The phoenix

3 Festa do pijama?


Notas iniciais
Minhas queridas e amáveis leitoras, muito obrigada (muito obrigada mesmo!) pelos lindos comentários, eu amei, fiquei muito feliz com isso. Desculpem-me por eu demorar tanto a postar, mas por causa dessa demora, juro que amanhã postarei outro. Beijos e boa leitura!

Dei um passo para trás achando a situação um tanto sinistra. Eu já não confiava mais no que via, só podia estar tendo alucinações, talvez seja algum tipo de transtorno pós traumático.

– Saia daqui! — exclamou o garoto com a voz ainda mais grave. Pisquei algumas vezes sem entender o porquê da hostilidade, isso sem falar que eu tenho direitos iguais a ele no que diz respeito a andar pelas dependências da escola.

– Olha meu chapa, se você não notou, eu cheguei aqui primeiro, então se alguém tem que sair, que seja você! — falei de maneira autoritária. Percebi que os punhos dele estavam fechados e seus músculos tensionados, sem falar da respiração extremamente acelerada. Devo admitir, eu fiquei com medo.

O sol, a lua e a verdade. — repetiu as palavras bobas. Depois de alguns segundos, seu corpo relaxou e ele levantou a cabeça para poder olhar para mim. Talvez tenha notado a minha expressão confusa e assustada. Retirou o capacete e suspirou pesado. — Você é muito teimosa! — comentou. Sua voz não estava tão grave como antes, na verdade, estava calma e profunda.

– E você é muito arrogante! — retruquei. Ficamos nos encarando por alguns segundos. Agradeci mentalmente quando o sinal tocou e eu pude sair de lá com dignidade.

Qual era o problema dele? Qual era o problema das pessoas dessa cidade? Andei irritada o mais rápido que podia, chequei o horário e constatei que a próxima aula seria no laboratório de ciências, peguei o livro no armário e caminhei, dessa vez não precisava perguntar para ninguém onde ficava a sala, eu a havia visto quando transitava pelos corredores hoje de manhã. Entrei no local um pouco hesitante, aquele não estava sendo um dia bom. Sentei ao lado de uma garota loira, ela me encarou com uma sobrancelha arqueada.

– Olha só! Esse lugar tem dono. Então, por favor! Procure sentar em outro lugar. — disse ela com a voz carregada de rispidez.

Se eu estivesse em outra situação, normalmente discutiria, mas eu estava tão farta de tudo que simplesmente levantei e fui sentar em outro lugar, eu não queria arranjar problemas com ninguém, principalmente no primeiro dia de aula.

A professora entrou na sala e logo em seguida aquele garoto impetuoso adentrou a porta como se nada tivesse acontecido.

– Sente-se Liam — disse a professora, ele assentiu e por incrível que pareça sentou ao meu lado — Na aula de hoje vamos aprender a fazer cristais azuis com Sulfato de Sódio, é um trabalho em dupla, portanto, fiquem à vontade enquanto eu escrevo as instruções no quadro.

– Se você não se importa, eu prefiro fazer o trabalho com outra pessoa. – falei olhando ao redor da sala e percebendo que todos estavam em duplas e interagiam entre si.

– Olha, eu só sentei aqui por causa do que aconteceu lá em cima. Não sei exatamente o que você viu, mas espero que esqueça isso, eu só estava zangado com o que houve no treino de lacrosse. Tenho alguns problemas para me controlar quando estou com raiva. – explicou.

– Bem, eu posso fingir que entendo, mas mesmo assim, acho que isso não é motivo pra você me tratar daquele jeito, e de qualquer maneira, nem sei o que vi, tenho tido alucinações e...

– Alucinações? – perguntou confuso.

– Eu acho que sim, tenho me sentido estranha desde que... – desde o incêndio eu quis dizer, mas detive minhas palavras. – Bem, não importa, mas como eu havia dito anteriormente, prefiro fazer o trabalho com outra pessoa.

– Quem? – indagou com um sorrisinho desafiador. Olhei mais uma vez ao nosso redor e percebi que todos já realizavam suas tarefas, menos Liam e eu.

– Esquenta a água e coloca no Becker. Eu vou diluir o Sulfato de cobre. – falei dando início ao nosso experimento. Liam deu um meio sorriso e fez o que eu pedi.

[...]

– Parabéns!!! – exclamou Marjorie pulando em cima de mim, eu estava dormindo, mas acordei na hora com o peso dela me sufocando.

– Hm... – murmurei completamente grogue. Ela tinha razão, hoje é meu aniversário, mas não é uma data para comemorar, não quando meus pais estão sob sete palmos de terra e meus amigos estão longe de mim.

– Ah, não fica assim, dá um sorriso pra titia. – disse como se eu tivesse cinco anos de idade.

– Prometo que posso dar um sorriso enorme se você me deixar faltar aula. – sugeri.

– Ivie, eu não posso lhe obrigar a ir pra escola, sei que a sua vida tem sido muito complicada, mas você não pode ficar o tempo todo se escondendo do mundo. Tenho certeza que hoje será um dia maravilhoso, seu horóscopo diz isso. – avisou como se fosse algo muito importante.

– Não sei, eu prefiro não ir. – retruquei.

– Aposto vinte dólares que o seu dia será maravilhoso e que fará vários amigos. – sugeriu.

– Aposto trinta dólares que o dia será nebuloso e sem graça e que ninguém vai me dar os parabéns!

–Fechado! – concordou ela.

Depois que fiquei sozinha no quarto decidi me arrumar naquele dia, por mais que aquela escola não me deixasse feliz, eu precisava voltar a viver, tomei um banho demorado, coloquei um vestido rendado acompanhado de uma jaqueta de couro e botas, fiz uma maquiagem leve e soltei o cabelo. Ninguém mais me mandaria indiretas por telepatia ou seja lá o que aquela garota ruiva tenha feito dizendo que há algo de errado com as minhas roupas, eu posso ter fingido bem, mas aquilo me magoou profundamente.

– Esse é o espírito! – comentou minha tia quando me viu descendo as escadas. – Vou te contar, o jeito que você foi pra escola ontem, resolvi nem comentar, mas vou dar um fim naqueles sapatos.

– Ei! Não ouse tocá-los. – avisei fingindo estar chateada.

Eu definitivamente ia ganhar a aposta, o dia não foi diferente de ontem, como eu havia previsto, foi nebuloso e sem graça. Além disso, aquelas botas estavam machucando os meus pés. Andei até o meu armário e guardei meus livros, quando fechei a porta me assustei dando de cara com três garotas me encarando. Se tratava da ruiva, da japonesa e uma outra garota loira que tentava forçar um sorriso.

– Oi, nós estávamos pensando se você não gostaria de participar da nossa festa do pijama? – indagou a japonesa com um olhar gentil.

– Festa do pijama? – perguntei confusa.

– Eu nunca fui em uma festa do pijama, parece divertido. – comentou a loira desanimada.

– Vai ser na minha casa, talvez você não saiba, mas eu faço as melhores festas da escola. – revelou a ruiva com convicção.

– Nossa! Que gentil da parte de vocês, só que tem um problema... eu não as conheço, nem mesmo sei o nome de vocês. – falei o óbvio e elas pareceram ponderar as minhas palavras.

– Espera! Você não sabe o meu nome? – questionou a ruiva em um tom indignado.

– Não! Eu deveria? – retruquei.

– Olha só! Não seja por isso. Eu me chamo Kira. – disse a japonesa.

– Meu nome é Malia. – revelou a loira.

– Lydia. – se apresentou contrariada.

– Ah, tudo bem, eu sou Ivie. – resolvi falar meu nome já que todas haviam feito o mesmo.

– Oito horas nesse endereço. – alertou Lydia me estendendo um papel.

– Você vai? – perguntou Kira.

– Eu... eu vou adorar – comentei sincera. Elas sorriram e se despediram de mim.

Apareci no horário marcado, eu estava usando uma calça de moletom com estampa de gatinhos, uma camisa de mangas compridas roxa e um par de pantufas de coelhinho. Eu amava aquelas pantufas. Estacionei o carro e dei um ‘’tchauzinho’’´para a câmera de segurança, os portões se abriram e eu entrei calmamente. Lydia estava me esperando e curiosamente não estava usando pijama.

– Você está... hm... fofa – comentou com um sorriso de canto.

– Eu pensei que era para usar pijama. – comentei achando estranho o fato dela estar de vestido, cardigã e salto alto.

– É para usar pijama, eu vou vestir o meu assim que a gente entrar na casa. As meninas estão lá dentro. – assenti enquanto a seguia. Entrei na casa me sentindo um pouco desconfortável já que as luzes estavam apagadas. Alguém as acendeu e então apareceram Kira, Malia, outros dois garotos e... Liam.

Estreitei os olhos não entendendo nada daquilo. Olhei para Lydia tentando obter explicações e ela deu de ombros. Eu estava me sentido ridícula e estúpida por estar ali com uma pantufa de coelhinho.

– Eu quero ir para casa! – alertei tentando fugir dali, no entanto, a porta estava trancada e Lydia balançou a chave na minha frente antes de juntar-se aos outros. – O que está acontecendo? O que vocês querem? – eu me atropelava nas palavras, aquela situação estava me assustando.

– Ivie, ninguém vai te machucar. – Liam tentou me tranquilizar, pena que eu não confiava nele.

– O que vocês são? Vão me matar logo ou isso é algum trote que vocês fazem com os calouros? Porque se for, não tem graça alguma.

– Nem uma coisa, nem outra. Nós só queremos conversar, você precisa nos ouvir. – falou um dos garotos desconhecidos. – Meu nome é Scott, mas antes de prosseguir, é melhor você sentar. – aconselhou me levando até o sofá, todos se sentaram e aparentemente se entreolharam sem saber por onde começar.

– Ivie, eu vou ser direto... o que você é? – perguntou Scott e todos me encaram esperando pela resposta, eu não sabia o que fazer, eu nem tinha entendido a pergunta, parecia que eles esperavam que eu dissesse que sou um tipo de monstro ou sei lá o quê.

– Ela não sabe do que estamos falando. – sentenciou Kira.

– Talvez ela minta muito bem! – discordou Lydia.

– Eu realmente gostaria de saber sobre o que vocês estão falando, vocês estão me assustando. – falei evidenciando toda a irritação na minha voz.

– Scott e eu somos lobisomens, Malia é um coiote, Lydia é uma Banshee e Kira é uma raposa. – revelou Liam me deixando ainda mais atônita.

– Na verdade, eu gosto mais do termo técnico que é Kitsune. – comentou Kira.

– Vocês são loucos, talvez devessem se internar na Eichen House. – falei me referindo ao hospital psiquiátrico.

– Stiles e eu já estivemos lá. – murmurou Malia apontando para o garoto ao lado dela. Arregalei os olhos com a revelação, e eu pensando que não podia piorar.

– Liam foi diagnosticado com Transtorno Explosivo Intermitente. – disse o tal Stiles com um sorriso sagaz.

– Ah... isso explica um bocado. – poderei lembrando dos últimos acontecimentos. – Pena que eu não acredite em nada do que vocês estão falando. – sibilei indignada.

Todos me encaram, mas foi Liam quem quebrou o silencio revelando olhos amarelos brilhantes e presas de lobo, isso sem falar das garras.

– Acredita agora? – perguntou ele. Um surto de adrenalina tomou conta de mim e eu corri desesperada. Pena que eles eram muito mais rápidos e me seguraram antes que eu dobrasse o corredor.

[...]

Eles me amarraram em uma cadeira. Eu não queria, mas estava no meu limite, então algumas lágrimas de desespero brotaram de meus olhos.

– Não chora, nós só queremos entender o que está acontecendo. Ninguém vai te machucar. – disse Kira. Dei de ombros. Stiles veio até mim.

– Olha Ivie, assim como você não confia na gente, nós também não sabemos se podemos confiar em você. Esse mês aconteceram quatro incêndios misteriosos aqui em Beacon Hills, você foi a única sobrevivente, mas pelo laudo da perícia e de acordo com o seu depoimento, não tinha como você sobreviver. Então só queremos que coopere e nos diga o que sabe. – dei um suspiro pesado. Quantas vezes vou ter que dizer que eu não sei?

Meu celular tocou e Scott olhou no visor.

– Quem é Marjorie? – perguntou.

– Minha tia. – respondi em um fio de voz. – Ela provavelmente não sabe onde estou, acho que não viu o bilhete que eu deixei. Deve estar preocupada.

– É melhor deixar ela atender. – incentivou Malia.

– Nenhuma palavra sobre o que está acontecendo. – alertou Scott e eu assenti. Ele me soltou e me entregou o celular.

– Oi tia.

Ivie, onde você está? – perguntou. – Eu estou preocupada.

– Quando cheguei em casa você não estava, eu deixei um bilhete na porta da geladeira dizendo que iria para a festa do pijama na casa de uma menina que conheci na escola. – expliquei.

Ah querida, então finalmente você está se enturmando. Fico feliz! Eu fui ao mercado comprar ingredientes para fazer um bolo, não é todo dia que uma menina faz dezesseis anos, mas acho que o bolo ficou... hm... tá estranho.

– Ah tia, que gentil, não precisava. – falei com um sorriso fraco.

Ah claro que precisava. Boa noite Ivie, divirta-se.

– Claro! – murmurei encerrando a chamada.

Todos me olhavam seriamente, eu sabia que eles tinham ouvido a conversa, afinal, o celular estava no viva voz.

– Hoje é seu aniversário? – perguntou Liam.

Notas finais
O que acharam? :) Até amanhã!!!