The warmth of Winter
13 Uma nova compatível
Notas iniciais
Lizzy desde o começo da viagem se focara em me ensinar mais sobre seus poderes, o que me causava grande desgaste, todavia eu jamais reclamava, aquilo não era nada perto do que os outros exorcistas passavam, se eu desejava ajuda-los, não poderia fraquejar perante algo tão pequeno. Depois de algum tempo, eu já me aprimorara em reconhecer a presença de akumas, a localizar inocências e a compreendê-las, e a usar o poder de implantar e modificar memórias, mesmo que eu o achasse antiético e desonesto, porém de acordo com ela essa era uma habilidade extremamente útil e necessária. Coração também deixara comigo a responsabilidade de esconder sua presença. Já que para todas as outras inocências quando não estavam ativadas elas não eram “perceptíveis”, pelo menos, não para akumas, Noahs e outros exorcistas, uma vez que se eu realmente me concentrasse poderia encontrar qualquer inocência e até mesmo ativá-la, isso, contudo não se aplicava a coração, ela estava sempre ativa, mas até agora havia encoberto sua presença através de seus próprios poderes, era como criar um escudo a nossa volta, que nos deixava inacessível para os outros, porém se eu me desconcentrasse, ou se chegasse ao meu limite, não conseguia mantê-lo, obviamente nesse caso ela tomaria o controle, já que estava fora de questão deixar que os Noahs soubessem sobre nós.
– Você tem certeza? Questiona Kanda arqueando uma sobrancelha.
– Sim, eu venho aprimorando minhas habilidades e posso dizer, mesmo a essa distância, que tem uma inocência em Le Har… Consultei novamente o mapa. — Le Havre.
Quando senti a presença da inocência ativa, imediatamente comuniquei ao general, ele decidiu que deveríamos ir atrás dela, mesmo que isso nos atrasasse para encontrar Allen. No momento nos encontrávamos em um trem rumo a Brighton, para de lá pegarmos um barco até Le Havre, onde procuraríamos pela inocência.
– E você sabe o que ela faz? Pergunta o moreno.
– Ela tem uma forte ligação com plantas, de algum modo, ela é capaz de manipula-las, mas o que exatamente, eu não sei.
Conforme nos aproximávamos, eu tentava obter mais informações da inocência, ela estava em um broche em formato de rosa, escolheu isso por sua afinidade com flores, suas habilidades eram grandes, uma vez que era capaz de atuar na natureza e fazê-la se voltar contra seu alvo. Percebi também que havia muitos akumas se aproximando dela, todavia eles eram destruídos, o que era um alívio. Repassei todas as informações a Kanda, para que estivéssemos preparados quando aportássemos.
Demoramos a chegar ao nosso destino, por essa razão, decidimos encerrar o dia cedo, jantamos e fomos direto pra cama. Na manhã seguinte, acordamos cedo, tomamos café e fomos a procura da inocência.
– Se nos encontrarmos com akumas, eu vou sim lutar.
– Você só vai atrapalhar, mantenha-se distante e se necessário, crie um escudo. Rebate o general.
– Não, não, de jeito nenhum. Não me dispense desse jeito, foi você mesmo quem me treinou, sabe que eu estou preparada para lutar. Ele suspira irritado, produzindo seu habitual tsc.
– Eu reparei mesmo, no quão preparada você está. Seu comentário fez meu rosto corar.
– Aquilo foi totalmente diferente, e eu não estou dizendo que pretendo sair por aí atacando tudo que ver na frente. Só não quero ter de ficar fugindo como uma criança indefesa, se eu posso me defender, não tem motivos para não fazê-lo, isso iria apenas duplicar o seu trabalho. Estávamos nesse embate desde que deixamos o hotel, e ficaríamos pelo resto do caminho, se não fosse pela cena chocante que vimos na praça central.
– Isso é obra da inocência? Pergunta o moreno, visivelmente pasmo.
– É… Minha voz sai incerta, limpo a garganta e tento novamente. — É sim, mas, bom, eu não sei por quê? Termina soando como uma pergunta.
Eu nunca estivera ali antes, porém eu podia afirmar que a praça não era daquele jeito, no exato momento, ela estava parecendo uma enorme estufa, com árvores crescendo de todo lado para todo lado, flores multicoloridas e diversas frutas acresciam a peculiaridade do cenário. Observamos durante um longo tempo, o que levara a inocência a redecorar a cidade, transformando-a em uma verdadeira floresta, me pergunto.
– Vamos encontra-la de uma vez. Diz Kanda, voltando a andar, eu o sigo, contudo não consigo tirar os olhos da enorme variedade de plantas.
– Kanda! Chamo, segurando seu braço. — Akumas. Aponto com a cabeça a direção.
– Devemos estar perto. Fala o moreno, me passando para trás de si e sacando a Mugen.
Entendo sua mensagem, mesmo contra a minha vontade, me afasto, por sorte não eram muitos, apenas um level 3 e três level 2, corri para trás de uma árvore e me concentrei na inocência. Os gritos das pessoas da cidade me distraem, fecho os olhos e tapo os ouvidos.
– Lizzy! Consegue encontra-la? Questiono, me focando na imagem do broche.
– Ela está em uma área sem vegetação… Nós duas forçamos nossa mente ainda mais, e por um momento, somos a inocência, há uma leve ondulação, um sentimento de estar flutuando, o Sol está nos atingindo em cheio, e então voltamos à praça.
– A praia. Diz Coração.
Percebo que o que nos trouxera de volta foi uma explosão, um Akuma acertara o outro lado da árvore que usei de refúgio. Inclino-me para o lado procurando pelo general, ele combate o último level 2, decido por abandonar meu esconderijo.
– Ela está na praia. Falo, quando ele destrói o Akuma. — E… Penso na melhor maneira de lhe contar isso.
– E? Incita Kanda.
– Há um compatível. Sussurro em resposta, por um momento a expressão do general fica neutra, mas logo seu rosto volta a máscara irritada.
– Um compatível? O que pretende que façamos com um compatível? Indaga bravo, olho para o lado, incapaz de encara-lo.
– Poderia vir conosco. Respondo com um fio de voz, e ainda sem olhar para seu rosto.
O silêncio que se segue acaba fazendo com que eu tenha de olha-lo, me arrependo no mesmo momento, ele deve ter feito de propósito, sua expressão era no mínimo acusadora.
– Você sabia disso á quanto tempo? Engulo em seco, e começo a torcer uma mecha de cabelo em torno de meu dedo.
– Algum. Digo, desviando o olhar novamente.
– Vamos. Ele conseguira empregar naquela única palavra um verdadeiro iceberg.
Fico responsável por ir à frente, já que sou eu quem sabe o caminho, durante todo o percurso, me pergunto se não deveria ter lhe contado desde o começo, afinal, eu descobri sobre a compatível junto com a inocência, contudo não tenho como corrigir isso agora, e estou com verdadeiro medo de falar com Kanda, não por achar que ele faria algo comigo, mas não quero imaginar como o clima poderia ficar mais pesado entre nós.
– Aqui foi o lugar onde a senti pela última vez. Falo apontando a praia.
Se eu não me sentisse tão mal por ter mentido para ele, eu estaria dando pulinhos, pois essa é a primeira vez que venho à praia, mesmo assim, sinto uma enorme vontade de experimentar a areia e a água, porém não deixo transparecer.
– Onde está agora? Pergunta o moreno, varrendo a areia com os olhos.
– Lizzy?
– Ela parece ter deixado a praia, agora ela está perto de plantas novamente.
Viro-me e encaro a encosta coberta por uma densa quantidade de árvores, é, sem dúvidas ela foi para lá, suspiro me lembrando da minha última experiência em um local parecido, sem contar que ali o terreno seria completamente acidentado, enquanto que a floresta do pássaro tinha apenas aquele declive.
– Lá. Digo apontando para a encosta, o general não fala nada, mas sinto que ele está tão empolgado quanto eu para desbravar a floresta, e o pior, é pelo mesmo motivo, ele já está pensando em como garantir que eu não role barranco abaixo novamente. — Vamos. Tento soar confiante.
A copa das árvores ficava metros acima de nossas cabeças, tampando assim a luz, lá dentro poderia facilmente ser noite o que dificultava muito a caminhada, eu precisava andar olhando para o chão, mas não podia deixar de verificar se não havia nenhum galho ou folha em que eu pudesse esbarrar, acabei tropeçando um pouco e enganchando em alguns ramos, a temperatura também caíra consideravelmente, dificultando um pouco a respiração. O problema eram os aclives, depois de no máximo duas subidas quase horizontais, o general decidiu que eu não era capaz de segui-lo sem ajuda, e passou a me guiar pela mão, em alguns momentos praticamente me rebocando, eu não tentara contraria-lo, realmente não conseguiria subir algumas daquelas ladeiras sem ajuda.
– Vamos descansar. Fala o general, quando adentramos uma clareira, eu sabia que ele não precisava do descanso, queria dizer o mesmo de mim.
Sentei em um tronco caído na sombra, encostei a cabeça em uma árvore próxima e adormeci momentaneamente.
– Você deve estar com sede. Sobressaltei-me com a voz de Kanda. — Deve ter um lago próximo. Diz, examinando o interior da floresta com os olhos.
Demorei algum tempo para entender o que ele falava, eu tinha acabado de cochilar, não estava raciocinando, água é uma boa ideia, pensei ainda aturdida, não, Lizzy gritou, me assustando novamente, qual o problema das pessoas com o meu estado de torpor.
– Akumas! Não muito longe. Ralhou ela, ah, eu queria água, pensei inconformada. — Eles estão perto da compatível, Fuyuki.
Aquilo finalmente me acordou, levantei do tronco, já gritando e correndo para dentro da floresta.
– Akumas, por aqui. Eles estão atrás da inocência.
O moreno me alcançara em segundos, mas manteve o meu ritmo, que era constantemente interrompido quando eu tropeçava ou ficava presa em um ramo, contudo, seguimos adiante muito mais rápido do que no começo. Só que a proposta de Kanda momentos atrás me lembrara de algo, eu estava morrendo de sede, e de fome também, não podia dizer ao certo, mas apostava que estávamos na floresta a cerca de três horas, para chegar até lá, devemos ter gastado em torno de uma hora e meia, então devia fazer um total de cinco horas que não comíamos e bebíamos nada, seria facilmente suportável para uma pessoa normal, em condições normais, todavia, nós dois usávamos muita energia graças a nossas inocências e estivéramos andando esse tempo todo, sem contar que antes de entrarmos na floresta, estava um calor insuportável. Eu sabia que aquilo só representava um empecilho para mim, o general era bem capaz de passar dias sem comida, bebida ou descanso, os exorcistas eram acostumados a lidar com a adversidade, por essa razão não fiz nenhum comentário, eu também podia aprender, decidi.
Fale com o autor