The warmth of Winter
41 Para alcançar você
Notas iniciais
Meu coração batia tão rápido que parecia querer sair do peito, como Kanda era capaz de matar um animal tão fofinho? Tento me afastar o máximo possível, porém ele segura minhas mãos, fazendo com que eu não possa soltar a lança.
– Olhe.
Chacoalho a cabeça de um lado para o outro, ainda sem abrir os olhos, me aperto ainda mais contra ele, sabendo que ele vai me fazer virar e encarar a pobre raposinha.
– Tsk. Ele solta a lança, solto-a também e aproveito para me agarrar a ele, realmente não quero ver esta cena.
O moreno puxa meus ombros me separando dele, mantenho-me agarrada a sua camisa e de olhos fechados, ele suspira de novo.
– É assim que pretende se virar sozinha? Abro só um pouquinho um de meus olhos, de alguma maneira sua expressão não parece dura, mas sim irônica, como se achasse graça de algo. — Você nem mesmo quer se soltar de mim.
Sinto meu rosto ficar tremendamente vermelho, o solto dando diversos passos para trás e me virando, a minha frente vejo uma armadilha aberta e nenhum sinal de raposa, viro-me de volta.
– Não a matamos! Digo feliz, sentindo um enorme alívio.
Ele suspira novamente, rio, eu devia imaginar que ele não me obrigaria a fazer isso.
– Obrigada. O general aproxima seu rosto parando a centímetros do meu.
– Eu já te disse isto antes, quando eu aceitei que você me acompanhasse, sua segurança se tornou minha responsabilidade, então goste ou não, não vou deixar você sair da minha vista tão fácil, afinal, você parece adorar se meter em problemas.
– Não é verdade! Reclamo ofendida. — É só que… Bom, os problemas é que devem gostar demais de mim. Eu nunca procuro problemas.
Aceno com a cabeça como que para confirmar o que digo, o moreno arqueia uma sobrancelha, como se duvidasse do que digo, penso em continuar a tentar convencê-lo, contudo, um vento frio termina fazendo com que eu espirre.
– Viu, você até mesmo sai na chuva, como que pedindo para ficar resfriada. Diz ele, de modo propositalmente irônico, fazendo-me sentir ultrajada.
– Isso não é… Outro espirro interrompe minha frase.
– Vamos. Fala Kanda, se abaixando e recuperando a lança, ele a entrega a mim e depois agarra meu pulso me puxando consigo, como um sinal de que está encerrando nossa conversa.
Suspiro exasperada, mas o sigo, espero que Aki e Natsumi se mantenham em silêncio sobre esta historia de guardião, aposto que o general aceitaria sem pensar duas vezes, chacoalho a cabeça tentando afastar este pensamento da minha cabeça.
– O que foi? Pergunta o espadachim, parando de supetão.
O encaro sentindo meu rosto empalidecer, enquanto procuro freneticamente por alguma desculpa razoável, será que ele nunca deixa passar nada?
– Timcanpy! Digo, finalmente achando algo útil. — Ele está com você, certo?
– Sim, porém ele está completamente destruído. O moreno suspira irritado, fazendo uma careta. — Aquele maldito Apocrypho o destruiu. Afinal, o que é aquela coisa?
– Ah, verdade, você o encontrou, mas não foram exatamente apresentados, né? Kanda confirma com a cabeça.
Como havíamos voltado a andar, a esta altura já estávamos na entrada da casa, disse a ele que iria trocar de roupa e depois te explicaria, acabamos passando a noite em claro, enquanto eu lhe contava sobre algumas de minhas descobertas e também meu plano de trazer Tim de volta.
##
– Bom dia! Fala Bea, ao me ver, abrindo um enorme sorriso.
– Bom dia.
– Eu achei que você não fos… Continua, se aproximando de mim. - Ah, você acordou. Completa parecendo murchar.
Rio, olhando de um para outro, o sentimento parece recíproco, porém não consigo compreender este antagonismo.
– Está indo tomar café? Indago à morena.
– Sim, acho que agora você ira comer conosco, né? Ela da uma olhadela para o general, esperando que ele se sinta culpado por ter me monopolizado, volto a rir, realmente não compreendo os sentimentos de Beatrice.
Seguimos para a sala de jantar, a Fontana compartilha comigo tudo de interessante que descobriu sobre a mansão Ichinose e seus moradores.
– Fuyu-chan! Aki se levanta assim que abro a porta, sorrio para ele. — Que bom que decidiu se juntar a nós.
Sinto meu sorriso vacilar, adentro a sala e novamente se repete a mesma cena de Beatrice, ao colocar os olhos em Kanda, Akihiko também parece desapontado, tento engolir a risada.
– Kanda! Nós dois nos viramos, e vejo Johnny se levantar e correr em direção ao moreno. — Você se recuperou, isto é ótimo! Os médicos estavam realmente pessimistas.
– Esta idiota me curou. Diz o espadachim apontando para mim.
Por um momento tudo fica silencioso e no seguinte há a maior balbúrdia, todos com exceção de Johnny, reclamam indignados com Kanda, enquanto o pobre Gill, tenta argumentar que fora apenas um jeito de falar, o general continua completamente impassível a toda reclamação, enquanto eu apenas rio da cena, realmente vou sentir falta disto, paro de rir, vou sentir muita falta deles, penso, sentindo meu coração se apertar, levo a mão a meu peito tentando me acalmar.
– Hey! Tem alguém aí? Layla passava a mão em frente a meu rosto, tentando chamar minha atenção.
– Sim, desculpe, estava distraída.
– Estou feliz que ele esteja melhor. Olho surpresa para a loira, eu não os colocaria no patamar de amigos, Lala nunca o perdoou pelo treinamento cruel. — Você não iria se juntar a nós enquanto ele não melhorasse, então não me restava nada a não ser rezar para que ele melhorasse logo.
Isso sim se parece mais a Foster, penso voltando a rir.
– Estou feliz que estejamos juntas novamente. Falo, sorrindo e pegando sua mão. — Eu não tive chance antes, mas gostaria de te dizer. Eu sinto muito, muitíssimo mesmo, por tê-la deixado para trás.
Por um momento olhamos nos olhos uma da outra, todas nossas lembranças de infância voltando com força total, nossos passeios, nossas brincadeiras, nossos segredos, então simplesmente nos abraçamos, sem precisar de mais nenhuma palavra para fazermos as pazes.
– Eu também quero um abraço! Diz Beatrice de modo manhoso.
Rio e me afasto de Lala, abrindo os braços para a morena, que me abraça forte, me tirando do chão, não consigo evitar um gritinho por causa da surpresa.
– Eu também queria… Ouço Aki sussurrar, então o abraço também.
No fim, termino por abraçar Lenalee, Daniel e Johnny também, uma vez que estão todos a minha volta. Aproximo-me de Kanda, mas paro, me lembrando do que ele dissera ontem e voltando a sentir minhas bochechas ficarem quentes.
– Você está com febre? Pergunta o Smutter se aproximando e pondo a mão em minha testa. — Não, mas seu rosto está tão vermelho, que estranho.
Sinto que isso só o fez ficar mais vermelho ainda, Bea me dá um olhar desconfiado e depois desata a rir, abaixo a cabeça me sentindo extremamente sem graça, sem nem saber exatamente o porquê.
– Vejo que você finalmente acordou. Viro para a porta e me deparo com Natsumi-san. — Isto é ótimo, agora poderei explicar tudo em…
– NÃO! Todos me olham, volto a sentir meu rosto corar. — Você, você… Você disse que iria me emprestar um vestido, eu quero vê-lo, agora.
Percebo que ninguém acreditou em minha péssima desculpa, mas saio arrastando a morena da sala, de jeito nenhum vou deixa-la falar com Kanda.
– Você não pretende chama-lo para ser seu guardião? Eu achei que fosse a opção obvia, mas então quem será? Uma das garotas, ou o Smutter?
– Ninguém! Falo parando e a encarando. — Eu peço que não insista neste assunto, darei um jeito de me virar sozinha, agora, se realmente quer me ajudar, poderia me contar tudo que sabe sobre mim e sobre esta guerra.
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