The mine word
27 Capitulo Final: Bem vindos ao inferno.
Notas iniciais
No mesmo dia nós arrumamos oque faltava e colocamos no cavalo. Pompo o monta e caminha com ele pra fora do estábulo. Lhelt está nos esperando na porta do estábulo com um olhar de preocupação.
—Oque foi? Já estamos de saída. –Disse enquanto segurava as correias do cavalo.
—Eu queria aproveitar que vocês dois estariam aqui sozinhos pra dar um pequeno recado. –Ele desencosta da porta e nos olha nos olhos. –O Nether não é um lugar fácil de adentrar ainda mais enquanto está acontecendo uma guerra lá. Vocês devem se preparar para o pior, principalmente você, Steve. Não pertencendo a nenhuma raça você estará em desvantagem.
—Você está insinuando que o Steve é um cara fraco? –Perguntou Pompo.
—De modo algum, ele terá muito potencial se souber como trabalhá-lo corretamente. –Ele adentra o estábulo e retira dois cavalos de lá. –Infelizmente o cavalo que o seu pai me deu morreu, mas esses dois são os filhos dele e espero que possam ajudar vocês.
—É muita gentileza, mas não podemos aceitar. –Digo.
—Aceite. Pelo que ouvi da sua jornada vocês acamparam bastante, mas aqui faz muito frio a noite então cada distância a mais que vocês percorrerem durante o dia vai ser valiosa.
No fim nós aceitamos os cavalos. Redistribuímos as coisas entre os três animais e saímos pelo portão principal. É a primeira vez que viajamos tão rápido desde que conhecemos a Pheal. Eu estou na garupa com a Pompo guiando, Hedyps está na garupa com o Skel e o Sekka está sozinho enquanto a Kabi vai meio que esquiando em uma prancha de gelo e a Pheal vai voando pra poder reconhecer o terreno.
—Tudo bem ai em cima? –Gritou Sekka.
—Só neve, neve e mais neve. –Gritou ela.
—Temos muita luz do dia ainda, vamos avançar um pouco mais. –Disse Skel.
—Por mim tudo bem. –Respondeu Pompo.
—Por mim também. –Respondeu Sekka.
Se houver alguma corrida de cavalos por aqui eu vou inscrever esses três, pois é cada desviada de árvores, pedras e de si mesmos que chega a ser assustadora a precisão de cada um. Pheal começa a descer lentamente e aterrissa na garupa do Sekka.
—Você está maluca?! Poderia ter derrubado o cavalo! –Reclamou Sekka.
—Mas não derrubei. E minhas asas estão cansadas de tanto voar. –Disse ela.
—Estamos todos cansados. –Digo.
—Sejam firmes, pessoal. Precisamos cruzar o máximo de terreno que conseguirmos. –Disse Skel.
—O seu avô te falou isso também? –Perguntou Pompo.
—Não, por quê?
—Nada não.
Depois do que pareceu ser uma eternidade nós paramos em uma pequena caverna que a Pheal avistou do alto. Nós amarramos os cavalos em umas pedras que havia ali e ascendemos uma fogueira.
—Eu nunca vou me cansar desse fogo azul. –Disse Pheal olhando pra fogueira.
—Vem ajudar a gente a cobrir a entrada da caverna, sua preguiçosa! –Disse Pompo carregando um edredom.
—Eu estou cansada de voar o dia todo. E quem você acha que achou essa caverna? Você deveria estar me reverenciando.
—Você vai ver a reverencia que eu vou fazer depois de cortar as suas asas fora! –Eu agarro a Pompo e a levo pra longe da Pheal. –Mas foi ela que começou!
—Não me interessa quem começou, eu quero que você ajude e deixe-a pra lá. –Ela fica de bico e continua ajudando.
Terminamos de tapar a entrada da caverna, arrumamos as camas e fomos dormir. Eu dormi junto da Pompo, o Skel, a Hedyps e a Kabi montaram suas camas uma do lado da outra, a Pheal ficou entre a gente e o Sekka ficou do lado da fogueira. Eu não entendi muito bem oque aconteceu entre o Skel e a Hedyps, mas quem sou eu pra falar disso? Dormimos muito bem e acordamos muito cedo pra continuar a viajem.
—Arg! –Pheal se espreguiça e suas asas saltam pra fora.
—Controla essas coisas, Pheal. –Disse Kabi arrumando a cama.
—Desculpa. –Disse ela guardando as asas. –Onde estão o Steve e o Skel?
—Foram caçar.
Skel andava calmamente enquanto seguia o rastro do animal pela floresta. Ele fazia alguns sinais com a mão que pareciam indicar perto, longe ou cala a boca que você vai espantar ele.
—Oque estamos caçando mesmo? –Pergunto.
—Um javali. Eles existem aos montes por aqui.
—Sei...
Continuamos seguindo o rastro até acharmos um tronco de árvore oco. –Está ai dentro. –Disse ele. –Você bate no tronco e quando ele sair eu atiro.
—Certo. –Eu me posiciono e bato forte no tronco com o cabo da minha espada.
O animal parece se assustar e coloca a cara na entrada. –Peguei voc... –Ele para e não atira.
—Oque foi? –Ao me aproximar eu percebo que não é só um javali e sim três. Uma mãe com seus filhotes.
—Vamos embora. –Disse ele dando meia volta.
Voltamos para a caverna e todos estavam prontos nos esperando. –Cadê a carne? –Perguntou Pompo.
—Fugiu. –Disse Skel montando no cavalo.
—Que mau humor. Oque houve com ele? –Pergunta ela.
—Nem eu sei. –Na verdade eu tinha uma ideia, mas acho que aquilo não era assunto meu ou dela.
Nós viajamos assim durante duas semanas. A paisagem mudou completamente de uma floresta branca de pinheiros para um deserto vulcânico. A região do Nether parece ser alvo de grandes erupções vulcânicas, oque torna a paisagem meio sombria e deixa um cheiro de fumaça no ar.
Uma enorme planície está à frente da cadeia de montanhas. Ao longe um enorme portão de madeira bem escura reforçado com ferro se destaca entre as muralhas de obsidiana que cortam a montanha.
—Oque nós vamos fazer? –Pergunto.
—Temos que chegar ao outro lado sem sermos vistos. O problema é que teremos que abandonar os cavalos aqui. –Disse Skel.
—É realmente um problema... Talvez eu possa passar vocês por cima. –Sugeriu Pheal.
—Chamaria muita atenção. Mas o seu teleporte pode ser útil. –Disse Skel olhando para a fortaleza. –Até onde você acha que pode se teleportar, Pheal?
—Não sei... Com sorte eu consigo ir até metade do terreno.
—Estamos ferrados. –Diz ele cobrindo os olhos com as mãos.
—Devíamos partir logo pra cima deles. –Sugeria Sekka.
—Eu concordo. –Disse Pompo.
—Esse é o ultimo recurso. –Ele retira a besta das costas. –Temos que tentar ser discretos o máximo possível.
—Tudo bem. –Disseram os dois revirando os olhos.
—Ainda precisamos pensar em alguma coisa... Se ao menos tivéssemos alguma fonte de água. –Disse Skel ainda pensando em uma forma de entrar na fortaleza.
Ficamos o dia inteiro pensando em uma estratégia, mas nada parecia bom o bastante. Não é à toa que essas fortalezas são tão temidas pelos reinos. No final do dia o Skel já estava pirando de tanto bolar estratégias.
—Vamos desistir e voltar pra casa. –Disse ele.
—Conseguimos chegar até aqui, vamos tentar ao menos avançar mais. –Digo.
—É impossível invadir esse lugar com tão pouca gente. Você já viu a quantidade de guardas que estão patrulhando aquele lugar?! –Ele abre uma moita e encara o brilho de várias tochas que estão sendo carregadas por soldados.
—É de fato assustador. –Digo.
—Eu desisto. Já estou quase aceitando a ideia do Sekka de partir pra cima na cara e na coragem.
—E por que não fazemos isso? –Pergunta Pompo.
—Não sei. Vocês querem tentar? –Pergunta Skel.
—Vamos lá!! –Gritamos em conjunto.
Uma hora depois:
—Não acredito que fomos pegos! –Digo segurando as barras da cela.
—Foi culpa sua! Você só ficou atrapalhando a gente! –Gritou Sekka.
—Foi um péssimo plano desde o começo. –Disse Pompo da cela onde estão as garotas.
—Olha quem fala. Você estava toda animada com aquilo. –Digo.
—Por que você não se teleporta pro lado de fora e nos tira daqui, Pheal? –Pergunta Hedyps.
—E eu tenho as chaves pra abrir as portas? Seria inútil tentar isso. –Respondeu Pheal.
A situação não poderia estar pior. Pelo menos eles não nos mataram, mas tomaram todas as nossas coisas incluindo a besta do Sekka. Após algum tempo de silêncio nós ouvimos um barulho de portas abrindo. Uma garota aparece de repente segurando uma chave nas mãos.
—Não se preocupem, eu vou soltar vocês. –Disse ela. –Venham comigo.
Ela caminha até a última cela e a abre. Ela entra e remove um grande bloco de pedra da parede revelando uma passagem. Nós a seguimos até sairmos do lado de fora dos muros. Acima de nós é possível escutar a conversa dos guardas de tão próximos que estamos.
—Fique perto de mim. –Digo a Pompo. Ela concorda com a cabeça.
—Não façam barulho e continuem em silencio. –Disse a garota. Nós formamos uma fila e a seguimos por um tempo até um pequeno buraco escondido por pedras e arbustos. –Entre. –Disse ela entrando.
Sem mais opções nós vamos atrás dela. Era um extenso túnel que no final era possível avistar uma fraca luz. –Meu deus! –Digo ao sair do túnel e olhar a minha volta.
Era uma caverna enorme com oque parecia ser uma mini cidade dentro. Todos ficaram perplexos, pois ninguém sabia que havia uma cidade dentro da montanha. A garota se vira para nós:
—Sejam bem vindos à resistência!
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