Notas iniciais
Olá, gente :) nos desculpem pela demora, mas a rotina de faculdade, trabalho e novos projetos está bem intensa. Quem escreve aqui é Fig, espero que gostem e não tenham desistido de nossos marotos.

A única coisa que Fig sentia era uma tremenda dor de cabeça, colocou a mão onde doía e sentiu algo pegajoso. Tremeu, não podia ser apenas a água da chuva, era sangue. Tentou abrir os olhos mas ainda estava zonzo com a pancada que recebeu. Aos poucos notou que haviam muitas vozes ao seu redor, mais que o normal e que algumas gritavam. Sua visão estava embaçada mas notou que não estava mais na trilha.

Viu que alguém estava em pé na sua frente, de costas pra si e que não usava botas, só podia ser Bilbo. Sua visão estava voltando a ficar normal e começou a ficar assustado pois Bilbo estava na defensiva com os punhos levantados, foi então que seus sentidos voltaram o suficiente pra entender o que estava acontecendo.

Seus companheiros lutavam contra orcs da melhor forma que conseguiam, estavam todos desarmados. Viu Lyn ser jogada no chão depois de receber um soco nas costas e Ori correr ao socorro da amiga, que mal teve tempo de levantar antes de ter que se defender de outro orc que tentou segura-la pelos braços, mas esse a garota conseguiu aplicar um golpe e , pelo grito do orc, Fig podia apostar que ela lhe quebrou o braço.

Procurou Mi enquanto se levantava e viu a garota derrubando um orc no chão e pisando em seu rosto. Não pôde olhar por muito tempo, pois logo que levantou alguns orcs partiram pra cima e o garoto teve que se defender. Sentia-se confuso, não sabia o que tinha acontecido e não lhe deram nem a oportunidade de parar por um momento pra que pudesse perguntar.

A cena parecia de um linchamento generalizado e obviamente a companhia de Thorin estava numa bela desvantagem, sendo acuados pra um ponto central enquanto os orcs os cercavam, estavam parecendo animais prontos pro abate. Os orcs, que iniciaram a briga por diversão, perderam a esportiva quando viram que alguns orcs foram realmente feridos pela companhia e logo sacaram as espadas, apostando diretamente pros seus prisioneiros. Sem terem alternativa, foram levados pelos seus captadores pra ir até o grão-orc.

Chegaram ao centro da montanha onde pareciam estar num grande formigueiro. O Grão-Orc se sentava num horrendo trono porcamente esculpido em madeira com alguns orcs pequenos servindo-lhe de assento para os pés. Seu trono ficava bem no meio da montanha e ao seu redor havia vários andaimes de madeira e trilhas precárias feitas de mesmo material, todas lotadas com orcs que chegaram correndo pra ver o que seu líder faria com os prisioneiros.

Os pertences da companhia foram jogados aos pés do Grão-Orc como espólios de um saque. As mochilas ainda estavam fechadas, mas as armas foram jogadas de qualquer forma à frente da companhia. Alguns orcs, ainda irados pelos companheiros feridos, usavam chicotes pra acertar os prisioneiros, um chegou a acertar o rosto de Lyn, deixando uma marca em sua bochecha como um corte.

O Grão-Orc, uma criatura obesa e no mínimo disforme, dançava e cantava atrás dos pertences da companhia, sendo seguido pelo coro de seus subalternos.

“Bate! Rebate! É opaco o buraco!

Agarra, petisca! Prende, belisca!

Descendo, descendo à cidade dos orcs

Se vai, meu rapaz!

Quebra, requebra! Esmigalha, estraçalha!

Martelos e travas! Gongos e aldravas!

Soca, soca, no fundo da toca!

Ho!Ho!, meu rapaz

Zunido, estalido! Chicote, estampido!

Bate e martela! Chora e tagarela!

Trabalha, trabalha e não atrapalha!

Em meio à bebida, alegres da vida,

Os orcs tocam no fundo da toca

Lá embaixo, rapaz!”

A companhia apenas escutava aquela criatura abjeta cantar, ficaram mais preocupados em se defender das chicotadas. Quando a musica acabou o grão-orc voltou a se sentar no trono.

– Os encontramos perto da ala leste de vigília! Conseguimos acertar alguns deles e os outros logo foram subjugados- Um orc se aproximou do líder.

– E quem são essas criaturas miseráveis? – Perguntou, sorrindo de forma maliciosa aos prisioneiros- Espiões? Ladrões?

Fig agora entendeu o que havia acontecido, foi acertado por algum orc enquanto andava e os xingou dos piores impropérios que poderia lembrar no momento, porém logo sua raiva voltou. Nada disso teria acontecido se não tivessem saído de Rivendell. Olhou ao redor e viu Mi de punhos fechados ferida no braço, imaginava o quanto a garota queria estar longe daqui, mandando Arda pro raio que a parta. Preocupou-se um pouco quando viu Lyn de cara amarrada encarando o grão-orc, com uma marca vermelha no rosto, a garota se destacava no grupo por ser a mais alta, esperava que não vissem o olhar venenoso que ela dirigia ao líder. Procurou Bilbo e o viu na frente de todos ao lado de Thorin tinha medo, mas estava seguro.

Thorin deu um passo a frente pra responder, segurando a vontade de bater naquela criatura, mas Bofur puxou o rei e se colocou a frente dele.

– Bofur, o anão, às suas ordens!- Disse, falso- Não somos nada do que nos acusa, senhor, somos apenas meros comerciantes que se perderam na trilha por um acaso do destino. Estávamos viajando para visitar nossos parentes, nossos sobrinhos e sobrinhas, e nossos primos em primeiro, segundo e terceiro grau, e os demais descendentes de nossos avós, que moram do lado leste destas montanhas.

O grão-orc riu alto, colocando a mão em sua barriga colossal e acertando seus pés nos orcs menores que usava como assento.

– Imagino, mas adoraria que me explicasse, caro anão, o que uma elfa, uma anã sem barba e um anão, ambos vestidos de elfos, têm de parentesco com vocês — Disse, apontando pros humanos — Isso, claro, sem contar com aquela criaturinha pequena ali — Referindo-se a Bilbo.

Se fosse em outra situação Lyn teria dado risada da cara de Fig e Mi, que ficaram irados com o orc, ignorou até o fato de que foi confundida com uma elfa, a franja devia estar escondendo as orelhas, mas ver seus amigos serem chamados de anões foi impagável. Bofur, coitado, não sabia bem o que responder e logo Oín entrou em seu lugar.

– Bem, senhor, essa elfa é amiga dos anões, a única — Frisou o anão ao ver o olhar de Thorin pra ele- e esses são seus companheiros de viagem, a anã sem barba viveu tempo demais entre elfos e acabou tirando sua barba , ela e o anão passaram tempo demais com os elfos, ficaram estranhos, por isso os estamos levando pra junto de nossos parentes... e o último é um Pequeno, achamos ele pela estrada.

Pelo rosto do grão-orc era claro que não havia acreditado em uma só palavra no que haviam dito. Resolveu arrancar a verdade à força e pegou Bilbo pela gola da roupa, levantando-o e deixando-o suspenso sobre a borda da plataforma, pro horror de todos.

– Acabou a brincadeira, sei bem quem são, principalmente Thorin Escudo-de -Carvalho — Disse, ignorando Bilbo que se debatia em sua mão — Sabem, não tenho muita força nesse braço... ele pode cair à qualquer momento, mas lhes garanto que a morte dele vai ser bem mais leve que a de vocês, principalmente depois da recompensa de um antigo amigo seu, anão. Embora ele pague bem só pela sua cabeça.

Thorin prendeu a respiração por um momento, o orc devia estar blefando, entendeu pela ênfase da cabeça de quem o orc falava. Azog o Profano foi morto por ele na batalha por Moria, ele tinha certeza. Foi quando ouviu um grito de um dos orcs menores. Quando o grão–orc olhou pra ver o que havia acontecido seu rosto se contorceu de raiva, os orcs haviam visto as espadas dos elfos de Gondolin de Bilbo e Thorin brilhando no chão. Reconheceu apenas a Orcrist.

– São assassinos! Malditos sejam! Quero-os mortos! — Gritou.

Logo uma forte luz cegou os orcs por um instante, enquanto a voz potente de Gandalf gritava para lutarem. Lyn correu pras bolsas e pegou a sua, de Fig e Mi, não podiam perde-las e aproveitou para jogar a espada de Bilbo pra ele, que ainda estava suspenso pelo grão–orc, que cobria o rosto com as mãos.

Bilbo conseguiu segurar sua espada mas, pro seu horror seu olhar encontrou o do grão-orc. Este, querendo ferozmente a morte de todos os prisioneiros, apenas soltou Bilbo, sorrindo deliciado enquanto observada o hobbit cair, sozinho, enquanto pensava no quanto queria infligir dor ao resto da companhia.

Notas finais
E ai? Será que tudo dará certo? xoxo, Fig.