The mine word
21 Capitulo 20: A história do velho general.
Notas iniciais
Visão da Pompo:
Minha cabeça dói, meus olhos doem, meu corpo está dormente... Onde estou?
Ao abrir meus olhos eu me deparo com um velho senhor de barba branca usando um capuz branco com detalhes cinza. –Finalmente acordou minha jovem. –Disse ele.
—Q-Quem é você? –Digo com a cabeça latejando um pouco.
—A pergunta certa deveria ser: Quem FOI você? –Isso não fez muito sentido naquele momento. –Você sabe como chegou aqui?
—E-Eu estava com os meus companheiros e de repente... Onde eles estão?!
—Eles estão bem, estão no quarto dos fundos com o meu neto.
Algo nesse senhor não me parece certo. –Então... Quem foi você?
—É uma bela pergunta minha jovem, com certeza deve ter puxado o seu pai.
—O senhor conhece o meu pai? –Será que ele é o...
—Depende, você é a filha do Ponko?
Isso me pegou de surpresa, eu não esperava encontrar esse homem nesse estado. –Sim, então você é o tal general Lhelt.
Ele começa a rir como se tivesse se lembrado de algo muito engraçado. –Então aquele cara conseguiu ter uma filha? Isso é incrível! É uma honra receber você e seus companheiros na minha fortaleza.
—Você está muito exaltado, senhor Lhelt.
—Isso me lembra das conversas que tive com seu pai, ele dizia coisas como “eu vou viver em uma fazenda com uma bela esposa” ou “um dia eu terei um filho forte capaz de cruzar terras e mares”, mal sabia eu que aquele maluco tinha conquistado tudo aquilo. Ele está bem? Onde ele está?
—E-Ele foi recrutado pra outra guerra, deve estar no Nether nesse momento.
—Não se preocupe, aquele cara é durão ele sabe se virar. Mas me conte. –Ele se aproxima. –Você conhece a história de como eu conheci o seu pai?
—Não, ele falava de muita coisa, não tinha como eu prestar atenção em tudo.
—Você gostaria de ouvir?
—Claro.
—Então está certo...
Visão do Lhelt:
Estávamos em uma missão de levar suprimentos até um acampamento próximo a costa. Estávamos com um pequeno pelotão de vinte homens dos quais eu era o comandante. Nessa época o meu pai ainda estava vivo assim como minha filha.
—Há movimento a frente, senhor! –Disse um dos soldados.
—Fiquem parados. Gajuk verifique a situação.
—Sim, senhor! –Ele se esgueira pelas moitas e sobe em uma árvore. Ele estica seu arco pra ativar a visão de longo alcance e após alguns minutos ele faz um sinal com a mão dizendo que o caminho estava limpo.
—Vamos continuar. –Digo dando duas batidas do lado da carroça de suprimentos.
Nós caminhamos por apenas meio quilometro até descobrirmos que aquilo era uma armadilha. Vários soldados aranha e alguns creepers saíram dos arbustos e começaram a matar o meu pelotão.
—ATACAR! –Gritavam eles. Era um pelotão inimigo de cinquenta soldados no mínimo, pra onde eu olhava só via sangue e corpos caídos no chão.
—Recuar! Recuem pra floresta! –Mas já era tarde de mais, nós já havíamos sido aniquilados e os suprimentos já haviam sido roubados.
Eu larguei minha espada e cai de joelhos no chão apenas aceitando+ o meu destino. Um soldado creeper se aproximou de mim e levantou sua espada. –Pare soldado!
—Mas, senhor.
—Sem “mas”, uma ordem é uma ordem e eu quero que seja cumprida.
O soldado guardou a espada e se retirou. O homem que havia me salvado se aproximou de mim e se ajoelhou. –Você vem conosco.
Na hora eu não tinha entendido, mas aquele homem estava me fazendo uma proposta, eu poderia virar um prisioneiro ou morrer ali junto de meus companheiros, o problema era que... A escolha não era minha.
Ele amarrou meus pulsos e me levou até uma fortaleza que era compartilhada entre os creepers e os aranhas. Eu fui colocado em uma cela sem minha espada e meu arco, tudo que havia me restado era minha roupa.
O primeiro dia foi cansativo, eu só pensava na vergonha de ter sido o único sobrevivente do meu pelotão. Eu estava sentado no chão olhando pra parede quando seu pai entrou pela porta e se sentou em um pequeno banco de madeira na frente da cela. Eu não tinha reparado em como ele era durante a batalha, ele tinha um cabelo curto loiro parecido com o seu, tinha um corpo grande e usava um uniforme verde padrão dos creepers que consistia de uma calça de tecido grosso, um casaco com capuz e um colete de couro de creeper parecido com o seu só que bem maior –Eu trouxe o almoço. –Disse ele estendendo uma pequena tigela de madeira com caldo de carne e uma colher também de madeira.
—Não estou com fome.
—Você precisa comer.
—Me deixe em paz, eu nem queria estar aqui pra começo de conversa.
—Eu também não, mas temos que fazer oque temos que fazer. Qual o seu nome?
—E isso importa?
—Bem... Eu me chamo Ponko. –Ele colocou a tigela dentro da cela e abriu a porta. –Quando isso acabar você vai lembrar-se dessas palavras e rir de si mesmo. –Ele fechou a porta.
Na hora pareceu algo idiota, mas ele não me deixava em paz mesmo que eu suplicasse pra ele. Ele vinha a minha cela todos os dias, ele me trazia o café, o almoço e o jantar e não era uma gororoba qualquer, era comida boa, coisas como carne assada, peixe, pão com geleia de fruta, e eu só conseguia pensar em como ele arrumava aquelas coisas.
Um dia ele entrou no quarto segurando uma chave e uma tigela com pão e manteiga, ele destrancou a cela e me entregou a tigela. –A guerra acabou. Você está livre. –Disse ele agarrando os meus ombros.
Eu fiquei olhando pra tigela e pra porta da cela aberta e só conseguia pensar no quão amigável aquele homem havia sido comigo.
—Eu só preciso fazer uma ultima coisa antes de ir.
—E oque seria?
Eu fechei a porta da cela e me sentei no chão. –Quero ter uma ultima conversa com você, como tem sido desde o inicio.
Ele me olhou com um sorriso de quem havia entendido e se sentou no seu banco de sempre. –Oque planeja fazer quando sair daqui?
—Eu vou voltar pra casa, eu moro em uma fortaleza no alto das montanhas com meu pai, minha filha e meu neto.
—Você não tinha me contado que tinha um neto, quantos anos ele tem?
—Não sei, quanto tempo eu fiquei aqui?
—Talvez um ano.
—Um ano... Um ano?! –Eu não sabia que tanto tempo havia se passado. –Q-Quem ganhou a guerra?
—Não houve vencedor, os reis assinaram um tratado de paz ontem e ele trouxe o fim da guerra.
—Isso é bom de se ouvir. –Eu termino de comer. –Tem uma coisa que sempre me incomodou, porque vocês me dão comida de qualidade aqui?
—Oque quer dizer com isso?
—Normalmente os prisioneiros recebem papa de arroz ou qualquer comida nojenta que os soldados não comem, porque aqui é diferente?
Ele faz uma pequena pausa. –Deve ser por que... Aquela comida era minha.
Aquilo foi outro choque. –O-Oque você disse?
—Eu disse oque eu disse. Eu comi a comida nojenta e as sobras e dei a comida boa pra você.
—P-Porque você faria algo assim?
—Porque eu sabia que essa era a única forma de nós conversarmos como iguais.
Eu não acreditei quando ele disse aquilo. Ele ia treinar e batalhar apenas com comida de prisioneiro no estômago? Na hora eu achei que ele fosse maluco, mas oque ele havia falado antes mudou completamente a minha visão da situação. Ele não queria alguém pra jogar conversa fora, ele queria alguém pra chamar de amigo.
Eu levantei do chão e abri a porta da cela novamente. –Muito obrigado. –Disse dando um abraço nele.
—Venha eu vou lhe devolver as suas coisas. –Nós saímos pela porta. A luz estava tão forte que chegava a segar, mas sentir o sol na pele novamente era ótimo.
Nós andávamos pela fortaleza e eu recebia olhares de todas as direções. –E-Eu sou realmente bem vindo aqui?
—Claro que é, são eles que precisam se acostumar a sua presença.
Chegamos a um corredor cheio de portas de madeira, ele abriu uma porta e foi entrando. Não parecia ser um deposito, aquele era... O seu quarto? –Aqui o seu arco, a sua aljava e a sua espada. –Disse ele me entregando as coisas.
—V-Você guardou com sigo esse tempo todo?
—Claro, não podia deixar que um belo arco como esse fosse queimado.
—Eles iam queimar o meu arco?!
—Sorte a sua eu ter intervindo. –Ele faz uma pequena pausa pra pensar em alguma coisa. –Quero te mostrar outra coisa. –Nós fomos até os fundos do castelo onde ficava o cemitério. –Reconhece alguns dos indivíduos aqui presentes?
O Ponko não parava de me surpreender. –Mas eles haviam sido largados na floresta...
—Eu os recolhi e os enterrei aqui, só foi meio difícil colocar o nome nas lapides, então eu precisei da sua ajuda.
—Então era pra isso que você queria saber sobre os membros do meu pelotão?
—Eu consegui fazer uma surpresa ou não? Eu realmente sinto muito por eles, mas eu não podia desobedecer às ordens.
—Depois de tudo que você fez por mim você está mais do que perdoado, Ponko.
Ele me levou até os estábulos. –O meu cavalo é esse preto aqui, você pode pegar ele pra voltar pra casa.
—Não, isso seria pedir muito.
—Estou pedindo que aceite, é o mínimo que eu posso fazer.
—Então eu aceito com uma condição.
—E qual é?
—Que você venha comigo conhecer a minha família.
Ele vai até o final do estábulo e puxa outro cavalo, um branco com manchas marrons. –Pensei que não fosse pedir.
Foi uma viajem de quatro meses, não podíamos cortar caminho pelo mar já que não tínhamos um navio, então o jeito foi contornar pelo reino dos zumbis e cruzar os já vazios campos de batalha cheios de lanças, espadas e armaduras espalhadas por todos os cantos. Foi muito cansativo, mas devo admitir que foi bastante divertido e até certo ponto informativo.
—Bem... Chegamos. –Digo olhando pra fortaleza que se encontrava no alto de um morro.
—Você mora longe pra burro! Nem em um milhão de anos eu volto a te visitar!
—Imaginei que você fosse dizer isso. Vamos entrar. –Aproximamo-nos dos portões e logo uma flecha atingiu o chão a minha direita, era um tido de aviso. –Calma! Sou eu, o Lhelt!
—Os guardas me olharam com cara de surpresa e correram pra abrir o portão. –Que bom que o senhor está vivo. –Diziam eles enquanto traziam os cavalos pra dentro.
Por algum motivo todos estavam muito felizes em me ver, os mais velhos choravam, os adultos sorriam e os jovens corriam a minha volta. Ponko não parecia muito à vontade no meio de tantos esqueletos. –Pessoal! Esse aqui é o homem que salvou a minha vida! –Gritei erguendo o braço dele, ele ficou assustado e envergonhado com toda a atenção voltada pra ele.
A postura de todos mudou após a minha fala, todos pararam de olhar torto pra ele e vieram cumprimentá-lo. –E-Eu não estou acostumado com tanta atenção.
—Você se acostuma. –Eu avisto um guarda próximo. –Eu não estou vendo a minha filha ou o meu pai, você sabe onde eles estão?
—Bem, senhor. Como posso dizer isso? Eles...
—Morreram? –Digo enquanto me jogo na cama. –Meu pai, minha filha, meu genro... Os três morreram.
—Não fique assim, cara.
—Como não? Você sabe como é perder uma família? Minha mãe morreu durante o meu parto e a minha esposa morreu durante o parto da minha filha. Finalmente o meu neto nasceu e minha filha não morreu no parto dele, então eu achei que haveria uma chance de uma boa vida para aquele garoto, mas agora ele perdeu os dois pais. –Eu quero muito chorar, mas as lagrimas não saem.
—Acha que eu não sei? Meus pais foram assassinados quando eu era criança. Eu fui mandado pra um orfanato onde me espancavam todos os dias e quando tive idade pra sair de lá eu fui mandado pro exército. Não é só você que tem problemas.
Eu parei um pouco pra pensar no que ele tinha falado. –Você está certo.
—E-Eu estou oque?
—Você está certo. Essas pessoas precisam de um líder e querendo ou não a vida delas depende de mim. –As lagrimas finalmente saíram. –Obrigado, Ponko. –Digo o abraçando de novo.
—Calma, não precisa exagerar.
Naquele mesmo dia eu assumi a guarda do meu neto e impus a minha liderança como o novo general dessa fortaleza. Seu pai passou uma semana comendo e bebendo durante os vários banquetes que eu ofereci ao fim da guerra e ao meu retorno.
—Tem certeza que não quer que um soldado lhe acompanhe? –Perguntei a ele.
—Eu estou bem sozinho e eu não poderia pedir a ninguém que passasse quase um ano fora só por minha causa. –Ele riu.
—Você é um bom homem, Ponko. Tenho certeza de que será um ótimo pai algum dia.
—Eu estava pensando nisso, eu estou dispensado do exercito por enquanto. Talvez eu me case com uma bela mulher e vá morar em uma fazendo.
—Não esperaria menos de você.
Ele montou no seu cavalo. –Adeus meu amigo.
—Adeus. –Os portões se fecharam. Eu subi nas muralhas pra tentar avistá-lo, mas ele já tinha sumido. Aquela foi a ultima vez que vi seu pai.
Visão da Pompo:
—Essa foi uma bela história. Meu pai só tinha me contado fragmentos dela.
—Essa foi só uma parte da história, muita coisa aconteceu durante a nossa viagem.
—Gostaria de ouvir-las qualquer hora.
—Tudo há seu tempo minha jovem. Descanse enquanto eu chamo o seu namorado pra vir te ver.
—O-Oque?! D-D-De quem está falando?!
—Do garoto enderman é claro. Você acha que eu não notei o jeito de vocês dois?
—Eu estou com muita vergonha! –Digo apertando as bochechas.
—A juventude é tão boa. –Disse ele saindo do quarto.
Eu viro de lado e fecho meus olhos. –Onde será que o papai está agora?
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