There and Back Again
11 Despedida
Notas iniciais
A brincadeira de Lyn quase fez Thorin realmente matá-la, nunca viu o anão tão bravo com ela. Fig, Mi e Bilbo tentaram intervir mas não adiantou muito. Lyn, pra acalmar os ânimos, disse que repararia Thorin.
No final ficou decidido que, além de treinar com Dwalin, Lyn passaria o resto da semana recebendo "aulas extras" com Thorin. Sabia que no final teria desejado ter trocado todo hidromel do Valhalla por água, mas a imagem de Thorin levando um tapa na cara de uma elfa e sendo chamado de pervertido ajudaria a aguentar a tortura.
– Não acredito que você fez isso! — Ria Fig, sem acreditar no que a garota fez — Foi fantástico! Queria ter visto!
– É, mas agora vai apanhar feito bola no final de campeonato — Ria Mi, achou a prela perfeita, mas tinha dó do que aconteceria com a amiga.
– Nunca vi Thorin tão bravo, pensei que ele fosse te jogar do terraço — Disse Bilbo, segurando a risada — Não sei se você é corajosa ou louca.
Lyn riu e deu de ombros, garantindo que a cena valerá cada porrada que Thorin lhe der. Ao menos foi o que pensou.
Já haviam se passado três dias desde o começo do castigo e Lyn já se sentia à beira da morte, Thorin apelava nas "lições" e a machucava mesmo. Já tinha perdido as contas de quantas vezes tinha caído, seu lábio sangrava de uma escudada que levou, mas se recusava a demonstrar a dor q sentia.
– Não terminamos ainda, levanta — Disse Thorin, inflexível, toda a aproximação com a menina dos últimos dias sumira.
Lyn já estava cansada de apanhar, tinha que ter uma forma de derrubar Thorin. Quando ela, Mi e Fig decidiram sair do Brasil, combinaram que treinariam alguma modalidade de luta pra não irem despreparados, afinal estariam sozinhos um país diferente. Mi já fazia karatê antes mesmo do combinado, então era a mais experiente, Fig fez tai chi chuan* e Lyn, depois de ficar bastante tempo procurando, acabou fazendo hapkido. Não era possível depois de cinco anos que ficasse apanhando feito saco de pancada de um anão revoltado.
A chance surgiu quando os escudos dos oponentes se atritaram. Lyn observou que Thorin jogava o corpo pra frente pra tentar quebrar sua defesa, e essa seria sua chance. Largou a espada e jogou o corpo pra trás, agarrando a roupa de Thorin com a mão livre e o puxando pra si quando este desequilibrou com a falta de força inversa, colocou os pés na barriga do anão e o jogou pra trás, fazendo-o cair de costas no chão. Sem perder tempo, levantou largando o escudo e correu ate o rei, aplicando uma torção no braço da espada, fazendo largá-la. Só parou quando Thorin parou de debater.
Claro que assim que soltou, tomou uma distância segura, não tinha ninguém com eles e pro rei matá-la e sumir com o corpo não faltava muito. Pra sua surpresa, Thorin se sentou e ficou massageando o braço dolorido.
– Que golpe foi esse? — Perguntou sério, olhando pra garota — Não sabia que você lutava.
– Tentei falar uma vez mas você não deixou... É um golpe de hapkido, uma luta que eu fazia, Fig e Mi também sabem lutar — Respondeu, indecisa se chegava perto ou não, acabou se sentando onde estava.
– Nos ensine — Disse Thorin pra uma Lyn surpresa — Se o fizer, abro mão do resto da semana.
Lyn aceitou na hora, feliz que o inferno tinha acabado. Limpou o suor e o sangue do lábio com um lenço e ficou conversando, finalmente em paz, sobre as diversas artes marciais de seu mundo com Thorin.
Quando o rei contou a novidade pra comitiva a reação foi desde desconfiança à surpresa. Os anões não acreditavam muito na habilidade dos humanos e Fig e Mi viram nesta a oportunidade de fazerem os anões sofrerem tanto quanto faziam com que eles e Bilbo sofressem.
Os treinos se iniciaram no dia seguinte, com o combinado de que os três humanos revezariam a modalidade de luta por dia. Nisso, já haviam se passado quase duas semanas e Thorin começou a ficar ansioso, querendo logo sair de Rivendell.
Gandalf afirmou que o rei e os humanos deviam conversar com Elrond em busca de respostas, o que foi aceito facilmente pelos humanos, e com desconfiança por Thorin. Foi uma reunião relativamente rápida, Elrond explicou sobre as runas escondidas no mapa de Thorin e sobre a estação do ano em que foram feitas, além de dizer a época em que a porta escondida em Erebor apareceria.
Com os humanos foi mais complicado, pois nunca havia visto caso semelhante. Mesmo pra um ser tão antigo, a situação dos três era novidade. Os humanos tinham esperança de Elrond ter uma resposta e logo esta acabou, restando apenas a esperança de permitir que continuassem em Rivendell.
– Isso está fora de cogitação — Disse o mago quando Fig, apaixonado pelo lugar, pediu pra que ficassem — Vocês. Fazem parte da companhia agora, e irão com ela até o fim.
Fig se sentiu no chão com a resposta do mago. Não queria sair daquele lugar, não principalmente por saber o que os aguardava. Olhou pras amigas e viu que estavam pensativas olhando pro chão, notando que elas também não tinham escolha. Vencido, apenas abaixou a cabeça e seguiu os outros de volta pra companhia, onde Thorin anunciou que preparariam os mantimentos e partiriam em três dias.
Não foi uma boa noite pro trio. Contaram tudo o que aconteceu pra Bilbo e logo ele se juntou às garotas pra consolar Fig, que chegou a chorar diante da separação iminente de Valfenda.
Elrond deu uma espada e escudo pra cada humano como presente de despedida, desejando poder vê-los novamente um dia. Mantimentos também foram fornecidos pra toda companhia.
A despedida acabou sendo mais dura do que imaginavam. Já estavam curados dos treinos de Dwalin, mas se sentiam feridos por dentro, jogados pra uma guerra onde não sabiam se sobreviveriam. Fig apenas olhou mais uma vez pra trás quando partiram no terceiro dia, olhando talvez pela última vez aquele lugar que sabia que sempre estaria em seu coração. Deixou escapar uma última lágrima e seguiu seus amigos.
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*N/R: a arte marcial é vista como um processo espiritual, mas também é uma arte de defesa pessoal com luta, vide http://www.shaolin-wahnam.org/taichicom.html
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