Notas iniciais
Dicionário:
cutie mark - bela marca
colt - garanhão/ pônei macho

Cap.1 — D1

O pégasos branco de crina verde adentrou a sala. Sua cutie mark era verde com o desenho de uma estrela cadente com asas. Os pôneis da classe se aquietaram.

Era o início de um novo semestre para eles e de novos professores. Tudo o que sabiam era que aquele pônei branco seria seu professor de criaturas que habitam o mundo.

— Bom dia a todos — Falou o pégasos branco dando um pequeno voo para trás do palanque — Sou seu professores de criaturas habitantes do mundo, meu nome e Fast Dust. Primeiramente como sabem Equestria é só uma parte deste mundo e...

Sentou em seu flanco mexendo num relógio de pulso a onde no primeiro click virou um unicórnio e depois para um Bat-ponei com outro click, até parar no terceiro click arrancando da turma gasps de surpresa ao verem ele se transformar em uma criatura de tons cinza e azul.

— Algum pônei sabe dizer o que sou? — Fez uma pose se mostrando de lado.

Vários cascos foram ao ar. Ele apontou para um estudante na parte mais central.

— Um Changeling. — Respondeu o colt com toda certeza do mundo.

— Correto — Respondeu o professor — Quem gostaria de me dizer informações sobre um Changeling que eu represento — Deslocou-se para a frente da turma, saindo de trás do palanque para que pudessem olhá-lo melhor.

Novamente cascos no ar. Escolheu um ao fundo que começou a falar :

— Uma criatura que vive em colônia, servindo a uma rainha. Se alimenta de amor. Pode tomar a forma de um pônei para se alimentar do amor que outro nutrem por ele.

— Correto, mas incompleto, alguém sabe um complemento?

Só recebeu negações.

—Para a maioria Changelings são só isso e nada mais. Mas vocês estão aqui para saberem a mais que a maioria.

Começou a ir de um lado ao outro enquanto discursava.

— Eu sou um guerreiro. Existem três tipos: Operário, guerreiro e coletor. Como a rainha é única, não incluímos na classificação. Para próxima aula irei querer a diferença desses três por escrito, e o seu dever na colônia.

Deu uma pausa esperando que tomassem nota da tarefa. Ficando parado no que seria o centro da frente.

— Como dito eles se alimentam de amor, alguma descrição para amor?

Olhou a turma e escolheu uma na frente que respondeu.

— O que sentimos por outro pônei e que nos faz ser capaz de tudo pelo pônei amado.

—Correto, mas essa é a forma romântica dele. Não entendam errado o que direi. Amor é aquilo que vocês já sabem. Mas para um Changelings é um pouco diferente.

Voltou a andar.

— Changelings podem se alimentar de vida. Praticamente tudo o tem. Mas poder amar é uma forma da vida muito mais poderosa. Tanto que é isso que leva, de certa forma, a criar uma nova vida. Entendem o que quero dizer?

Parou novamente olhando as reações meio confusas, mas de entendimento.

—Vamos, ponham em palavras. O conceito é simples, mas ao mesmo tempo é complicado. Alguém arrisca dizer uma frase de definição?

Uma unicórnia lilas de crina amarela a frente ergueu o casco e com o consentimento do professor começou a falar.

— O amor une e dessa união surgirá uma vida. De outras formas de amor surge o cuidado para manter a vida de um outro. Criando um círculo. Amamos para manter a vida.

—Maravilhosa definição! — Exclamou o professor com um pequeno saltinho e um bater de asas — Senhorita?

— Dinky Doo! — Respondeu sorridente.

— Recomendo que guardem isso "amamos para manter a vida". Acreditem ou não Changelings possuem por si só um pequeno amor, para sua colônia, o que os mantém unidos, mas mais especificamente para a rainha. Contudo, é um amor pequeno, eles não sabem gerar mais. Então desenvolveram um meio de roubá-lo.

Um pônei ergueu o casco e liberado falou.

— Como podem não gerar mais?

— Bem... a resposta é mais complicada do que parece — coçou a cabeça — Vamos dizer que ao criar um ovo ele necessite de amor... — Começou a gesticular — … mas não o possuem naturalmente o suficiente. Se só lhe for dado esse pouco que possuem perdem sua essência e talvez o que nascerá será igualmente vazio, mas com certa consciência.

"Agora, se esses dois que criam o ovo pegarem amor de outros lugares e depositar só uma gota do seu, nascerá um com consciência própria. Com entidade."

"Essa pequena gota que passam entre eles é o que faz a união de uma colônia de Changelings. Agora respondendo a sua pergunta. Essa pequena gota vem da rainha, que produz de tempos em tempos, o que ela produz pode ser o equivalente ao amor que vocês sentem, mas imaginem que isto é fracionado entre toda a colônia e de forma desigual"

"A rainha não tem muito controle do quanto ela dá de amor e isso faz a seletividade de cada tipo de Changeling, e tenho de parar de falar, se não vou lhes dar o relatório que devem escrever "

A turma riu, um ainda gritou um "não nos importamos" para se fazer ouvir.

O professor olhou o relógio na parede.

— Logo vai tocar o sinal. Então voltamos a falar de Changelings na próxima aula — apertou o botão de seu relógio voltando a ser um pégasos — e vamos falar dos seus projetos para o fim da disciplina.

O pégasos voou para o quadro arrastando o que ficava a frente para o lado, revelando instruções que escrevera mais cedo, os alunos já tomavam nota.

—Cada um apresentará sobre uma das criaturas listadas. Façam grupos de no máximo 3. O tipo de apresentação que irão abordar fica a critério, mas recomendo que deixem para pensar nisso por último, darei vários exemplos para vocês durante as aulas e se pensarem em algo diferente adorarei ver.

O sinal tocou e os alunos começaram a se mover, empacotando suas coisas. Ao irem saindo se despediram do professor.

O pégasos branco recolocou o quadro no lugar, ainda teria outra turma depois.

—Professor?

Olhou e viu Dinky parada a frente do palanque com sua mochila.

—Pois não Mrs.Doo?

—Porque finge que usa um aparelho para se transformar? — apontou para o relógio de pulso.

—Por que aqui não é Ponyville e foi o local direto do ataque de Changelings. Acredito que nunca nos conhecemos realmente, mas sua mãe falava maravilhas de você — sorrio se dirigindo a porta com ela.

— Minha mãe falou de você e tudo que ocorreu. Ela só sabia que você tinha se mudando para Canterlot, mas sem um endereço fica difícil mandar uma carta.

— Eu visito Ponyville quando posso, é só um infortúnio nunca ter encontrado a Ditzy. Nunca fiquei sabendo qual era seu endereço, até pensei que talvez a carta chegasse até ela só com o nome já que trabalha nos correios, mas duvido que sequer saísse do correio daqui.

— Isso realmente são muitos infortúnios, mas agora a sorte está a seu lado — falou empolgada — posso lhe passar o endereço e você poderá escrever a carta!

— Ficarei muito grato — sorria — mas você pode já me adiantar algumas coisas, tem aula agora?

— Sim, depois tenho de ir trabalhar, só saio às 18h.

— Então que tal juntarmos juntos? Isso é, se estiver disponível.

— Estarei sim. Que tal no Ponydonalds? Às 18:30?

— Combinado então, até as 18:30.

Acenaram um para o outro e seguiram caminhos opostos.

@18:40 no ponydonalds@

Estavam a esperar seus pedidos e iam decidindo onde sentar.

Fast Dust estava na sua forma unicórnio, que tinha a mesma coloração de sua forma pégasus, mas sua cutie mark era uma estrela com aura verde em volta. Nessa forma atendia por Glow Star.

— Lá... Tinha um lugar... é acho que aqui dentro não vamos sentar — falou o unicórnio branco — por que não vai lá fora e guarda uma mesa? Pode deixar que eu levo os pratos.

Dinky ia protestar, mas olhou para o chifre de Dust.

— Ok — trotou para fora, olhando as mesas disponíveis, escolheu uma e foi se sentar pensando — "é fácil esquecer que ele pode fazer magia normalmente"

Tinha o tomado pelo conceito de um pégasos, sem magia teria mais dificuldade de levar as bandejas.

Dinky acenou quando o viu passar pela porta. O unicórnio branco largou as bandejas na mesa e ao se sentar não era mais um unicórnio, mas um pégasos.

— Então Mrs. Doo, como anda a sua mãe? — perguntou Dust abrindo com os cascos o seu sanduíche.

—Pode me chamar de Dinky. E ela vai indo bem, com problemas no trabalho como sempre, mas nada que já não esteja acostumada — imitou o gesto do pégasos, que já estava mastigando um pedaço

Quando o professor engoliu falou:

— Nunca considerou trazê-la para Canterlot? Você veio sozinha muito jovem para cá — tomou um gole de sua bebida.

Dinky engoliu e respondeu :

— Sim, mas não tinha como arcar com um apartamento aqui. Eu ganhei uma bolsa com direito a um quarto no castelo, então não tenho esse gasto.

— Ainda lembro da felicidade de sua mãe contando como a princesa Twilight lhe elogiava — sorrio com a lembrança — " meu pequeno muffin uma aluna número um" — tentou imitar a voz de Ditzy.

Dinky ficou meio vermelha, dando uma risada quase nervosa.

— Yup, totalmente minha mãe falando. É vergonhoso pensar o que ela falou de mim.

— Apenas os maiores elogios babados que uma mãe pode dizer de seu precioso muffin.

Dinky gargalhou concordando.

— Me diga uma coisa professor…

O pégasos ergueu um casco.

— Não estamos numa sala de aula, pode me chamar de D, é de Disscant, meu nome quando era um Changeling, que tem como apelido D… também pode servir como apelido de Dust.

—Ok, então. D, sempre ouvi as histórias da minha mãe, mas eram da perspectiva de um pônei sobre outro, qual era a sua real visão naquele encontro inicial quando se conheceram? — pegou sua bebida tomando um gole sem tirar os olhos dele.

O pégasos com um suspiro aconchegante de lembrança começou a contar o primeiro dia em que conheceu Ditzy Doo.

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Eu viajava de cidade em cidade, tentando aprender como os pôneis vivem e se comportam. Mais que isso eu procurava algum emprego que me desse bits, logo aprendi que necessitava deles para conseguir comida. Era difícil achar quem contratasse um potrinho.

Foi quando eu andava na minha forma terrestre, numa estrada ao meu próximo destino que algo caiu na minha cabeça.

Um pacote com selo de correio e um endereço, já tinha visto um pônei correio antes então sabia do que se tratava. Quando olhei pro céu vi um pégasos do correio voando em direção a cidade sem notar que uma de suas cargas cairá.

Me tornei um pégasos tentei chamá-lo voando atrás dele. Não parecia estar voando tão rápido, mas minhas aulas de voo só foram desastrosas, então me matei tentando alcançar sua mãe. O que me fazia diminuir a distância entre nós eram as paradas dela para entregar correspondência.

O problema era que eu estava ficando exausto, mas por sorte ela chegou num ponto em que ficou conversando com um pônei.

Quando finalmente os alcancei notei que na verdade aquele unicórnio gritava com o pégasos. Minha chegada desastrosa interrompeu o que ocorria. Eu literalmente aterrizei de cara, e quando a tirei da terra vendo-os a minha frente falei:

— Você... deixou... isso... cair (imitou seu ar cansado)

Estendi o pacote e na época admito ter entendido nada do que ocorria ali. Mas salvei sua mãe de uma bela encrenca.

Entre agradecimentos e um abraço, que me fez não ouvir nada do que ela dizia, por que até ali nunca tinha sido abraçado. Pelo menos que eu lembrasse, provavelmente meus pais o fizeram. Mas o fim de todo aquele tornado de momento se resumiu em meu estômago roncando e sua mãe me levando para comer. Contei-lhe parte da minha situação de forma muito restrita, afinal tinha muito medo que pudesse escapar de alguma forma o que eu realmente era.

Novamente ela foi a primeira a demonstrar preocupação comigo de uma forma a me desnortear. Ela não questionou o fato de eu não querer ir para um orfanato ou ser adotado. Em vez disso ela tentou ser compreensiva e me disse para ir a Ponyville. Sei agora que foi o jeito dela de me manter por perto e poder cuidar de mim.

Ela me ajudou a estabilizar. Eu tinha medo de que descobrissem que eu era um Changeling, Chrysalis me avisara que se tinha uma coisa que nunca poderia ocorrer era descobrirem o que eu realmente era, então fui muito fechado de início, mas o jeito acolhedor que uns pôneis me mostraram em Ponyville me abriu. Me mudou. Mas nunca tinha perdido o medo, evitava me envolver.

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— Por isso nunca visitou a casa de ninguém? — Dinky perguntou comendo uma batata.

— Sim. Observei que ir a casa de alguém para passar o tempo era um nível de amizade que eu quis evitar. Também não queria ter de levar ninguém a minha casa, ainda mais quando criei três vidas diferentes. Por sorte as três eu sabia de trabalhos que faziam-nas ficarem ausentes sem ser suspeito — deu uma mordida no seu sanduíche.

—Mas agora quero é saber de algo que não sei se posso perguntar… — falou de forma receosa Dinky.

— Pergunte e eu decidirei o que realmente é — deu outra mordida.

Dinky exitou antes de falar.

— Como você foi parar na colônia e como era a vida lá?

O pégasos pareceu analisar a pergunta comendo uma batata.

— Minha mãe sabia que não poderia me criar. Por mais duro que fosse ela fez meu pai ir a colonia e tentar me colocar lá. Eu sou um Changeling, supostamente meu lugar seria lá — pegou outra batata.

— Imagino o quão duro foi — Comentou a unicórnia lilas.

— Mais duro foi ouvir que meu pai morrera ao me levar a colônia. Faziam questão de me contar isso, os outros chang.

— Eles o mataram? — falou horrorizada.

— Chrysalis me dissera que seria a pena de morte dele assim que descobrissem que ele tinha uma fonte de amor só dele. Changelings desejam amor como qualquer pônei, mas não o sentem se não for de outro.

— Então, momentaneamente quando se alimentam de um amor eles amam o pônei em questão?

— Sim. Eles pegam o sentimento para si. Nesse breve momento eles sentem o que é ter uma alma completa.

— Mas como isso ocorre com você? Pelo que eu entendi você teria uma alma comum, certo?

— Quaaase. Existe esse pequeno pedaço faltando. Preencho ele fácil, o que não me faz sentir o sentimento como se fosse meu, mas consigo medir o grau de amor, por assim dizer. Tanto que diferencio os tipos de sentimentos. Tanto que é maravilhoso ver o amor de sua mãe por você. Foi sem querer, juro, mas esse lado estava faminto e ela falando de você era como sentir o cheiro da comida. Minha sorte é que eu também não me alimento como os outros, então passa despercebido quando o faço.

— E como é o sentimento dela?

— Fofinho como uma nuvem, quente como uma fogueira, aconchegante como estar debaixo das cobertas com um chocolate quente num dia de inverno.

Dinky rio, mas seu olhar se perdeu na lembrança carinhosa de sua mãe, deixando aquele sorriso contente de carinho.

— Alegre como um unicórnio no arco-íris — D comentou sorrindo.

— Você está roubando meu amor pela minha mãe? — fez uma falsa voz braba.

— Não — abriu um grande sorriso — as vezes é palpável e fácil de identificar.

Ambos observaram suas bandejas, catando um último pedaço de comida que restará. Tomaram o último gole de suas bebidas.

— Está ficando tarde — comentou Dinky — tenho ainda que fazer tarefas da faculdade... — olhou o relógio preso na parte superior da entrada — mas tenho tantas perguntas para lhe fazer…

— Então vamos combinar um dia em que tenha mais tempo.

— Domingo é meu dia de folga. Aonde seria um bom lugar para conversar?

O pégasos fez uma pose pensativa antes de sorrir como se soubesse de algo.

— Já passeou pela floresta?

— Nunca! — ficou intrigada com a escolha.

— Então nos encontramos no início da trilha que tem no lado norte.

Den se ergueu e Dinky imitou. Se despediram na entrada do restaurante, cada um seguiu para um lado. Dinky voltava para o Castelo e Den, voando, para sua casa, um pequeno apartamento não muito distante do castelo.

Notas finais
Alguma criatura que queira ver numa aula?

E você gostaria de fazer parte das apresentações no final do semestre da fic? x)

Pequenas Informações:

O changeling tem nome para cada forma:
Star Will - terrestre (uma estrela azul)
Glow Star - unicornio (uma estrela azul com brilho verde em volta)
Fast Dust - pegasus (uma estrela cadente com asas)
Disscant - changeling
Apelido - D

Então, peguem um bloco e anotem até se acostumarem =p

Todas as formas tem o pelo branco e crina verde, exceto a changeling, que claro, é um changeling.

Ignorem inconsistências com qualquer coisa que se tenha certo do programa, isso vai fluir no meu ponto de vista de como os Changelings funcionam e de quando comecei a pensar nessa história. Isso vale pra qualquer outra coisa também.