The red house

1 A velha casa de telhas vermelhas


A voz por trás da fechadura mudava de tom mas não deixava de soar como a voz de uma criança, e o choro que a trouxera até ali, que a fizera ignorar as correntes na entrada onde a placa com os dizeres "não entre" estava pendurada finalmente se acalmara, enquanto ela trocava olhares nervosos com seu amigo que viera com ela no desespero de querer ajudar.

Ajudar uma criança aparentemente sozinha em uma casa assombrada a mais de cinco décadas, uma grande ideia, claro.

Mas naquele momento ela culpava seu coração e o peso em sua consciência em deixar uma criança sozinha em uma casa velha como aquela.

Eles tinham que sair dali o quanto antes, salvar a criança e sair dali o mais rápido possível, senão haveriam mais corpos a serem contados na longa lista de incidentes que aquela casa de telhado vermelho colecionava. Enquanto o medo em seu corpo subia e descia em ondas, Kou ao seu lado, batia repetidamente na porta que não abria.

A maçaneta não abria a porta, não importava quantas vezes houvessem tentado.

Até que a voz da criança chorosa perguntou coisas das quais Nene duvidava que uma criança deveria perguntar tão inocentemente.

"Você tem olhos?", "E suas mãos, braços e pernas, você os tem também?", "Você não tem nada faltando tia?", e por mais estranha que fosse a sensação em seu estômago, ela respondeu a voz dizendo que não lhe faltava nada, que seus membros estavam em seus devidos lugares.

E a porta se abriu.

— Então nós podemos brincar tia, do que nós vamos brincar?

Havia um garotinho por detrás da porta, na ponta dos pés, segurando a maçaneta com um olhar inocente.

Nene mal se deu ao trabalho de notar o que havia além do quarto, nas roupas do garotinho, em como aquela situação na qual se metera parecia fugir da realidade.

— A gente não pode brincar agora, primeiro temos que sair daqui.

O corpo dele era quente, ela conseguia sentir o pulso facilmente.

— Mas eu não posso sair tia.

— Por que não pode?

— Eles vão ficar zangados se eu sair.

Um arrepio correu por seu corpo, mas ela tinha que manter a compostura, estava na frente de uma criança afinal.

— Quem vai ficar zangado? Não tem ninguém aqui.

— Nene, vamos brincar!

E enquanto seu braço era puxado para dentro do quarto e Kou chamava por ela, Nene percebeu que nunca havia dito seu nome a criança. Quando deu por si estava sentada em um sofá pequeno, com o rosto do garotinho inclinado sobre o seu. Os olhos pareciam ter mudado de cor quando um sorriso maldoso apareceu em seu rosto.

Ele puxava os dedos das mãos dela com força, cantarolando uma cantiga estranha.

"Uma noite, duas madrugadas, três vão junto.

Acordados olhando para a lua, esperando pelo amanhecer"

— Você vai ser a minha nova boneca tia, e eu sei que você não vai quebrar.

Notas finais
Eu adorei o arco "The Red House" e acabou que entre os capítulos 75/76 me vi escrevendo essa versão alternativa do encontro de Nene e Kou com o pitico do Tsukasa e acabei me lembrando disso dia desses, heh :3
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!