The prophecy
1 Prólogo.
Não sabemos exatamente a razão disso tudo, só sabemos que é preciso acabar com isso... De uma vez, agora ou nunca. Não faz uma semana que tudo aconteceu, e eu só não sei como terminar isso. Eram apenas duas asas que foram completamente queimadas. Não fazia diferença... Não para mim! Se ao menos soubesse o que diabos isso tem haver...
Existe uma profecia, guardada com Kadin, o rei, atual, dos vampiros. Não só dos vampiros, ele é como Impius para os demônios, é Misereatur para os anjos, o alfa de todos os lobisomens, é o comando de todas as criaturas, o mantra delas, é a ordem, o grande ser superior. As únicas criaturas que não o vêm como imperador, como o rei do mundo e de todos são as delicadas fadas, escondidas com suas roupas tecidas por anjos e lavadas por mãos escamosas de sereias. Talvez sua rivalidade com Kadin seja uma grande ajuda. Assim como os demônios e os anjos também seriam se não o vissem como seu rei.
E, mais uma vez, percebi que o papel bege e sujo estava em branco, como das outras vezes. Talvez eu não devesse me perder em pensamentos quando se precisa de ajuda de algumas criaturas... A caneta estava caindo de meus dedos, e eu já podia ver as nuvens escuras se aproximando. Suspirei, soltei a pena da caneta e fui até a janela, a fechando. Não tinha vidro ou algo que desse para ver além do pedaço de madeira, era uma casa de fada, uma árvore qualquer e grande, com espaço suficiente para mais de doze pessoas. Talvez eu estivesse me escondendo, sabe? Era algo que eu realmente precisava e o local mais seguro seria aqui, em um bosque qualquer onde fadas vivem. Elas não acreditam no império de Kadin, e essa é a principal razão por estar aqui. Preciso da ajuda delas.
— Talvez devesse descansar um pouco, pequeno príncipe. – Magda, uma das fadas daquele local, a mais velha de todas disse. Ela sabia da história, e sabia que deveria ser eu e não Kadin governando esse mundo e, inclusive, não dessa forma.
— Certamente. – Olhei para o papel em um vazio completo e encarei os olhos cinzas e profundos de Magda. Ela era tão bonita, como todas as fadas. Não parecia ser tão velha quanto realmente era.
Seus cabelos eram tão sedosos, podia sentir o cheiro de tulipas á centímetros de distancia daquela imensidão castanha. Sua pele parecia ser tão macia quanto seus cachos, nariz fino e delicado, um tanto pontudo. Acho que todas as fadas daquele local tinham certa fisionomia parecida, o nariz. Lábios finos e avermelhados, e um queixo pequeno, como em algum desenho. Era incrível como esse tipo de criatura tem uma aparência assim, claramente inofensiva.
— Querida! – Magda chamou por alguma fada alojada ali. – Onde está? – Disse delicadamente e bufou. E antes que pudesse chamar novamente, Lux saiu de uma das entradas subterrâneas com as asas batendo, flutuando por segundos no ar. Encarou Magda, me olhou e então desceu ao chão.
— Desculpe a demora, Magda. – Se desculpou, curvando-se.
— Não se desculpe, querida. – Sorriu. – Leve nosso convidado onde possa descansar.
Lux sorriu e bateu suas asas rapidamente, tão rápido que parecia haver mais de um par de asas. Esticou a mão branca para frente, a segurei e em um piscar de olhos estávamos debaixo da terra, nas raízes grossas e espaçosas da grande árvore. Era algo incomum, a força e a rapidez que Lux me arrastava entre aquela raiz. Não quero entender como faz isso, só é surpreendente.
E, de repente, saltamos do buraco da raiz e estávamos em um lugar completamente diferente. Havia uma espécie de rede feita com folhas de árvore, parecia uma sala de refeição, talvez. No centro, havia um lago tão cristalino que parecia não existir. Nas paredes, cascas de madeira, espécies de portas ou talvez janelas. O teto era o melhor: estrelas. Era aberto, eu as via, brilhando, como se conversassem comigo com seu brilho magnífico.
— Precisa de algo, senhor? – Lux perguntou.
Ela era exatamente como Magda. Quer dizer... Não exatamente, mas no aspecto de delicadeza. Algo que todas elas têm.
Seus cabelos eram dourados, e tinha uma franja encaracolada, mas estava grande então ela a colocava atrás da orelha pontuda com uma espécie de brinco de argola prateado na ponta. Nariz pontudo e delicado, como o de Fancy. Olhos verdes, mas não eram chamativos como os de Fancy ou de qualquer outra fada, o brilho era menor. Ela tinha muitos pontos, pequenas manchas escuras na pele, o que era considerado uma imperfeição para as outras fadas, mas isso era de fato... Bonito.
— Am.. Não! – Falei, e Lux virou-se. – Quer dizer, sim.
— Do que precisa, sen... – Ela não pode terminar, eu a interrompi.
— Aiden.
— Senhor Aiden? – Perguntou, incerta.
— Não! Apenas Aiden, apenas isso.
— Certo. – Sorriu. E era um sorriso estupendo. – Do que precisa, Aiden? – Deu ênfase em meu nome.
— De papel, e algo para que eu escreva. E, se não for pedir demais, algum mensageiro que visite o lado escuro.
— Quer dizer... O inferno? – Perguntou de forma engraçada.
— O lado escuro. Não o inferno. Inferno é mais do que aquilo, passaram a chamar toda aquela escuridão de inferno pois alguns demônios vivem lá, estão apenas desistindo de seu outro... Lar, digamos. Mas não é o inferno.
— Demônios estão por lá, e fazem o que faziam no lar de Impius. – Disse, como se estivesse certa. Sorri, apenas. Obviamente ela não estava.
— Apenas isso que desejo, Lux.
Curvou-se e entrou rapidamente no buraco no chão de onde viemos.
E, olhando o céu escuro com os pontos brilhantes de luz, lembrei-me de algo. Não poderia apenas recorrer aos anjos, não que fossem fracos, mas... Bom, toda criatura precisa, ao menos que for uma única, precisa estar contra o que o resto chama de Rei. Ele não é o imperador, e eu sei quem concordaria com isso.
Kali Hebate. O único demônio daquele lugar contra os direitos de Kadin como o novo Impius em seu lar.
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