The warmth of Winter

4 O despertar de coração


Notas iniciais
Boa leitura = )

Tem certeza que você já está bem? Pergunta uma das enfermeiras.

Estou sim, obrigada. Acordei em uma maca na enfermaria da Ordem, ninguém sabe dizer o motivo exato de eu ter desmaiado e não acharam nada de errado comigo, então recebi alta, mas as enfermeiras me encheram de recomendações e continuaram preocupadas.

Brigitte Fey, a assistente do supervisor geral havia vindo nos buscar, seguimos ela até a sala de controle, onde eu finalmente ficaria sabendo mais sobre a Inocência, e também se eu de fato era compatível, o general e Kanda tinham ido resolver alguns assuntos particulares, me dissera Layla.

Duas novas compatíveis de uma vez, isso é muita sorte. Prazer, sou Komui Lee o supervisor de ciências. Bem vindas!

Layla Foster, prazer.

Kanashiro Fuyuki, prazer em conhecê-lo. Digo um pouco tímida.

Acompanhamos o supervisor até uma plataforma flutuante, ela nos leva para o andar mais baixo da Ordem, chego a crer que adentramos o subterrâneo, e então novamente sensações estranhas se apoderam do meu corpo, dessa vez me irrito, dentro de minha mente travo uma batalha, não posso desmaiar de novo, o que há de errado comigo, por que sinto que estou perdendo o controle, consigo reunir toda a minha força e fechar minha mente para aquela sensação.

Mais uma vez temos em mãos um Deus. Olhei sobressaltada para cima, havíamos parado, e acima de nós tinham homens vestindo capuzes pretos sentados em altas cadeiras, foi um deles que disse isso.

Vocês possuem a inocência de Deus. Procurei a Foster para rirmos juntas, mas seu semblante era sério.

Esses são os comandantes gerais, vocês devem mostrar a eles seu valor.

Mal ele terminara de falar um tentáculo me agarra, levantando-me do chão, gritei desesperada, percebi que Layla continuava no chão me encarando pálida, porém no momento em que vi o que, ou melhor, quem, tinha me levantado, foi como se recebesse um banho de água gelada, de alguma maneira, era como eu estivesse acordando, pela primeira vez em minha vida, realmente acordando, um turbilhão de emoções passou por mim, nenhuma delas, contudo, pertencia a mim. Todas memórias de outras pessoas, memórias que datavam de mais de mil anos, em sua grande maioria eram memórias tristes e dolorosas, memórias de uma única guerra.

Hevlaska. Não reconheci a voz que saiu de meus lábios, mas meu cérebro a registrou como a mesma que havia gritado no dia do ataque, espera, eu me lembro do ataque.

Coração!? Diz a sacerdotisa, e aquela única palavra clareia minha mente, sorrio placidamente. — É você.

Dentro de minha mente ouço uma voz, a mesma que havia acabado de falar com Hevlaska, percebo que, de alguma maneira, não tenho o controle sobre meu corpo, a gentil voz me diz que não me preocupe, me sinto acalentada.

Komui, finalmente a encontramos. Fala a profetisa, me colocando no chão. O moreno me encara estarrecido, mais alguns flashes passam por minha cabeça, mas são empurrados para o fundo da minha mente.

Quem é você? Questiono internamente.

Eu sou a inocência coração, diferente das outras, eu tenho consciência.

Era você, quem eu ouvi naquele dia, foi você, quem salvou Layla. Lentamente meu cérebro liga os pontos.

Sim, me desculpe não aparecer antes, eu achei que lhe causaria problemas, você parece estar aceitando muito bem.

Eu conheço você, e confio em você. Mesmo que não saiba por que. O que são todas essas memórias?

São as memórias das inocências, ou melhor, dos compatíveis. Suas memórias, seus sentimentos, suas experiências, você pode acessar todas elas. O pesar em sua voz era tangível.

Fuyuki, você… O supervisor fica sem palavras. — Você é… Ele se vira para Hevlaska. — A inocência coração. Sussurra.

Fuyuki, a sua inocência é extremamente especial… Começa a profetisa.

Eu, me lembro. Choque passa por seu rosto.

Como poderia… De alguma maneira sua expressão demonstra ainda mais surpresa. — Ela, ela não está mais aí, você tomou esse corpo. Demorei alguns segundos a entender, a inocência todavia foi mais rápida.

Claro que não, Fuyuki continua aqui. Estamos… Dividindo o espaço. Rio do modo como ela fala.

Depois de aceitarem que de fato tanto eu quanto a inocência habitávamos o mesmo corpo, nem podia culpa-los por duvidar, era algo muito bizarro, Komui pediu a Layla que guardasse segredo sobre o que ouviu, e me levou para sua sala, ele contatou diversas pessoas, aproveitei esse tempo para conversar mais com a coração. Ela sugeriu que eu não tentasse “ver” nenhuma memória, com o controle que tinha agora provavelmente acabaria por liberar todas de uma vez, e desmaiaria novamente, isso explicava muitas coisas, como os meus desmaios, e as vozes que ouvi. Explicou-me também que, eu não possuía uma arma anti-akuma, armas forjadas a partir da inocência e as únicas capazes de destruir os akumas, mas em compensação eu teria outros poderes, fez questão porém, de deixar bem claro que ela só iria me ensina-los aos poucos e se eu estivesse preparada, pelo que disse, eles iriam me desgastar e se saíssem do controlo poderiam até mesmo acabar me destruindo.

Fui liberada pelo supervisor que me disse que logo pela manhã os outros chegariam, e então começariam os testes. Como prometido, fui acordada logo que o Sol nasceu, assim que cheguei à sala, a inocência fez questão de me dar sua opinião sobre cada um que estava lá, conforme eles me eram apresentados, no local se encontravam os chefes das filiais asiática e americana, e Leverrier, as opiniões dela sobre o último eram bastante ácidas, contudo, preferi deixar para tirar minhas próprias conclusões. Eles me encheram de perguntas, e depois decidiram fazer alguns testes, percebi que todos tinham ficados decepcionados ao descobrir que eu não podia lutar, ou melhor, eu não tinha uma arma, pois na verdade, eu me sairia muito bem em batalha, outra vantagem da minha inocência é que, ela aumentava meus reflexos e minha velocidade e força.

Os dias se seguiram praticamente iguais, teste com a inocência, exames físicos e de sangue, avaliações de “compatibilidade”. Os resultados não me importavam, mas coração sempre queria saber deles, ela também tinha outras exigências, todas relacionadas a minha saúde, de acordo com ela, de agora em diante eu teria de tomar o dobro do cuidado comigo mesma, pois a energia demandada pelo seu uso era enorme, o que significava que eu teria de comer em dobro, dormir em dobro, praticar exercícios, se possível até mesmo treinamentos de combate, e sempre carregar algum alimento comigo, de preferência algo com alto valor energético.

Quando eu não estava fazendo testes, tinha tempo livre, já havia falado com alguns exorcistas, e conforme eu os conhecia, a inocência me permitia acessar algumas memórias e sentimentos, percebi que quando estava perto de algum, principalmente quando conversávamos, eu não tinha controle sobre esse poder, então seus sentimentos vinham para mim, mesmo sem meu consentimento. Preferia passar a maior parte de meu tempo com a Foster, ainda não tinham designada a ela um general, perguntei sobre isso a coração, todavia não obtive resposta.

Notas finais