The (my) Bodyguard
3 #3. Eu odeio esse Quatro.
Notas iniciais
Mortificada. Essa era a palavra que me definia no momento. Queria me enterrar no buraco mais fundo e sair desse momento constrangedor. O combinado foi mostrar que eu podia ser responsável por mim mesma, mas eu tinha certeza que papai, Quatro e Eric tinham outra opinião sobre isto.
– Hum, então o tatuado ai não é meu guarda? — Perguntei me mostrando esperançosa demais. — Ele é o quatro? Por que não me avisou, pai?
Ele não respondeu, apenas bufou.
– Sem ofensas, Andrew, mas sua filha tinha que ser loira, né? — Quatro, o verdadeiro, comentou.
– Como é que é? — Lancei-lhe meu melhor olhar de morte. Eu era loira e tinha muito orgulho disto.
Eu não sabia se gargalhava ou chorava da situação, acho que os dois. O tatuado não iria ser meu guarda-costas pois ele era o Eric e não Quatro. O outro era o Quatro.
A propósito, que raio de apelido era esse?
– Beatrice, o papel. — Papai me avisou novamente.
– Eu não vou assinar.
– Ah, mas vai. Eu não viajei por duas horas para ouvir isso. — Quatro ordenou.
– Você não é meu pai, Quatro. — Rebati. Ele abriu a boca para dizer algo, mas hesitou. Apenas me lançou um olhar severo.
– Mas eu sou, Beatrice, e eu estou mandado.
Lancei um olhar derrotado para meu pai. Ele era muito mais teimoso do que eu, então iriamos ficar aqui por dias se eu não desistisse e eu queria ir embora o mais rápido possível, então peguei a droga do papel gemendo de angustia. Eu não deveria ficar surpresa por papai fazer um documento, afinal meu pai era Andrew Prior, o homem cujo fazia documentos até para pisar descalço em casa. Peguei a caneta e relutantemente escrevi minha assinatura.
– Perfeito. Agora Quatro será responsável por você até eu dizer o contrário. — Papai se sentou confortavelmente e uniu suas mãos, estranhamente alegre.
– Que lindo, pai. Contratando um guarda-costas para se livrar de mim.
– Funcionou, não foi? Agora posso viajar em paz.
Eric se levantou bruscamente e eu automaticamente fui para trás.
– Bom, senhores, a conversa entre família está maravilhosa, mas eu preciso voltar para a base. — Ele anunciou se espreguiçando. Assustador.
– Eu te acompanho até o jatinho, Eric. — Papai também se levantou e saiu da sala com o tatuado, o qual nem se importou em despedir-se.
Foi quando eu percebi que estava sozinha com Quatro. Tudo bem, eu estava aliviada por ele ser meu guarda-costas, mas não significa que gosto dele. Ele pode até ter um olhar de cachorrinho abandonado, mas não significa que ele seja um.
Resolvi me levantar e ir tomar um ar na janela. O vento era tão bom que eu instantaneamente fiquei mais calma. Pensei em como minha vida tinha virado de cabeça para baixo em apenas 24 horas. Tudo por causa de uma maldita festa numa boate. Pela primeira vez em meus dezoito anos eu me arrependia de algo. Soltei um suspiro, mas perdi o ar quando vi Quatro parado na janela ao meu lado.
– Jesus Cristo do céu. Você quer me matar?!
– Por enquanto não.
– Se você começar a brotar assim do nada você logo consegue! — Gritei, ainda tomando fôlego.
– Tudo bem, me desculpe. Agora pare de gritar. — Ele me lançou um olhar entediado.
– Eu já te disse que você não é a porra do meu pai. — Me virei para poder encara-lo. O imbecil era alto. — Pela segunda vez, você não manda em mim.
– Que bom, — ele me analisou de cima a baixo. — porque eu iria ser um péssimo pai, já que não me canso de olhar para seu decote.
Minha boca se abriu em um O e eu não consegui pronunciar nada. Olhei para meu vestido e sinceramente? Ele nem era tão vulgar assim. Olhei para ele novamente horrorizada e me segurei para não lhe dar um tapa na cara. Me afastei antes que cometesse tal coisa.
– Seu... Seu... Idiota! — Falei, por fim. Ele arqueou uma sobrancelha.
– Você disse absurdos para seu pai só por causa de um caralho de um documento bobo e quando eu te digo uma coisa dessas você me chama de idiota? — Ele me perguntou debochado. Esse moço era doido.
– Amigo, se você tivesse ideia do que eu pensei em fazer você não diria isso.
– Amigo?
– Cristo, — Gemi, esfregando as mãos em meu rosto. — me dê paciência!
– A mim também, Cristo! — Quatro bufou e saiu do escritório batendo a porta.
Eu queria gritar, queria berrar de ódio. Ódio de papai, ódio da boate, de ter sido idiota por ter feito uma porra de um strip tease, ódio de Quatro e ódio de mim mesma. Mas como eu não podia gritar, chutei o sofá de couro de papai com todas as minhas forças. Fui para a estante de livros de papai e me preparei para jogar um daqueles malditos golfinhos que mamãe tinha dado a ele, mas Quatro entrou na sala com as sobrancelhas arqueadas.
– Eu esqueci que não posso te deixar sozinha. — Ele se aproximou de mim e tomou o golfinho de minhas mãos. — Você é louca, Tris.
– E você é um idiota, Quatro. — Retruquei.
– Regra numero um: Não me chame de Quatro.
– Vou te chamar do que então? De Cinco?
– Não sei. Idiota, segurança, amigo... — Qualquer coisa que não seja Quatro. — Ele pronunciou a palavra como se fosse uma blasfêmia.
– Qual é seu nome?
– Não é da sua conta. — Ele respondeu rispidamente. — Ainda. — Completou.
– Nossa, perdão. — Respondi indiferente, mas por algum motivo fiquei um pouco magoada. Eu sou tão pirralha assim para ele não querer dizer nem ao menos seu verdadeiro nome?
– Está perdoada. — Ele disse, por fim.
Encarei ele por alguns minutos sem nem me importar. Vendo-o assim de perto ele parecia um pouco assustador. Por que meu pai tinha escolhido justo ele para ser meu vigia? É claro que eu não o troco com o tal Eric por nada, mas eu o conhecia em apenas meia hora e já sabia que o moço era temperamental. Ele zoubou de mim na frente de meu pai — que não tinha nem ao menos me defendido -, me censurou por chama-lo de idiota e não quis me dizer nem seu verdadeiro nome.
– Perdeu alguma coisa em meu rosto, Tris? — Ele me perguntou em seu tom áspero. Ele também estava me encarando.
– Idiota. — Murmurei alto o suficiente, dando um passo em sua direção, estava praticamente encostando nele.
– Você já me chamou disso, Tris. — Ele sussurrou, abrindo um sorriso maldoso. Era duas cabeças menor que ele, mas pude sentir seu cheiro. Sabonete e suor. Não era particularmente ruim...
– É, mas eu não fiz isso. — Levantei minha mão direita e acertei um tapa em sua bochecha esquerda.
Ele sorriu. Não seu sorriso diabólico, ele realmente sorriu, como se levar um tapa na cara fosse extremante divertido.
– Agora sim, Tris. Gostei de ver. — Ele massageou a bochecha vermelha. — E de sentir. Caralho, você tem força.
Papai abriu a porta do escritório claramente feliz, mas seu sorriso se desfazendo quando notou a bochecha vermelha de Quatro.
– Quatro, tudo bem? O que é isso em sua bochecha? — Ele perguntou em seu tom paternal. Fiquei muito surpresa e chateada, ele não usava essa voz comigo há muito tempo.
– Não é nada, Andrew. — Quatro respondeu, dizendo o primeiro nome de meu pai. — Acho que foi, sei lá, o barbeador... — Ele me olhou de relance.
Ele achava o que? Que eu estava agradecida por ter livrado minha barra? Ele estava redondamente enganado.
– É mentira pai. Eu é que lhe dei um tapa.
– Beatrice! — Ele gritou. — Por que você bateu em seu guarda-costas?
– Por que ele é um idiota! — Me sentei no sofá um pouco mais relaxada. Não tinha medo de papai. Nem de Quatro, nem de ninguém.
– E só porque ele é um idiota você tem o direito de bater nele? Porque se esse for o problema você também precisa de um!
Nem precisa, pai. Pensei. Essas palavras foram mais dolorosas do que dois tapas na cara.
Levantei e peguei minha bolsa pronta para sair. Estava com tanta raiva e magoa de papai, que se ele não fosse meu pai, teria quebrado o maldito golfinho de vidro na cabeça dele.
– Estou dando o fora, chega de sermão. Estou cansada de tudo isso. — Avisei.
– Seus cartões de crédito serão bloqueados. Eu não admito que você aja assim com seu pai e com o homem que está sendo responsável por você.
– Eu arranjo um emprego. — Dei de ombros. Quatro, por algum motivo, caiu na gargalhada.
– Boa sorte com isso. — Ele falou entre a risada. Sai daquela sala antes que deixasse o outro lado de sua bochecha vermelha também.
E ele com toda certeza estava pedindo para levar, já que parou o elevador antes de ser fechado com aquela porra de documento em sua mão e a droga de um sorriso zombador no rosto.
– Você está pedindo para morrer!
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