The walkers
3 Capítulo 3 - O ataque Zumbi
Notas iniciais
– Que droga, Shane! Eles não vão voltar. Precisamos de alimentos, roupas, cobertores.
Lori andava de um lado para o outro, e isso já estava me deixando absurdamente nervoso.
– O que você vai fazer?
Bufei.
– O que eu vou fazer? Porra Lori, não estou sentindo nem fome e nem frio. Então, nada.
Ela parou de andar. Graças a Deus. Me olhou, e em seu olhar tinha um 'monstro-da-raiva' me encarando também.
– Você está louco? Não sou eu, Shane. Quem precisa é o Carl. Eu estou pouco me fudendo para o que eu estou sentindo. Se eu estivesse sozinha nesse mundo trataria de enfiar uma arma em minha garganta e não te daria mais problemas.
Bufou. Droga.
– Lori, eles vão voltar. Se acalme. E se eles não voltarem, nos viraremos por aqui. Não vou deixar mais ninguém sair daqui. Estamos fracos. Temos que ficar juntos.
Lori saiu sem responder (mais uma vez), batendo o pé.
– Acredita mesmo nisso, Shane?
Dale estava encostado em uma árvore, brincando com uma faca. Não ousava me olhar.
– Não, — sussurrei- mas eu tenho que acreditar.
O dia passava devagar, vigiando, caçando, pensando. O acampamento era um acúmulo de almas negras, tristes. Não se ouvia um riso. Ninguém se atrevia a abrir um sorriso. Os olhos não brilhavam, os olhos não olhavam. Estavam todos perdidos, um olhar que não olha para nada. Um olhar com medo do que pode ver.
***
Mais uma noite, e eles não estão aqui. Malditos.
– Shane! Shane! Shane!
Um grito. Um grito tão desesperado que eu mal consegui identificar o dono do grito. Sai correndo. Um grupo de aproximadamente vinte e cinco zumbis passava pelo acampamento, e o maldito grito convidou todos para um jantar. Revirei os olhos e jurei para mim mesmo que enfiarei o dedão do pé de um desses mortos-vivos na boca do infeliz que abriu a maldita boca.
Parti para cima deles. Eu, Daryl e Dale. Lori escondeu Carl e veio nos fazer companhia. Não utilizamos armas. A cada dez segundos uma faca era enfiada na testa de um morto vivo. Eu estava na frente, a cada facada um pouco da minha raiva se ia. Eu estava gostando daquilo. Mas sempre que gostamos de fazer algo, isso dura pouco, não é?
– Shane! Shane!
Esse papo de gritar o meu nome já estava me dando nos nervos. Toda a minha raiva voltou. Talvez, agora, em dobro. Triplo.
– Shane!
Quadruplo. Virei para ver o que era. Meu coração parou. Vi Lori no meio de três zumbis. Dale, que gritava, estava encurralado por dois. Daryl nem virou para olhar. CLARO, não era o nome dele que estavam gritando. Senti inveja de Daryl.
Voltei correndo para ajudar Lori. Apunhalei dois deles na cabeça, mas um deles caiu sobre Lori. Dale estava apertado.
– Daryl, caralho. Ajuda aqui.
Daryl veio correndo para puxar o zumbi do corpo de Lori, novos zumbis apareceram. O que esperávamos? Gritávamos o tempo inteiro.
Um carro apareceu, atropelando cinco zumbis. Quatro pessoas pularam do carro. Estava escuro que eu nem imaginava quem era a nova pessoa, afinal eu só me lembrava de ter mandado três: Glenn, Andrea e Merle. Dale foi salvo por dois dos que saíram do carro. Os outros dois cuidaram dos zumbis restantes. Eu e Daryl resolvemos com Lori.
Glenn apareceu do meu lado:
– Tem comida, cobertas, roupas e tem armas, cara. Uma bolsa, cheia delas.
Vi Andrea de longe, sentou-se no chão exausta ao lado de Dale. Uma negra estava sentada ao lado de Andrea. E Rick se encaminhava para perto de mim.
RICK?
RICK?
RICK?
O mundo girou, girou, girou. Meu estomago girava junto.
Rick foi surpreendido por Carl pulando em suas costas. Senti Lori saindo do meu lado, correndo. Três segundos depois, uma família feliz e sorridente apareceu na minha frente. Em uma semana, foram os primeiros sorrisos que eu vi. E esses me corroeram por dentro. Todos admiravam a família que se encontrou. A família que se salvou. A única família que continua unida.
Rick olhou e acenou a cabeça para mim.
Acenei de volta.
VOCÊ DEVIA ESTAR MORTO.
Tremi por dentro.
Porém, por fora, sorria como eles.
VOCÊ DEVIA ESTAR MORTO.
– Gostei da morena, — Daryl sussurrou em meu ouvido.
Eu dei de ombros e continuei sorrindo. Um sorriso na cara e o coração no cu. Maldita Lori.
Joguei-me no chão, ao lado de um zumbi. Cortei o dedão do pé dele e enfiei no bolso. Sou um homem de palavra.
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