarto. Quando estava descendo os primeiros degraus da escada, ouviu uma voz masculina vinda do corredor da torre.


"Hey, vocês vão se machucar assim!"


Ela virou-se para olhar Jon, que pegou Bran em seus braços e a olhou com repreendimento.


"Está louca, Mykhaela? E se caem os dois dessa escada? Não pensa no bebê?"


"Acalme-se, pai" Mykhaela rolou os olhos. "Acho que aguento levar uma criança nos braços"


Bran olhou feio.


"Um jovem rapaz" Corrigiu, olhando para Bran.


"Não estou brincando. Poderia se machucar" Jon continuava sério.


"Certo, certo" Mykhaela rolou os olhos e continuou o caminho com os dois até o salão.


Jon sentou Bran em seu lugar e ficaram os três observando as criadas terminarem de arrumar tudo. Moryn não poupou gastos no banquete de casamento e enfeitou o salão de um jeito que Jon sentia que não estava mais em Winterfell, e sim num reino distante.


"Você tem que tomar mais cuidado, sabia?" Jon acompanhava Mykhaela enquanto ela roubava uvas das mesas.


"Eu sei, Jon. Não precisa me educar sobre como uma mulher grávida deve se comportar"


"Não parece" Ele sorriu, roubando uma uva da mão dela e colocando na boca. "Onde estava seu marido?"


"Não sei. Bran queria falar comigo a sós" Jon a olhou com curiosidade. "Não conte nada, mas ele gosta de Alyssa"


"Mas que grande segredo" Jon disse com ironia na voz e um sorriso no canto dos lábios.


"Você sabia?"


"É só ver o jeito bobo que ele olha para ela"


"Acha que Catelyn já sabe?"


"Se ela soubesse nós já teríamos ouvido algo"


"Você volta quando?"


"Acho que os homens chegam no começo da semana. Espero que logo"
"É tão ruim assim ficar ao meu lado?" Mykhaela sorriu e pegou alguns morangos.


"É ruim estar com você quando ele é que está ao seu lado" Jon disse vagamente, dando de ombros.


"Você sabe que-"


"Sei, Mykha. Já passei seu discurso sobre seus motivos em minha cabeça milhões de vezes. Não torna mais fácil"


"Ele não faz de propósito, sabe? Se quiser posso pedir a ele para que não te chame mais"


"Tudo bem, Mykhaela. Não posso ficar fugindo de vocês o resto da vida"


"Não precisa sofrer mais que o necessário também"


"Não importa aonde eu esteja, você sempre me fará falta"


"Você também" Mykhaela parou para olhá-lo nos olhos. Jon tinha uma expressão triste, mas aquela expressão parecia acompanhá-lo tanto nos últimos dias que já parecia-se com o Jon de sempre. Suspirou quando ele acariciou sua barriga, distraído com o filho e então sentiu algo estranho dentro dela.


"Você sentiu isso?" Jon olhou-a, as íris escuras arregaladas.


"Sim!" Mykhaela disse, colocando as mãos no ventre, próximas às dele.


"O que foi isso?" Jon parecia um pouco assustado.


"Ele chutou" Mykhaela riu, os olhos enchendo-se de lágrimas.


"Ele ta bem? O que isso significa?"


"É a maneira dele de dizer que está aqui" Ela sorriu, tocando as mãos de Jon com cuidado para Bran não ver. "Ou é o que Meistre Luwin e Lady Catelyn me disseram"


"Isso já tinha acontecido antes?"


"Não. Eles só me falaram que passaria a acontecer"


Jon sorriu sincero, feliz pelo filho dizer a ele que estava ali, e não a Robb. Limpou as lágrimas que desciam do rosto de Mykhaela quando os próprios olhos brilhavam de emoção. E tudo parecia tão real. Era um pedaço dele ali, com ela. Era seu filho. Jon sentiu como se sua alma deixasse o corpo e ele flutuasse por alguns segundos. Eu sou pai de alguém. E então o silêncio cúmplice deles foi quebrado por Robb, que entrara no salão e já havia se aproximado.


"O que aconteceu?"


Mykhaela olhou para ele, afastando as mãos da de Jon.


"É o bebê. Ele chutou"


Robb sorriu e levou as mãos ao ventre da esposa. Jon pareceu incomodado e se afastou.


"Agora?"


"Sim, agora"


"Isso é bom, não é?"


"É ótimo"


-x-


O salão estava cheio de gente, música, pessoas dançando. Após a dança dos noivos, Mykhaela tinha que dançar com o pai, o que foi no mínimo estranho. Não se parecia em nada com o homem estúpido daquele desjejum, mas sim com um pai amável como qualquer um. Aqueles costumes eram muito estranhos para Jon, que observava tudo de seu canto, sentado do lado de Alyssa, que comia em silêncio.


"Minha irmã está tão bonita, não está?" A menina disse de repente e Jon olhou para ela, meio assustado. Era a primeira vez que a menina falava qualquer coisa desde que se sentou ali na mesa.


"Sim, sua irmã é muito linda" Jon respondeu com um sorriso no rosto. "Quer mais batatas?"


"Sim, por favor" Ela sorriu com o rosto corado, parecia uma boneca. Seu sotaque era um pouco mais carregado do que o de Mykhaela, mas falava a língua comum com a mesma habilidade que a irmã.


"Mykhaela já te contou que pretende convencer seu pai a te deixar ficar?"


"Sim"


"E o que acha disso?"


"Eu sinto falta dela. Não tenho muito o que fazer por lá sem ela"


"Ela realmente faz falta quando vai embora"


"Você não mora aqui?" A menina juntou as sobrancelhas de um jeito muito parecido com o da irmã, fazendo Jon sorrir.


"Não, sou um Patrulheiro da Noite. Eu moro longe daqui, no norte"


"Ah sim, Bran me contou. Na Muralha, não é?"


Jon acenou com sim com a cabeça enquanto bebia um pouco de vinho.


"E como é lá?"


"É frio, muito frio. E meio solitário"


"Não sente falta de casa?"


"Sinto falta de meus irmãos, mas minha casa é lá"


"Bran me disse que você é como eu. Não é filho da senhora do seu pai"


"É verdade" Jon viu nos olhos da menina que ela sabia o que aquilo significava; que por mais que Mykhaela tentasse a privar daquela verdade, ela já a havia sentido.


"E como é lá fora? Longe da sua família?"


"Não é fácil, não vou mentir pra você. Mas vou te dar um conselho que já me deram um dia: não deixe que as pessoas saibam que isso a incomoda, ou elas poderão usar isso contra você"


Alyssa sorriu para ele com cumplicidade. Ninguém mais ali sabia como ela se sentia, apenas ele.


"Qual o seu sobrenome?"


"Snow. E o seu?"


"Shore"


"Sabia que as maiores forças do mundo vêm da natureza? E nós a temos em nosso nome" Jon sorriu para a menina e ela sorriu de volta.


"Alyssa, venha cá" Jon virou o rosto para ver o Rei Moryn chamar a menina, que pediu licença para Jon e andou até o pai. "Pode nos presentear com uma canção?"


A menina ficou vermelha como tomate e olhou para Mykhaela como quem pede ajuda.


"Sabe que ela tem vergonha, pai"


"Pois não deveria ter. Canta tão bem como os pássaros da manhã" Phillip parou ao lado da pequena irmã, bagunçando-lhe os cabelos.


"Vamos lá, menina. Pare de ser boba. O rei quer ouví-la cantar"
Robb sorriu para a cunhada e a encorajou com o olhar, dizendo em seguida que ela não precisava se não quisesse, mas o pai insistiu mais uma vez e ela se viu vencida.


"Só se Mykhaela cantar comigo" Disse com os olhos travessos e Mykhaela fez uma expressão de dor.


"Não, eu não canto bem"


"Eu só canto se você cantar comigo"


"Vamos lá, Mykhaela. Acompanhe Alyssa" O pai disse com seu tom real autoritário e o salão fez silêncio para ouví-las.


De seu lugar, Jon viu as duas receberem os olhares e corarem até ficarem da mesma cor vermelho sangue, os dedos brincando uns com os outros, enquanto elas queriam se afogar em sua vergonha.


"O que quer cantar, Alyssa?"


"Aquela. Que você cantava pra mim quando eu era pequena"


Mykhaela sorriu, ainda envergonhada e disse algo para as tocadoras de harpa, que logo obedeceram e começaram a canção lenta. Era cantada na língua de Iberia e Jon não entendia nada, mas podia ver com que perfeição Alyssa cantava, como se fosse um sonho. E Mykhaela, desajeitada, tentava acompanhar a irmã sem muito sucesso, mas ainda assim era extremamente adorável. Alyssa alisou o ventre da irmã enquanto cantava e Bran parecia quase flutuar pelo salão. Jon e Robb se entreolharam e riram da expressão abobalhada com que o irmão observava Alyssa. Quando Mykhaela parou de cantar, para deixar o salão desfrutar da voz doce da irmã, Alyssa a olhou com repreendimento e Mykhaela foi obrigada a voltar a acompanhá-la. Olhou para Jon e então para Robb e sentia-se tão dividia. Preferiu não olhar para ninguém além de seu filho. Ele era, afinal, o centro de seu mundo. Quando Alyssa terminou a música, Bran soltou um audível suspiro de admiração e logo corou quando as pessoas próximas a ele o olharam e os irmãos mais velhos trovejaram uma risada audível. Agradeceram as palmas com reverências delicadas e então as duas moças sentaram-se, envegonhadas ainda. Mykhaela sentou-se ao lado de Bran e Alyssa voltou ao seu lugar, ao lado de Jon.


"Você já falou com ela?" Mykhaela disse para Bran com um risinho nos lábios.


"Eu já o levei para falar com ela umas três vezes, mas ele desiste no meio do caminho" Ouviram uma voz vir de trás deles. Era uma criada, que tirava as bandejas vazias da mesa.


"Calada!" Bran disse, emburrado.


"Quem é você?" Mykhaela perguntou com dúvida no olhar. Já a tinha visto por Winterfell mas nunca tinha falado realmente com a moça.


"Desculpe-me, Vossa Graça" Ela disse, contida, fazendo uma reverência e preparando-se para sair.


"Não! Me diz, quem é você?" Mykhaela sorriu para ela como quem diz que não estava lhe chamando a atenção por se intrometer na conversa.


"Sou Osha, Vossa Graça"


"Você é Osha? Bran já me falou sobre você. Tem muita coragem, Osha. Winterfell estará sempre em dívida com você pelo que fez por Bran e Rickon"


"Só fiz o que achei certo. Os pequenos lords não mereciam- Enfim, está no passado"


"Você trabalha na cozinha?"


"Sim, Vossa Graça"


"É um trabalho muito pesado?"


"Faço meu trabalho com prazer, Vossa Graça"


"Você sabe, Osha, eu estava precisando de uma nova aia para ajudar a minha. O que acha de ocupar o cargo?"


"Se lhe agradar, Vossa Graça, ficaria honrada"


"Se achar que for um trabalho melhor que a cozinha, começa na próxima semana. Espero que aceite, Osha"


"Obrigada, Vossa Graça" Ela fez uma reverência e saiu com as bandejas vazias. Mykhaela ouviu por cima dos ombros Lady Catelyn dizer algo sobre a rainha ter prazer em se misturar com os criados como se fosse parte deles, mas resolveu guardar sua resposta para evitar que Bran ficasse constrangido.

Notas finais
*Nota de Tradução: Shore significa costa em inglês. Costa do continente, na praia. Como a capital de Iberia é uma cidade praiana, daí vem o sobrenome dos bastardos derivados da costa do mar.
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