There and Here Again
1 Capítulo 1
Desde que se lembrava, ela tinha sonhos estranhos.
Estranhos porque quase nunca pareciam sonhos de fato – excluindo, claro, todas as impossibilidades que aconteciam nos mesmos. Pareciam apenas momentos de uma vida que ela presenciara. A sensação era aquela de quando estamos no limbo entre o acordado e o sonhando e algum pensamento ou lembrança nos acerta. Há uma neblina sobre a memória que nos faz duvidar daquilo que vemos, por mais que inerentemente saibamos ter vivido algo semelhante.
Seus sonhos eram assim, como memórias nebulosas a muito esquecidas pelo consciente mas que teimavam em reaparecer durante o sono.
Evidentemente, quando a jovem acordava sabia que nada daquilo poderia ser real. Primeiro porque não acreditava em reencarnação, independente do que Lucy dissesse. Segundo porque, mesmo que acreditasse, duvidava muito que em sua vida passada ela tenha sido uma bruxa capaz de se transformar em águia.
Mas os sonhos a impressionavam muito, isso era certo. Neles, Alice (pois esse era seu nome) era capaz de quase tudo: criar, ensinar, proteger, ajudar, amar... Tudo que ela quisesse era possível alcançar. Nesse mundo, ela era feliz e apreciada. Diferente da realidade que a encontrava quando abria os olhos – uma empregada que vivia de favor na casa da amiga e que nunca conseguia atingir objetivo algum simplesmente porque não tinha objetivos além daquele de sobreviver por mais uma hora e um dia e um ano.
A vida de Alice se resumia em acordar, limpar, esfregar, sorrir, comer e dormir para ser transportada para aquele lugar doce de fantasia no qual ela era admirada e admirável. E só lá ela era realmente feliz.
Havia dois meses que ela fora contratada para trabalhar com os Riddle quando o herdeiro da família desapareceu. O jovem era muito belo, ainda que calado. Raramente falava mais do que a cortesia fazia necessária, mas era sempre gentil com Alice e com os outros empregados. Com tudo considerado, então, foi uma grande surpresa aparecer na Mansão Riddle naquela quarta-feira pela manhã para descobrir que o caos se instalara nos habitantes por culpa dele. Alice conseguiu descobrir apenas muito depois como tudo aconteceu – e porque aconteceu.
Aparentemente, Tom (pois esse era seu nome) saiu para cavalgar na terça-feira a tarde como era seu costume. Voltou muito depois do que normalmente o fazia, mas o fato não levantou qualquer tipo de suspeita no momento. Na quarta-feira de manhã já havia sumido, levando consigo todas as suas economias, bem como roupas e alguns livros. Deixou para trás apenas uma carta, explicando que fugira com seu verdadeiro amor, Merope Gaunt (Merope Gaunt! A filha do louco que morava na choupana na borda cidade!) para se casarem; pedia, ainda, que não o procurassem. Esse último desejo foi, obviamente, ignorado tão logo possível. A sra. Mary contatou a polícia no mesmo dia, mas o chefe da estação disse que nada podia fazer pois “é um caso de amor juvenil, não de sequestro”. Após, foi o sr. Thomas quem tomou as rédeas da situação: contratou dois dos melhores detetives ingleses que conseguiu encontrar.
Os senhores Smith e Smith (pois tinham o mesmo nome, o que foi fonte de risadas discretas para Alice cada vez que eles eram introduzidos aos seus patrões) descobriram que ambos fugiram para Londres na quinta-feira, no trem das 11h e no mesmo dia, as 19h, se casavam em uma igreja do centro tendo como testemunhas um fiel e sua esposa que passavam por ali. Depois disso, seu paradeiro era um mistério.
Claro que o restante da família Riddle foi imediatamente para Londres atrás do filho perdido. Levaram consigo boa parte da criadagem, deixando a Mansão nas mãos da sra. Fairfaix e, como ajudantes, Alice e outra jovem empregada cujo nome sempre lhe escapava (Hestia? Hedna? Helena? Helga?).
Durante muito tempo, as coisas permaneceram calmas. Ninguém visitava os Riddle, já que ninguém gostava deles na cidade. A casa se mantinha limpa e organizada, e as visitas da criadagem à Mansão foram se tornando cada vez mais espaçadas pois menos necessárias.
Era uma manhã de sexta-feira tempestuosa quando Alice apareceu na casa dos patrões. O lugar estava silencioso e escuro. Sua missão era simples: pegar as cartas deixadas ali durante a semana e colocá-las no correio com destino ao apartamento dos Riddle em Londres. A sra. Fairfax a instruiu da tarefa uma vez que a própria se encontrava ocupada com os diversos preparativos para o casamento vindouro da filha mais velha e não tinha tempo a perder com isso.
Alice aceitou o trabalho, pois negá-lo seria o mesmo que pedir demissão. Além disso, a Mansão era um lugar muito agradável de se estar, principalmente quando vazia. Com suas paredes altas e claras, vastos salões e candelabros brilhantes – tudo parecia muito mágico ali. Quase como um dos lugares que via em seus sonhos. Quase.
Ela observava tudo isso quando um barulho a fez se sobressaltar. O som veio da sala de estar, e se assemelhava com algo caindo – o peso de mesa, talvez, que sempre era derrubado por alguém porque não se mantinha em pé muito bem. Alice sentiu as palmas da mão suarem. Sabia que seus patrões não haviam voltado ainda já que em sua última carta disseram estar próximos de descobrir onde Tom estava e não pretendiam voltar antes disso. Sabia que não era a sra. Fairfax tampouco. Talvez fosse Hestia ou Helga ou seja lá o nome da outra jovem. Com o coração aos pulos, Alice se aproximou devagar, temendo fazer barulho. Quando sua mão tocou a maçaneta, a porta se escancarou e um rosto familiar se postou em sua frente. Alice pulou para trás, um grito alto escapando de seus lábios. Teria saído correndo naquele momento não fosse pelo fato de o homem do outro lado ter tido reação semelhante a sua, seu grito sendo muito mais potente do que o da própria jovem.
Ela piscou lentamente, uma mão no peito como que ordenando que seu coração voltasse a bater em um ritmo normal.
“Sr. Tom?” sua voz saiu num sussurro; ela limpou a garganta e disse em tom mais decidido: “Sr. Tom Riddle? É você mesmo, senhor?”
Não havia dúvida, era o próprio herdeiro desaparecido. Aquele rosto era difícil de se esquecer, ainda que a expressão contida nele – aquela expressão fez Alice estremecer e se abraçar.
“Eu... Sim, sou eu,” A voz dele não saiu mais forte do que um sussurro. Ele ainda encarava Alice, suas sobrancelhas unidas em profundo pensamento. “Eu lhe conheço, não?”
“Oh,” Alice não esperava aquela pergunta, e não pode evitar de se sentir um tanto ofendida. Bobagem de sua parte, é claro, mas não achou que fosse assim tão comum para que Tom se esquecesse da jovem que arrumava sua cama todas as manhãs. “Eu sou Alice, senhor, Alice Darius. Trabalho como criada aqui.”
A informação pareceu acender algo nos olhos do homem – reconhecimento.
“Perdoe-me, deveria ter lhe reconhecido, claro. É apenas que minha mente não anda muito... Bem,” Um sorriso fraco se abriu no belo rosto, mas não permaneceu lá por mais do que alguns segundos. A expressão logo voltou à anterior: de tristeza e medo. “Você poderia me informar onde estão meus pais?”
A voz de Tom, que sempre fora muito calma, estava agora mais baixa e suave do que de costume, mesmo Alice que raramente ouvia-o falar pode notar. Era como se ele temesse que alguém lhe ouvisse.
“Seus pais foram para Londres, senhor, lhe procurar,” Alice mudou sua tonalidade de voz também, para algo baixo e reconfortante. Tinha a impressão que se falasse mais alto, Tom se sobressaltaria. “Não tem ninguém aqui, a sra. Mary levou a criadagem em peso para o apartamento da cidade Ficamos apenas eu, outra criada e a sra. Fairfax.”
Tom concordou com a cabeça, seu olhar perdido em um ponto fixo do chão.
“Devo admitir que não sei se fico feliz ou triste com essa notícia. Vim para casa na esperança de encontrá-los mas meu estado-” Sua voz morreu antes do final da frase e ele não levantou os olhos para a jovem em sua frente. Alice notou como ele balançou por um momento, e ela temeu que desmaiasse.
“Sente-se aqui, senhor, por favor,” Ela disse, puxando uma cadeira estofada que estava à sua esquerda e levando Tom gentilmente até o lugar indicado. Apesar da brevidade do toque, a garota notou que seu patrão tremia. “Sente frio? Quer que eu pegue um cobertor?”
“Não, não,” Negou a oferta, balançando a cabeça. Ainda não encontrara o olhar da jovem.
Alice mordeu os lábios enquanto o silêncio da Mansão, que ela tanto apreciara momentos antes, agora parecia pesar sob seus ombros.
“Creio que esse é o momento que eu devo me retirar, senhor. E, se me permite tanto, lhe aconselharia a escrever para seus pais o mais rápido possível, uma vez que ambos estão bem preocupados consigo.” Alice comentou, dando um passo para trás. Tom, porém, finalmente levantou a cabeça – tão rápido, mesmo, que foi possível ouvir seu pescoço estalando com a rapidez do movimento.
“Não! Não me deixe sozinho!” O homem implorou, uma mão saindo em direção à Alice para segurá-la, mas parando no meio do caminho como que pressentindo a falta de decoro no ato. “Por favor.” A voz dele, que antes demonstrara o indício de forte emoção, voltou a ficar contida e temerosa.
Alice ficou alguns momentos em silêncio, decidindo o que fazer. Seria mais acertado ela ir imediatamente atrás da sra. Fairfax e informá-la da volta do primogênito; mas, de novo, teria sido mais acertado a sra. Farifax ter vindo pegar a correspondência e ela mesmo ter encontrado Tom. Com um suspiro, a jovem decidiu aquiescer ao pedido do patrão.
“Muito bem, senh-”
“Tom.” Ele interrompeu, seu olhar mais uma vez perdido em algum ponto acima da cabeça de Alice. Outro suspiro foi dado.
“Muito bem, Tom. Creio que seria melhor nos retirarmos para a cozinha. Lá posso acender o fogão e preparar um chá.”
Tom se levantou, acenando com a cabeça, e seguiu Alice pelos corredores da casa. Havia parado de chover, e alguns raios tímidos de sol adentravam pelas janelas da casa.
A cozinha era provavelmente o local mais bem iluminado da Mansão graças ao sol matinal que irradiava mais ali. Tom sentou-se em uma das cadeiras na bancada enquanto observava Alice andar entre as prateleiras, pegando tudo que fosse necessário para fazer o chá enquanto a água esquentava.
“Não tenho fome.” Tom disse após a jovem colocar um prato de biscoitos em sua frente.
“Sinto muito, sen – Tom – mas creio que deva comer. Parece pálido como a morte!” Alice replicou, empurrando o prato mais para a frente do homem. Ele sorriu timidamente, mas pegou um dos biscoitos.
“E quando foi que você presenciou a morte?” A pergunta veio num sussurro, então a jovem fingiu não ouvir. A resposta, claro, teria sido: duas semanas atrás quando seu eu do sonho morreu devido à um coração partido e uma doença desconhecida.
O chá ficou pronto e foi prontamente consumido, esquentando tanto a alma quanto o corpo de ambos. Tom permanecia quieto, seu olhar triste sempre vagante.
“O que houve?” A pergunta que estivera martelando na cabeça de Alice escapou de seus lábios em um momento de desatenção. Mas de qualquer forma a jovem se conhecia bem o suficiente para saber que sua curiosidade iria ter a melhor sobre seu bom senso – sempre fora assim, afinal.
“Eu- Hu- Ela não-” Tom se confundia com as palavras enquanto Alice o observava com atenção, seus olhos azuis atentos para a palidez que surgiu no rosto do outro, para as mãos que apertavam a xícara com tanta força que os dedos ficaram brancos, para o olhos que evitavam encarar seus próprios.
“Sinto muito, não deveria ter perguntado.” A jovem se desculpou após um longo momento de silêncio constrangido, sua voz suave até mesmo para seus ouvidos. De todos naquela casa, Tom era o que ela menos desejava ver sofrer.
“Não, eu entendo o porquê da pergunta. Apenas que eu não... Não lembro muito bem... Suponho que eu tenha deixado alguma, hum, carta quando parti?”
A pergunta foi inesperada e Alice demonstrou isso com um franzir de cenhos. O rosto antes pálido agora se tingiu de vermelho enquanto corava.
“Bem, sim, o senhor deixou uma carta em seu quarto antes de partir – levando seus pertences e economias. Pedia que não lhe procurassem pois fugira com Merope Gaunt.” À menção do nome Tom se sobressaltou e a xícara escapou de suas mãos, caindo com um forte tinido contra o prato. Alice se esticou e observou a xícara.
“Não quebrou,” Ela murmurou para si mesma antes de recolocá-la no lugar. Voltou a observar Tom, que agora parecia ter provado algo muito ruim diante da expressão em seu rosto: sua boca retraída em uma linha fina, seus olhos semicerrados, sua respiração entre-cortada. “Quer um pouco de água, Tom?” Alice ofereceu imediatamente, se levantando, mas o outro negou com um gesto. Alguns momentos se passaram antes de ele se recompor.
“Desculpe por isso,” Comentou, sua voz soando cansada. “É que o nome dessa... Jovem... Me inspira forte emoção.”
“Ela faleceu, senhor?” Alice perguntou, seus olhos demonstrando simpatia. Era a única resposta que lhe ocorria. Merope morrera e agora Tom voltava para casa com o coração partido após perder a amada meses depois de encontrá-la.
Ao invés de lágrimas, foram risadas que escaparam do homem em sua frente – amarguradas e doloridas, mas risadas sem dúvida.
“Oh, não. Esta viva, creio. Mas as coisas não aconteceram exatamente como parecem.”
Alice esperou, mas o silêncio durou tempo suficiente para ela entender que nada seguiria àquela afirmação enigmática. A jovem olhou para suas próprias mãos unidas sobre a mesa, observando os calos e arranhões de dedos acostumados a trabalhar.
“Eu conheci um Gaunt uma vez,” Alice ouviu a si mesma dizer, mesmo que não tivesse comandado sua boca a se abrir. “Era um homem elegante e muito poderoso; apesar de poder destruir pessoas, ele também era muito bondoso e gentil. Você teria gostado dele, senhor.”
A jovem levantou o olhar para encontrar os olhos de Tom sobre si. Foi a sua vez de sentir a face esquentar.
“Onde o conheceu? Achei que... Achei que haviam apenas os Gaunts da borda da cidade, e você com certeza não pode estar se referindo a Marvolo ou Morphin!” Novamente, a voz de Tom traiu a emoção que sentia, mas foi logo contida.
Alice o encarou, sem saber muito bem o que dizer. A verdade era que nunca conhecera nenhum Gaunt – nem mesmo aqueles mencionados pelo patrão, nem mesmo sua esposa Merope. O que lhe influenciara a dizer que conhecera um Gaunt misterioso ela não saberia dizer. Mas ainda assim, sentia como se fosse verdade, ainda que não para aquele corpo. Não para aquela vida.
“Oh, esqueça o que eu disse. Eu me confundi. Achei que fosse um Gaunt, mas claramente deve ser outro nome.” A jovem replicou rapidamente, sorrindo de forma amável. Apesar de sentir que Tom não se convencera, ele deixou passar.
Mais alguns minutos se passaram em silêncio. O sol agora ia alto – depois da tempestade, vem a calmaria.
“Talvez seja hora de escrever para seus pais.” Alice finalmente sugeriu quando o relógio bateu meio-dia. Tom se sobressaltou, como se tivesse esquecido: dos pais, de Alice, de si mesmo.
“Sim, sim, claro. Vamos para o escritório, por favor.” Ele falou, se levantando. A outra não esperava ser convidada para se unir à Tom, mas o seguiu de qualquer forma.
O escritório do sr. Thomas era amplo e levemente circular. As estantes altas completas de livros de todos os tipos e tamanhos. No fundo da sala, em uma parte mais alta, uma mesa de mogno escuro ficava, iluminada por uma claraboia no teto. Tom se sentou na cadeira bege de respaldo alto de um lado e ofereceu à Alice a cadeira oposta com um gesto.
“Me pergunto como iniciar isso.” Ele murmurou para si, a caneta parada sobre o papel imaculado.
“Que tal: Queridos Pais, estou de volta.” Alice não pode se impedir de sugerir. Tom a observou por um momento em silêncio, mas sorriu brevemente para ela.
“Sim, uma boa ideia.” Concordou, e começou a escrever.
E continuou a escrever.
E escreveu durante quase duas hora.
Quando finalmente levantou a cabeça, seu rosto suava, sua mão tremia e seus olhos brilhavam. Alice observou tudo isso sem pronunciar palavra.
“Terminou?” Ela perguntou, sorrindo para o patrão. Ele devolveu o sorriso que logo morreu em seus lábios.
“Sim, terminei.” O homem tentou selar a carta, mas seus dedos tremiam em demasiado. Alice pegou o papel de suas mãos e o selou em silêncio. Um suspiro escapou de Tom.
“Você deve me achar um fraco a essa altura.”
Alice negou com a cabeça rapidamente.
“Não, Tom, isso nunca me ocorreu. Acho que o senhor é tão forte quanto... Quanto um dragão!” Ela replicou, tentando de alguma forma animar o homem em sua frente que parecia tão completamente abatido. Ele merecia felicidade, disso Alice sabia.
“Um dragão!” Tom repetiu, sorrindo de lado e balançando a cabeça. “Apenas se for um dragão adormecido.”
“Ora, até dragões adormecidos podem ser perigosos, senhor, se cutucados.”
Tom a observou, seus olhos procurando algo. Devem ter encontrado, pois logo em seguida disse:
“Obrigado por ficar comigo durante todo esse tempo. Você não entende, mas me fez um grande favor, Rowena.”
“Foi um prazer, senhor.” Alice replicou dando de ombros. A jovem piscou duas vezes antes de perceber o erro. “Perdão, do que me chamou?”
Foi a vez de Tom demonstrar confusão. Ele olhou para os lados, seu rosto vermelho.
“Lhe chamei de Rowena. Seu nome, não?” Alice chacoalhou a cabeça, franzindo o cenho.
“Não, senhor, meu nome é Alice. Eu... Lhe disse isso mais cedo.”
Ambos se encararam por um período de tempo, seus olhos presos um no outro.
“Me perdoe, não sei porque achei que... Como pode ver, ainda estou um tanto confuso.”
A jovem sorriu enquanto levantava.
“Ora, eu também, uma vez que demorei para me dar conta do erro. Bem, devo ir, senhor. Já está tarde.”
“Eu lhe acompanho, preciso mesmo ir para Little Hangleton para entregar a carta.”
Assim, ambos partiram.
Naquela noite, Alice não sonhou com Castelos, ou dragões ou magia. Sonhou com Tom Riddle.
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