The stars above us
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Eu estava tendo um ataque. Faltava pouquíssimo tempo para Blair chegar em minha casa e eu não estava nada bem com a minha aparência. Eu não tinha dormido direito na noite anterior, o que me deixara com mais olheiras, meu cabelo ficou ainda mais rebelde e minha roupa não estava nem um pouco bonita. Mas eu nem sabia como poderia consertar. Não tinha maquiagem, nem nada para o cabelo e todas as minhas roupas eram como aquela.
Ficava andando de um lado para o outro, inquieta. Até ouvir meu celular tocando.
— Alô?
— Corinne! — Era Emily, como sempre.
— Que foi? Eu tô meio apressada?
— Apressada, vai aonde?
— Sair.
— Sair pra onde?
— Não sei, sair.
— Com quem?
— Ninguém.
— Vai sozinha?
— Sim.
— Não me chamou?
— Pensei que você teria coisas melhores pra fazer do que sair comigo.
— Corinne, é minha melhor amiga, CLARO QUE EU IA QUERER SAIR COM VOCÊ! Me fala a verdade, onde vai?
— Ai ai... — Suspirei. — Tenho um encontro.
— UM ENCONTRO? COMO ASSIM NÃO ME CONTOU? — Ela estava claramente surtando.
— Sim, vou sair com a Blair, e eu sabia que se eu contasse você ficaria assim e é a última coisa que eu preciso nesse momento.
— Wow, um encontro! Você não sai com ninguém desde a... — Ela parou imediatamente, mas eu já sabia o que ela falaria.
— Megan. Pode falar o nome dela sabe.
— ...
— Viu porque eu não te falei não é? — Ri, meio desanimada.
— Desculpa.
— Emily, tá tudo bem, já falamos sobre isso.
A campainha tocou. Me assustei, como se um choque tivesse rapidamente passado pelo meu corpo.
— Ela chegou. — Falei. — Me deseje sorte.
— Não estrague tudo dessa vez.
— Sua chata. — Ri, desligando e indo.
Blair estava de carro, com motorista. Tínhamos combinado que cada vez que saíssemos iríamos mostrar uma para a outra um pouco mais sobre nosso estilo de vida, já que eram totalmente diferentes.
— Oi. — Falei para ela, que me esperava sentada no carro, com a porta aberta.
— Oi. — Ela respondeu, aparentemente meio tímida.
— Carro legal. — Ri um pouco.
— Só o melhor pra você.
Eu corei instantaneamente enquanto ela ria da minha reação.
— Entra. — Falou.
Entrei, me sentando um pouco afastada dela por vergonha. Ela também estava um pouco então, por alguns minutos, ficamos no silêncio, não um completamente desconfortável como antes, mas ainda sim um silêncio. No rádio estava tocando umas músicas instrumentais realmente lindas.
— Que música boa. — Comentei.
— Gostou? Eu fiz um CD com as músicas que eu gosto...
— Adorei. — Sorri para ela. — Então é esse tipo que você ouve.
— É... — Blair corou ainda mais.
— Então, aonde vai me levar?
— Surpresa.
— Ah não, eu já tô curiosa faz tempo...
— Calma, não vai demorar muito para chegarmos.
E não demorou mesmo. Em poucos minutos estávamos em frente a um enorme restaurante, super luxuoso. Dei uma olhada em mim, depois para lá e percebi que eu não me encaixava ali de jeito nenhum. Eu sabia que ia ser um lugar consideravelmente "chique", mas não esperava algo naquele nível.
— Chegamos. — Ela saiu do carro, eu fui atrás.
— Wow. — Era o máximo que conseguia falar naquele momento.
Foi de pé que eu notei como Blair parecia elegante e combinava com a atmosfera do lugar.
— Se você tivesse me avisado eu teria me vestido melhor. — Reclamei baixinho.
— Queria te ver como é de verdade, por isso não falei nada. — Ela sorriu.
Um homem bem vestido veio abrir a porta.
— Senhoritas. — Falou, sério.
Blair me puxou para dentro. Nos levaram para nossos lugares rapidamente. Depois de meia hora olhando o cardápio, consegui escolher o que queria. Pedimos. A comida chegou incrivelmente rápido, julgando pela quantidade de pessoas que estavam ali.
— Tá muito boa. — Comentei, meio que de boca cheia, sem notar.
— A comida daqui é considerada uma das melhores do país.
— Wow.
Mais uma vez comemos em silêncio, aproveitando o sabor da comida. Ela demorou bem mais tempo do que eu para acabar, me senti quase como um animal comendo de tão rápido.
— Estava uma delícia. — Ela falou, assim que acabou.
— Não é? — Sorri. — A única comida que se compara a essa é a sua.
— Que isso, a minha não chega nem perto.
— Não seja modesta. — Ri. — Mas foi realmente um choque você ter pensado em me trazer aqui de primeira, eu não combino com esse lugar mesmo.
— Mais do que você pensa.
— Até parece.
— Tô falando sério. — Ela sorriu.
Fiquei encarando-a, aquele sorriso leve, lindo, que parecia brilhar mais do que as estrelas.
— Que foi? — Ela ficou envergonhada.
— Só estava pensando em como você é linda. — Falei, automaticamente, me perdendo em seus olhos.
— N.. Não exagera. — Ela riu um pouco, pegando na minha mão em cima da mesa.
— Não tô exagerando.
Ficamos ali, bastante tempo, apenas nos olhando com sorrisos em nossos rostos, ignorando nosso redor. Sempre pensava que eu poderia olhar para ela por horas sem nunca me cansar disso. Mas uma hora nós tivemos que parar e pedir a conta, infelizmente não podíamos ficar a noite toda.
— Pode deixar que hoje eu pago. Fui eu que escolhi tudo de qualquer forma. — Ela pegou a conta imediatamente, sem me deixar olhar.
— Que isso deixa comigo. — Falei, mesmo que preocupada com a quantia.
— Não, tá tudo bem, sério.
— Podemos pelo menos dividir?
— ...
— Por favooor.
— Tudo bem. — Ela cedeu.
Fomos pagar. Realmente tinha dado muito caro, eu não poderia pagar sozinha. Ela insistiu mais um pouco para pagar até que finalmente dividimos. Eu não me sentiria bem deixando tudo isso para cima dela.
— Obrigada. — Ela falou, enquanto saíamos de lá e voltávamos para o carro.
— Que isso, quem tem que agradecer sou eu, o jantar foi maravilhoso.
Sorrimos uma para a outra. Sentamos mais perto dessa vez, de mãos dadas. Eu ficava olhando o céu da janela, as estrelas, a lua, mas olhava para Blair também, quando ela parecia não notar. Até que uma hora ela começou a fazer carinho bem de leve na minha mão, e eu um pouco na dela. Nos olhamos mais uma vez. Fechei os olhos lentamente enquanto ela se aproximava, até sentir seus lábios nos meus. Eu tinha a sensação de que o mundo parava e nada mais importava toda vez que nos beijávamos. Era diferente de qualquer outro. Após isso ela apoiou a cabeça em meu ombro e eu a minha na dela, ficando assim até chegarmos na minha casa. Demos um último beijo e nos despedimos.
Assim que cheguei na porta do prédio, vi Emily e Kaitlyn, quase dormindo, sentadas na escada que dava acesso a portaria, apoiadas uma na outra. No instante em que me viram, vieram correndo até mim, gritando:
— QUEREMOS SABER TUDO!
— Não acredito que você não contou pra gente. — Kaitlyn falou, em seguida.
— Desculpa, desculpa. — Respondi.
Convidei-as para entrar e passei o resto da noite contando para elas, não que realmente tivesse algo que elas estivessem esperando mas, fazia muito tempo que não conversávamos sobre esse tipo de coisa. Foram embora levando metade dos salgadinhos que eu tinha em casa sem eu ao menos me dar conta disso.
Fale com o autor