The way back to you - EM HIATUS INDETERMINADO
1 Chapter I – Heaven or hell?
Caroline
“A onde você se imagina daqui a cinco anos?”
Revirei os olhos lendo aquele folheto estúpido em cima da mesa de Mike que perguntava aquela velha questão num artigo idiota sobre “sonhos e vida profissional bem-sucedida.” Ensinado como alcançar o tão almejado sucesso profissional. Amassei aquele folhetinho estúpido arremessando-o na lixeira. Essa maldita pergunta rondava a minha cabeça há um bom tempo, antigamente eu teria a resposta na ponta da língua. Faculdade de artes cênicas em Whitmore ao lado de Bonnie e Elena, depois de me formar eu sairia de Mystic Falls com destino a N.Y ou quem sabe L.A. Todas as respostas para essa pergunta era sempre a mesma.
Caroline Forbes teria um futuro brilhante!
Depois conquistaria meu sucesso profissional tornando-me uma grande atriz quem sabem com papel de protagonista na Broadway ou atuando em algum filme hollywoodino, encontraria um homem fiel que me amasse e com ele me casaria. Teria dois filhos, Annabel e Christopher e assim como num conto de fadas bobo eu seria feliz até final dos meus dias.
Embora muitas vezes o pensamento de acabar como minha mãe, sozinha criando os filhos após ser abandonada pelo meu marido, que se apaixonaria por uma amiga próxima ou baba, vivendo apenas para trabalho porque era insuportável permanecer em casa ouvindo as lamurias e reclamações dos meus filhos. E quem sabe até sofrendo de um caso grave de alcoolismo. Esses pensamentos sempre surgiam em minha mente, aquele futuro deprimentemente sempre acabava por surgir, mesmo que lutasse muito para mantê-lo guardado dentro de mim tentando ser o mais positiva possível. Sempre repetindo mentalmente que o universo guardava grandes coisas para mim como ser uma grande atriz de sucesso ou apenas uma mulher casada com filhos, mas feliz.
Nada disso aconteceu como eu imaginava. Eu não poderia controlar meu destino como pensava. Eu não poderia controlar o que ele reservava para mim. Morrer aos dezessete anos, ser transformada em vampira e ver meus sonhos de maternidade escorrendo pelo ralo. Perder pessoas que amava no percusso, nunca chegando a ser amada realmente por alguém, além é claro minha mãe. Ou sendo expulsa da minha cidade natal por viajantes extremistas que desejavam todo poder existente em Mystic Falls para si.
Nada disso fazia partes dos meus planos.
É agora lá estava eu, numa cidade vizinha a Mystic Falls, num lugar que eu nunca desejava passar perto a não ser que fosse pra uma viajem qualquer. Presa num emprego que detestava apenas porque não conseguia terminar nada que começava.
Eu até tentei ser positiva como sempre. Tentei manter a cabeça erguida e recomeçar outra vez, mas nada saiu como eu imaginava. Contrariando todas as expectativas todos seguiram com suas vidas, cada um de uma forma diferente.
Elena estava cursando o terceiro ano do curso de medicina, estagiando num hospital. Ela estava focada em salvar vidas e usava seu “pequeno dom” assim como Meredith para salvar o máximo de vidas possíveis. Elena aos poucos achava seu próprio caminho, para ela cada pessoa que ela salvava a acalentava aquela que não conseguimos salvar.
Jeremy por outro lado estava no mesmo barco que eu, tinha regredido no tempo e voltado a ser o garotinho rebelde mas, pelo menos, tinha terminado o ensino médio. Passava quase todo seu tempo livre com uma garota metaleira chamada Cody trabalhando numa loja de discos.
Já Alaric tinha voltando a lecionar. Ele assim como Elena pareciam ter enfiado a cabeça no trabalho para esquecer de tudo. Porque eu imagino que era no mínimo confuso voltar a vida e perder o melhor amigo no mesmo dia.
Porque contrariando todas as expectativas nos não conseguimos trazer Damon e Bonnie de volta. Era injusto pensar na quantidade de vezes que Bonnie se sacrificou por alguém, ou morreu para trazer alguém de volta. E agora nada podia ser feito para trazê-la de volta o universo era mesmo um grande sádico. Eu sei que deveria aceitar, era o que meu psiquiatra dizia, alias eu tranquei minha faculdade de artes cênicas e me aventurei em algo que tinha muito mais haver com minha vida – psicologia.
E apesar dos conselhos de minha mãe e Alaric dizendo que eu não levava o menor jeito para coisa. Eu acabei gostando cada vez menos quando fui diagnosticada com uma “crise existencial” nas palavras de Chris, meu psiquiatra somando a minha doença por controle. Ele sempre me confortava explicando que era apenas uma fase passageira em minha vida, embora eu duvida-se de suas palavras já que se passaram três anos onde eu me afundava mais e mais naquele papel de garota perdida e indecisa que não combinava em nada comigo.
Não conseguia terminar nada, tranquei mais uma vez esse curso. E agora estava ali sendo secretaria, empregada numa galeria de artes e não tinha a menor ideia do que fazer da minha vida. Exceto por hoje!
Fui até o meu lugar predileto naquela pequena cidade adorável, que por vezes me lembrava de Mystic Falls, principalmente em Emory Village onde o bar de Emma estava. Era o único lugar onde eu podia ser eu mesma sem precisar fingir sorrisos ou um senso incomum de responsabilidade para não preocupar meus amigos. Dirty Perdition, era nada mas nada menos que uma boate velha que era ponto frequente de motoqueiros, e de vez enquanto dava ótimos shows com bandas desconhecidas
Era um tanto deprimente admito, meu lugar preferido na Druid Hills ser um bar como um nome como aquele. Mas na verdade era ali que eu passava o resto do meu tempo. Quando estava cansada de tentar fazer algo com algum significado como ser uma boa amiga para Elena e Alaric sendo uma ouvinte exemplar ou tentando frear as tentativas de autodestruição de Jeremy.
No final do dia, quando ia para aquele barzinho, eu bebia e dançava descontroladamente e só voltava para casa quando dia amanhecia. O que não era problema já que ninguém esperava por mim. Soltei meu cabelo e tirei o blazer colocando no banco. Me sentei no bar e antes que eu abrisse a boca Emma me entregou um daqueles drinques coloridos com azeitona e guarda chuvinha vermelho.
— Dia difícil?
— Péssimo — confessei entornando a bebida
— Por que ainda insiste em trabalhar lá?
— Por que.... É um trabalho legal — menti. Emma arqueou a sobrancelha fina e desenhada com rena em descrença.
— Legal? Trabalhar com Mike Thompsons?
— Okay, é mesmo uma droga — admite — Mike me assedia quase todo tempo e quando me nego a isso, meu dia se reduz em trazer cafezinhos para ele.
— Se odeia tanto aquele emprego por que continua?
— Porque eu tenho que fazer alguma coisa da minha vida.
— E não pode ser algo que goste? Isso é algum tipo de autopunição por algum pecado? Não tem mais nada que goste de fazer?
— Beber?! — estendi o copo pra que ela o enchesse
— Ser alcoólatra não é bem uma ocupação, sabia disso? Se bem que….
— Se bem que o que Emma?
— Podemos fazer de seu vício uma solução — explicou ela rindo da minha expressão de extrema confusão — Por que não trabalha aqui? Summer pediu demissão ontem, então tem uma vaguinha caso esteja interessada.
— Ser garçonete? — inquiri com mais desanimo do que queria transparecer.
— Garçonete não, aqui por acaso e alguma lanchonete? Estou oferecendo a vaga de bartender como ou bartendergirl como eu gosto de chamar. Festas, bebidas músicas e belas mulheres — arregalei os olhos, Emma riu — Ou belos homens vai dá sua preferência.
— Eu não sei Emma. Mike e um idiota mas…
— Você é quem sabe quais são suas prioridades — ela entornou uma bebida quando um cara pediu e sorriu pra mim
— Quem sabe receba uma grande promoção? Em vez de servir cafezinhos e limpar a bagunça sirva outra coisa.
Respirei fundo entornando outro gole, fulminei Emma com os olhos, ela deu o melhor do seu sorrisinho zombeteiro em resposta. E o pior é que ela tinha mesmo razão. Fui pra pista e comecei a dançar, na verdade eu mais me contorcia do que dançava. Alguns caras tentavam aproximar-se, mas os afastava em seguida e quando não adiantava os compeliam a ficar bem longe. Horas depois restando apenas eu de cliente. Emma começava sua faxina noturna me pedindo que ajuda-se a colocar as cadeiras em cima das mesas. Ela trocou as músicas dançantes e sem letra ligando sua velha jukebox procurando por Joan Jett ou algum rock feminista progressivo, mas para minha total surpresa ela colocou justamente a banda que eu mais odiava no mundo: Bon Jovi. Me sentei aborrecida querendo destruir aquela jukebox velha.
— O que foi não curte rock princesa?
— Não! — Emma pareceu realmente ofendida com minha afirmação, era quase um pecado dizer a ela que The Runaways não era maior banda que existiu — Quer dizer, gosto. Mas não dessa banda.
— Ahãm — ela retrucou com meio sorriso
— Ahãm, o que?
— Aposto que essa banda te traz velhas lembranças ou melhor a faz lembrar de alguém? Ou melhor do seu ex? — quase engasguei com amendoim que comia. Emma por vezes me lembrava de Bonnie com aquele seu dom estranho de adivinhar as coisas, ela bateu em minhas costas rindo.
— Não é nada disso — tossi — Era um cara ai, mas ele era apenas meu amigo.
— Era não é mais, por acaso ele morreu? — assenti com cabeça depois neguei veemente, ela franziu a testa confusa.
— Ele foi embora, esta por ai agora.
— Certamente com alguém?
— Sim certamente com alguém. Mas isso não tem nada a ver, eramos apenas amigos, alias ele era meu melhor amigo.
— Mesmo? — afirmei com cabeça irritada — Okay se você diz.
Ela ignorou meus protestos aumentando Livin' On A Prayer até o último, começando a cantarolar e junto com Brandon fazendo uma guitarra imaginara.
— Hein, vai vir me ajudar ou não? — revirei os olhos me arrastando até ela
— Você está sendo excessivamente folgada hoje sabia?
— Folgada eu? Eu te dou quase todo meu estoque de uísque e tequila de graça e você ainda reclama? — retrucou rindo
Sem muita escolha eu ajudei Emma e Brandon a fechar aquela espelunca. Acompanhei Emma até sua moto, ela ofereceu uma carona até em casa, recusei gentilmente com desculpa que precisava tomar um ar para organizar minha vida e pensar em sua proposta. Ela pareceu não acreditar em nada, mas deu ombros colocando seu capacete partido com sua moto barulhenta zumbindo pela rua. O dia já estava amanhecendo a essa altura, estava caminhando devagar pela rua, quando o som estridente da sirene da viatura policial me assustou, me escondi automaticamente, não queria que Matt me encontra-se saindo aquela hora e naquele estado. Ele insistiria para levar-me ate em casa e faria um de seus discursos sobre como eu estava levando minha vida.
Corri o máximo que pude em direção ao Garden park, era raro encontrar algum animalzinho por lá, exigia muita sorte e concentração para isso mas estava com muita sede se demorasse mais um pouco no bar eu temia que Emma acabaria sendo meu café da manhã. Não iria doer, eu a curaria logo em seguida. Mas fui embora, quando meus olhos ficaram vidrados em sua jugular, sua veia pulsando sem eu pescoço pálido. Respire fundo tentando controlar a mim mesma, com uma voz bem conhecida se repetindo em meu subconsciente antes que eu fizesse algo que me arrependeria depois.
Estava correndo atrás de um coelho, que estava incrivelmente rápido ou poderia ser minha letargia matinal levando o melhor sobre mim, por causa do meu estado acabei por tropeçar em um galho dando de cara com chão, tentando alcançá-lo. Me virei relutante para cima, sem coragem de me levantar permaneci deitada olhando para o céu para as sombras que as árvores projetavam.
Fique ali deitada ainda faminta, mas sem ânimo algum para correr atrás do possível perna longa. Fechei os olhos exausta esperando sentir em breve os raios de sol contra minha pele pálida, mesmo que não fizesse lá grande diferença era um reflexo humano querer sentir o calor do sol logo ao amanhecer algo que sentiria falta por toda a eternamente. Quando abri meus olhos novamente não era a luz brilhante e alaranjada do dia que me esperava e sim um par de olhos castanhos escuros me fitando com sorrisinho presunçoso que eu realmente detestava.
— Olá Linda, pelo visto está perdendo jeito pra coisa — Enzo zombou, não me dei o trabalho de respondê-lo. Suspirei exasperada fechando os olhos o ignorando, mas sabia que não funcionaria.
Enzo encostou-se numa árvore e colocou as mãos no bolso, ficou parado ali em silêncio. Ele tinha ganhado aquela mania, aparecia do nada e ficava calado, parecia como uma assombração persistente e irritante o que me irritou a princípio, sempre mandava ir embora sumir da minha vista, mas ele nunca obedecia. Mas depois da partida de Stefan, quando falhei em ajudá-lo a superar sua dor e nada além da saudade de casa e daqueles que eu amava me dominava, sempre surgindo em companhia a um velho amigo meu, sentimento de fracasso por não ser como Elena e ser razão para ele ficar amargando meus dias.
Não queria admitir a ele ou a ninguém, mas acabei me adaptando a ele. Não dizíamos nada, as vezes ficava por horas assim, sem se quer olhar um para outro. Mas não me sentia tão solitária quando ele estava por perto. Enzo suspirou abri os olhos por um momento, ele tirou uma bolsa de sangue estendendo-a para mim. Mas não peguei, queria apenas fechar os olhos e dormir quem sabe pra sempre.
— Pensei que estivesse com sede?
— Eu estava, mas passou assim de repente. Acho que foi quando olhei pra sua cara — ele maneou a cabeça rindo
— Okay, então eu vou levar de volta — ele fez menção de guardá-la no bolso mas me levantei me apoiando nos cotovelos e erguendo a mão para ele, que sorridente me ajudou a levantar, demorando tempo demais para largar meu braço que prontamente tirei dele pegando logo o que me interessava uma bolsa suculenta com meu tipo favorito B positivo. Suguei quase de imediato. Enzo bateu o ombro no meu, franzi a testa o encarando.
— Um obrigado viria bem agora.
— Obrigada por que? Não pedi que me seguisse muito menos que me trouxesse isso. O que espera um beijo de agradecimento? — ele assentiu — Então vai morrer esperando
— Eu já estou meio morto caso não se lembre Goldilocks e não seria problema nenhuma para mim esperar a eternidade por você — declarou ele colocando uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha o que me fez revirar os olhos em resposta — Até quando vai fazer esse voto de castidade e virtude? Não é como se a gente nunca…
— Cala boca — ordenei irritada — Foi só um beijo, alias foi você que me beijou a força. Se aproveitando do meu estado…
— De bêbada desolada porque seu amado Stefan foi embora, eu não levou você — ele retrucou — Sabe o que ele deve estar fazendo agora? Provavelmente com alguma outra garota…
— Eu não dou a mínima para isso — menti desviando os olhos para o chão com medo que amargura em minha voz me denunciasse. Ele começou a rir ou melhor ele gargalhou se aproximando de mim tomando meu rosto entre as mãos
— Você menti muito mau, sabia? — disse entre risos — Eu sei que ainda liga para ele todos os dias.
— Eu ligava, ou seja, não ligo mais — empurrei suas mãos para longe de mim e comecei a andar. Ele correu até mim agarrando meu braço e roubando um beijo meu. E mesmo não tendo ninguém a ser fiel simplesmente não conseguia me entregar a ele o empurrei sem gentileza, o deixando desconcertado e comecei a andar.
— Ele deixou você, quando vai deixá-lo também? Já faz dois anos Caroline, quando vai se dar conta que ele não vai voltar, ele não dá a mínima pra você. Quando vai se tocar que ele nunca vai pensar em você como pensa nela?
Ele gritou me deixando imóvel por alguns segundos, até que sentisse o gosto salgados das lágrimas que já rolavam por meu rosto. Corri antes que ele pudesse me alcançar novamente, não queria ouvir mais nada. Limpei a boca com as costas da mão querendo tirar aquele gosto dos lábios. Não queria e nem iria me apaixonar de novo.
Damon
Em 1856, oito anos antes da chegada da bela mulher responsável por destruir minha vida e de Stefan. Oito anos antes da minha morte, antes que os dois irmãos Salvatore se transformassem em criaturas das trevas prometendo se odiar pela eternidade. No ano em que Lily Salvatore sucumbia a tuberculose. Quando um Damon humano assim como qualquer outro ser de Mystic Falls refletia sobres questões de vida e morte enquanto o corpo de sua mãe jazia dentro de um caixão escupido de madeira polida e seguia em direção a cripta onde seus avós a esperavam.
Na época onde vida pós-morte era apenas uma grande bobagem, mesmo não sendo um grande devoto de deus ou forças superiores que protegiam e velavam pela humanidade. Ele acreditava assim como todos, que a morte era o fim, o ponto final. Diferente de seu irmãozinho que se desmanchava em lágrimas acreditando tolamente em um céu a espera das almas boas como a de sua mãe. Acreditando que ela estaria em algum tipo de paraíso, ganhando asas de anjos olhando por ele.
Ele não teve coragem de concordar com seu pai e dizer que aquilo não passava de uma grande bobagem porque ele ainda era apenas um garotinho desolado pela perda da mãe. Destruir a imagem de paraíso celeste a espera dos justos e puros de coração era crueldade demais para sua versão humana.
Mas agora ele sentia vontade de gritar com a voz infantil de seu irmão descrevendo o paraíso. Dizer o qual enganado ele estava porque não havia paraíso algum a sua espera. Ele estava preso numa imensidão branca. que as vezes refletia um céu coberto de nuvens, com os ecos de sua própria voz enlouquecendo-o lentamente. Um lugar onde a noite jamais chegava, onde o sol parecia não existir.
Ele não tinha ideia de pôr quanto tempo ele estaria ali, não sabia que horas eram, nem mesmo que dia. Não fazia ideia se já tinha se passado um ano, ou apenas um dia desde que havia morrido. Era simplesmente o nada. Depois de seu ato de sacrifício ele esperava algo melhor ou apenas diferente daquele marasmo nublado. Mas é claro que ele estava errado sobre isso também.
Fechei os olhos e por um momento desejei estar lá, nem que fosse apenas por um dia. Rever Elena só mais uma vez, beijá-la como se não houvesse amanha. Encontrar meu irmãozinho deitando em sua cama melancólico ou escrevendo em seu diário. Custei a entender que aqueles desejos era agora impossíveis. Naquele lugar infernal não existia saída, nunca sairia dali. Então ódio e amargura se apossaram de mim quando cheguei a conclusão que era isso a droga da eternidade. Seria aquilo a droga do paraíso ou seria inferno? Condenado a passar a maldita eternidade ali?
— Não acho que tenha a eternidade aqui — Bonnie surgiu ao meu lado fazendo jus assombração que era.
Suspirei desanimando por ela ter me achado, mesmo sabendo que era inútil fugir dela. Aquele maldito lugar parecia não ter fim, mas parecia encolher sempre que tentava fugir de Bonnie, sempre acabávamos juntos novamente.
— Não começa — ameacei.
— Acho que isso aqui não é bem o final de tudo.
— Não, claro que não. Daqui a pouquinho vão surgir anjos do senhor nós levando para o céu — retruquei irritado ela deu ombros — Isso aqui e fim Bonnie. Que parte dos mortos e presos pela eternidade você não entendeu?
— Isso não é o fim Damon — ela teimou com olhar distante cheio de esperança e confiança.
— Você ainda tem esperanças em voltar, não é? — me levantei impaciente, não sumi porque sabia que tropeçaria com ela.
— Sim, eu tenho! Não de voltar isso eu já nem penso mais — confessou — Mas não pode ser apenas isso que nos aguarda.
— É não é mesmo. Nós somos seres sobrenaturais, se um dia sairmos daqui será direto para o inferno.
— Você com certeza iria pro inferno — retrucou rispidamente
— Eu? Como pode ter tanta certeza Bon-Bon? Afinal fui eu que acabei com toda a bagunça a e de quebra tive um belo ato de nobreza… Troquei minha vida pelo do meu irmãozinho.
— Oh claro! E engrandece mais ainda esse seu gesto de altruísmo com você falando dele o tempo todo. Você se sacrificou por alguém que amava Damon — ela riu com desdem — Sabe quantas vezes fiz isso? E olha só — ela fez um gesto olhando para o redor — Eu estou pressa nesse lugar, com a última pessoa que eu desejava no mundo.
Fiquei calado refletindo aquilo. Então quer dizer que não importava o que fizemos de bom porque só o que contava era o que fizemos de ruim enquanto vivo. Tudo o que pesa na maldita balança da justiça e o que fizemos de errado. Acabei rindo ao me dar conta disso, Bonnie que se mantinha calada de braços cruzados encarou-me curiosa.
— Qual é graça?
— Você. Olha só como é a vida Bonnie… Você foi uma boa garota sua vida inteira, se sacrificou por todos e ainda sim, está aqui presa no neste… Lugar comigo. Mesmo com todos seus atos de nobreza o que contou mesmo foi sua soberba em querer ser a bruxinha mais poderosa de Mystic Falls.
— E você acha graça disso?
— Claro, afinal me dei conta que aproveitei muito mais do que você. Ainda bem que não perdi meu tempo tentando fazer o bem — ele ironizou
— É claro, por que fazer o bem? Por que tentar salvar, ou se importar? Realmente foi algo estúpido da minha parte tentar trazer Jeremy para que você não tivesse que lidar com uma Elena desenfreada, sem sentimentos que não dava a mínima pra você.
Ela se levantou furiosa, agradeci aos céus por ela não ter mais nenhum tipo de magia além é claro aquela de surgir do nada e ler meus pensamentos. Porque podia jurar que ela me daria uma boa dor de cabeça.
— Se alguém merece o inferno, esse alguém é você. Mesmo agora, mesmo depois de tudo você não liga e nem ao menos se arrepende por tudo que fez, pelas pessoas inocentes que matou apenas por estar entediado, por atazanar a vida do seu irmão porque não conseguia ser infeliz sozinho.
Ela cuspiu olhando-me com total desprezo. Não consegui me conter, voei para cima dela apertando seu lindo pescocinho, ela não se intimidou nem por um segundo, com sorriso sinistro nós lábios ela segurou minhas mãos.
— Eu vou…
— Vai o que, me matar? — ela riu com desdem — Eu já estou morta Damon. Nós dois estamos e não há mais nada o que se fazer. Então use a eternidade nesse lugar para repensar tudo que fez.
— Por quê, e pelo quê eu faria isso? Por Elena, ou Stefan? — soltei uma risada amarga — Ele deve estar consolando ela, ela já deve ter si dado conta que ainda o ama. Devem estar na cama agora.
Bonnie me lançou um olhar de pena. Me empurrando com força.
— Você não os conhece mesmo não é? Eu ia dizer Damon, para mudar pra si mesmo… Porque eu sei que um dia você vai enlouquecer tendo que conviver consigo mesmo. Aceite esse conselho de alguém que tem que aturá-lo todos os dias.
Ela deu um leve tapinha nas minhas costas com sorriso zombeteiro nos lábios antes de se deitar no chão com as mãos flexionadas atrás da cabeça fechando os olhos como se estive tomando um belo banho de sol acabando com qualquer chance de tranquilidade mental que eu pudesse ter naquele dia.
(...)
Entrei em silêncio, eram seis da manhã, pensei que todos estavam dormindo ou melhor Jeremy e Alaric. Por que Elena mau ficava em casa agora, era difícil encontrá-la em casa a qualquer hora do dia. Quem diria que um dia moraria com eles? Que seriam minha única companhia. Tirei os sapatos, logo na entrada. Estava cansada, mas não queria ir dormir pois sabia que choraria como todas as noites. Fui até a cozinha e Jeremy estava sentado na mesa fitando o copo vazio.
— Jeremy, já acordado, caiu da cama hoje? — ele não se deu o trabalho de responder, agiu como se não estivesse ali. Me sentei a sua frente o mesmo não desviou os olhos do copo – Jer
— Quantas vezes vai ser necessário que eu peça para que pare de me chamar assim?
— Me desculpe. É apenas força do hábito — justifiquei, tentei ficar calada. Mas queria conversar com alguém, quem sabe ele finalmente se abrisse — Jeremy.
— Caroline…
— Eu só queria conversar Jeremy, saber se você está bem.
— Eu estou ótimo, nunca estive melhor. Quantas vezes tenho que te dizer isso? — exclamou exaltado.
— Até que seja verdade.
— Quer a verdade Caroline — ele suspirou exasperado passando a mãos pelos cabelos — Você não é minha irmã, não é minha parente não é nada minha! Pare de tentar controlar minha vida, pare de tentar ser a Elena, ela não se importa comigo há muito tempo, então chega! Me deixe em paz — ele berrou.
E saiu quase correndo sem olhar para trás nem mesmo por um segundo. Fiquei ali imoveu tentando não chorar feito uma idiota por concordar com ele. Ele estava certo, eu não era Elena, não era sua irmã. Nem mesmo entendia o porquê queria fingir que falar sobre tudo nos ajudaria. Comecei a soluçar, levei as mãos no rosto tentando me controlar, quando senti uma mão em meu ombro num gesto de conforto que apenas serviu para dor no peito aumenta-se. Alaric deu um dos seus sorrisos clássicos de conforto, quando ergui a cabeça tentei sorrir de volta mas falhei.
— Alaric
— Está tudo bem — ele me envolveu em um abraço desajeitado — Eu entendo.
— Eu só queria ajudá-lo…
— Eu sei — ele afagou meu cabelo, tentando me confortar — Talvez ele só precise de tempo.
— Já se passaram Dois anos… Ou três eu nem me lembro direito.
— Cada um tem seu próprio jeito de lidar com a dor…
— Mas não deveria ser assim, deveríamos estar enfrentando todos juntos. — a sucessão de soluços me e impediu de continuar. Alaric me abraçou mais forte
— Sente muito a falta dele não é?
Não consegui responder. Me forcei a parar com aquela cena ridícula Alaric não tinha obrigação alguma de me confortar. Quebrei aquele abraço desajeitado gentilmente forçando um sorriso que não o convenceu.
— Obrigada por me ouvir Alaric — ele assentiu com a cabeça — Eu acho que vou dormir agora… Boa noite… Quer dizer bom dia.
— Boa dia Caroline.
Me arrastei até meu quarto, me despindo desajeitadamente das minhas roupas. Embaixo do chuveiro eu chorei, abraçada ao meu joelho. Temia que as lágrimas não parassem, depois de tê-las guardado tão bem nesses últimos tempos. Depois de vestir um pijama confortável me arrastei para cama sendo engolida pelas cobertas em posição fetal. Mas sabia que era inútil tentar dormir antes de fazer a ligação, peguei meu celular e liguei, nem se quer sabia se esse ainda era seu número ou se ele ouvia as centenas de mensagens. Mais uma vez ele não atendeu, fiquei em silêncio sem saber o que dizer.
“Stefan, eu sei que nem esculta mas essas mensagens, mas se um dia… Escutar, eu queria saber de você… Queria ouvir sua voz. Eu sinto tanto sua falta, sem que já disse isso nas outras centenas de mensagens antes dessa mas eu queria que estivesse aqui hoje… Porque eu sinto sua falta.
Enviei antes de dizer o que queria por acidente. Mas não liguei novamente, ele nunca escutaria mesmo.
Stefan
Mais uma vez o barulho estridente e irritante de seu celular ressoava pelo quarto. Ele olhou de esguelha para o aparelho que brilhava, mas logo deixou de tocar. Ele se sentou na beira da cama olhando o celular, quando pegou se deitou olhando para foto na tela tendo uma ligação perdida e uma mensagem de voz a sua espera.
Pensou em apaga-las de uma vez, não querendo ouvir. Mas sabia que não conseguiria. Apertou o botão e fechou os olhos quando escutou a voz do outro lado. Era ela mais uma vez, ela nunca desistia. Todas as noites naqueles dois anos que partira ela ligava, as vezes era apenas uma boa noite, outras vezes sua voz estava embargada ela pedia que ele voltasse.
Seu coração quebrava cada vez que sua voz chorosa implorava por ele. E mesmo sendo egoísta, tinha medo de um dia, numa noite qualquer olhar para o lado e seu celular não tocar. Tinha medo que ela desistisse dele, era egoismo de sua parte. Mas não conseguia dormir sem antes escutá-la. Escutou a mensagem e mesmo não querendo aquela dor que ele tentava esquecer, tentava enterrar viajando pelo mundo, procurando alguma forma de trazer de volta seu irmão, ou simplesmente quando tentava apagar seu fracasso na jugular de alguma garota.
Mas todas as vezes que ela retornava, todas as lembranças voltavam. Jogou o celular longe mas logo se arrependeu e o pegou de volta. A tela agora quebrada, com rosto dela desfragmentando sorrindo para ele. Suspirou em desistência colocando novamente a mensagem, queria adormecer ouvindo sua voz de novo e de novo.
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