The mine word
1 Capítulo 0: Prólogo
Notas iniciais
Ender está sentada em uma coluna de obsidiana observando aquele céu totalmente negro.
Aquele espaço, embora pequeno, era o suficiente para ela, na verdade, ela havia se acostumado àquele local confinado.
A presença de suas criações aliviava seu tédio e sentimento de solidão.
—Por que estou aqui?
Esse pensamento passava por sua mente naquele momento.
—Há quantos séculos estou presa aqui?
Outra reflexão feita por ela. Ender avista ao pé da coluna uma de suas criações.
Suas majestosas asas de dragão se abrem e ela despenca do céu.
—Qual é o assunto, Slen?
—Gostaria de reportar como anda a situação do império e da atual guerra.
Slen, um homem realmente leal a sua criadora, um rapaz que facilmente ultrapassa os 1,90 de altura, que comparado aos meros 1,40 de Ender, o faziam ser um gigante.
—Isso é tão chato, diga essas coisas depois.
—Infelizmente, precisa ser agora.
A expressão no rosto de Ender muda completamente.
—Tem alguma relação com as pedras?
—Eu receio que sim, elas começaram a perder força.
—Precisaremos repará-las o quanto antes.
O olhar do homem também muda.
—O problema é que o material para reparar é...
—Eu sei, o pó de Lucidiun que só é encontrado no território dos Blazes.
Ender morde a ponta de seu dedão direito.
—Eu tentei organizar uma equipe de busca, mas todos têm medo de deixar o lado de dentro.
—Não os culpo por temerem o lado de fora.
Slen faz uma reverência e em seguida desaparece em uma garoa de partículas roxas.
Ender alça vôo e volta a sua coluna de obsidiana, ali, deitada, pensa sobre o tempo em que seu povo era livre e o tempo em que o mundo era guiado por suas mãos.
Poderia ela ter sido uma líder ruim? Poderia ela merecer tal castigo?
Ali ela adormece. Seus cabelos de um preto puro misturados a um tom sutil de roxo se esparramam enquanto sua consciência se esvai.
Tudo está quieto, não havendo dia ou noite, sol ou lua.
—Você parece confortável nesse lugar.
Os olhos de Ender se abrem em um movimento de susto e medo.
—O-o que faz aqui?
—Não posso visitar uma velha amiga?
—Temos a mesma idade.
Ender está no chão encarando os olhos brancos do homem que um dia foi seu amigo.
—Foi mal, baixinha, esqueci dos pequenos detalhes.
—Eu não sou baixinha, você que é alto.
—Bem, somos opostos no final da contas.
Ele faz uma linha com o dedo e uma fenda se abre.
—Espera, não vai me dizer por que veio aqui?
Ele vira o rosto e dá um sorriso.
—Como disse, ver como estava minha velha amiga.
A fenda se fecha. Tudo o que resta naquele local vazio é Ender.
—Por quê? Porque ele continua a me atormentar?
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