The warmth of Winter

50 A calma antes da tempestade


Notas iniciais
Por algum motivo que nem eu mesma sei explicar, gostei muito deste capítulo, espero que vocês também gostem. Boa leitura = D

Depois de terminarmos de comer, despedi-me de Kanda e segui para meu quarto, meu irmão havia pedido croissants além do chocolate quente, o que se mostrou uma ótima ideia, uma vez que descobri estar com mais fome do que imaginava.

Empaquei na porta, eu ficara admirada com o tamanho do quarto do general, e reparara que a casa era toda decorada com muito bom gosto, mas nada se comparava ao quarto a minha frente. Um sonho era uma boa maneira de descrevê-lo, as paredes pintadas de um tom entre o rosa, o laranja e o amarelo, extremamente claro, contrastando com os moveis de uma madeira escura. Na parede em frente à porta, ocupando dois terços dela, se encontra uma enorme janela/porta, que parece dar numa sacada. No meio do quarto há uma cama imensa, onde caberiam confortavelmente cinco ou seis pessoas, os lençóis e a colcha são impecavelmente brancos, assim como o dossel que cobre a cama, onde tem também, pelo menos dez travesseiros e almofadas, alguns brancos e outros da cor da parede. Ao lado da cama tem duas poltronas de aspecto extremamente confortável, também brancas e com almofadas, na mesma cor da parede. De frente a cama há um enorme armário, e na ponta oposta a ele uma penteadeira, com um jarro cheio de rosas brancas, há mais delas em um jarro no móvel ao lado da cama.

Entre. Uma batida na porta me despertara de meu estado de estupor.

Do seu agrado? Pergunta meu irmão, entrando junto de duas criadas, assinto, ainda incapaz de expressar o quanto o achei magnífico. — Eu teria pintado as paredes de branco, mas Natsu achou um exagero, por isso preferiu pinta-las de pêssego.

Então esse é o nome da cor, penso voltando a olhar impressionada para o recinto.

É maravilhoso. Digo honesta.

Fico feliz que tenha gostado. Meu irmão me oferece um sorriso caloroso. — Estas são Nora e Charlotte, elas são suas criadas particulares.

Meus olhos se arregalam, ambas se aproximam e curvam-se, me deixando completamente constrangida e fazendo com que me curve de volta, o que faz com que Akihiko solte um sonora risada.

Peguem leve com as formalidades, acho que Fuyu vai se sentir mais confortável assim. Ambas acenam com um ar solene, o que só me faz sentir ainda mais desconcertada. — Bom, vou deixa-la descansar. Boa noite e bons sonhos!

O moreno beija minha testa, ao que abraço sua cintura sorrindo. Depois que ele sai, olho incerta para as garotas, a mais velha sorri amavelmente, seus cabelos de um belo tom loiro alaranjado arrumados em um coque e seus olhos extremamente verdes me deixam embasbacada, ela é muito linda. A menor tem cabelos na altura do ombro, e os deixa solto, eles caem em perfeitos cachos cor de mel, que combinam com seus olhos, sinto-me um tanto desajeitada perto delas.

Fuyuki-sama, Akihiko-sama nos instruiu para que a preparássemos para dormir. Diz a ruiva, ao que sacudo a cabeça. - Algum problema?

Ah, não… Coço minha cabeça, voltando a me sentir sem jeito. — É só que não precisa usar o sama, é estranho. Pode me chamar de Fuyu, na verdade, eu prefiro assim.

Fuyuki-dono é melhor? Pergunta a loira tentando ajudar, o que me faz rir.

Fuyu é o melhor, mas fiquem a vontade para me chamarem como preferirem. Quanto a dormir, bom, eu mesma posso me arrumar. Ambas parecem tão decepcionadas que me sinto uma completa insensível. — Mas ajuda sempre é bem vinda.

Elas abrem enormes sorrisos e me carregam para frente do armário, quase perco o fôlego quando elas o abrem, dentro dele se encontra uma infinidade de roupas femininas, e eu aposto que sejam todas do meu tamanho, a ruiva procura por uma camisola, enquanto a loira me ajuda a me despir. Uma vez vestida, elas me sentam na penteadeira e escovam meu cabelo, o que toma um bom tempo, visto seu comprimento e o temível estado em que se encontrava, após todos os eventos recentes. Depois de pronto, consigo convencê-las de que é o suficiente, porém elas exigem que eu me deite antes de saírem, assim podem fechar o dossel para mim, uma vez feito isto, elas deixam o quarto.

Afundo no delicioso colchão e aperto as cobertas o máximo possível a minha volta, caindo no sono logo em seguida.

Oe! Uso minha lança para empurrar o Apocrypho para longe e salto para trás, porém sinto-o agarrando meu braço. — Fuyuki, acorda.

Tento fazê-lo soltar, mas não importa o quanto eu lute, ele é mais forte, começo a entrar em desespero quando ele mira uma bola de energia em mim.

FUYUKI! Debato-me desesperada, demora alguns segundos até que entenda onde estou e o que está acontecendo, respiro aliviada ao ver que quem estava agarrando meu braço era Kanda. — Acordada?

Sim. Ele solta meu braço, sento-me na cama, encostando as costas na cabeceira. — Desculpe, te acordei.

Eu já estava acordado. Qual é a da cortina? Percebo que o moreno está tentando desviar o assunto, contudo, não consigo deixar de rir, ao notar a que ele se referia.

É um dossel. Ele arqueia uma sobrancelha, o que me faz rir ainda mais. — É bonitinho… Não serve para nada, mas é bonitinho, você tem que assumir.

Pela expressão do general, aquela era provavelmente mais uma das coisas que entrava em sua lista de desgosto.

Você devia dormir mais, ainda tem tempo até o baile. Escorrego, deitando na cama e fechando os olhos, entretanto, nego com a cabeça.

Você sabe que não vai demorar muito até eu ter outro pesadelo. Murmurei cansada, eu realmente sentia falta de um sono tranquilo.

Senti o colchão afundar, abri os olhos e me deparei com o moreno deitado ao meu lado, meu rosto esquentou imediatamente, sua expressão também entregava cansaço, o que era uma raridade, mas ao mesmo tempo ele parecia tão em paz, tão fofinho.

Tsk! Durma. Ele estreitou os olhos, me encarando zangado, meu rosto esquentou ainda mais, ele sem dúvida vira o que eu pensei, que constrangedor.

Kanda fechou os olhos, e sua expressão voltou a se suavizar, respirando profundamente decidi tentar seguir sua sugestão, fechei os olhos e antes que me desse conta estava adormecida.

Oe. Pisquei algumas vezes, e não consegui conter um bocejo. — Eu não sou uma almofada.

Aquela frase me fez abrir os olhos, e me arrependi imediatamente disto, meu rosto corou profusamente, soltei-me apressada e fui para o mais longe que a cama permitia. De alguma maneira, durante o sono, eu devo ter me aconchegado ao moreno, e havia agarrado seu braço, quase deitando a cabeça em seu ombro.

É melhor se acalmar, já basta suas criadas em estado histérico. Se possível meu rosto se tornou ainda mais vermelho, suspirei, que bela bagunça. — Parece que você precisa começar a se arrumar para o baile. Boa sorte.

Kan… Ele simplesmente foi embora, deixando a porta aberta ainda por cima, o que fez com que minhas criadas entrassem logo em seguida, claramente curiosas e agitadas.

Suspirei, hoje sem dúvida vai ser um longo dia. Depois de me entregarem uma bandeja com sanduiches, chá e frutas, elas me arrastaram para o banho, e logo em seguida veio a seção salão de beleza. Perdi a noção de quantas horas se passou, verdade seja dita, não tenho a menor ideia de que horas eu acordei, ou que hora fui dormir, honestamente, eu andava completamente perdida no tempo.

Prontíssima! Seu namorado vai ficar sem fôlego. Diz a ruiva com um ar sonhador.

CHARLOTTE! A loira ralha visivelmente assustada com a ousadia da outra.

Hehe, não tem problema, Nora, não se preocupe. Falo tentando meu melhor tom conciliador. — Só que ele não é meu namorado.

NÃO?! Elas questionam em uníssono, suspiro, talvez seja melhor deixa-las pensarem que ele é, do contrário vai ser difícil explicar.

É melhor irmos. Digo, desviando do assunto. — Não posso me atrasar para meu próprio baile.

Ao chegarmos à escada principal sinto meu estômago gelar, todos pararam o que estavam fazendo para me assistir, e honestamente, eu tinha a péssima impressão de que iria acabar caindo no meio da escada. Respirei fundo e puxei o vestido levantando-o, e passei a descer calmamente, degrau por degrau, no final da escada, Aki me esperava vestindo um fraque, se possível ele estava ainda mais bonito, sorri me sentindo muito melhor, só quando ele pegou minha mão e o contato visual foi quebrado que entendi o que acontecera.

Isso não é justo. Sussurrei, mantendo o sorriso, enquanto ele me guiava até o centro do salão. — Você usou seu poder.

Você parecia prestes a desmaiar, só pensei em ajudar. Ele me parou de frente para si e pousou a outra mão em minha cintura, ri balançando a cabeça.

Uma valsa suave começou a tocar e ele me guiou pelo salão, não pude deixar de me lembrar da última vez em que havia dançando, ri, sentindo minhas bochechas esquentarem.

O que foi? Eu havia estacado no meio da música, aquilo não era possível, de jeito nenhum, como eu não me dera conta, como pude não perceber que estava dançando com um Noah? — Fuyu?

Larguei Aki e sai andando, eu precisava de ar, precisava desesperadoramente de ar, avistei a sacada e corri para lá. Apoiei-me no muro e foquei toda minha atenção em respirar. Inspira, expira, inspira, expira.

De fato era o Noah. Engoli em seco, incapaz de encarar qualquer um agora. — Você não sabia.

Eu estava com raiva, muita raiva de mim mesma, senti lágrimas se juntarem em meus olhos, mas me recusei a ceder, senti que Kanda havia parado ao meu lado, porém mantive a cabeça baixa, ele não precisava achar uma desculpa por mim.

Tyki Mikk. Este simples nome provocava um turbilhão de emoções.

Notas finais
Mais um mistério revelado, surpreendente ou esperado?