Notas iniciais
Primeiro capítulo de uma nova história, ai ai kkk. Espero que vocês gostem bastante ^u^

Eu não me lembrava muito bem de como tinha chegado naquela situação. A sala meio escura com apenas um abajur e a televisão ligados, meus olhos em uma garota praticamente no meu colo, tão perto que eu podia ouvir sua respiração. Muitas pessoas realmente amariam estar no meu lugar, afinal, um movimento leve e poderia beijá-la. Seria mesmo ótimo, se eu estivesse entendendo o que estava acontecendo.

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Eu estava olhando o céu escuro da noite, cheio de estrelas, enquanto caminhava pela rua movimentada que era a do caminho para o mercado. Estava indo para lá apenas comprar um monte de macarrão instantâneo, já que eu não sabia cozinhar. Estava sobrevivendo apenas daquilo por um tempo, algumas semanas talvez. Não era muito saudável, mas eu não ligava muito.

O caminho do meu apartamento até lá não era tão longo assim, e a brisa estava até que bem agradável. Cheguei até a parar para brincar um pouco com um gatinho super fofo que apareceu e que acabou por me seguir por um tempo. Chegando lá, fui direto para onde eu queria, enchendo a cesta com tudo o que via pela frente. Foi quando eu vi uma garota, linda, parecia ter a minha idade, com longos cabelos loiros, caindo suavemente pelos seus ombros, e os olhos castanhos mais lindos que eu já havia visto. Ela estava tentando decidir entre dois tipos de macarrão instantâneo, o de carne ou o de frango. Me aproximei, falando:

— Os dois são bons, mas o de frango é melhor temperado.

— Obrigada. — Ela deixou o de carne na prateleira e colocou o de frango na cesta dela. Ficou encarando minha cesta após isso.

— Ah, eu não sei cozinhar. — Ri.

— Não é saudável.

— Eu sei mas...

— A quanto tempo está comendo apenas isso?

— Algumas semanas...

— Janta comigo.

— Quê?

— Pode deixar que eu faço, assim fica mais saudável.

— Mas você nem me conhece.

— Você é a Corinne, do curso de astronomia.

— Ué.. então você estuda lá... — Eu comecei a pensar e pensar, até vagamente começar a lembrar dela, já tinha a visto andando pelo campus uma vez, mas nunca soube quem era.

— Blair, sou do curso de letras.

— Ah, sim. Emily já me falou, foi você que ganhou um concurso de literatura muito bem conceituado na época do ensino médio, não foi? Wow. Eu li o seu texto, cheguei a me emocionar. Que história linda.

— Você acha? — Ela ficou um pouco vermelha.

— Muito! Você tem talento. — Sorri.

— B..Bom, vamos então. — Ela me pegou pelo pulso e saiu me puxando, deixando nossas cestas para trás.

Ela continuou daquele jeito por um tempo, até que me soltou tão de repente quanto pegou. Continuei indo atrás dela. O caminho inteiro ficamos caladas. Eu nem sabia exatamente porque estava indo atrás dela em primeiro lugar, ela era tão estranha para mim quanto eu para ela. Mas ela não parecia ser uma pessoa ruim, era como se algo dentro de mim me falasse isso.

— É aqui. — Falou.

Estávamos em frente a uma enorme casa, muito bem feita, cheia de janelas e com uma aparência bem moderna. Ela começou a entrar e fez sinal para eu fazer o mesmo.

— Que casa bonita.

— Obrigada. — Ela tirou meu casaco. — Fique à vontade.

— Não precisava, mas obrigada.

Ela apenas sorriu, deixando meu casaco no lugar certo e inda para a cozinha. Fui junto, afinal, não saberia mesmo o que fazer. Blair foi direto para o fogão, fazendo tudo incrivelmente rápido. Fique sentada em uma das cadeiras da mesa de jantar.

— Mora sozinha aqui? — Perguntei.

— Sim.

— Faz quanto tempo.

— Alguns meses antes das aulas começarem.

— Entendi...

O silêncio reinou. Eu odiava aquilo, mas nem sabia o que falar. Ela também não ajudava, ficava cozinhando em silêncio como se eu não estivesse ali.

— Mora sozinha? — Ela finalmente falou.

— Moro. — Praticamente deitei no vidro gelado da mesa de alívio. — Mudei pra cá só pra estudar mesmo, meus pais ficaram na cidade antiga. Mas eles vêm me visitar nas férias.

— Entendo.

— E os seus?

— Fora do país, a trabalho, eu acho.

— Acha?

— Não sou muito próxima deles.

— Entendi.

E o silêncio desconfortável tinha voltado. Fiquei analisando o ambiente. Tudo bem decorado e organizado, de ótima qualidade. Ela levava mesmo uma vida bem diferente da minha.

— Aqui está.

Blair colocou um belo prato de comida na minha frente, sentando e começando a comer o dela. Experimentei.

— Wow! Que delícia! — Falei, comendo mais rápido.

— Isso porque você não come comida de verdade faz semanas.

— Mesmo assim. — Falei de boca cheia mesmo. Ela riu um pouco.

Acabei repetindo o prato e comendo com o mesmo gosto. Finalmente, quando eu já estava cheia, Blair e eu fomos para sala, ver televisão. Ela sugeriu, disse que eu devia esperar um pouco para fazer a digestão antes de voltar para casa, já que eu não deixei ela me pagar um táxi.

Estava passando um seriado qualquer em um canal bastante conhecido. Eu não costumava ver muitos programas então nem fazia ideia de qual era.

— Corinne. — Ela falou, com a voz meio baixa.

— Uhm? — Virei para ela.

Nessa hora, tudo começou a ficar devagar. Eu estava a poucos centímetros do rosto dela. Ela se apoiava no sofá para ficar mais perto de mim. Conseguia ouvir sua respiração de tão perto. Um pouco mais para frente e eu a beijaria. Meu coração estava batendo muito forte. Ela começou a ir um pouco para frente. Até cair em cima de mim, com a mão próxima a minha bochecha.

Desesperei na hora, ela não podia ter desmaiado bem naquela hora! Mas foi aí que olhei bem, ela só tinha caído no sono. Devia ter dormido tarde na noite anterior e se esforçado muito naquele dia. Peguei ela no colo do jeito que pude. Rodei todo o andar com ela assim, até descobrir que seu quarto era no andar de cima. Subi, quase perdendo as forças. Deixei-a em sua cama com um bilhete na mesa de cabeceira.

'Muito obrigada pelo jantar, estava uma delícia. Ass: Corinne'

E fui para casa andando, ainda me perguntando o porquê de Blair estar tão perto naquela hora, o que ela queria...

Notas finais
Espero que tenham gostado ^u^ Até o próximo capítulo.