The mine word
7 Capitulo 6: Vida de aranha.
Notas iniciais
Visão da Hedyps:
A vida começa cedo por aqui, acordamos mais cedo que o sol e dormimos antes de ver a lua. Abro meu baú e pego meu macacão sujo de terra e minha picareta de ferro, me visto e vou a cozinha preparar o café da manhã.
–Precisamos de mais melancia. –Digo indo até o armário da cozinha.
A cidade é pequena, todas as fazendas produzem melancias e a cidade vive basicamente da mineração de ouro e ferro. Minha irmã chega à cozinha com cara de sono e segurando seu bichinho de pelúcia.
–O café está pronto, mana?
–Quase pronto, vá se trocar enquanto isso.
–Certo... –Diz ela bocejando.
Minha Irmã se chama Hevack, eu cuido dela desde que nossos pais morreram nas minas. Hevack tinha dois anos na época, foi muito difícil nos primeiros meses, mas com o tempo a situação se amenizou.
–Hevack, vem comer!
–Estou indo.
Ela chega à cozinha, encosta sua picareta na parede e começa a comer. Mesmo que nós não gostemos desse estilo de vida, precisamos aceitar nosso destino, afinal, nossa raça foi criada especificamente pra trabalhos de mineração. Nossos olhos são feitos pra enxergar no escuro e nós ainda podemos enxergar um metro através de paredes.
–Ei, Hevack, como você está indo nas minas?
–Tudo bem, a maioria do trabalho é minerar carvão devido à profundidade permitida.
–Ei, ei, tem algum garoto que você gosta lá?
Ela fica vermelha na hora. –O-O-O-O-Oque isso tem haver com a conversa?
–Hum... Então realmente tem alguém? –Digo isso com uma cara de pervertida.
Ela fica quieta e o tom de vermelho só aumenta.
–Termina de comer ou nós vamos nos atrasar.
Saímos de casa, Hevack está andando como se estivesse marchando, levantando as pernas e os braços e dizendo 1,2,1,2,1,2,1...
–Você pensa que está no exercito? –Digo dando um risinho.
–Não vamos a lugar algum se ficarmos de cara fechada.
–Nossa, isso mudou o rumo da minha vida.
–Sério?
–Não.
–Você é má.
Chegamos à entrada da mina, Hevack fica no primeiro andar devido a sua idade e eu fico no quinto andar. Cada andar tem 7 metros de profundidade, apenas os mais velhos têm permissão de minerar nos andares abaixo do décimo andar.
–Se cuide, Hevack.
–Sim, até mais, mana.
A caminhada é longa, são vários metros de caverna e pontes de madeira até chegar ao meu posto. Vários séculos depois e eu chego ao meu setor, cada minerador tem um setor da caverna onde possa minerar sem ser interrompido.
–Mais um dia de trabalho. –Digo suspirando.
–Agradeça por ter um trabalho, Hedyps.
–Kya! Não me assuste assim, Gayet.
–Ha ha ha, suas reações são sempre as melhores.
–Oque você quer aqui?
–Uma amiga não pode ver outra amiga durante o trabalho?
–Porque nos colocaram pra ser vizinhas de trabalho? –Digo em um tom irônico.
–Eu os perturbei pra que me deixassem ficar ao seu lado.
–Sabia que era algo assim.
Gayet é uma garota um ano mais velha que eu, ela tem cabelo curto e vive com a cara suja de terra, seu jeito marrento e até meio másculo chamava bastante atenção aos não informados da situação.
–Bem, vou voltar ao trabalho, até mais tarde.
–Até.
Nos despedimos e voltamos ao trabalho. Horas se passam, o expediente acaba e eu estava toda dolorida. Passar o dia dentro de uma caverna é realmente enlouquecedor, ficar sem saber se é dia ou noite, se tem sol ou se está chovendo, se ouve algum acidente, tudo só é descoberto no final do expediente.
Refaço a caminhada eterna novamente e encontro Hevack sentada em uma pedra com o rosto preto de carvão.
–Dia divertido?
Ela me olha assustada. –Não enche.
–Oque aconteceu?
–Os garotos me enterraram em uma pilha de carvão.
–Oque! Quem foram os abestados que mexeram com a minha irmãzinha?!
–Calma, mana, eles já foram embora.
Eu junto os punhos. –Não tem problema, eles voltarão amanhã. –Digo com uma cara de psicopata.
Voltamos a nossa casa, guardamos nossas coisas e vamos tomar banho na casa de banhos da cidade. Era um local enorme, a região também é conhecida por suas fontes termais e por suas casas de banho luxuosas. Podemos tomar um banho de graça a cada semana por trabalharmos nas minas, tiramos nossas roupas e as deixamos guardadas em baús pessoais.
O lugar é enorme, embora o banho não fosse privado, ele era bastante aconchegante. Avisto Gayet acenando para nós ao longe, finjo que não vejo e levo Hevack pros chuveiros pra tirar a sujeira de carvão.
–Ei, não me ignore!
–Foi mal, eu não vi você.
–Mentirosa! Oque a sua irmã tem?
–Uns pivetes jogaram carvão nela.
–Entendo, mas eai, tem planos pra hoje a noite? Afinal amanhã é seu dia de folga.
–Verdade, havia me esquecido, mas isso vai me dar mais tempo ainda pra emboscar os pivetes que maltrataram minha irmã.
–Que jeito de descansar. Ei, eles cresceram de novo? –Ela diz apontando pros meus seios.
–C-Como eu iria saber?
–Hum... Então me deixe conferir. –Ela agarra meus seios.
–Ei... ah... para, Gayet.
–Viu? Eles realmente parecem maiores.
Hevack coloca suas mãos sobre seus seios planos e fica com uma cara deprimida.
–Não se preocupe querida, se puxar sua irmã eles vão crescer rapidinho.
–Pare de dizer coisas estranhas pra minha irmãzinha. –Dou um soco no topo de sua cabeça.
–Ai! Isso machuca.
–Essa era a intenção. Vamos pra fonte, Hevack.
A água quente é ótima pra relaxar os músculos tensos do trabalho. Os olhos da Gayet chegam a brilhar enquanto ela vistoria os corpos das outras garotas, não posso culpá-la, afinal todas tem corpos bem definidos devido ao trabalho nas minas.
–Como você consegue ser tão pervertida?
–Anos de prática. –Ela diz isso com tanto orgulho que chega a assustar.
–Você me assusta às vezes.
–Não se preocupe nenhuma delas se compara a você.
–Eu não tinha essa preocupação.
–Ei, mana.
–Oque foi?
–Estou cansada, quero ir pra casa.
–Está certo, vamos embora então.
Nos levantamos e fomos embora, pude sentir os olhos da Gayet me seguindo até a saída. Colocamos nossas roupas e voltamos pra casa.
–A Gayet é engraçada, mana.
–Verdade, ela é uma figura.
–Ei, é verdade que meus seios vão crescer e ficar como os seus? –Ela diz apertando o peito.
–Claro que sim, mamãe também tinha um par bem grande, tenho certeza de que você também terá.
Ela da um sorriso e começa a andar mais rápido. Chegamos a casa, jantamos e fomos dormir. Eu apaguei feito uma pedra, não me lembro de ter deitado, mas o importante é que o fiz.
–Mana, mana, mana...
–Não, Gayet, você não pode pegar nos meus seios aqui...
–Acorda!
–Kyaa!! Hevack? Porque está gritando?
–Eu ouvi um barulho lá embaixo.
–Um barulho? Eu vou dar uma olhada.
Caminho lentamente até as escadas e começo a ouvir vozes.
–Está muito escuro aqui!
–Onde é “aqui” pra começo de conversa?
–Desculpa, desculpa...
Termino de descer as escadas e vejo três pessoas discutindo na cozinha, pego uma vela e a ascendo pra que eles me vejam.
–Licença, mas, quem são vocês?
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