Notas iniciais
Para fechar o feriado com chave de ouro, um capítulo extra, espero que gostem. Boa leitura = )

As lágrimas desciam sem parar por meu rosto enquanto eu continuava correndo, não importava o lugar, eu só não podia parar, parecia que tudo iria desabar sobre mim, e talvez se eu continuasse correndo, poderia fugir até de mim mesma.

Muitos pensamentos confusos se intercalavam em minha mente, ao mesmo tempo em que eu não pensava em nada, eu queria ficar em silêncio, só por um minuto, queria que minha mente parasse de misturar tantas emoções, mas isso não era possível. Desde que descobri sobre Lizzy e sobre seu destino, não pude mais me acalmar, uma parte minha temia o futuro que me aguardava, mesmo que eu já o tivesse aceitado, isso não o tornava menos assustador, porém meu maior medo, aquilo que mais me assustava, era não saber quem era eu, sem ter nenhuma lembrança do passado, só posso concluir que sempre tive a inocência, então, quem poderia dizer se eu não sou a Lizzy, talvez eu seja apenas um recipiente de suas memórias, assim como Allen, talvez eu não seja ninguém, talvez…

Meus pensamentos foram cortados quando escorreguei e cai de cara no chão, honestamente eu poderia ficar deitada ali, poderia ficar ali até que não conseguisse mais pensar e minha mente se entregasse ao sono, mesmo que este, muito provavelmente também fosse perturbado por meus piores temores. Me levantei apenas por medo de ser encontrada pelos outros, eu não queria vê-los agora, não queria ter de lhes explicar como me sinto e encontrar suas expressões de pena, eles não sentiam empatia alguma por mim, aquilo era tudo produto da inocência, mas ao mesmo tempo, eu também devo ser, afinal, quem seria eu sem a inocência?

Continuei andando, talvez eu deva procurar uma pousada, não, minha mala ficou com eles e não tenho nenhum dinheiro comigo, suspiro desanimada, também poderia voltar ao lugar onde desembarcamos, eu mais ou menos lembro o caminho, provavelmente eles pensarão em me procurar por lá, e eu não posso fugir deles para sempre, só espero ter tido tempo para me acalmar, decido então seguir para o cais.

Já está bem escuro quando chego ao píer, me pergunto que horas são. Até onde alcança minha visão, tudo está vazio, ando até a metade do cais e me sento, retiro minhas sandálias e enfio os pés na água, é uma sensação bem calmante, levanto os olhos e fito as estrelas, eu não me importaria de ficar aqui por um bom tempo, fecho meus olhos sentindo a brisa balançar meus cabelos, uma musica me vem a cabeça e sem perceber, começo a canta-la.

Na noite, quando os olhos cinza aparecerem, o brilho que nasce é você. O tempo se vai através de meses e anos. Não importa quantos anos se passem, tragam os oradores à Terra. Eu continuarei a…

Ouço um pequeno guincho, abro meus olhos e me deparo com grandes orbes lilases, estico minha mão e acaricio a cabeça do pequeno dragão.

Estava me procurando? Seu mestre está por aqui? Indago, levantando-me, pego as sandálias e sigo-o pelo cais.

Antes porém que cheguemos ao final dele, algo se enrosca em minha perna, sem me dar tempo nem mesmo para pensar, e me puxa para dentro do mar. Está escuro demais para que eu distinga algo, mas não é como se houvesse muitas opções do que poderia ter me atacado, primeiro tento nadar de volta para a superfície, vendo que é inútil, procuro por minha lança, porém acertar algo na água, no escuro e em movimento, não é exatamente uma tarefa fácil.

Começo a sentir os efeitos da falta de ar e também da pressão, me pergunto o quanto já afundamos, sem tempo a perder, tento com mais afinco atingir o tentáculo que se enroscara em minha perna, contudo, começo a ficar a cada momento mais fraca, sinto urgência em respirar, e acabo cometendo o erro de puxar o ar, engasgo e começo a sufocar, tudo começa a ficar embaçado e escuro, finalmente sinto minha perna ser liberada, agora porém, algo agarra a parte de trás de meu vestido e puxa na direção contrária, tento me manter acordada, mas fica mais difícil a cada momento, novamente sinto minha perna ser puxada e dessa vez, perco a consciência.

Anda, você não pode morrer agora. Respire Fuyu! Respire.

Sinto uma enorme pressão em meu peito, e logo depois meu corpo responde me fazendo expelir água, sinto como se algum dos meus órgãos fosse sair junto com a água, cada tosse parece rasgar minha garganta, mas a sensação de respirar novamente faz com que nada disso importe.

Afaste-se, ela precisa respirar. Uma voz masculina desconhecida diz.

Deveria ser você a se afastar, eu sou a melhor amiga dela, somos quase irmãs. Essa voz me é familiar, mas deve ser fruto de minha imaginação, talvez uma alucinação criada por minha mente para me oferecer algum conforto.

Novamente ouço um guincho e sinto algo se esfregar em minha bochecha, também reconheço bem essa consistência levemente escamosa, será que estou delirando, abro lentamente os olhos, mas mesmo assim dói bastante.

Você está bem, graças a Deus! Só vejo um vulto loiro e no segundo seguinte tem algo me esmagando, tusso novamente, lutando para recuperar o ar.

Saia de cima dela! Algo puxa o peso de cima de mim, meus olhos voltaram a se fechar sem o meu consentimento. — Está louca, pretende terminar o serviço que o akuma começara?!

Desculpa, é que fiquei tão feliz de vê-la abrir os olhos. Sinto uma pressão em minha mão, alguém parece estar apertando-a, essa sensação me é muito familiar.

Sinto alguém afagar meu rosto e sorrio fracamente, mesmo que eu não consiga me lembrar completamente de onde conheço esta sensação, ela ainda é reconfortante.

Fuyu-chan, consegue abrir os olhos? Pergunta gentilmente uma voz masculina, abro-os e me deparo com belos olhos castanhos, o tom me faz lembrar chocolate. — Você me deu um baita susto.

Percebo que a pessoa a afagar minha bochecha é o moreno em minha frente, seu olhar terno, faz meu coração se apertar, sinto novas lágrimas se formarem em meus olhos.

Está tudo bem se você quiser chorar, eu estou aqui agora, e não irei mais lhe abandonar.

Sem conseguir me conter mais, deixo que minhas lágrimas corram soltas, o moreno me puxa gentilmente para seus braços, afagando meu cabelo, reparo que sua roupa está encharcada, e sei mesmo sem perguntar, que fora ele que me tirara do mar.

Notas finais
Quem são as pessoas a encontrar a Fuyu, alguma ideia?