The mine word: Fire Gates.

37 Capítulo 35: Os anéis.


Notas iniciais
Eai galera, tudo bem? Trazendo aqui o capítulo de ontem. Sim, eu não postei ontem. Motivo? O meu word não abria e eu precisei revirar o mundo atrás de um. Bem, o que está feito está feito. Bora lê?

Já faz algum tempo desde que caiu a noite. Todos se reuniam novamente no grande salão, embora que sem banquetes dessa vez. Esfregava minhas mãos uma contra a outra pra tentar espantar o frio enquanto me dirigia até a casa de ferraria. Bati duas vezes na porta e fui atendido pelo ferreiro. Ele era alto e magro, de cabelos cinzentos e uma barba por fazer. Me entregou dois anéis, coisa que me surpreendeu de início. Ambos eram feitos de aço-de-gelo, mas um tinha o nome da Pompo escrito do lado com metal dourado, já o outro era apenas cinzento com alguma mistura de branco, ficando meio transparente as vezes.

Retorno ao salão meio apressado. Minha desculpa havia sido a de ir ao banheiro, mas havia demorado mais do que o esperado. Parei à porta, guardei os anéis no bolso de trás de minha calça e voltei a caminhar.

Todos se sentavam em uma roda sobre um tapete de pele de urso esticado no chão, com exceção de Kabi, Atie e Adreu, que estavam de pé assim como os outros Golens. Eles pareciam entretidos com alguma piada ou história que o Sekka contava. Ponko estava novamente junto do Lhelt, sentado ao seu lado na grande mesa do salão.

—Desculpem a demora. —Digo, me juntando a eles no circulo.

—Demorou demais, Steve. —Reclamou Pompo. Ela vestia meu casaco preto devido ao frio.

—Já pedi desculpas. Não é minha culpa. Quando a natureza chama a gente só vai.

—Que nojo. —Disse Pheal. —Guarde essas coisa para você.

—Estavam falando de que? —Perguntei, tentando mudar de assunto.

—Sekka estava contando como foi aquele torneio em que eu derrotei ele. —Disse Pompo.

—Você não me derrotou! Foi trapassa!

—Diga o que quiser. Quem ganhou os diamantes?

—Não terá a mesma sorte da próxima vez. —Sekka volta a polir uma de suas espadas.

—Por que não faz isso outra hora? —Perguntou Skel.

—Porque alguém... —Ele olha pra Pheal. —Fica me interrompendo a cada cinco minutos enquanto estamos no nosso quarto.

Ela tenta disfarçar e olha pro teto. Gisele a encara com um olhar curioso. —O que foi, pequena?

—Você incomoda o Sekka? —Perguntou ela, inocente como sempre.

—Sim, mas... Err... É de uma forma boa.

Todos a encararam com olhares espantados. —Boa e cansativa. —Disse Sekka, quebrando o silêncio.

—Você só sabe reclamar. Escuta aqui, Gisele, quando escolher um homem, escolha um que não fique reclamando o tempo inteiro.

—Pode parar de dar conselhos estranhos a nossa filha? -Disse.

—Isso mesmo, a Gisele precisa ser forte e aprender a se defender. Me de dois meses e faço ela ficar tão masculina quando o Ponko.

Gisele faz uma careta. —Não, não quero ser um garoto. Garotos são nojentos.

—Você já conheceu um garoto? —Perguntou Pompo.

—Sim. Ele era o filho de um outro escravo na casa onde eu morava. Ele era três anos mais velho e adorava pregar peças nas outras crianças. Infelizmente ele... Ele... —Seu rosto ficou pálido por um momento e ela perdeu a fala.

—B-Bem... Não precisa ficar lembrando dessas coisas agora. —Disse Pheal, afagando seus cabelos prateados.

—Isso mesmo, não precisa desanimar. Amanhã nós vamos finalmente sair daqui e viajar de navio. —Disse hedyps.

—Então é amanhã? Preciso fazer as malas. —Disse.

—E você tem alguma bagagem? —Perguntou Pompo com certo sarcasmo.

—Você e Gisele são minhas bagagens.

Ela franze o rosto e mostra a língua. —Seu bobo.

Ficamos lá conversando durante horas a fio. Gisele já dormia sobre o colo da Pheal e Pompo já dependia de meus cutucões e empurrões pra se manter acordada. Decidimos voltar pro quarto. peguei Gisele do colo da Pheal e a coloquei em minhas costas e segurei na mão da Pompo pra que ela não batesse em nada no caminho, sendo seguido pela Atie e pela Adreu.

Chegamos finalmente ao quarto. Enquanto colocava Gisele na cama, Pompo trocava de roupa. Ela tirou meu casaco e sua blusa, ficando com seu tronco nu tempo suficiente pra colocar sua camisa de dormir. Seus seios parecem ligeiramente maiores, coisa que talvez só eu tenha percebido.

A abracei pelas costas, beijando seu pescoço. Ela cheirava a suor, afinal não tomou banho durante nossa estadia devido a um conselho do Ponko de que a água quente poderia fazer mal ao bebê. Pompo soltou um gracejo e virou seu rosto, me beijando. Deslizei minhas mãos por toda extenção de seus braços e segurei suas mãos. Me movi o mais discretamente que pude e peguei o seu anel em meu bolso, o colocando no dedo anelar de sua mão direita.

Ela olhou com surpresa pro anel. —O que é isso?

—É a prova do quanto eu te amo. —Disse, mostrando o anel em meu dedo. —Agora estamos unidos.

—Você é mesmo um bobo. —Ela apoia as mãos em meu peito e fica na ponta dos pés pra me dar um beijo. Eu a segurava pelas costas e remexia sua camisa. De repente ela para, colocando seu dedo indicador sobre meus lábios. —É melhor continuar outra hora. A Gisele está ali na cama e as outras estão nos olhando.

Olho de relance pra Adreu e pra Atie e elas desviam o olhar meio constrangidas. Foi a primeira vez que as vi demostrar alguma emoção. —Tudo bem. Vamos dormir.

—Não fique chateado. Só precisa esperar um pouco mais até que seja seguro pro bebê. —Ela me dá um último selinho nos lábios e se deita ao lado de Gisele.

Retiro minha camisa e me deito ao seu lado, a abraçando enquanto minha consciência é engolida pelo meu sono. Pode até parecer tolice, afinal o bebê ainda era muito novo, mas, naquela hora, eu poderia jurar que o senti se mexer dentro dela.

Visão do Skel:

Todos estavam prontos no pátio da frente esperando o Ponko e o meu avô. Pompo já montava seu cavalo, segurando Gisele a sua frente, Sekka afiava uma de suas espadas com uma pedra de amolar, Pheal voava em círculos sobre a fortaleza, Hedyps conversava alguma coisa com a Kabi e Steve parecia ler um livro antigo.

Nossa caravana seria composta por dez cavalos, sendo cinco para nós, três para os guardas que irão nos escoltar, e dois para levar parte da bagagem. O lugar para onde vamos não é tão longe, talvez um dia a cavalo daqui. Uma das vilas que pertencem ao meu avô, chamada Colwint. Ela é a vila mais próxima onde existe um porto para embarcarmos.

Quando meu avô finalmente saiu pelo portão da fortaleza junto do Ponko todos soltaram um suspiro de alivio. Ambos levaram broncas minhas e da Pompo até não aguentarem mais.

Montamos todos e saímos aos poucos pelo portão da frente. A última coisa que vi quando olhei para trás foi o portão se fechando com meu avô nos olhando até o último segundo. Seguimos com os cavalos por entre o bosque até chegarmos a costa, aumentando o ritmo a partir daí.

Hedyps guiava o meu cavalo e a cada solavanco meu braço latejava. —Tome cuidado, Hedyps, tenho medo de cair do cavalo.

—E eu tenho medo de fazer o cavalo cair. —Ela ri. —Como está o seu braço?

—Horrível como sempre. Não vejo a hora de sarar.

—Por que não pede a Gisele que o cure?

—Meu avô sempre diz que o que cura sozinho se cura mais forte.

—Tinha que ter sido ideia daquele velho.

—A menina já está carregando muita coisa. Não quero perturbar ela com o meu braço.

—Se você diz... Só não me venha reclamar depois.

Visão da Pheal:

Depois de passar um dia montada a cavalo eu estava louca para desmontar e esticar as pernas. A vila surgia por entre as árvores, revelando uma pequena muralha de madeira a sua volta. Nos aproximamos e passamos pelos portões, recebendo olhares de todos que passavam por ali na hora.

Sentia-me meio constrangida. Agarrei forte o Sekka, tão forte que quase o fiz cair do cavalo.

—O que foi? —Perguntou ele.

—Essas pessoas estão me olhando...

—Deixe elas. Se concentre apenas em mim.

—Vou tentar.

Atravessamos parte da vila e chegamos ao porto. Havia vários barcos, canoas e navios atracados no porto, mas o nosso era o maior. Ele tinha dois grandes mastros estendendo duas grandes velas, uma totalmente branca e outra pintada de cinza com ossos cruzados simbolizando que pertencia ao Reino Esqueleto.

Desmontamos dos cavalos, entregando parte deles aos ajudantes do navio, que os levavam um a um para dentro, e o restante foi deixado em um estabulo para serem pegos depois.

Estiquei os braços e abri as asas, chamando a atenção de quem passasse por ali. O sol estava quente hoje, por mais incrível que pudesse parecer, me obrigando a tirar o casaco e amarra-lo na cintura. Sekka carregava suas espadas em bainhas presas a sua cintura, segurando em seus cabos enquanto sentia o vento do mar no rosto. Seus claros cabelos balançavam com a brisa e brilhavam com o suor da viagem.

—Parece bastante confortável, meu príncipe. —Disse, o provocando.

—Não sou de enjoar no mar como a Hedyps. Gosto desse cheiro salgado e úmido.

—Só você para dizer algo como isso. —Sento-me no chão ao seu lado. —Estamos quase lá. O que vai querer fazer?

—Como assim?

—Você sabe que não poderá morar comigo dentro da Cidade dos Endermans e também sabe que será difícil para mim morar no Reino Creeper.

—Não há problema. E se houver eu matarei o problema com estas lâminas.

—Não seja bobo, sabe que não poderá fazer isso. Nós daremos um jeito.

—Nós sempre damos.

—Você sabe que o navio não possui fechaduras nas portas, certo?

—Não me diga que quer fazer isso em um hora como essa.

—Você me deixou esperando tempo demais, Sekka. Vamos alugar um quarto e voltar antes que alguém perceba? Será rapidinho.

—O que eu fui arrumar? —Perguntou ele ao vento. —Tudo bem, mas vamos logo.

—Esse é o Sekka que eu gosto. —Digo o beijando. —Você não irá se arrepender.

Visão do Steve:

Debruço-me no para-peito do navio e olho pra água abaixo de mim. Estamos quase partindo, apenas terminando de carregar algumas coisas. Sekka e Pheal sumiram faz meia hora e ninguém consegue achá-los, embora todos tenham uma breve ideia do que estejam fazendo.

Pompo aparece de súbito atrás de mim, me abraçando como sempre faço a ela. —Estamos quase em casa. —Disse ela.

—Estamos um pouco longe dela.

—Comparado a onde estávamos é quase um pulo. —Ela segura e aperta de leve minha orelha. —Logo essa loucura toda terminará.

—Essa loucura nunca vai terminar. —Olho novamente pra água. —Não enquanto eu estiver aqui.

—O que quer dizer?

—Nada demais. Onde está a Gisele?

—A deixei em nossa cabine.

—Ela disse que estava toda animada com a viagem.

—Disse, mas parece que ficou com medo do mar. —Pompo ri sobre as costas da mão. —Ela é só um criança.

—Ela é nossa criança agora. Não sei se conseguiremos substituir os pais dela.

Pompo suspira e se apoia no para-peito ao meu lado. —Podemos nunca substitui-los, mas certamente ela gosta de nós e isso me é suficiente.

—Tem razão. Por que não vamos brincar um pouco com ela?

—Estava esperando você sugerir.

Demos as mãos e fomos em direção a cabine. Gisele estava lá, sentada na cama com as mãos juntas. Atie e Adreu a encaravam. Nos aproximamos e Pompo se sentou ao seu lado.

—Alguma coisa a perturba, Gisele? —Perguntei.

—Não é nada. Só que... Estamos indo para tão longe.

—Podemos voltar sempre que quiser, querida. —Disse Pompo.

—Verdade?

—Verdade. Poderemos voltar e visitar o Lhelt, voltar ao Portão de fogo... Voltar pra onde quiser.

Ela abriu um sorriso meio forçado. —Parece legal.

Pompo e eu nos olhamos. Precisávamos dizer alguma coisa. —Diga, Gisele, você já viu uma vaca?

—Não, apenas alguns desenhos em livros.

—No lugar pra onde vamos existem muitos animais diferentes e tem muito espaço pra você correr e brincar. Sabemos que não é como a sua antiga casa, mas nós faremos o possível pra deixa-lo o mais confortável quanto possível pra você.

Lágrimas ameaçaram sair de seus olhos, mas ela as limpou antes que pudéssemos comentar. Era evidente que ela sentia falta de sua família. Me ajoelho ao seu lado e limpo seu rosto. Ela me encara com duvidas nos olhos.

—Gisele, quer jogar um jogo?

—Jogo?

—Sim, um jogo muito divertido. Pode perguntar a Pompo se não é. —Digo a olhando. —Se chama Jogo da velha.

Notas finais
Gostaram? Deixem um comentário. Não gostaram? Deixem um comentário também. Não sei direito o motivo de o capítulo ter saído sem os parágrafos, mas tentarei corrigir isso. Até o próximo capítulo.