The state of dreaming

1 The state of dreaming — capítulo único


Seu indicador juntava os fios de cabelo em uma parte do azulejo branco imaculado, o azul contrastava tão bem ali que chegava a brilhar de forma notória, o monte de fios fazendo um circulo mediano no retângulo grande — ela só notava a quantidade de cabelo que perdia quando tomava banho de corpo inteiro, encharcando sua cabeleira azul e admirando o vapor de água flutuando pelo box do banheiro. Nesses momentos silenciosos, o único som vinha do chuveiro esquentando rapidamente a água e de seus pensamentos. Ela se perdia rapidamente, enquanto passava os dedos sobre o couro cabeludo. Em um momento ela via branco embaçado, no outro estava em um lugar completamente diferente — seu corpo em um vestido sedoso, seus cabelos caindo facilmente sobre os ombros e seu coração tão leve quanto uma pluma. Ela sempre se via em um lugar diferente da realidade, onde suas preocupações rotineiras pouco importavam, sequer existiam.

Juvia se sentia tão bem quando fechava os olhos.

A realidade não doía, não machucava seu coração — ela se sentia calma e melhor do que jamais fora, seus pensamentos claros, sua voz firme e sincera — ali, onde ninguém a poderia alcançar, ela era livre de verdade. Ninguém poderia julgá-la em seu próprio mundo.

Seus movimentos se tornavam mecânicos durante o banho, seu corpo sabia exatamente do que necessitava e quais etapas deveria seguir para se limpar da sujeira do dia que teve. Era em momentos assim que ela conseguia se sentir uma com a água aquecida do chuveiro, como se fosse feita completamente de água e as gotas escorrendo por seu corpo levassem aquilo que não lhe era bom, como se o líquido transparente entendesse como ela se sentia e fizesse de um tudo para ajudá-la naquele momento de necessidade.

Quando fechava os olhos, Juvia podia vê-lo sem medo de que ele não a olhasse, pois ao menos ali naquele lugar inóspito, seus olhos se encontravam de verdade.

Ela desejava com todas as forças que fosse verdade, que ele a visse de verdade, que a amasse de verdade.

Que a desejasse como ela o desejava.

De todo o seu coração, tudo o que Juvia queria era que ele a notasse no meio da multidão.

Quando os cômodos se tornavam escuros e o conforto do travesseiro era seu maior convite a realidade, ele a olhava do jeitinho que ela tanto desejou. Suas mãos se encontravam, seu corpo ficava tão próximo ao dele que causava arrepios e ele falava com ela como nunca antes falara — não eram apenas cumprimentos curtos, eram conversas longas onde ela podia finalmente dizer tudo o que sentia por ele — e ele não fugia de vista, continuava ali — e ali ficava até que ela acordasse novamente.

Um gosto agridoce tomava suas papilas gustativas sempre que o olhar frio dele a encontrava na realidade.

Um bolo ocupava todo o espaço de seu estômago.

Sua garganta se comprimia e ela corria para o banheiro mais próximo.

Quando a realidade acontecia duramente, ela chorava, e desejava poder estar em casa, para que pudesse perder todo o líquido em seu corpo sem se preocupar com o tempo.

Seus olhos vermelhos e sua apatia passavam despercebidos por ele, ou por qualquer outra pessoa.

Assim, ela fechava os olhos e respirava profundamente.

Não haviam cores vívidas em sua realidade, mas ao menos ela conseguia lidar com aquilo que vivia, seu corpo sabia exatamente o que fazer para sobreviver.

Já haviam dito que ela se declarasse para ele mas Juvia não conseguia suportar a ideia do não, sequer conseguia imaginar isso. Seus sonhos se tornavam turbulentos quando isso acontecia.

Será que os outros não conseguiam se colocar no lugar dela? Como conseguiam ser tão insensíveis, sem ao menos compreender o que se passava em seu coração?

As pessoas eram tão cruéis.

E ela tinha medo de enfrentar a realidade — lhe era difícil admitir isso, mas essa era a verdade — ela já havia percebido as nuances de seus próprios movimentos, mas não havia outra saída.

Enquanto pudesse se sustentar nesse vai e vem, nesse dentro e fora, ela o faria sem nenhum pudor.

Ainda lhe faltava tanta coragem.

Em algum momento ela poderia conquistá-la, se desfazer de seus tão amados sonhos, se desgarrar do seu tão querido faz de conta e conquistá-lo de uma vez por todas.

Fazer com que Gray finalmente a visse como Juvia Lockster.

Notas finais
Nada contra o "Jubia Lockster" mas honestamente, quem consegue pronunciar "Jubia" sem cair na risada?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!