Notas iniciais
Boa leitura = D

Layla Foster POV

Você deveria comer alguma coisa. Levanto meus olhos para o loiro, como espera que eu seja capaz de comer, penso inconformada, no entanto, me contento em lhe dar um olhar cansado e voltar a encarar a lareira.

Fuyu havia se tornado um fantoche, ela andava quando a mandavam andar, sentava quando a mandavam sentar e não fazia absolutamente nenhum som, seus olhos pareciam de vidro, sem brilho e sem vida. Já se passaram dois dias e nada mudou, parece que algo dentro de si morreu, e não importa o quanto tenhamos tentado, ela continua impassível.

Fuyuki-san, você quer comer algo? Não sei como Daniel consegue continuar tão calmo, ele insiste em falar com ela e trata-la como se estivesse normal.

Ela não se mexe e não responde, continua olhando fixamente para a frente, como se fosse um boneco de porcelana, ouço um suspiro e Akihiko se levanta.

Fuyu-chan, coma, você precisa comer. Ele aperta a mão dela, o que a faz virar seus olhos inexpressivos a ele, sinto um arrepio percorrer meu corpo e viro meu rosto, sou incapaz de encara-la.

Levanto-me e saio da sala, não consigo mais respirar direito, parece que de repente o local se tornou muito abafado. Assim que chego ao jardim, sento-me na grama e olho o horizonte, imagino que não estou muito longe de me tornar um boneco igual a Kanashiro.

Ei, loira. Viro-me desinteressada, não sei por que, mas desde o primeiro momento não gostei desta garota. — Dá raiva, né?

Olho-a sem entender, ela se senta ao meu lado e fita o horizonte, solta um longo suspiro e se joga no chão.

Dá ultima vez que ela ficou mal, passou uma semana dormindo, eu tinha me machucado, e ela me curou, obviamente ela curou eles dois também, mas as feridas eram menores. Eu assumi que a culpa era minha e não consegui de jeito nenhum me obrigar a ficar com ela. Eu estava morrendo de raiva de mim mesma por não conseguir ficar ao lado dela, quer dizer, se ela tava naquele estado por minha culpa, o mínimo que eu podia fazer era ficar ao lado dela.

Daniel me disse que Fuyu não pensava assim, ele disse que ela jamais iria querer que sofrêssemos, então se ficar ao lado dela me fazia mal, ela preferiria que eu não o fizesse.

Ela girou, parando de frente para mim, apoiou o cotovelo no chão e a cabeça sobre a mão.

Eu ainda invejo eles, quer dizer, o Kanda parece não se afetar com nada, o Daniel parece sempre acreditar que as coisas vão se resolver e o tal Akihiko parece muito chegado a Fuyu, mas em compensação…

Ela se levantou abrindo um enorme sorriso e se espreguiçando.

Nós duas podemos fazer coisas que eles jamais poderiam sequer sonhar, como dormir com a Fuyu ou ajuda-la a trocar de roupa. Ela me deu uma piscadela, e mesmo contra minha vontade, acabei rindo, que espécie de vantagem maluca era essa.

Ela já terminou de comer, mas parece que seu vestido ficou sujo, até agora eu tenho ajudado-a, mas uma ajuda seria bem vinda. Diz a morena já voltando para dentro, detesto admitir, porém ela tem razão, somos as únicas que podemos fazer essas coisas por Fuyu.

Sigo para dentro da pousada, mas sinto o clima mudar assim que chego a sala.

COMO ASSIM?!? Beatrice estava parada logo na entrada com uma expressão estupefação.

Senhorita Beatrice, você precisa entender… Começa o loiro, mas ela o interrompe, indo como um furacão em direção ao general.

E você pretende deixar isso? Me pergunto o que perdi em tão pouco tempo.

Kanda desvia os olhos, desinteressado, eu detestava quando ele agia deste jeito, então posso entendê-la, parece que ele nos olha de cima, isso é tão irritante.

ME RESPONDA! Exige a morena, agarrando a gola dele, engulo em seco, ele agarra o pulso dela e a empurra suavemente, apenas para afasta-la.

Fui eu quem decidi. O rosto da Fontana se torna lívido, ela fica onde está, com a boca escancarada e os olhos arregalados.

O moreno parece notar minha presença, se vira para mim, sinto meu sangue gelar, o que quer que seja não é boa coisa, penso já sentindo um suor frio escorrer por meu pescoço.

Fuyuki irá com ele, nós vamos todos para a Inglaterra e de lá eles irão para a casa dele. Imagino que meus olhos tenham ficado do mesmo tamanho que os da morena, como assim, vamos simplesmente entregar Fuyu de bandeja para o Ichinose.

NÃO! Digo num surto de coragem, como ele ousa simplesmente abandona-la desta maneira. — Eu sei que para você ela não passa da inocência coração e quem sem isso ela é inútil, mas você não pode me obrigar a abandona-la.

Sinto-me orgulhosa de mim mesma, até que vejo a expressão do general, ele parece armar algo, sinto uma nova onda de medo me invadir.

Na verdade, eu posso. Ele dá mais alguns passos, parando a centímetros, sua expressão é letal. — Se, se recusar a seguir minhas ordens, irei entrega-la a ordem, sob a acusação de fuga e desobediência a uma ordem direta de um superior, acho que consegue imaginar o que farão a você.

Por alguns segundos não respiro, ele então se afasta e deixa a sala, por longos minutos nenhuma de nós se mexe e nem fala, estamos chocadas demais para isso.

Ele está preocupado. Nós duas nos voltamos para o Smutter, eu nem reparara que ele continuava na sala. — A senhorita Fuyuki tossiu sangue. O duque Ichinose a estava alimentando e então ela começou a tossir, ela não parava, parecia estar até mesmo perdendo o ar, e de repente, quando ela tirou a mão da frente, sua mão estava cheia de sangue.

O loiro parou, engolindo em seco, de alguma maneira o clima parecia ainda mais pesado que antes, meu coração batia tão rápido que no exato momento, era eu quem estava com dificuldade de respirar.

Tosse com sangue é algo perigoso, afinal, significa que a um problema interno, o que não é nada fácil de resolver, principalmente no estado letárgico em que ela se encontra, Fuyuki-san nem ao menos pareceu notar.

Senti meus olhos marejarem, aquilo não podia ser verdade, aquilo tinha que ser um pesadelo.

O duque Ichinose disse que a senhorita Fuyuki precisava ser examinada imediatamente, foi então que Kanda-san decidiu que o melhor era que ela fosse com ele. Daniel parecia indeciso se continuava ou não.

Tem algo mais que você não está nos dizendo. Exige Beatrice, olho dela para ele.

Vocês irão se sentir mal se ouvirem isso. Olhamos uma para a outra e voltamos a fita-lo.

Ainda assim, eu quero saber. A morena concorda com a cabeça, ele suspira, parecendo desolado.

Fuyuki-san deve ir sozinha com ele, pois a inocência está apenas agravando o quadro dela.

Disso já sabíamos, na verdade, a inocência é quem criou o caso dela. Rebate a Fontana.

Não a dela. Diz o loiro, não mais alto que um sussurro, sinto meus olhos arregalarem, então de fato fora minha culpa, eu me aproximar de Fuyu, apenas piorou seu quadro.