The son of pain
1 O Reformatório. - Sam.
Você deve bem saber que pessoas vão todos os dias para reformatórios por terem feito coisas do tipo: Ah roubei um carro, furtei a bolsa de uma senhora, assaltei uma loja... Etc. Bom, comigo não foi bem assim, a razão pela qual isso aconteceu foi apenas por ter praticado Bullying com um cara e este tenha tentado se matar. Na moral? Bullying é uma coisa séria e eu sei muito bem que não devemos praticar mas cara, vê se me entende, o guri era um otário do tipo: que usa óculos, aparelho, magro, camisa abotoada até o colarinho e calças acima do umbigo. Queria que eu fizesse o que?
O nome dele era Brad mas poucas pessoas o chamavam assim, apenas os professores e bom... Seus amigos. Juro que não fazia nada de mais, apenas o empurrava, jogava seus livros no chão, o trancafiava dentro de seu armário, puxava sua cueca na frente da escola inteira... O.k, já deu pra entender, não é?
Tudo começou mesmo em um dia que a mãe de Brad havia chegado em casa e se deparou com o filho jogado no chão com a boca espumando e vários comprimidos ao redor, já sacou o que ele fez, certo? Bem, a mãe dele ligou para a emergência e logo ele foi levado para a UTI. Depois de uns dois meses e meio, a escola passou por investigações e o próprio Brad deu depoimentos, levando meu nome a tona, é claro. Resultado: fui chamado a delegacia e confessei tudo. Por que? Cara, não tinha mais o que fazer, só teria de encarar o destino.
Os pais de Brad jogaram um processo contra mim e o Juiz terminou por determinar que eu teria de ficar três anos em um reformatório sem o direito de sair ou ver meus pais com exceção do dia de ação de graças e do natal. Encarei numa boa, mas meus pais ficaram totalmente decepcionados comigo. Afinal, não tínhamos uma vida lá muito fácil.
Meu pai se chamava Charles e era dono de uma empresa de carros para aluguel, ou seja, passava apenas três horas e meia do dia em casa, que era quando vinha almoçar/jantar. Minha mãe se chamava Louise, era uma doce mulher e trabalhava como especialista em essências de perfume. Enquanto eu, era um garoto de 16 problemático que vivia se metendo em brigas por onde quer que chegasse.
[...]
O dia em que o ônibus chegou para me buscar em casa para levar para o reformatório não foi diferente de um dia comum como eu tinha de ir para a escola. A única diferença era que minha mãe estava totalmente em prantos e revoltada porquê iria passar um ano inteiro sem ver o filhinho querido dela, tudo bem, superamos.
Peguei minhas malas (duas, na verdade) e as levei para o ônibus, em seguida o motorista as jogou dentro da mala do veiculo e ficou esperando que meus pais me deixassem entrar para seguirmos viagem. Minha mãe me agarrou e praticamente não me soltaria se não fosse meu pai com o jeito sério de sempre fazendo todos ao redor se sentirem demasiadamente inferiores.
Dei de ombros ao falar com ele e entrei no veiculo sentando-me em uma poltrona na janela e pondo de imediato meus fones de ouvido, não estava afim de ser incomodado e se quer saber, só estavam comigo mais duas pessoas: um garoto alto e bem forte e uma garota gorducha. Ambos sentados a uma distancia segura para que eu não arrumasse nenhum tipo de problema.
[...]
Não sei ao certo quanto tempo levou para que eu chegasse naquele inferno, só sei que foi bem mais de uma hora. Cara, se você já esteve em um presídio, pense em todas as características do lugar e multiplique por dois em relação a sensação que se tem ao se deparar com aquilo. Era simplesmente enorme, tinha os muros grandes e grossos feitos de concreto e totalmente protegidos por cerca elétrica e arame farpado. Havia uma espécie de portaria onde um guarda com um pastor alemão permitia ou não a entrada de veículos e pedestres.
Quando adentramos os portões, a coisa não ficou menos tensa, um grande edifício central surgia, possuía aproximadamente três ou quatro andares. Ao redor, pude ver mais dois prédios: um do lado esquerdo e outro do direito. Mais atrás, pude ver também outro prédio, só que menor, este possuía uns dois andares no máximo.
O motorista nos mandou descer e nos entregou nossas malas. Uma mulher que aparentava ter uns quarenta anos se aproximou com cara de poucos amigos e foi logo falando:
- Sou a senhorita Kramer, Cecília Kramer. Bem vindos ao Reformatório Gondbell. Aqui irão receber ensino de qualidade e serão privados de qualquer contato com o meio externo, por isso, devem depositar seus aparelhos eletrônicos devidamente etiquetados na sexta que a senhora Brumer está trazendo.
Ela apontou para uma mulher mais jovem que aparentava ter seus trinta e dois anos. Cara, isso só poderia ser brincadeira, como eu iria sobreviver por três anos sem tecnologia? Isso certamente seria um problema.
Após etiquetar os meus eletrônicos e por na sexta, um grande homem parrudo chegou para levar nossas malas para os dormitórios, enquanto acompanhávamos a "senhorita" Kramer até o prédio central, onde segundo ela, ficavam a diretoria e as salas de aula, que foram apresentadas uma a uma e em seguida entregues os horários que para a minha surpresa mostravam ter apenas quatro aulas: Matemática, História, Geografia e Português. Tive vontade de perguntar o porque daquilo, mas achei mais sábio ficar calado.
Em seguida, ela nos levou até o prédio dos fundos, que era onde ficava a biblioteca e a sala de mídia, na qual só poderíamos utilizar para pesquisas escolares (os outros sites estavam bloqueados). Atrás da biblioteca, ela nos mostrou que havia uma floresta e apenas comentou que ali havia uma praça e um lago, segundo ela, era para o laser dos alunos. Cara, na moral, como uma praça e um lago podem ser as únicas formas de laser dessa joça?
Por ultimo ela nos entregou as devidas chaves de nossos dormitórios, falando também, que o dos meninos era do lado esquerdo e o das meninas do lado direito, em seguida completou dizendo que os meninos só poderiam estar no dormitório das meninas até as nove e visse versa.
[...]
Após aquela chatisse toda, fui caminhando em direção ao dormitório masculino e quando cheguei lá e vi o número de minha chave descobri que iria ficar no número 14, bem próximo a um frigobar, ou seja, não era tão mal assim, pelo menos tinha me dado bem em algo.
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