Notas iniciais
Desculpem a demora, para me redimir vou postar dois capítulos seguidos. Boa leitura = )

Eu assistia a paisagem passar por mim sem conseguir prestar atenção, eu sabia que Lizzy escondia algo de mim, sabia também que ela estava restringindo minhas memórias, contudo não importava o quanto eu tentasse conversar com ela, a mesma sempre desviava do assunto. Espreguicei-me, virando de costas para barra de segurança e me encostando nela.

Será que a Bea vai demorar a acordar? Eu já estou com fome. Falei mirando o general.

Acorde-a então. Ele continuava apoiado na parede ao lado da porta.

Não, vamos deixa-la dormir, sei que quando ela começar a trabalhar não terá mais tempo para dormir direito. Que tal irmos comer, depois eu a acompanho de novo. Digo, me desencostando, Kanda abre a porta e entra no vagão.

Seguimos em silêncio até o vagão restaurante, eu estava com uma sensação desconfortável, que nada tinha a ver com a coração, eu sentia como se estivéssemos sendo observados.

Kanda. Chamei, quando nos sentamos, me dobrei sobre a mesa para que ninguém ouvisse, sabia que era paranoia, mas a sensação custava a me deixar. — Você notou alguma coisa estranha?

Sem me responder, ele desviou os olhos para o fundo do vagão, depois voltou seu olhar para mim.

Aqueles homens estão nos seguindo desde que entramos no trem. Meu queixo caiu, eu só tinha reparado neles agora, fiz uma nota mental que é basicamente impossível surpreender o moreno.

O que você acha que eles querem? Questionei, sentando-me direito e passando a comer, o gosto era bom, por mais que eu não fizesse ideia do que era, a garçonete dissera ser a especialidade do chefe, Blanquette de vitela.

Não são akumas e também não são Noahs, poderia ser alguém da central, porém eu não imagino o como teriam nos encontrado. Respondeu, comendo tranquilamente.

Eu não diria que somos tão difíceis de reconhecer, talvez eles acertaram o lugar por sorte. Sugeri, o moreno deu de ombros, e continuamos a comer.

Ao sairmos do vagão pude confirmar a informação, os homens eram discretos, mas era um pouco difícil disfarçar a perseguição em um trem, Kanda havia sugerido que acabássemos com isso de uma vez, então fomos para o vagão de carga, lá teríamos mais espaço para lutar.

Não precisamos esperar muito e eles surgiram, eram cinco no total, isso não pareceu importar para o moreno, que no momento seguinte já havia nocauteado um, preferi não me envolver, lutar contra humanos seria difícil para mim, por mais que eu tenha descoberto bem rápido que eles não eram pessoas normais, suas habilidades eram incríveis, Lizzy forneceu o termo, Crows, a força especial da central. O Alvo deles era especificamente eu, sempre que aparecia a menor brecha eles tentavam me alcançar, ou lançavam selos, que de acordo com a coração, serviam para restringir meus movimentos, a vantagem é que com seu poder eu podia facilmente me livrar deles, e por mais incrivelmente forte que eles fossem, o general os sobrepujava.

Cuidado! Tudo foi muito rápido, Kanda havia se virado gritando para mim, os crows se afastaram o máximo possível e então tudo explodiu.

Abri meus olhos com dificuldade, meu corpo estava pesado, ou melhor, tinha algo pesado sobre mim.

Lizzy, o que houve? Questionei, temerosa de me mexer.

Um akuma se aproveitou da distração de vocês e explodiu o vagão. Uau, isso fora genial, pensei um pouco atordoada.

Mas, espera, se ele explodiu o vagão, como eu sobrevivi, onde estão todos? Tentei me livrar do que quer que tenha caído sobre mim.

Tch, você se machucou? A coisa pesada saiu de cima de mim, e constatei ser o general.

Explicado? Questionou Lizzy.

Não, foi uma explosão. Respondi, sem conseguir acreditar.

Sim, eu criei um escudo para prevenir que você explodisse junto, mas foi o Kanda quem evitou que você ficasse presa nos escombros. Ouvi o moreno me chamar enquanto eu conversava com a coração.

Eu estou bem. Respondi abrindo os olhos, o general estava a no máximo um metro acima de mim. — E você? Onde estão os Crows, onde nós estamos? O akuma ainda está por perto?

Conforme eu disparava minhas perguntas, Kanda saiu de cima de mim, ao me sentar pude notar que estávamos fora do trem, eu não saberia dizer onde, a paisagem era bem rural e eu não via nenhuma indicação de que houvesse civilização próxima.

O Akuma não está muito longe, é um level 4, porém não acho que esteja sozinho. Senti meu estômago despencar, nessas horas eu queria ser capaz de lutar. — Quanto aos Crows, eles também devem ter caído do trem, o que significa que provavelmente os encontraremos logo.

Eu me virei para o moreno, tentando dar um sorriso confortador, quando reparei em seu braço, havia um grande corte ali, eu sabia que aquilo não fora causado pelos crows, então a única opção é que ele se machucara para me proteger, suspirei, me aproximei e estiquei a mão para cura-lo, porém o general agarrou meu pulso.

Eu só vou cura-lo. Falei, tentando tranquiliza-lo.

É só um corte. Respondeu soltando meu braço.

Justamente. Rebati, aproximando-me novamente, ao que ele se afastou, levantando-se. — Kanda!

Guarde sua energia. Ao ver que eu iria reclamar, ele completou. — Vai se curar sozinho.

Não! Você só se cortou por que estava me protegendo, deixe-me cura-lo. Disse, me levantando também.

O general fingiu não me ouvir, eu raramente perdia a paciência, mas aquela atitude dele era muito infantil, eu senti um rubor subir para minhas bochechas, se ele queria dificultar o meu trabalho, tudo bem, eu não iria mudar de ideia, ia cura-lo não importando como. Atirei-me contra ele, enlacei meus braços em volta do seu e comecei a cura-lo, ele tentou me chacoalhar para longe, o que de fato me fez cambalear, mas eu não tinha pretensões de largar.

Qual é o seu problema, eu já disse que é só um corte, será que… Kanda se interrompeu, virando bruscamente, o que me fez ir junto, tropeçando e quase caindo de cara, se não fosse por ele enlaçar minha cintura com o outro braço e me reerguer, já me passando para trás de si.

O que…

Eles já nos encontraram. No momento seguinte, uma bola de energia se choca contra a lâmina de Mugen. — Proteja-se.

Uma criatura que seria facilmente confundida com um anjo aparece de dentro da floresta, junto a ela está um ser usando uma armadura dourada, um level 4 e um level 3, dessa vez não posso simplesmente ficar parada assistindo, retiro minha lança do suporte e recebo um olhar repreensivo do general.

Vou apenas distraí-lo. Falo, dando uma piscadela.