The (my) Bodyguard
14 #14. Festinha.
Notas iniciais
Tris
Eu meio que não tenho droga nenhuma para vestir.
O que? — Chris praticamente cuspiu seu cereal. — Você só pode estar de brincadeira. — Ela apontou sua colher para o meu quarto, que agora não se parecia um quarto. Se parecia mais com o Exército da Salvação no Sábado. Havia roupas em todos os lugares.
Eu não me sinto bem com nenhuma. — Argumentei, olhando para minha amiga pelo espelho.
Você soa como uma pessoa grávida.
Vá ao inferno.
Não, eu vou para minha casa. — Christina simplesmente se levantou, largou seu copo de cereal em minha cama e sumiu, me deixando enrolada em minha toalha e completamente sozinha.
Tudo bem, eu nunca me importei com roupas, contudo, eu sou Beatrice Prior, meu pais jamais permitiriam que eu andasse largada. Mas sabe aquele dia que você quer vestir algo para impressionar alguém? Então, eu estranhamente senti essa vontade fluir em mim, pela primeira vez em minha vida.
No entanto, eu não estava muito a fim de ir à 'festinha' de Chris. Pelo amor de Deus, há poucas horas atrás eu estava surtando com a possibilidade de estar grávida, agora eu estou indo em uma festa?! E eu sabia muito bem qual era o objetivo de Chris com isso: Convidar todos os garotos que ela conhecia e fazer ciúmes em Will. Ele e Chris são provavelmente o casal mais conturbado de toda Chicago. Se é que aqueles dois poderiam ser chamados de casal. Portanto, Chris tinha me usado apenas como uma deixa.
Sinceramente? Eu preferiria ir para à faculdade, voltar para casa e assistir um filme com Tobias até cair no sono como pessoas normais.
Eu não sei de onde esse pensamento tinha saído, mas ainda era verdade.
Eu ainda não tive a oportunidade de conversar com Tobias, e o que eu mais queria era saber se suas costas estavam bem e o que levou ele a fazer isso dessa vez. Queria saber sobre Al também, embora seu ataque de ciumes tenha sido ridículo eu ainda me preocupava com ele.
Mais tarde consegui finalmente decidir que roupas vestir. Acabei em uma saia preta longa e um top de alças um tanto decotado que mostrava minha barriga e o começo de minha tatuagem de dragão, que começava abaixo de meus seios e terminava no centro de minhas costas. É, eu queria esfraga-lá na cara de Tobias — tanto figuramente como literalmente -, eu tinha certeza de que ele tinha notado na noite anterior. Coloquei um suéter vermelho por cima e de repente eu não estava mais sexy. Mas serviria do mesmo jeito.
Eu já estava quase pronta quando ouvi meu celular tocar. Corri para a cama onde ele estava e vi a foto de mamãe na tela. Senti pânico, alivio e saudade tudo de uma vez.
Alô, mãe?
Oi, querida! Que saudades! Como anda as coisas por ai? Você está bem? Se alimentando direito? Cade seu rapaz?
Está tudo bem. — Respondi minha animada mãe com um sorriso. Meu rapaz? — Quatro deve estar se arrumando para irmos à faculdade.
Eu fiquei tão contente quando seu pai me falou que colocou o garoto na faculdade! Ele já passou por tanta coisa... — Sua voz foi sumindo, como se estivesse falando sozinha.
Você conhece ele? Que tipo de coisa? — Indaguei curiosa. Se minha mãe conhecesse Tobias ela seria a pessoa certa para me contar sobre ele.
Seu pai conhece, acho que Caleb também. A propósito, ligue para seu irmão e pergunte se ele vai vir para casa quando nós voltarmos. Quero fazer um jantar especial. Peça para ele trazer a garota bonitinha, qual é o nome dela?... Ah! Susan.
Sim, mamãe. — Revirei os olhos com a lembrança de Susan, a namorada nerd de Caleb. — Como anda os negócios?
Ainda estamos em crise, — Ela respondeu preocupada. — mas tudo vai voltar ao normal, querida. Você conhece seu pai. Aquele cabeça dura tem uma solução para tudo.
Eu tenho certeza que sim. — Ralhei. Tobias foi gerado pela 'solução' de papai. — Vou desligar, mãe. Tenho que terminar de me arrumar.
Não se esqueça de Caleb, meu bem. Boa aula e eu te amo. Estou com saudades. Mande um oi para Tobias.
Mãe, sobre Tobias, nós dois... ér...
O que? Vocês se desentenderam?
Não, não! — Exclamei insegura. — Ah, não é nada. Eu te amo. — E desliguei.
Só então me dei conta de que mamãe sabia o maldito nome dele.
***
Tobias, vamos? — Desci os degraus da escada aos pulos como sempre fazia, mesmo estando de saltos e com uma saia que era maior do que eu, cá entre nós.
Por que você não desceu para almoçar? — Ele me questionou, de algum lugar na sala. — Eu poderia ter te levado em algum lugar para comer.
Não deu tempo e eu comi cereal com Chris, não que seja de sua conta nem nada. — Retruquei, odiando que Tobias tinha começado nossa conversa já mandando em mim.
Não deu tempo? Você ficou trancada naquele maldito quarto o dia todo fazendo o que, Tris?! Não vamos para nenhuma porra de festa se você não comer pelo menos um iogurte.
Vou pegar uns biscoitos aqui, papai. — Revirei os olhos e segui para a cozinha. Tobias venho logo atrás, obviamente indo ver se eu realmente iria comer algo.
Você vai jantar hoje na faculdade antes de irmos para à festa. Ou é isso ou nós voltamos para casa. — Ele se apoiou no balcão preguiçosamente e eu pude analisá-lo melhor. Calças escuras, blusa branca que destacava seus músculos e cabelo desorganizado.
Oh sim, ele estava quente.
Comi três biscoitos na frente de Tobias e o resto consegui jogar na pia; Meu guarda-costas estava muito ocupado me encarando para notar qualquer outra coisa. Fui até o banheiro escovar os dentes novamente e voltei para a cozinha.
Dei leves batidinhas no rosto de Tobias o tirando de seus pensamentos.
Tem como irmos agora? — Perguntei, mostrando impaciência.
Aham. — Ele delicadamente tirou minha mão de seu rosto e plantou um beijo em meus dedos, me fazendo segurar um gemido. — Por que você está vestida assim?
Assim como? — Consegui perguntar.
Assim. — Sua boca foi para meu pulso e os pelos de meu braço se arrepiaram. — Saia, suéter... Nem está frio.
Foi porque eu quis. — Abri um sorriso secreto. — Tobias?
Sim? — Ele já estava em meu pescoço.
Você tem tatuagens? — Indaguei curiosa, mas eu queria mesmo era jogar.
Todos os saldados tem que ter uma, Tris. — Ele pegou minha outra mão e colocou em seu tronco, acima do cós da sua calça. Eu suguei uma respiração afiada. — Eu escolhi fazer a minha aqui.
Eu não vi. — Admiti.
Mas eu vi a sua. — Seus lábios roçaram contra minha orelha e eu me segurei para não trocar um high five comigo mesma. — Só não pude ver onde ela termina. — Ele ainda explorava meu pescoço. Sua boca chegou em meu queixo e ele mordiscou meu lábio inferior. Eu só podia me perguntar onde é que foi que ele aprendeu todos esses truques sensuais. Eu tenho certeza de que não foi no You Tube. Acabei com a brincadeira e puxei o cós de sua calça. Ele agarrou minha cintura e eu cavei minha boca na sua.
Vamos nos atrasar. — Murmurei sobre seus lábios.
Foda-se.
***
Tobias
E nós nos atrasamos.
Tris entrou na sala como um relâmpago. Sua saia esvoaçava a cada passo e seu rabo de cavalo já estava completamente bagunçado. Eu só tinha uma coisa a dizer: Não foi culpa minha.
Nossa pequena sessão de beijos na cozinha tinha meio que se extendido. Tris acabou em cima do balcão e isso gerou um atraso de vinte e cinco minutos.
Atrasados, Sr. Eaton. Srta. Prior.
Nós nem sabíamos, professora. — Tris murmurou alto o suficiente para todos ouvirem. Lancei-lhe um olhar de aviso, ela simplesmente mandou eu me foder e sentou em sua cadeira.
Malcriada.
Agora a culpa é minha? — Sussurrei.
Qual é o seu problema em ficar calado na sala de aula?
Qual é o seu problema em geral?
Você.
Eu? — Apontei para mim mesmo com as sobrancelhas arqueadas.
Você. Você começa todo mandão como se fosse meu pai, logo depois vem me seduzindo, beijando meus dedos, meus braços, falando sobre tatuagens na cintura, logo você beija meu pescoço, aliás onde você aprendeu tudo isso? — Tris explodiu. Ela falava tão rápido que eu já não entendia mais nada. — Mas esse não é o ponto, o fato é que você fez eu me atrasar! No meu segundo dia de aula! Eu não estava com fome e você me forçou a comer quando eu não queria! Depois você vem me beijando e me colocando em cima do balcão, abrindo minhas pernas... Ainda bem que tivemos saninade o suficiente para parar dessa vez, porque eu aposto que você nem estava com prevenção. Nós não vamos transar em cima do balcão da minha mãe!
Eu tinha certeza de que a sala inteira ouvira claramente essa ultima observação.
Ok. Sem transa no balcão. Entendido. — Murmurei, tentando em vão esconder um sorriso com a palma da mão.
Você me paga. — Ela murmurou também, se virando determinada, apesar de seu rosto estar completamente corado.
***
A festinha de Chris não era uma festinha nem aqui nem no inferno. Eu podia jurar que a faculdade inteira estava em sua casa. Eu apenas me perguntava se as pessoas não tinham o que fazer. Era Terça-Feira, Jesus Cristo!
Tris ainda estava puta comigo, então quando cheguei em frente à casa de Christina ela não esperou nem ao menos eu estacionar seu carro. Desceu do carro e me deixou ali. Sozinho.
Olha quem chegooou, nosso amigo Quatro! — Um braço envolveu meus ombros e olhando para o lado pude ver que era Uriah. Já bêbado.
Você viu Tris? — Perguntei, enquanto o garoto me levava para dentro da casa.
Tris, Tris... — Ele cantarolou. — Oh, eu vi. Segura aquela ali hoje, meu irmão! Vem, vamos encontrar a Careta.
Careta? — Franzi a testa.
É seu apelido de bêbada. Tris adora beber, mas você tem que ver a cara que ela faz quando bebê alcool, a pequena é uma figura. Pode perguntar para qualquer um aqui quem é Careta e eles vão te responder. — Uriah me ofereceu um copo vermelho. — Cerveja?
Valeu. — Agradeci, tomando um gole. — Vou ver se encontro a loira por ai.
Ela está lá em cima, cara. — Uriah comentou. — Ela deve estar se trocando. Você não achou que ela viria para cá um uma saia gigante e um suéter de nerd, não é?
Não, eu não achei. — Balancei minha cabeça. O que ela iria aprontar agora?
Bati amigavelmente nos ombros de Uriah e subi para o andar de cima rapidamente. Virei o corredor e me deparei com uma Tris totalmente diferente da que tinha visto há vinte minutos atrás. Essa Tris estava com um top preto de alças que mostrava grande parte de sua tatuagem, sua saia preta agora estava transparente e o tecido de baixo chegava acima de sua coxa, seu cabelo estava solto e oh, ela estava muito, muito quente.
Caralho. — Foi tudo o que saiu de minha boca. Tenho certeza de que baba escorria de minha boca. Eu não preciso nem dizer que estava excitado. — Eu... Uh... Ual.
Oi, Tobias. — Tris cruzou os braços, fazendo os seus seios se destacarem mais. Suguei uma respiração profunda e me remexi desconfortavelmente.
Oi, Tris. — Coloquei o copo de cerveja em meu lábios e meu olhar seguiu discretamente para baixo. — Você está muito... Sexy. Essa definitivamente é a palavra.
Quantos copos disso você já bebeu? — Ela apontou para minha bebida com o queixo.
Esse é o meu primeiro.
Ah, então é o seu lado pervertido dizendo isso mesmo. — Tris revirou os olhos. — Vem, eu quero beber algo.
Maneire, por favor.
Pare de ser chato.
Pare de ser malcriada.
Eu não sou malcriada! — Ela exclamou, soltando minhas mãos para descer as escadas.
Você está sendo malcriada agora. — Sorri. Logo em seguida notei que a parte transparente da saia de Tris era aberta e conforme ela descia os degraus sua perna aparecia. Bebi mais um gole de cerveja e respirei fundo.
Vai se foder, Tobias. E seja mais discreto quando estiver olhando meu decote.
Pelo menos eu tento disfarçar. — Respondi, lançando olhares fulminantes para os garotos que praticamente a comiam com o olhar. Imbecis.
Com ciúmes? — A loira parou no ultimo degrau e sorriu.
Cale a boca e anda.
Logo mais a frente encontramos Chris com seu garoto, o Will. A morena também vestia uma saia e top, mas cá entre nós, ela parecia mais indecente do que Tris. Ela nos viu, arqueou uma sobrancelha divertida para mim e sorriu.
O puritano apareceu! — Chris gritou animada. Will soltou uma risada e balançou a cabeça.
Não ligue para essa louca, Quatro. — Ele disse.
Eu vou te mostrar quem é a louca, Will.
Eu não vejo a hora. — O garoto abriu um sorriso malicioso.
Essa não. — Tris murmurou chocada. Sua atenção estava focada na entrada. Segui seu olhar e vi três garotos andando em nossa direção. Um deles era Albert.
Merda. — Sussurrou Christina, tomando sua bebida de uma vez. — O que diabos Al está fazendo aqui com Peter e Drew? Eles nem foram convidados! — A morena se endireitou e caminhou até eles. Will foi logo atrás, claramente preocupado.
Quem são eles? — Me aproximei mais de Tris para ela poder ouvir minha pergunta por cima da música.
Não vale nem a pena dizer. — Percebi que Tris estava tensa. — Peter já tentou me humilhar de todos os jeitos. Nós eramos da mesma classe desde o primário. Nossos pais se odiavam, eles eram rivais. O pai dele morreu quando ele tinha cinco anos, de ataque cardiaco, e conhecidentemente em uma reunião na qual meu pai também participava. Depois disso ele vem me prejudicando desde então. Como se a culpa do pai dele ter tido um infarto fosse de meu pai.
Isso é meio infantil. — Comentei, notando claramente a forma de como Peter olhava para Tris.
Peter é infantil de um jeito maléfico. — Ela se aproximou de mim, mantendo contato visual com ele. Tris se sentia ameaçada, eu pude notar.
Você quer que eu quebre o nariz dele também?
Chega de nariz quebrados. — Ela conseguiu sorrir.
Christina aparentava estar nervosa. Bem, ela sempre parece nervosa, mas naquele instante eu pude notar que ela estava alterada. Will segurava seu ombro e Peter e seus amigos riam debochados. Até mesmo Al. Tris puxou a barra de minha camiseta me incentivando a aproximar do grupinho. Peter notou nossa aproximação e abriu um sorriso cínico.
Ora, ora se não é a cobrinha Prior. Seu papai gostou da noticia de que sua filhinha doce e adorável perdeu sua... castidade?
Dei mais um passo em sua direção. Quem esse babaca acha que era? Minhas mãos se fecharam em punhos, mas antes que pudesse fazer algo Tris estava me puxando de volta.
Não vale a pena, vem. — Ela murmurou, encarando Peter furiosamente.
É, Tobias. Não vale a pena. — Ele repetiu debochado.
Aquilo me bateu como um chute no estomago. Como diabos esse filho da puta sabia meu nome?
Albert.
O que você disse? — Me larguei de Tris abruptamente e o empurrei contra uma parede.
Você ouviu o que eu disse. Tobias Johnson. Não é esse o seu nome? — Ele sussurrou. — Eu sei quem você é, amigo. Você é o garotinho que matou a mãe e o pai acidentalmente. Eu sei quem era o idiota do seu pai. Sei que você já foi um sem teto viciado em drogas. Sei que o babaca do Andrew te colocou em uma clinica de reabilitação... Quer que eu diga mais?
Quem é você? — Indaguei. Incredulidade se passava por meu peito. Como ele conseguiu descobrir todas essas coisas sobre mim?
Se você cooperar, Tobias, eu te deixo em paz. Eu não tenho nada contra você, nada mesmo. Eu só quero uma coisa: Justiça. Os Prior vão pagar por tudo o que fizeram com minha família. E você será um ótimo espião. — Ele sorriu debilmente . — Ou eu posso dizer refém?
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