The mine word: Fire Gates.
22 Capítulo 21: Carne com batatas.
Notas iniciais
Visão da Pompo: Passado.
Eu corria desesperadamente pelo terreno da fazenda procurando pelo papai. Procurei por ele perto do poço, no celeiro e nas plantações, oque só deixava um lugar faltando.
—Papai! Você tá aí? –Gritei enquanto andava pela pequena floresta no final da propriedade. Eu podia ouvir o som das explosões e sabia que ele estava treinando por perto. Ao chegar a uma clareira eu o vi. –Ache você! –Gritei correndo em sua direção.
—Oque veio fazer aqui, Pompo? –Perguntou ele todo suado do treino.
—A mamãe tá chamando você pra almoçar.
—Já é tão tarde? –Ele olha pra cima e vê o sol no meio do céu. –Minha nossa! Vamos logo antes que ela fique brava conosco!
—Vamos! Vamos!
Visão da Pompo: Presente.
Não que eu não goste de ter a atenção do meu pai depois dele ter passado tanto tempo longe, mas eu acho que ele está sendo meio paranoico.
—Está com frio? Com fome? Quer comer alguma coisa? Com sede? Com sono? –Perguntava ele incessantemente.
—Pela milésima vez, pai, eu estou bem. Se ficar colocando o seu cavalo muito perto do meu vai acabar causando um acidente. –Respondi.
—Se precisar de algo é só chamar.
Ele se afastou um pouco e me deu espaço pra respirar. Ainda está muito cedo, então estamos indo a um ritmo mais lento no momento e depois do almoço nós vamos acelerar o passo.
—Não pensei que o Ponko pudesse ficar tão paranoico. –Comentou Steve.
—Ele sempre foi super protetor comigo. Não sei como ele permitiu que eu participasse da invasão a fortaleza.
—Talvez ele tenha percebido que você sabe se virar sozinha.
—Você não conhece o meu pai. Minha mãe me contou que ele não largava do pé dela durante a gravidez.
—Pelo menos você teve um pai.
Quando ele disse isso eu me lembrei do que ele contou sobre o seu pai. –Ah... Desculpa, não foi intenção.
—Tudo bem. Não é sua culpa o meu pai ser um idiota.
—Você não gostava dele?
—Eu não lembro muito bem, eu tinha cinco anos na época. Lembro dele bebendo e brigando muito com a minha mãe. Depois que eu cresci, eu passei a cultivar um ódio por ele.
—Oque o seu irmão acha disso tudo?
—Nunca conversamos a sério sobre isso.
—Pode conversar comigo a noite se você quiser.
—Do jeito que você dorme rápido eu vou é ficar falando com o vento.
—Eu não durmo tão rápido assim!
—Não? Ontem você deitou e começou a roncar no mesmo instante.
—Eu estava cansada.
—Sei... Uh! –Eu acerto uma cotovelada nele pra ele parar de falar bobagens.
Depois de algumas horas andando nós encontramos uma clareira e paramos pra comer. Eu estava faminta e poderia comer qualquer coisa que se mexesse.
—É melhor não demorarmos por aqui, parece que esse lugar é propriedade de um lorde da região.
—Mas é seguro? –Perguntou Steve.
—Vamos descobrir.
Steve distribuiu pães, nós comemos o mais rápido possível e saímos daquele lugar o quanto antes.
Eu ainda estava com fome, afinal eu vomitei a janta de ontem. Queria comer carne, a carne com batatas que a minha mãe faz é tão boa... Dá até água na boca só de pensar.
Visão da Pompo: Passado.
Meu pai estava correndo a toda velocidade enquanto me carregava em seus ombros. Nós riamos enquanto percorríamos o caminho até em casa.
—Mais rápido papai! Mais rápido!
—Pode deixar!
Nós chegamos em casa exaustos e com fome. Entramos e fomos até a cozinha, o cheiro da comida flutuava pelo ar e impregnava a casa inteira. Nos sentamos a mesa, que já estava arrumada, e esperamos ansiosamente pela mamãe. Ela estava em frente ao forno, cozinhando em uma panela de barro.
—Traz a comida, mamãe! –Gritei.
—É, traz a comida, mamãe! –Gritou meu pai.
—Eu não sou sua mãe, seu bebezão. –Disse ela dando um tapa nele. –Podem comer a vontade.
—Carne com batatas! Eu quero! Eu quero! Eu quero!
—Vou colocar pra você. –Ela pegou o meu prato e arrumou a comida. –Aqui.
—E pra mim? –Perguntou meu pai.
—Você arruma sozinho.
—Não é justo...
—Tudo bem, mas eu vou cobrar depois.
—Pode deixar.
Ela arrumou o prato dele e depois arrumou o dela. –Vamos rezar e comer.
—Ahh... Eu quero comer agora... –Reclamei.
—Se não rezar antes de comer você morrerá de fome. –Disse minha mãe.
—Está bem.
Todos colocamos as mãos sobre a mesa e fechamos os olhos. –Sol, nós agradecemos a você por essa comida e pela vossa proteção. Lua, nós agradecemos a você pelo vosso perdão e pela vossa piedade para conosco. Mine, nós agradecemos a você por essa casa e pela vossa hospitalidade nessa vida.
—Podemos comer agora?
—Podemos.
—Eba!
Visão do Steve: Presente.
A Pompo parece meio aérea no momento, desde que voltamos a nos mover, ela não disse uma única palavra.
—Ei, Pompo, está tudo bem? –Perguntei cutucando seu ombro.
—Sim... Está tudo...
—Pompo!! –Antes de terminar a frase ela caiu do cavalo. –Ei! Pompo! Oque foi!? –Perguntei dando alguns tapinhas no seu rosto.
—Oque aconteceu?! –Perguntou Ponko.
—Não sei. Ela parecia meio estranha e de repente caiu do cavalo.
Ele se aproximou dela e colocou a mão em sua testa. –Ela está meio quente. Coloque ela perto daquela árvore.
Coloquei ela sentada em frente à árvore. Seu rosto estava vermelho e isso não me trazia boas lembranças.
—Isso aconteceu com ela antes quando estávamos na casa da Hedyps. O médico que examinou ela disse que pode ter sido um efeito colateral da convivência com Endermans.
—Não, houve uma epidemia disso durante a primeira guerra, mas essa doença só se pegava uma vez. Isso deve ser outra coisa.
Pro Ponko não ter saído cortando a cabeça da Pheal eu acho que ele está falando sério.
Enquanto debatíamos sobre oque poderia ser, Sekka se aproximou. –Vocês acham que ela pode continuar?
—Acho que não. –Respondeu Ponko.
—Eu falei com o Gafuku e com a Kouko e eles disseram que vão continuar sem a gente.
—Oque? Por quê?
—Disseram que estamos perdendo tempo e que isso pode custar a vida da Rhoku. Se não tiver problema vocês podem ficar por aqui cuidando dela e depois nós voltamos pra buscar vocês.
—Bem... –Eu olhei pro Ponko e ele parecia pensar o mesmo que eu. –Vão na frente. Caso as coisas melhorem nós tentaremos prosseguir.
—Tudo bem. Não vamos decepcionar vocês.
Ele voltou pra onde o restante do grupo estava, subiu em seu cavalo e seguiu o caminho com eles.
—Você sabe que isso foi uma decisão arriscada, né? –Comentou Ponko.
—A Pompo é a minha prioridade no momento.
—Eu vou buscar água pra ela em um rio que tem aqui por perto. Cuide bem dela até lá.
—Vou cuidar.
Ele saiu com uma garrafa de madeira e eu fiquei com a Pompo. Ela estava ficando muito quente e sua respiração estava acelerada. Será que isso pode ser uma...
—Atchin*. –Ela espirrou, confirmando oque eu pensava.
—É uma gripe! Eu devo ter passado uma gripe pra você. –Falei, acariciando seus cabelos. –Me desculpe.
—S-Seu... Idiota...
Um barulho de algo se movendo no mato chamou a minha atenção. –Ponko? É você?
Duas garotas, segurando uma terceira entre elas, apareceram de detrás de um arbusto que ali estava.
—P-Por favor... Ajudem a nossa irmã!
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