There Alright

1 O primeiro e provavelmente, o único.


Estava indo me encontrar com o Edward na “nossa” pracinha quando vejo o MEU Edward beijando aquela vaca da Tanya. Aquilo foi um choque muito grande, afinal, além daquele cachorro estar me traindo com a garota mais vadia, aquele era o NOSSO lugar, e isso eu não ia aguentar.

Fui correndo pra casa — minha sorte é que ficava logo do lado da praça – entrei no quarto do meu pai que por um incrível acaso já foi policial e por isso mantinha algumas armadas ainda carregadas guardadas para uma emergência.

Não sei o que estava acontecendo comigo, nunca agi de cabeça quente, mas dessa vez, eu explodi, e eu não deveria. Eu não era assim: agir primeiro, pensar depois, mas no momento era o que eu estava fazendo. Só queria pensar nas consequências depois que tivesse feito.

Estava sendo inconsequente, mas eu não me importava, nada mais importava. Edward estava me traindo, meu mundo acabara, e não sei se conseguiria reconstruí-lo. Não sei se queria reconstruí-lo.

Corri como nunca antes, tropeçando menos do que o normal. Cheguei na pracinha ofegante e os vi conversando. Vi quando Tanya se curvou para Edward de novo, e atirei duas vezes, em direções diferentes, não completamente opostas, mas apenas para atingir pessoas diferentes.

Olhei para frente, para ver o que eu havia atingido. Tanya tinha uma mancha enorme na parte superior esquerda de suas costas, e Edward uma pequena mancha, que crescia rapidamente em seu ombro direito.

Não sei quanto tempo fiquei olhando para aquela cena, só sei que quando dei por mim, tinham policiais me interrogando e médicos examinando aquelas pessoas que eu odiava tanto. Mas eu não me sentia bem, me sentia mal, com um peso enorme na consciência. O que eu tinha feito?

Agora, depois de um certo tempo de choque veio a parte que normalmente vinha primeiro: a preocupação, a sanidade — que parecia ter evaporado com a cena -, o pensar nas consequências por fazer aquilo...

Eu não podia ter feito mesmo isso. Porque apesar de Edward ter me traído, eu o amava mais do que a mim mesma! A única coisa que eu posso esperar, é que ele esteja bem, e que me perdoe. É claro que a situação está invertida, EU necessitava perdoa-lo, mas eu já o havia perdoado assim que o vi. Então por que fazer aquilo? Como eu era idiota!

Os policias me algemaram e me colocaram pra dentro da viatura. Mark – o policial, que por um certo acaso é um dos melhores amigos do meu pai – veio me perguntar o que eu tinha na cabeça quando fiz aquilo. Simplesmente fiz um sinal negativo e abaixei a cabeça, as lágrimas não podiam esperar.

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10 ANOS DEPOIS

Por bom comportamento, minha pena foi diminuída para 10 anos, mas acho que eu não merecia isso. Afinal, eu matei uma garota, e podia ter matado o garoto. Penso muito naquele dia desde que aconteceu. E em momento algum disse que não fui eu. Sempre fui sincera quando se trata desse assunto. A única coisa que queria que eles aceitassem, é que eu estou imensamente arrependida.

Hoje é o dia em que volto ao mundo, mas não sei se eu quero isso. Afinal, a razão de minha existência nunca me perdoaria pelo o que eu fiz. Nunca mesmo, então que sentido tinha voltar? Poderia de bom grado ficar na cadeia por mais tempo, e tentei falar com os policiais, mas eles me chamaram de “tola” e saíram de perto, como se eu tivesse uma doença altamente infecciosa. É claro que é loucura querer ficar na cadeia, só que se você analisar minha vida, perceberá o quanto esse lugar nojento e repugnante é mais agradável do que o mundo lá fora.

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Estou andando novamente pelas ruas, a sensação de liberdade é horrível quando não se tem ocupações e você sabe que o mundo te enxerga de um jeito péssimo.

Não queria ter que voltar para cá, é perto demais de Edward, perto demais da praça, perto demais do passado que eu queria e precisava esquecer. Mas não tinha escolha, era ou isso ou isso, não é mesmo? E sabia que se eu negasse e fosse procurar outro lugar, meu pai ficaria triste, e tudo o que eu não preciso no momento é magoa-lo.

Cheguei em casa e estava tudo vazio. Fui até a cozinha beber um pouco d’água e vi um bilhete na geladeira:

“Bella, me desculpe não estar aí para te receber, mas precisava fazer compras urgentemente.

Charlie.”

Compras. Tarefas comuns que me parecem tão estranhas. 10 anos sem compras, sem parques, praças, escolas... Só um vazio e uma comida gosmenta.

Resolvi dar uma volta pela vizinhança. Estava tudo igual, e, apesar dos pesares, eu sentia falta daqui como nunca tinha sentido falta de nada antes. Parei na pracinha, sentei em “meu” banco e fiquei pensando no que eu faria da vida. Não faço isso faz um bom tempo, e tinha esquecido como era perturbador não saber. Teria que trabalhar e fazer faculdade, mas não sei mais qual. Alguma faculdade iria aceitar uma ex-detenta? Duvido muito. Assim como o emprego, um dos policiais disse que eu teria muito trabalho para arrumar um trabalho quando saísse de lá, o preconceito é grande demais e não deixa as pessoas terem chances.

Senti alguém me olhando e ignorei. Não queria companhia, e se a pessoa não viesse me incomodar, não vejo porque olhá-la.

-Bella? – tremi quando reconheci a voz, e mal tive tempo de me recuperar, senti mãos em meus ombros.

Olhei pra trás e fiquei paralisada. Edward. Minha vida. Meu passado. Minha sina. Me olhando com aqueles olhos verdes hipnotizantes, com um “Q” de alegria. Como um cego, que enxerga pela primeira vez. Mas talvez fosse só ilusão.

-Edward. – não confiava em mim mesma para dizer mais do que isso, e nem sabia o que dizer num momento desses.

-Nós precisamos conversar... – sua voz era controlada e hesitante. Sim, precisávamos conversar, odiava esse fato. Apenas assenti. – Bella, antes de mais nada, preciso saber se você me perdoa. Eu sempre quis te pedir isso, mas nunca tive coragem de te explicar, porque eu te conheço, e sei como você ia se sentir mal, mas já fazem uns meses que decidi te contar a verdade.

-Que verdade? – ele estava me deixando confusa e nervosa, ele ia tentar me dizer que o que eu tinha visto não era o que eu estava pensando?

-Naquele dia, bom, você conhecia a Tanya, e sabia tão bem quanto todo mundo que ela gostava de mim – fiz cara feia para o lembrete desnecessário, me lembrava de tudo – Ela armou Bells, armou tudo...

-Menos a minha reação e a própria morte, não é? – isso fazia sentido, e me senti uma estupida por ter pensado mal de Edward. – Como seu ombro está, afinal?

-Está bom, igual antes, na verdade... você não respondeu minha pergunta – fiz cara de interrogação – Você me perdoa, amor?

-Não tem o que perdoar Edward. Você é que tem que me perdoar, ou não. Eu desconfiei de você de uma forma absurda!

-É claro que tem o que perdoar, eu de certa forma te traí!

-Você queria ficar com a Tanya? – ele negou – Então não é traição.

-Você me conhece melhor do que ninguém, e sabe que eu considero isso traição. Eu não quis, mas eu fiz, contra minha vontade, mas eu fiz. – a cara dele estava trazendo de volta meus instintos protetores, aqueles que só apareciam quando eu estava com Edward.

-Agora, você não respondeu minha pergunta. Você me perdoa pelo o que eu fiz?

-Mas é claro meu anjo. Você não é de agir de cabeça quente, mas sempre teve tendências impulsivas quando se tratava da Denali em questão. — Dei um sorriso sem graça e assenti – BELLA, EU TE QUERO DE VOLTA!!!!!!!!!! – ele gritou tão alto que eu dei um passo para trás de susto, começamos dar risada, feito idiotas, como éramos.

-EU QUERO VOLTAR!!!! – eu gritei quase tanto quanto Edward.

Era bom estar de volta. Se Edward me amava ainda, e estava do meu lado, eu poderia superar o resto.

Notas finais
E aí? Mereço reviews?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!