The (my) Bodyguard
1 #1. O Fim da Minha Liberdade.
Notas iniciais
– Vamos lá, Tris! Você não pode voltar atrás agora. — Uriah gritou por cima da ventania.
– Alguma vez em dezoito anos eu voltei atrás?
Bungee jumping. Esse era o próximo item para cumprir na minha lista de Coisas Para Fazer Antes De Dar Minha Alma Para A Empresa De Papai. Sempre gostei de aventuras e adrenalina. É uma sensação tão maravilhosa e indescritível quando você está ali, apreciando o momento, quando você não pode voltar atrás, seu coração batendo forte, suas mãos tremendo e aquela vozinha interior gritando Vai, Tris. Vai! É a melhor sensação do mundo.
Seria maravilhoso também se meus pais parassem de se preocupar com isso. Eles vivem dizendo que querem me ver feliz e que querem o melhor para mim, mas vivem me dando sermões quando descobrem que fiz alguma coisa razoavelmente fora no normal ou quando chego bêbada em casa ou com uma tatuagem nova... Não foi eles que me disseram que queriam minha felicidade? Eu sou feliz fazendo tatuagens, porra!
Parei de pensar nos meus pais e me foquei no penhasco. Pode parecer loucura, mas eu não sinto nenhum tipo de enjoo. É apenas adrenalina, adrenalina e mais adrenalina.
– No três nós pulamos! — Uriah avisou.
– Ok!
– Um. — Coração batendo forte.
– Dois. - Mãos tremendo.
– Três! — Vai, Tris. Vai!
No momento em que pulo a adrenalina é tanta que eu não consigo mais pensar em nada. Só tenho noção do barulho da ventania que entope meus ouvidos. Abro os meus braços como um pássaro e desfruto daquele momento, daquela sensação. A corda para agressivamente e de repente estou de cabeça para baixo com um dos meus pés amarrados na corda. Tudo o que posso fazer é gritar de alegria.
– É isso ai, Tris! — Ouço Uriah gritar também.
***
Cheguei em casa ainda um pouco desnorteada do Bungee jumping. A sensação de estar flutuando ainda está no meu corpo. Subo as escadas devagar lembrando do momento em que saltei daquele penhasco de 43 metros de altura. Mas todos os pensamentos se vão quando ouço papai me chamar severamente.
– Beatrice!
– Sim, pai? — Me virei para ver ele parado na escada com um tablet na mão.
– Onde você está com a cabeça? — Papai subiu mais dois degraus para virar a tela do tablet para mim. Não fiquei tão surpresa pelo que via, fiquei surpresa por papai ter chamado minha atenção para aquilo. Como se ele não me conhecesse...
"Beatrice Prior, filha do grande executivo Andrew Prior, foi vista novamente nesta semana em uma boate de Chicago festejando com seus amigos. A garota curtiu a noite moderadamente, mas no final da madrugada foi — segundo testemunhas — desafiada por seus amigos para fazer um Strip Tease em cima do palco. Sem pensar duas vezes a loira subiu lá em cima e tirou todas as roupas até ficar só de lingerie, que cá entre nós era uma lingerie bastante indecente. Algumas pessoas que estavam presente na boate declararam que não gostaram nada da atitude da garota, primeiro por ser tão nova e depois por ser desrespeitoso ao seu pai, um homem de grande importância. Sabemos que essa não foi a primeira vez que a garota aprontou e nem será a ultima. Vamos esperar para ver o que a caçula dos Prior irá aprontar da próxima vez."
– Eles me desafiaram pai. Você sabe o que é ser desafiado? — Pergunto para meu pai, que ainda está com seu olhar reprovador.
– Você não podia simplesmente dizer não?
– Não!
Papai me olha por um longo tempo. Me lembro de quando era criança. Ele sempre me olhava assim quando aprontava algo.
Ultimamente papai vem me dando vários desses olhares.
Esse olhar significa que ele está pensando o que fazer comigo. Me dar uma surra? Me deixar de castigo? Tirar minha mesada?
– Eu vou contratar um guarda-costas. — Ele diz, por fim.
– Você vai fazer o que? – Pergunto seriamente confusa. Um guarda-costas? Como um guarda-costas iria resolver tudo isso?
Só se... Não. Papai não seria capaz de fazer isto.
– É isso mesmo, Beatrice. A partir de agora você vai ter um guarda-costas. — Papai termina minha sentença e em seguida pega o celular no bolso de sua calça
– Você não pode. Eu já sou maior de idade!
– Tanto posso como vou. — Ele disca alguns números na tela e coloca o telefone no ouvido. — Alô? Quatro, há quanto tempo! Estou ligando para te cobrar aquele favor que você me deve.
É definitivamente o fim da minha liberdade.
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