Notas iniciais
Só um aviso, como é o último capítulo desta temporada, ele está relativamente longo e muda de POV algumas vezes. Quanto ao lançamento da próxima, pretendo que seja logo, mas vou deixar o prazo de quinze dias, para que eu possa me organizar. Boa leitura = D

Kanda Yuu POV

Fuyuki está inacessível e isto é um péssimo sinal. Aumento minha velocidade, ela poderia ter esperado dentro da barreira, mas obviamente quis enfrentar os Noahs, tsk, por que eu nem mesmo a sinto? É como se ela tivesse sumido completamente do mapa.

Já não era sem tempo! Parados em frente ao orfanato estão os dois Noahs que eu a vira enfrentar, e de frente para eles está Fuyuki, caída no chão. — Não se preocupe, ela não está morta.

Avanço contra o Noah, que salta para fora do meu caminho, sua irmã arremessa velas contra mim, corto-as e parto para cima dela que esquiva de meus ataques.

O que fizeram com ela!? Inquiro, parando em frente à morena e mantendo a espada apontada para ambos.

Sabe, o certo seria você estar nos agradecendo. Aperto mais a bainha de Mugen, quero muito fatia-los, mas primeiro preciso que me digam o que houve com ela.

Olho de relance, Fuyuki está sangrando, fora isso não parece ter mais nada errado, entretanto, se ela estivesse apenas dormindo ou desmaiada eu ainda seria capaz de senti-la, então há algo a mais.

Nós revelamos a ela que Beatrice Fontana estava morta. Meus olhos se arregalam, droga! — Como você está imaginando, Kanda Yuu, isto de fato foi um choque muito grande para nossa pequena Fuyuki-chan.

Rosno irritado, ele poderia dizer o que aconteceu a ela de uma vez. Mesmo sabendo que isto iria lhe abalar, não creio que seja o suficiente para leva-la a esse estado.

Você tem razão. O fuzilo com os olhos, sua habilidade me irrita. — Mas você devia ser grato, já que garantimos que ela não tivesse que sofrer com isto.

Exatamente. Completa a Noah. — Nós a colocamos em um lindo sonho. Um sonho do qual Fuyu-chan jamais irá querer acordar.

Entendo o que está subentendido, eles a trancaram em um sonho do qual Fuyuki não seria capaz de escapar, já que ela mesma não iria querer isto.

É isso mesmo. Diz o Noah do olho demoníaco, ainda quero parti-lo ao meio. — Veja bem, Kanda Yuu, você não acha injusto? Fuyuki-chan é tão gentil e amável, ela não combina com este mundo, você mesmo sabe disto, e ainda assim, não há nenhuma escapatória para ela. Lutas, destruição, morte, ódio, tudo isso é contra a sua natureza e mesmo assim ela é confrontada com esta realidade todos os dias.

Não seria bom se ela pudesse apenas fugir? A Noah havia se aproximado de Fuyuki e eu mal notara, me virei apontando a Mugen para ela. — Viver um lindo sonho, pacífico e feliz. Um lugar onde não houvesse dor e tristeza, onde Fuyu pudesse viver sem preocupações, não parece perfeito?

Ichinose Fuyuki POV

Espere! Digo rindo, a loira rola os olhos.

Fuyu, eu sei que você é tranquila, mas para tudo na vida existe um limite. Vamos logo!

Ela agarra meu braço e me puxa consigo, rio balançando a cabeça, sempre tão ansiosa. Sorrio ao ver seu nervosismo, ela para perto da escada e espia o andar de baixo.

Lala, como pode ainda ficar nervosa? Você já foi a vários bailes. Ela resmunga algo e depois se vira para mim, suas bochechas se tingindo de vermelho.

Você sabe por que estou nervosa. Rio, sei mesmo, mas é ao mesmo tempo tão inacreditável e tão fofo. — Vamos logo antes que eu perca a coragem.

Ela me puxa para e escada principal, somos anunciadas e todos os olhos se viram em nossa direção, vejo minha amiga ficar pálida e dou um leve apertão em sua mão, desço as escadas na frente, sorrio para o moreno que me oferece a mão e aceito-a.

Parece que ela vai desmaiar. Rio e concordo com a cabeça, nos afastamos. — Você está linda.

É a minha vez de me sentir constrangida, meu rosto esquenta tanto que chego a me sentir tonta.

Obrigada.

Murmuro abaixando a cabeça e deixando que as mechas soltas de meu cabelo cubram meu rosto, contudo ele estica a mão e levanta meu rosto, colocando as mechas atrás de minha orelha, meu coração bate tão rápido que dói, parece martelar minhas costelas.

Este vestido realmente é esplendido. Abro um enorme sorriso me virando para minha mãe, que se aproxima com meu pai.

Obvio que a modelo o favorece. Todos rimos do comentário de meu pai.

Muito obrigada, vocês também estão muito elegantes. Digo os olhando da cabeça aos pés.

Bom, não vamos tomar mais tempo de vocês dois. Fala minha mãe, beijando minha bochecha. - Deveriam aproveitar a pista de dança, seria um descaso deixar passar tal oportunidade.

Rimos e nos despedimos dos dois, seguindo em direção a pista de dança, o moreno pega minha mão e a beija, novamente meu coração salta, começamos então a valsar pelo salão, vejo meus amigos espalhados pelo mesmo, muitos dançando e outros nos cantos conversando. Eu poderia ficar assim para sempre, penso encarando seus lindos olhos, não me importaria nem um pouco.

No que está pensando? Sinto minhas bochechas esquentarem e desvio os olhos, ele ri, me trazendo mais para perto de si, mordo meu lábio. — Não vai me contar?

Balanço a cabeça me sentindo sem graça, por que ele parece sempre saber o que estou pensando, é tão injusto. Novamente ele levanta meu rosto fazendo com que eu o encare, de alguma maneira meu coração dispara ainda mais, acho que não há nenhum tom mais escuro que o de minhas bochechas, o moreno se aproxima, fecho os olhos.

O que foi? Eu o havia empurrado, abro os olhos, miro os dois lados do salão, isto não é verdade, não tem como ser, volto a olhar para ele, meu coração se aperta.

Você não é real. Sussurro com lágrimas nos olhos.

Por que diz isso Fuyu-chan? Balanço a cabeça e as lágrimas teimam em escorrer, como eu queria que fosse.

Nada aqui é real, não é? Onde estamos? Onde eu estou? Questiono me virando de um lado para o outro.

Fuyu…

Não me chame assim. Encaro-o firmemente. — Isto machuca.

Aos poucos a cena a minha volta vai se desfazendo, fecho fortemente os olhos, a expressão em seu rosto me tortura. Abro-os novamente e estou no vazio, não há nada, olho para mim mesma, o vestido de baile fora substituído por um dos meus favoritos, um vestido verde claro de meia manga.

Ola, há alguém aí? Chamo, olhando de um lado para o outro, por mais que tudo seja exatamente igual, para todos os lados que olho, vejo apenas preto.

Fuyu-chan. Reconheço a voz do sonho anterior, por mais que não me lembre de já tê-la ouvido alguma vez.

Mamãe? Viro-me e o cenário se transforma, a minha volta surge o jardim da mansão Ichinose.

Oh querida, é tão bom vê-la. Seus braços me envolvem. — Como você está crescida, veja só, se tornou uma belíssima mulher.

Sem dúvida! Olho para o lado, meu pai me sorri docemente.

Papai! Digo, e minha mãe me solta, sendo substituída por meu pai. — O que estão fazendo aqui? Não! Isto não é real. Onde eu estou, não quero mais isto, me deixe sair deste sonho.

Cubro minhas orelhas e fecho meus olhos com força, por que estão brincando com meus sentimentos, não quero ver estas coisas.

Fuyuki-chan. Sinto uma mão em meu ombro e abro os olhos, meus pais me sorriem calidamente. — Você tem razão. Isto não passa de um sonho, estamos há muito mortos no mundo real, mas isso não muda o fato de que estamos aqui agora.

Minha cabeça pende para o lado, isto deveria ter algum sentindo, por que honestamente não fez sentido nenhum. Minha mãe ri e acabo por acompanha-la, sua risada é tão contagiante.

Sabe, é uma ótima chance de te dizermos tudo que sempre quisemos te dizer. Fala papai, minha mãe sorri e aquiesce, ela toma minha mão e me guia para uma mesa coberta por enormes vigas tomadas por plantas trepadeiras, o cenário realmente é lindo.

Uhm, por onde começar? Diz minha mãe, uma mão ainda segura a minha e a outra ela leva ao queixo, batucando o dedo indicador no lábio, sorrio, ela é tão bonita. — Por que não nos conta um pouco de você.

Rio, e meu pai me acompanha, ela olha para nós dois e da de ombros.

Oras, é justo, você deve ter coisas que quer nos dizer, não? Ela me encara. — Vai me dizer que nunca pensou, ah, como eu gostaria de dizer isto a minha mãe, ou, como eu gostaria de perguntar isto a meu pai?

Aceno com a cabeça pensando em quantas vezes pensei no quanto eu gostaria de ter alguma família, mas agora ao menos eu tinha Aki e Natsu.

Eu já sei! Falo levantando a mão, eu me perguntei isto por muito tempo. — Por que todos temos nomes de estações?

Meu pai desata a rir e minha mãe lhe lança um olhar cortante, ao que ele coça a cabeça parecendo arrependido, mas não consegue tirar a expressão de divertimento do rosto.

Bom, eu gostava do nome Natsumi, depois que ela nasceu percebi que o apelido mais óbvio era Natsu, então quando soube da gravidez decidi que o meu próximo filho também teria nome de estação, eu não estava ciente do sexo, então escolhi um para cada, bom, acabei usando os dois. Ela termina rindo, percebo que ambos também são muito despreocupados, pelo jeito eu tenho de onde puxar.

Agora eu percebo que não podia ter escolhido um nome melhor. Olho-a sem entender. — Você sabe que elas são completamente adaptáveis, as árvores de inverno? São capazes de resistir não importa o quão rigorosa sejam as temperaturas, das mais altas as mais baixas, as árvores de inverno são capazes de resistir a tudo e se mantém firmes no final.

Não sei por que, nem quando, mas eu começara a chorar, primeiro lágrimas silenciosas, tão silenciosas que eu nem ao menos as sentira, não até minha mãe seca-las e passar seus braços em torno de mim, me puxando para si, enterrei o rosto em seu peito e desabei a chorar, eu não queria ser forte, não queria passar por tantas adversidades, por que não posso simplesmente viver tranquila?

Por que este é o seu destino, docinho. Olho para o meu pai que havia tomado minha cadeira, já que agora eu estava no colo de minha mãe, e afagava meus cabelos de forma carinhosa, pelo jeito eu dissera em voz alta, ou eles leem mentes. — Eu sei que é difícil, mas você é capaz de passar por tudo isso, você nasceu para isso Fuyu-chan.

Mas e se eu não quiser? Ambos sorriem um para o outro e depois se viram para mim.

Então pode sempre desistir de tudo, largar tudo e ficar aqui conosco. Sorrio, me aninhando mais a minha mãe, é uma ótima ideia. — Mas você tem certeza de que é isto que quer?

Olho para os dois, por que não iria querer, aqui é tão tranquilo, meus pais são tão gentis e amáveis, eu poderia deixar tudo e ficar com eles, eu…

Flashes começam a passar por minha cabeça, os exorcistas da ordem, Allen-kun, Lenalee, Daniel, Beatrice, Layla, meus irmãos e Kanda. Não posso abandona-los, novamente meus olhos se enchem de água, eu não quero abandona-los.

Eu não sei! Novas lágrimas rolam por meu rosto, me sinto completamente confusa e perdida.

Fuyu-chan, nós sempre estaremos com você, aqui ou onde quer que você esteja. Minha mãe segura meu rosto entre suas mãos fazendo com que eu a encare. — Mas saiba que tudo depende de você, nada na vida é definitivo, nada é inflexível, você pode mudar tudo que quiser Fuyu, e só você pode decidir o que fazer.

EuMinha voz falha, limpo minha garganta olhando para os dois. — Não posso ficar com vocês.

Está tudo bem! Ambos sorriem calidamente, e percebo que estão sendo honestos, nos levantamos e eles pegam minhas mãos, apertando-as. — Nós te amamos.

Eles começam a sumir, o cenário começa a derreter em frente a meus olhos, sinto um aperto em meu coração, mas ao mesmo tempo me sinto em paz, mesmo por pouco tempo foi ótimo vê-los.

Eu também amo vocês. Então tudo fica negro.

Kanda Yuu POV

A maldita Noah é atirada longe, pisco atordoado, viro-me e o outro Noah também fora atingido, aquela não é Fuyuki. A noah do sonho tenta contra atacar, mas a morena usa a lança para enviar uma onda de energia, a menor escapa por pouco, mas a construção atrás dela é atingida e uma enorme cratera se forma na mesma.

Lembro-me de Akihiko, é como se estivesse de volta ao momento em que ele me contou a verdade sobre o passado de Fuyuki.

Veja bem Kanda, eu não estou pedindo isto a você por acaso, obviamente a inocência é um fardo pesado, mas não se compara em nada ao dom de Fuyu.

O que quer dizer com isto?

É bem simples, o dom de Fuyu irá consumi-la, mental e fisicamente. O moreno suspira. — Tudo é energia, por isso controla-la é algo absurdo, é como ter o dom de controlar tudo, o poder de Fuyuki poderia se comparar ao de um Deus.

– É também por esta razão que não é mais permitido dentro da família Ichinose, este dom é considerado um tabu, uma verdadeira blasfêmia. Ele da um sorriso sem humor. — Consegue imaginar o que fazem para evita-lo, certo?

A cada momento vejo mais semelhanças entre a família Ichinose e a ordem.

Bom, para protegê-la meus pais mantiveram seu dom em segredo, até mesmo dela e de mim, eu descobri há pouco tempo, logo depois de termos sentido a inocência pela primeira vez. O Ichinose se desencosta da janela e caminha até a poltrona, sentando-se.

Isso, entretanto, não é importante, quanto menos você souber, menos chances há de que Fuyuki descubra. Ele tomba a cabeça para trás. — A questão é que você não só terá de lidar com Fuyu e com a inocência, como terá de lidar com o dom dela. Dizem que só há um final para quem o possui, a pessoa será incontestavelmente consumida pelo mesmo. Então não há nenhuma chance para Fuyuki?

Minha irmã anda numa corda bamba entre dois monstros que lutam pelo domínio de sua mente e corpo, uma hora ela irá cair, e não importa o lado, não afetará muito o resultado.

Por que está me contando isto? Não parecia exatamente um bom argumento para me convencer a me tornar seu guardião.

Pois você vai precisar estar preparado. Ele me encara sério. — Fuyuki não é capaz de lidar com isto sozinha, minha irmã é doce e pacífica, então estas duas forças conseguem constantemente tira-la do controle, porém até agora, Fuyuki foi capaz de voltar sozinha, a questão é, haverá uma hora na qual ela não será mais capaz de voltar, eu tenho medo que ela já esteja muito perto deste ponto, da próxima vez, ela pode cruzar a linha, e então jamais voltaremos a vê-la.

Fuyuki pretende mata-los, não, o que está a controlando é que pretende. A aura assassina em volta dela chega a ser assustadora, é algo tão monstruoso que não importa o que surge em seu caminho, os ataques são lançados com uma única intenção, exterminar seu alvo, e tem poder o suficiente para isso.

Os Noahs estão visivelmente surrados, não importa o quanto eles tentem revidar, Fuyuki não hesita, suspiro, isso parece tão sem sentido, eu deveria simplesmente deixar que ela acabasse com eles, é o mais lógico a se fazer, depois eu pensava no que fazer, afinal, exorcistas existem para combater akumas e Noahs.

Contudo a imagem de Fuyuki não me sai da mente, não a de agora, coberta de sangue e completamente inexpressiva, porém seu sorriso doce e os grandes olhos gentis, a Fuyuki que seria incapaz de machucar até mesmo um inseto, tsc, isto realmente é problemático.

Ichinose Fuyuki POV

Eles mataram Beatrice, a cena se repete em minha mente, consigo sentir exatamente o que ela sentia nos últimos minutos, eles não tiveram piedade, por que eu deveria ter?

Cuidado! Road grita quando apareço por trás de Wisely, ele tenta fugir, mas consigo atingi-lo, causando um enorme corte em seu braço.

Mudo de alvo e avanço contra a Noah, ela tenta se esquivar e se sai um pouco melhor que ele, mas ela se esquece de que o meu ataque é maior que o alcance de minha lança, a energia causada pelo impacto a joga para trás, tento empala-la, contudo seu irmão me ataca, tentando me distrair, está bem, se ele quer ser o primeiro, não importa.

No estado em que se encontra ele consegue esquivar muito pouco e finalmente cai, aproveito o impulso que havia tomado e me preparo para lhe dar o golpe de misericórdia. Minha lança se choca contra outra lâmina, levanto os olhos.

Pare! Por que Kanda Yuu parou meu ataque? — Volte a si, Fuyuki.

Ele usa sua espada para afastar minha lâmina, suspiro, bom, terei que garantir que não se intrometa. Nossas lâminas se cruzam, nos afastamos e elas voltam a se acertar, é irritante o fato de que ele pode prever meus movimentos, bloqueio minha mente e voltamos a nos atacar, contudo o moreno continua a me acompanhar, hunf, ele merece algum crédito, mas já estou cansada deste joguinho.

Acerto-o com força, ele dá alguns passos para trás, aproveito e atinjo sua mão fazendo a Mugen voar longe, lhe passo uma rasteira e aproveito para incapacita-lo, aponto a lança para ele.

NÃO!

Meu corpo dói, dói muito, parece que tento respirar através de água, é como se meus músculos não me pertencessem, contudo forço meu braço a se manter parado. É como se eu fosse uma marionete e alguém estivesse puxando as cordinhas e forçando meu braço a se mover.

Kanda… Murmuro sentindo lágrimas escorrerem por meu rosto e o atingirem, ele abre os olhos e me sinto aliviada, ao menos não o machuquei muito. — Me pare.

Imploro, sentindo que estou perdendo a luta, minha cabeça parece prestes a explodir, o moreno estica a mão e para minha surpresa ele a leva ao meu rosto, limpando as lágrimas que escorrem por minha bochecha.

Você fica melhor sorrindo Fuyu. Minhas bochechas ardem, será que ainda estou sonhando?

Ouço barulho de metal atingindo concreto e noto que larguei a lança, percebo então que recuperei o controle sobre meu corpo, mordo meu lábio e tento engolir a nova torrente de lágrima.

Está tudo bem. Enterro o rosto no peito do moreno, pobre coitado, eu havia acabado de ataca-lo e nem saí de cima dele.

##

Muito corajoso. Digo me deitando no banco do trem. — Mas você devia ser mais cuidadoso, sabe?

Eu já disse, sabia que você pararia o ataque. Lanço-lhe um olhar desconfiado.

E se não parasse? O moreno da de ombros, o que me faz suspirar.

Você devia ter se despedido deles. Diz o general quando o trem começa a se mover.

Agora é muito tarde. Comento fechando os olhos. — Eu ainda voltarei, um dia.

Ficamos em silêncio, eu covardemente fui embora sem me despedir de todos do orfanato, mas depois de tudo que aconteceu eu não queria arriscar ficar nem mais um minuto por lá, mesmo que eu desconfiasse que os Noahs não fossem retornar tão cedo. Mais uma vez eu estava abandonando o orfanato, assim como abandonei a mansão Ichinose, foi como meus pais disseram, eu precisava escolher, e agora que fiz minha escolha terei que lidar com as consequências, mesmo que isto signifique não ter mais um lugar para voltar.

Kanda, por que você ainda fica ao meu lado? Abro os olhos e viro-me para ele, que está sentado olhando pela janela. — Sabe que vou acabar causando sua morte, ou te levando a loucura, por que aceitou ser meu guardião?

Você é incapaz de se virar sozinha. Arqueio uma sobrancelha, que péssima explicação, rio.

Então é bom estar preparado para lidar com problemas. Falo fechando os olhos, o sono começa a se instalar. — Não pretendo mais deixar você ir embora, é melhor se acostumar.

Tsk.

Isso é uma promessa, certo? Murmuro nos meus últimos momentos consciente. — Você sempre tem que ficar ao meu lado, Yuu.

Notas finais
Muito obrigada a todos que acompanharam a fic até aqui, espero que tenham gostado! Até a próxima ; *
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!