The warmth of Winter

2 Lembranças amalgamadas


Vocês sabem o quanto isso é perigoso, sem contar claro o fato de que estavam espionando. Nós cinco sorrimos amarelo, depois do meu salvamento o diretor nos arrastou para uma sala e começou seu sermão. — Agora vão direto para o refeitório.

Caminho em silencio, os outros discutem entre si os últimos ocorridos, eu porem não consigo evitar a sensação estranha de nostalgia que me acomete.

Layla, o diretor esta lhe chamando. Olho preocupada para minha melhor amiga, o que ele ainda podia querer com ela, me dando um sorriso reconfortante ela deixa o recinto.

Depois de terminar de comer sigo para meu quarto, arrumo a cama e decido ler, acabo por dormir novamente.

Parece que eu não posso te deixar sozinha por cinco minutos que você dorme. Resmunga a loira se sentando no pé da cama. — Fuyu, o que você faria se eu deixasse o orfanato?

Te seguiria até o fim do mundo. Digo a abraçando.

Eu sei que prometemos sempre estar juntas, mas e se isso não for possível? Sua expressão me entristece.

Nós planejamos nosso futuro juntas, e eu vou fazer de tudo pra que ele seja como sonhamos. Aperto sua mão, ela me abraça e suspira.

Eu não sei o que aconteceu, mas uma certeza eu tenho, o que quer que seja tem a ver com aqueles dois, porém prefiro esperar ate que Layla me diga o que esta acontecendo, depois decido como prosseguir. Conforme o dia corre minha preocupação só aumenta, a Foster está completamente distraída, quebra pratos, erra pedidos, queima comidas e derruba coisas, percebo então que a ideia de esperar não é a solução.

Senhor Rens, eu gostaria de sair mais cedo hoje.

Certo, vai sair agora? Percebo que ele não se incomoda, agradeço por nunca ter me atrasado, faltado ou saído mais cedo nesses dois anos.

Se possível. Sorrio timidamente.

Claro, você merece uma folga, vá resolver seus assuntos, até amanhã. Agradeço e corro para o vestiário.

Depois de me arrumar saio à procura dos dois, como a cidade não é muito grande tem apenas um hotel e duas pequenas pousadas, vou primeiro ao hotel, mas eles não estão lá, escolho então pela pousada mais próxima do orfanato, e se mostra a escolha certa.

Com licença. O senhor de cabelos desgrenhados está sentado desenhando o jardim.

Ora, se não é a gata de Cheshire. Será que ele não podia esquecer isso, penso comigo mesma.

Kanashiro Fuyuki. Falo sentando-me a seu lado.

Froi Tiedoll, prazer em conhecê-la.

Prazer, hum, senhor Tiedoll, hoje de manhã você esteve no orfanato, e falou com uma garota chamada Layla Foster, certo?

Sim, como você sabe? Ah, foi você que o Yuu salvou. Sinto meu rosto corar, o general não tinha visto meu rosto naquele momento, porém ele facilmente poderia me reconhecer pelo bagunçado cabelo castanho avermelhado.

Foi sim, mas eu estou aqui para falar sobre a Layla. Digo me enchendo de coragem.

Claro, o que gostaria de falar sobre ela?

O que exatamente vocês conversaram?

Hum… Eu creio que não posso lhe falar sobre isso. Suspiro e abraço minhas pernas. — Mas há algo errado com a senhorita Foster?

Não exatamente, ela só está estranha. E quem são vocês, isso você pode responder? Eu digo, vocês são de alguma espécie de organização, não? Questiono ansiosa.

Somos exorcistas da Ordem Negra. Olho atentamente para ele, parece que voltamos a falar em enigmas, o que vem a ser Ordem Negra, o nome é assustador, como se pudesse ler minha mente ele responde.

Ordem Negra é uma organização da igreja, cujo objetivo é destruir Akumas e recuperar as Innocences. Isso é um pouco menos vago, mas continua sem fazer sentido, todavia ele disse que tem a ver com a igreja, então não deve ser algo ruim.

Depois de me despedir dele rumei para o teatro, provavelmente Layla fora convidada para fazer parte da tal organização, então à única coisa que posso fazer é aproveitar o tempo que ainda tenho com ela, por esse motivo decidi convida-la para ver uma ópera. O interior do local era lindo, tinha enormes luminárias de cristal que o davam um ar de palácio, nos sentamos bem perto do palco.

Uau, foi lindo, muito obrigada Fuyu-chan! A loira me abraça apertado assim que as luzes se acendem, sei que ela esta verdadeiramente feliz pelo uso do chan, ela só o usa quando quer me paparicar.

Não por isso Lala-chan. Levantamos-nos para ir embora, contudo passamos primeiro no banheiro.

A Foster me conta que ficou preocupada quando ouviu que eu tinha saído mais cedo, mas que valeu a surpresa, nos encaminhamos para a saída, porem assim que cruzamos a porta um grito nos paralisa, olhamos uma para a outra e corremos na direção do som, começam então a surgir outros gritos, apressamos o passo, a cena com a qual nos deparamos é aterradora, uma criatura alada e de aparência meio humanoide pairava sobre corpos que se esvaiam em fumaça. Sinto meu sangue pulsar como se quisesse deixar meu corpo, minha cabeça gira, meus olhos perdem o foco e o ar se torna rarefeito, flashes de cenas iguais começam a se passar em minha cabeça, a pressão é insuportável, aperto minha cabeça com as duas mãos e caio de joelhos no chão.

Fuyu levanta, vamos logo, levanta, droga. Layla se coloca na minha frente, percebo então que a criatura havia reparado em nós e mirava uma bola de energia rosa em nossa direção.

Ela dispara, abraço a loira fortemente e ouço alguém gritar não, uma sensação engraçada se apodera de mim, algo como aquela sensação confortável que você tem quando deita debaixo das cobertas e fecha os olhos, algo acolhedor e reconfortante, uma sensação cálida me envolve, abro lentamente os olhos. A nossa volta se encontra uma espécie de barreira perolada, que foi a responsável por deter o ataque do monstro, sinto uma enorme paz, mas não sei explicar o porquê.

Fuyuki, você esta bem? Os olhos da Foster se encontram marejados.

Hum, obrigada por me proteger. Um lado de meu cérebro diz que aquilo provavelmente é uma reação ao choque, porém estou extremamente calma.

Levanto os olhos bem a tempo de vê-los chegar, sorrio, eu sabia que eles viriam, os dois travam uma árdua batalha contra o ser, sinto meu corpo pesar, o sono e o cansaço se abatem sobre mim, mas me obrigo a focar na luta. Mugen e Maker of Eden são incríveis, e escolheram compatíveis a altura, Froi usa Art para segurar o Akuma enquanto Kanda o atravessa com a espada, contudo, isso ainda não é o suficiente, a criatura se solta e arremessa o exorcista contra a inocência, o choque derruba os dois, com um sorriso maligno ela se vira para nós, percebo então que o ser me notou, suspiro exausta, ainda não estou pronta para tudo isso, meu corpo colapsará se o forçar muito mais, todavia é a única saída. O Akuma investe contra mim, invoco a inocência que sei pertencer a Layla, seguro-a ternamente, me aproximo da loira e lhe entrego o pequeno cubo, que se torna liquido, ela olha para mim um pouco confusa, mas assente com a cabeça e então o sorve, um enorme estigma aparece em seu ombro direito, muito sangue verte da ferida, ela se desespera, mas pego gentilmente sua mão e sorrio reconfortante, sinto seu interior se acalmar, o sangue se solidifica e ela o toca, e assim uma nova exorcista nasce.