The soul's desire
1 Capítulo 1
Notas iniciais
O despertador apitava, 5:35, já era hora de acordar. Estava enrolada as cobertas tão quentinhas, o sol nem havia mostrado a cara ainda, teco, meu cachorro, continuava dormindo. Impressionante o quanto aquele bicho dormia, a casa poderia estar pegando fogo mas teco não sairia do sono precioso dele. Eu não era obrigada a acordar tão cedo, já que a escola começava só as 8, mas acordava para fazer companhia a meu pai. Sou a única filha dele, ele disse que não precisava de outros porque eu já valia por 10. Talvez ele sentisse falta de um filho, mas eu era ótima companhia para caça. Nós caçamos apenas o necessário para se alimentar e as vezes encontramos alguns animais mortos por atropelamento e vendemos na feira da cidade. Sair das cobertas naquele frio era pecado, era outono mas o frio parecia um inverno terrível. Não parava de lembrar do sonho que tive nessa noite. Coma mesma pessoa que venho sonhando a dias.
Os flocos caiam tão lentamente sobre meu suéter, o frio era intenso e eu me questionava da decisão de não ter vestido algo mais quente. O céu estava preto, sem estrelas, a terra em meus pés estava viscosa, como se tivesse caído algumas gotas de chuva, e foi quando notei que estava descalça. O barulho do vento me incomodava, mas não estava ventando. Eu estava parada no meio da floresta, sem movimento algum, esperando congelar de frio. Até que resolvo voltar para casa, quando mexo minha perna comecei a ouvir “Violet” “Violet’’ o vento soprava meu nome. O vento tinha uma direção, fui atrás dos sussurros com meu nome. Quanto mais eu caminhava mais o som ficava mais alto, notei que era alguém gritando por mim, mas quem gritaria meu nome essa hora da noite. A floresta estava diferente, não havia presença de animal algum, e a quantidade de eucalipto era razoavelmente menor. Não estava na floresta perto de casa. Vi um clarão vindo do leste. Corri naquela direção. Havia pisado em algo, mas não consegui identificar porque estava muito escuro. Ignorei a dor intensa e continuei correndo, e correndo mas o clarão estava cada vez mais distante. Eu precisava encontrar aquele clarão. Percebi que era necessidade minha encontrar o sopro de meu nome. Eu sabia que tinha algo lá, algo que eu desejava encontrar. Deixe-me guiar pelos meus instintos. O vento voltou a soprar.
— Quem está ai? —gritei desesperada, mas sem respostas como de imaginar. Foi quando o sopro se tornou mais alto, e a luz se aproximava de mim. Vagalumes. Centenas de vagalumes. Foi quando atrás do grande clarão feito por vagalumes surgiu um jovem, ele estava usando apenas um short completamente rasgado, parecia ter sido atacado por muito animais. Seu corpo estava cheio de arranhões e seu olhar era uma tristeza profunda, mas brilhavam como as estrelas. Era ele. Eu estava ali por ele. Fui salvar ele. Tudo fazia sentido para mim naquele momento. Ele se aproximou para mais perto de mim.
— Violet— ele pronunciou meu nome, da mesma forte que o vento soprava.
— Como sabe quem eu sou? Por que eu estou aqui? — perguntei
—Violet eu preciso de você. — ele estendeu seu braço para me mostrar algo.
Não me lembro de ter visto ele alguma vez na vida. Ele sempre me estendia os braços e o sonho acabava sem ele mostrar o que queria e então na outra noite novamente sonhava com ele. Era um ciclo, como se ele precisasse me mostrar algo mas alguém tivesse o bloqueando. Não acredito em magia, nem em signos ou qualquer coisa sobrenatural, mas eu sentia que alguém estava tentando me contar algo e era importante.
Ouvi batidas da porta do meu quarto e meu pai colocou a cabeça para dentro.
— Já está pronta? — ele me perguntou.
—Nem levantei da cama ainda. — ele entrou no quarto e sentou-se a meu lado na cama.
— Hoje você irá aprender novos truques de como deixar o animal encurralado. — ele disse empolgado.
—Isso me parece tentador. Vou me vestir logo. — foi então que seu sorriso se foi e seus olhos pregaram em minha marca de nascença. — tenho essa marca desde quando nasci, minha mãe também tem marca de nascença no mesmo lugar da minha, mas a dela não é diferente da minha. A minha tinha a forma de um losango pela metade, como se faltasse uma parte e a dela era um coração completo. Ela dizia para mim que foi um erro na hora de nascer e a marca se deformou, nunca questionei afinal era só uma marca. — a marca brilhava, e estava roxa, mas eu não sentia nada.
— Pai... você sabe o que seria isso? — perguntei sem esperança que ele soubesse de algo.
— Sua pele é muito sensível, vista-se logo, querida. — ele tentou parecer calmo mas notava o tom de ansiedade em sua voz.
— Isso parece normal para você? — mostrei a marca de perto a meu pai.
— É só o frio queimando sua pele, veja só, vamos perder nosso treinamento. — ele beijou minha testa e saiu do quarto.
Me troquei o mais rápido que pude. Coloquei uma calça jeans velha, um manteau e minhas botas para caça que eu nunca abandonava, por fim uma toca. O frio no outono aqui em Lynchburg é tão intenso quanto no inverno, só não cai neve, o que me faz lembrar de meu sonho.
Desci as escadas correndo, cheguei na cozinha e lá estava mamãe já acordada com meu café da manhã.
— Fiz panquecas para o café.— ela disse.
— Uau! Geralmente não passa de uma tigela de cereal, algum acontecimento especial?
— Nada demais, só acordei com vontade de cozinhar um pouco. Seu pai acordou com muita disposição também.— ela disse enquanto me servia.
— Ele passou em meu quarto, irei aprender como encurralar um animal, não posso esperar.— disse num tom irônico. Papai sentou-se a meu lado pegando panquecas também.
— Bem já que estamos todos aqui, e felizes, vou contar as novidades. Vovó e vovô virão nos visitar em seu aniversário semana que vem.— ela disse com um grande sorriso no rosto, como se fosse a melhor noticia do mundo.
— E ai vem o motivo das panquecas.— disse olhando a meu pai.
— Vai ser legal, Violet. Seu avô está morrendo de saudades e disse que comprou algo maravilhoso para você.
— Deve ser algum objeto de bruxaria, mãe você já viu aquelas coisas estranhas espalhadas pela casa dele? É assustador.
— Talvez ele te explique o significado daquelas coisas. Cada um tem suas crenças. Mas vamos, temos apenas uma hora para de ensinar a encurralar um coiote.— disse meu pai. Peguei minha mochila com meu arco e flecha quando papai interferiu:
— Você não irá precisar disso hoje. Deixa-a ai.
— Está ficando louco?
— Vamos!
Moramos no meio do bosque, quando era pequena saia correndo no meio das árvores e meu pai brincava que eu era a chapeuzinho vermelho. É muito agradável poder sentir aquele cheirinho de natureza todas as manhãs, minha melhor amiga, Emilly odeia esse lugar e sempre reclama que algum animal apareceu na frente de seu carro no caminho para chegar até aqui. Segui papai com passos leves para não espantar os animais.
— Estou ouvindo passos, acho que está na hora.— disse meu pai.
— Ainda acho uma loucura querer caçar coiotes sem nenhum tipo de arma, e nós não iremos mata-los, certo?
— Uma caçadora defensora de animais, essa é a ironia do mundo.— ele riu torto.
— Onde pretende começar?— perguntou.
— Primeiro, fique parada onde está, apenas ouça as pegadas e tende descifrar qual animal é.
— E como vou saber? Pensei que viemos caças coiotes.
— Essa é a nossa primeira opção mas creio que hoje teremos mais companhias. Está ouvindo?— ele perguntou apontando ao leste.— São passos fortes, provavelmente está ouvindo nossa voz, se nossa opção for mata-lo é melhor ficarmos quietos.
— Mas nossa opção não é essa. Já tem algum palpite de qual animal é?— perguntei.
— Acho que podem ser ursos.
— Eles não hibernam no outono?
— Esses pelo jeito não, posso ouvir apenas dois passos se aproximando, como se a criatura andasse...— ele foi interrompido por um jovem que se aproximou. Sua expressão era de completo espanto, e via ódio em seus olhos. A mesma expressão brotou em mim quando vi o rosto do jovem. Era ele. O jovem de meus sonhos. Ele era real.
— Por favor, preciso de ajuda. Me mudei ontem para Lynchburg, lembro de ter ido comprar algumas cervejas e acordei no meio dessa mata e agora estou completamente perdido— disse o jovem.
— Não é jovem demais para beber?— disse meu pai.
— Tenho quase 17 senhor.— ele respondeu. Quando seus olhos se viraram em minha direção ele abriu um sorriso no canto, eu vi teus olhos brilharem iguais aos meus sonhos.
— Sou Derek, prazer.— ele disse estendendo a mão para me cumprimentar.
— Violet.— respondi.
— Bem, eu e minha filha estávamos tentando encurralar um coiote, e você sinceramente estragou meus planos. Siga ao oeste e encontrará uma estrada, vá e peça uma carona.— disse meu pai, sua voz era de ódio, como se o conhecesse a anos.
— Ou nós podemos levar ele até sua casa. Nós moramos aqui perto, Derek.— disse apontando a direção de minha casa.
— Gosto do jeito que pronuncia Derek.— ele disse com sorriso no rosto, um lindo sorriso. Eu fiquei sem graça e apenas sorri de volta. Eu queria perguntar quem ele era, ou o que fazia perdido em uma floresta, ou o mais importante, porque estava em todos meus sonhos.
— Está bem jovem, siga-me até a nossa casa, lá pegarei a picape e te levarei até sua casa, afinal onde você mora?— perguntou meu pai.
— Pode me deixar em um posto aqui perto, não tem problemas.
— Nós o levaremos a sua casa, tenho 1 hora até a escola ainda.— eu disse.
— Se não for incomodo, moro próximo ao quiosque do Jonh, ouvir dizer que lá tem os melhores cafés.
— Então venha, jovem.— disse meu pai mas ainda demostrava desprezo ao Derek.
Seguimos até minha casa onde estava a picape de meu pai.
— Bela casa de campo.— disse Derek em minha direção.
— Obrigada, é agradável.— eu respondi.
— Ora Violet, acho que já pode ir entrando que eu levo Derek.— disse meu pai.
— Eu ofereci a carona, eu o levo, pai.— disse eu.
— Eu não acho uma boa ideia.
— Não sou nenhum maniaco louco perdido na floresta, senhor. Eu não cheguei a beber nada, simplesmente não lembro o que aconteceu, e o mais estranho, eu nem lembro se vim de apê para cá.— Derek disse.
— Levo Derek e já fico na escolha, tchau.— eu disse dando um beijo nas bochechas de meu pai.
Fomos seguindo estrada até a sua casa, eu estava me segurando para não lhe fazer perguntas sobre tudo, e porque ele continuava invadindo meus sonhos. Seus olhos estavam fixos em mim.
— Pode perguntar— ele me disse.
— Perguntar o que?
— O que você quer perguntar.
— Como sabe que quero perguntar algo?
— Você encontra um cara no meio do bosque, sem memória, oferece carona, alguma coisa tem ai ,não acha?
— Eu só achei que precisava ser bem recebido na cidade.
— E com certeza fui.— ele sorriu malicioso.
— Então, de onde você feio?
— Transilvânia, isso mesmo, cidade dos vampiros.— ele riu.
— Só não me venha falar que você é um vampiro e que vai me usar para uma espécie de sacrifício, porque desse jeito nunca mais dou carona para ninguém que aparecer no meio da floresta.
— Não é sacrifício, só quero o que tem de baixo das suas roupas. — ele disse sorrindo, mas eu não achei graça, mudei minha expressão para séria. — estou dizendo, de baixo de sua pele, seu sangue.
— Ah sim, acho que chegamos ao quiosque do Jonh, qual dessas é sua casa? — perguntei.
— Aquela verde ali, mas pode me deixar no quiosque do Jonh. Como disse, ouvi dizer que ali serve o melhor café, não quer experimentar? Eu pago.
— Eu já me alimentei e falta 20 minutos para a escola, não acho uma boa ideia.
— Um convite desse não se recusa. Tem 20 minutos para saber tudo o que precisa sobre mim.
— Está bem, mas se eu me atrasar para a escola...
— 20 minutos.— ele disse.
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