Notas iniciais
Hey, gente!
Faz muito tempo que não escrevo uma one, então perdoem a falta de prática, ok? kkkkkkk
Boa leitura! :3

Tic tac tic tac tic tac...

Seus olhos acompanhavam os ponteiros do relógio se moverem, segundo por segundo, minuto por minuto, enquanto seus ouvidos tentavam prestar atenção no som que seu funcionamento provocava. De alguma forma, observar o relógio pendurado na sala de jantar estava muito mais interessante do que ouvir a conversa que se desenrolava bem ao seu lado.

Devia ter algum problema. Algum distúrbio mental ou coisa do tipo. Não havia outra explicação para o que acontecia em seu corpo daquele momento, não era normal. Aquela sensação que se instalara e decidira montar acampamento em sua mente e em seu coração nos últimos tempos andava irritando-a profundamente.

O homem sentado ao seu lado, conversando com seus pais, poderia defini-lo como o sonho de qualquer garota à procura de amor. Porém, como sua mãe costumava dizer, aparentemente ela “não era todo mundo”, porque simplesmente não conseguia sentir que seus sonhos se realizavam ao lado dele.

Ian era incrível, tanto por dentro quanto por fora. Era sensível, abria a porta do carro para ela todas as vezes em que saíam, assim como a elogiava sempre que a via. Ele cumpria todas as promessas que lhe fazia e nunca a deixava esperando. Era charmoso, conquistava facilmente as pessoas ao seu redor, todos o achavam cativante, incluindo seus pais, de quem era muito próximo.

Todas as suas amigas falavam em como ela era sortuda por ter ganhado seu coração dentre tantas concorrentes, em como tinham inveja de sua sorte. Pobre rapaz, com tantas pessoas disponíveis, fora entregar seus sentimentos à única que nunca poderia retribuir com a mesma intensidade. Ele a fazia se sentir confortável, feliz até, talvez. Mas Ian nunca seria aquele cara.

Voltou à realidade quando sentiu o toque quente da mão dele sobre a sua. Seu rosto automaticamente se moveu, mirando a face sorridente do garoto de cabelos negros e olhos azuis. Por um segundo imaginou cabelos rosados e olhos verdes ao invés. Piscou e logo depois a imagem desapareceu, levando consigo um suspirou e trazendo um sorriso fingido. Ian nunca percebia a falsa veracidade de seus sorrisos. Não que estivesse tão magoada que não conseguia sorrir. Apenas não sentia vontade. Não sentia nada. Não com ele, pelo menos.

Sentia-se mal por enganá-lo, ele não merecia, era um bom rapaz. Alguém para casar, seus pais diziam, ter uma família, muito diferente do garoto problemático e sem futuro que ela namorara antes de Ian. O problema era que ela não parava de pensar naquele garoto problemático.

Natsu era problema, definitivamente, repetia em sua mente como um mantra que deveria funcionar para trazê-la de volta à realidade. Natsu era um erro, um desvio de trajeto em sua vida que apenas a atrasara. Então por que sentia tanto a sua falta?

— Lucy estava me contando outro dia sobre quando o senhor serviu no exército. Não é mesmo, amor? — ouviu Ian dizer para seu pai. Apenas acenou positivamente. Novamente seus pensamentos viajaram para os tempos passados. Natsu nunca a chamava de amor, ele dizia que aquilo era uma frescura, que não precisava chamá-la daquele modo para que ela soubesse que ele a amava. Sacudiu a cabeça discretamente, decidida a não continuar daquele modo, precisava focar-se no jantar e tentar talvez participar da conversa, tirar seus pensamentos de Natsu. A partir de então, as horas pareceram ter minutos a mais de tão longas que se tornaram.

Sabia que talvez não devesse, mas sentiu-se aliviada quando viu o carro de Ian partir. Estava cansada de fingir, cansada de enganá-lo e enganar a si mesma tentando colocar em sua mente que conseguiria ser feliz ao lado daquele homem. Estava cansada da estabilidade, da previsibilidade. Sentia falta do inesperado, de quando as coisas não eram simplesmente fáceis. Devia estar ficando louca.

Eram duas da manhã e estava amaldiçoando o nome de Natsu enquanto fitava o teto do seu quarto, deitada na cama, tentando dormir, pois aquele idiota não saía dos seus pensamentos. Chovia forte naquela noite. A chuva sempre fora como um sonífero natural para ela, mas naquela noite em questão nem mesmo o barulho da água batendo no telhado da casa a ajudava a dormir.

Repentinamente ouviu um barulho na janela do quarto. Imaginou que fosse apenas a chuva, porém os sons continuaram insistentemente. Bufando, levantou-se, e ao abrir a janela franziu as sobrancelhas, deparando-se com o garoto encharcado de cabelo rosa à sua frente.

— Ei — ele a cumprimentou, sorrindo enquanto gotas pingavam do seu cabelo. Pareceu quase como se ele tivesse lido seus pensamentos. De tanto pensar nele, Natsu apareceu.

— O que está fazendo aqui? — Lucy perguntou. Seu coração acelerou quando fitou por um milésimo de segundo os lábios do garoto. Seus beijos costumavam ser devastadores, não eram calmos como os de Ian, e como sentia falta da tempestade que provocavam em seu interior.

— É assim que você recepciona um velho amigo, Lucy? — Dura verdade. Havia concordado em continuar com a amizade quando terminaram. O problema era que a atração entre os dois era forte demais para que conseguissem ser apenas amigos.

— Está chovendo muito. Você enlouqueceu?

— Sério? Nem percebi. Não, não enlouqueci. Ainda — respondeu sarcasticamente. Lucy bufou, saindo do quarto pela janela, sentindo imediatamente o toque frio das gotas de chuva em contato com seu corpo quente. — O que está fazendo? É melhor ficar lá dentro, vai acabar pegando um resfriado.

— Então tudo bem você ficar na chuva, mas eu sou muito frágil pra isso?

— Não foi isso que eu quis dizer, Lucy. Droga, por que você sempre tem que transformar as coisas que eu digo numa discussão?

— É você quem está dizendo isso — rebateu.

— Esquece. Não importa. Faça o que você quiser, não faz diferença.

Lucy cruzou os braços, observando-o. Fazia já um tempo que não se viam, seis meses, mais precisamente, porém Natsu não mudara nada. Seu sorriso principalmente, continuava exatamente o mesmo.

— O que veio fazer aqui? — a loira perguntou.

— Só conversar — Natsu respondeu, colocando as mãos nos bolsos da calça. — Senti falta da minha amiga. Pensei que você estaria dormindo, sabe, com sono depois da conversa entediante daquele seu namorado.

— Como sabia que ele estava aqui? — questionou, franzindo a testa.

— Eu não moro longe, Lucy. Tenha que passar por aqui algumas vezes para ir pra casa, e conheço o carro dele, que por acaso está sempre estacionado em frente à sua casa — Natsu desviou o rosto. — Aquele cara parece uma sanguessuga que grudou em você e não sai mais.

Poderia ter sido apenas impressão sua, mas notara uma pontada de ciúmes na voz de Natsu.

— Ele gosta de estar presente, só isso.

— Fico surpreso dele ainda não ter te pedido em casamento. Ele não pediu ainda, não é? — Natsu perguntou, voltando-se novamente para Lucy, receoso.

— Não. Ainda.

— Aposto que não vai demorar. Mas era o que você queria, certo? — sugeriu, sua voz agora parecia triste. — Casamento, uma casa com um jardim, três filhos, talvez um animal de estimação. Ele é o cara pra você.

— Talvez — Lucy respondeu sinceramente, recostando-se na parede. Natsu ergueu o olhar, fitando-a curioso.

— Como assim “talvez”?

— É só que... — suspirou, sem acreditar no que estava prestes a dizer. — Ele não é você.

Natsu se aproximou alguns passos, fazendo o coração de Lucy palpitar mais rápido.

— O que quer dizer?

— Ele é calmo até demais. Sinto falta das brigas, das gritarias, da montanha-russa de emoções, ora sentindo raiva, ora saudade — moveu seus olhos para o céu, sentindo os pingos caindo em seu rosto e um sorriso tímido brotando. — Sinto falta de beijar na chuva. Você era louco, complicado, muitas vezes frustrante. Você era o cara errado, o erro. Tentei fugir desse erro e agora sinto falta dessas coisas. Sinto falta da forma como era com a gente.

Não percebeu até ele estar muito próximo de si que Natsu sorria abertamente. Também não se deu conta de como seus lábios estavam perto um do outro daquele instante, e mesmo que tivesse não teria feito além de fechar seus olhos e sentir novamente aquela sensação intoxicante causada pelos beijos de Natsu. Quando deu por si, suas mãos estavam no pescoço quente do garoto e as dele em sua cintura, puxando-a contra seu corpo, contra suas roupas encharcadas pela chuva. Em sincronia perfeita com o beijo intenso veio o som de um trovão. A tempestade de emoções que ele provocava nela sendo estava sendo reproduzida exteriormente também.

Quando ele separou seus lábios foi apenas para poder falar o que estava entalado em sua garganta desde o segundo em que se separaram, aquilo que até então nunca tivera coragem de dizer.

— Quer saber o verdadeiro motivo de eu ter vindo aqui hoje? — Lucy fez que sim. — É porque os últimos seis meses têm sido insuportáveis. Eu sinto tanto a sua falta que às vezes fica difícil respirar. Você estava com tanta raiva quando me deixou que eu nunca tive coragem de dizer o quanto eu me arrependo de termos acabado. Quando te vi com aquele cara pensei que você estivesse finalmente feliz, que não precisava mais de mim, e contanto que estivesse feliz eu ficaria bem. Só que, com você me dizendo que ele não é suficiente, percebi que eu estava errado. Eu sei que sou o cara errado, Lucy, mas você não quer o certo, você não quer o fácil, e quer saber? Você está certa. Não há alegria no fácil, não há nenhuma graça em algo sem desafios. É por isso que você precisa escolher a mim, porque você precisa da gritaria, da montanha-russa de emoções, da loucura, das frustrações. Porque você precisa dos beijos na chuva. Porque eu quero você no melhor e no pior. Porque eu esperaria o quanto fosse pra ter seu coração. Porque eu vou ser o cara que irá quebrar seu coração, não dá para escapar disso, você sabe que nunca vai ser perfeito, mas também vou ser aquele que irá fazer de tudo para consertá-lo todas as vezes, porque eu quero você para sempre, porque eu amo você, Lucy.

Natsu estava certo. Completamente e insanamente certo. Não queria o cara certo, não queria o fácil. Queria a loucura e tudo o que tinha direito junto dele. Queria Natsu.

— Então... acho que o lance de ser amigos não vai dar certo, não é? — perguntou sorrindo e pressionando sua testa contra a dele. O garoto sorriu de volta, interpretando a resposta como um “eu quero você também, seu idiota”.

— Não, definitivamente não vai — Natsu respondeu, beijando-a novamente. — Acho que seus pais vão querer te matar. Você sabe o quanto eles me adoram. Vão amar me ter de volta na família.

— É, com certeza, mas provavelmente irão querer matar você primeiro.

Natsu suspirou com um pensamento surgindo em sua mente.

— Eu me apaixonei pela filha de um ex-militar, onde estava com a cabeça?

— Não há alegria no fácil, não há nenhuma graça em algo sem desafios, não é? — Lucy comentou, sorrindo.

— Não roube minhas frases, Heartfilia — comentou em tom de brincadeira, roubando os lábios de Lucy novamente. Ou melhor dizendo, tomando de volta aquilo que sempre lhe pertencera. Afinal, sendo da forma que fosse, seus corações sempre pertenceram um ao outro. Iriam errar muito ainda, com certeza, mas que dali para frente errassem juntos e aprendessem a consertar seus erros juntos. Porque essa era a forma que amavam um ao outro.

Notas finais
Bom, é isso... apenas uma pequena estória criada na inspiração da madrugada : )
Digam se gostaram, ok? :D
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!